Paraíba tem 160 mil mulheres empreendedoras e mais da metade delas são chefes de família
Dados do Sebrae traçam o perfil atual das donas de pequenos negócios no estado e revelam ainda que 70,5% delas vivem na informalidade
Ser empreendedora no Brasil é, para mais da metade das mulheres, também ser a principal responsável pelo sustento e pela organização da família. De acordo com dados do Sebrae/PB referentes a 2025, 52,5% das donas de negócio no país são chefes de domicílio. Na Paraíba, o percentual sobe para 53,6%. O estado conta atualmente com 160 mil mulheres empreendedoras, o que representa 35% do total de empreendedores paraibanos. Em âmbito nacional, são 10,4 milhões de empresárias.
Conciliar a gestão do negócio, os cuidados com a família e o tempo para si mesma torna a jornada empreendedora ainda mais desafiadora. Ainda assim, muitas mulheres seguem firmes no propósito de transformar suas realidades e impactar positivamente suas comunidades.
É o caso da empresária Wyama Medeiros, proprietária da loja de calçados Pezzato, em Pombal, no Sertão paraibano. Ela conta que o maior desafio é equilibrar responsabilidades financeiras, emocionais e estratégicas. “Aprendi que o segredo não é ser forte o tempo todo. É ser resiliente. Preciso cuidar de mim para cuidar do meu negócio”, revela. A ideia de empreender surgiu da vontade de oferecer mais do que produtos: “Queria que cada mulher que entrasse na loja se sentisse confiante, valorizada e capaz”.
Wyama também fundou a Associação Sertanejas em Rede, em Pombal, com o objetivo de fortalecer negócios femininos. “Percebi que quando uma mulher empreende isolada, enfrenta mais medo. Mas quando empreende em rede, encontra força. Para mim, sucesso de verdade é quando crescemos juntas”, frisa.
No litoral sul, em Pitimbu, outra história de superação. Josefa Almeida, moradora do sítio Mucatu, viveu mais de 40 anos na agricultura e, aos 51, recomeçou a vida com o restaurante Chácara Cozinha da Roça. Inspirada por uma reportagem na TV, ela investiu as poucas economias no negócio, enfrentou a pandemia e hoje emprega sete mulheres e abre espaço mensal para artesãs locais exporem seus produtos. “Digo para as mulheres: não desistam de nada. A gente pode tudo”, reforça.
Apesar dos avanços, os desafios persistem. A taxa de informalidade entre negócios liderados por mulheres na Paraíba é de 70,5%. A gerente da Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae/PB, Humara Medeiros, explica que muitas empreendedoras enfrentam dupla ou tripla jornada. “Ela enxerga o empreender como uma forma de se empoderar e se posicionar na sociedade”, analisa. “Temos que celebrar as conquistas, mas não perder de vista o que ainda está por vir”, completa.
As histórias de Wyama e Josefa são exemplos de como o empreendedorismo feminino na Paraíba vai além da geração de renda: é ferramenta de transformação social, autonomia e fortalecimento comunitário.



