O FABULOSO DESTINO
Eu amava Amélia Poulain e não sabia. Ontem, finalmente, após voltar a vê-la, me dei conta da minha paixão introvertida e inconfessada. Já tinha caminhado com ela dezenas de vezes, mas desta feita, descontraído como me encontrava, tocou-me o coração e a mente. Uma mulher simples, inteligente, de gestos singelos, cuja maior alegria é tornar as pessoas próximas mais felizes ou punir a incivilidade daqueles que desrespeitam a dignidade humana. Isso realmente lhe enche de prazer. A história do pai, uma das suas maiores peraltices, foi marcante: O velho não se aventurava em conhecer novos mundos, o país mais distante que visitara era a padaria da esquina no fim da rua. Então ela foi ao jardim e retirou uma estátua de um anão, e pediu a uma aeromoça amiga para fotografá-la nos pontos turísticos mais conhecidos do mundo, e depois enviar um cartão postal para o pai.
Qual não foi a surpresa do velho Poulain ao descobrir que um dos discípulos de Branca de Neve, cativo do seu jardim, andava pela Europa, Ásia e África, enquanto ele não arredava o pé da casa onde nascera. Ainda o curioso e impressionante passeio com o deficiente visual no centro da cidade, contando todas as imagens do que vê para quem não vê; a caixinha de brinquedos de um menino achada 40 anos após; o pintor, o quitandeiro e as “Lágrimas da Madalena”. Outra história que ela me contou e eu a achei interessantíssima foi a do colecionador de fotos rasgadas, que tinha um álbum que não o levava a lugar nenhum. Suas amizades também são interessantes, cada uma com surpresas gratas, atraentes e sedutoras da sua vida íntima, transbordante de detalhes.
As peripécias cheias de cumplicidade, inconfessados sentimentos, sonhos e desejos, como dizem, daria um filme. Pois bem, marquei novo encontro com a fantástica Amélie Poulein, cujo nome verdadeiro é Audrey Tatou, aqui mesmo na República do Bessa. Ela, estimulada pela linguagem saltitante e audaz de Jean-Pierre Jeunet, agora tem três endereços fixos para quem quiser assistir ao filme: “O Fabulosa Destino de Amélie Poulain”, na Netflix, Telecine Play ou YouTube. Vale pena ver e conferir!
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