PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Coelho LisboaSérgio Botelho
– O movimento em favor da República, no país, não teve maiores dimensões, na Paraíba. Contudo, a história registra alguns destacados republicanos nascidos no estado. Um deles foi o areense João Coelho Gonçalves Lisboa.
Segundo o jornalista e escritor Gonzaga Rodrigues, em artigo publicado no A União, além de Coelho Lisboa, havia Albino Meira, Maciel Pinheiro e Aristides Lobo. Menos que os dedos de uma mão, ironizou Gonzaga.
Nascido em 27 de junho de 1859, o areense concluiu o curso de Direito no Recife, em 1884. A faculdade pernambucana era o caminho para a formação superior mais utilizado pela elite paraibana. Exerceu a promotoria brevemente em Areia, e foi pregar a República pelo Brasil.
Com Aristides Lobo, fez palestras no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul. Advinda a República, compôs no governo paraibano de Venâncio Neiva como chefe de Polícia. Denunciou treta pesada envolvendo familiar do governador, perdeu o cargo, e foi morar no Rio.
O jornal carioca O Tempo, de 19 de outubro de 1893, publicou nota informando que o Capitão-Ajudante Coelho Lisboa seguia recebendo reforços para o Batalhão 23 de Novembro, de caráter voluntário, que combatia a Revolta da Armada contra o governo Floriano Peixoto.
No Rio, foi professor do Colégio Pedro II e da Faculdade de Direito. Pela Paraíba, foi deputado federal e senador. No Senado, fez discursos contra as oligarquias e o clero resistente a princípios republicanos.
Escreveu Sublime Dea, A Ciência (de teor acadêmico e cientificista) e teve discursos no Senado reunidos no livro Problemas Urgentes: Oligarchias, Seccas do Norte e Clericalismo (na foto que ilustra a matéria).
Faleceu no Rio em 11 de julho de 1918. Nomeia ruas em João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Rio de Janeiro, Duque de Caxias e São Paulo. É um dos patronos da Academia Paraibana de Letras.
www.reporteriedoferreira.com.br/*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba.



