ESCREVENDO À BESSA Por Gilvan de Brito
Como eu moro no bairro do Bessa, o mais interessante da Capital (deixo de dizer João Pessoa porque não aceito este nome e venho sugerindo há anos para substituí-lo pela denominação de Leritiba, antigo entreposto dos índios potiguaras (que habitavam em Serra da Raiz, quando visitavam o litoral, perto da praia fluvial de Jacaré), chamou-me a atenção um artigo do gênio da raça humana, Millôr Fernandes, sobre a palavra Bessa e sua origem.
Tentando tirar as dúvidas do irreverente cronista, o acadêmico Arnaldo Niskier revelou-lhe que “Beça é substantivo de gíria no vocabulário oficial de Portugal e que a locução à Beça significa muito, ou ainda, em grande quantidade.” Insatisfeito com Niskier, Millôr foi consultar o seu guru linguístico, Socey Quinada Sey, que lhe asseverou: “Você deve escrever como eles mandam ou leva pau no mais amplo sentido, como a moça na aula de Latim: Mandam você escrever à Beça, você escreve à Beça.
Até poucos anos mandavam você escrever Bessa, continuou Millôr, voltando ao seu mestre Socey Quinada Sei, quando assegurou que p professor Niskier devia saber: “como a palavra beça nunca existiu sozinha, não pode ser classificada como um substantivo. É usada apenas na expressão à beça, visivelmente adverbial”. E mostrou o Dicionário Brasileiro de Gíria, de Manuel Viotti, editado há mais de 70 anos. Veja, aqui: Loc. Adv. Abessa. Diante dessas aberrações intelectuais fiquei sem saber ao certo como escrever, se Beça, Bessa, Abessa ou à Bessa. Por via das dívidas vou continuar escrevendo à Bessa, aqui mesmo no FACE, e, aos diabos, com essas opiniões.
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