A RESILIÊNCIA DAS MARGARIDAS; Gilvan de Brito
A RESILIÊNCIA DAS MARGARIDAS
Tem três pés de margaridas aqui no jardim que me dão lições de resiliência diante da devastação que sofrem em dias e em tempos, mas reagem e se reincorporam de formas esplendorosa. Meu filho arranca os pés floridos a pedido da mãe, por considerá-las ervas daninhas, mas elas renascem, meses após, com a mesma exuberância com a mesma força e insistência igual àquela planta chamada “Comigo ninguém pode”, esta sim, daninha porque não tem flores a exibir espalhadas em leques.
Quando as margaridas estão no auge, com um metro de altura e dezenas de flores, eu me sento diante do pé que mais cresce, e fico segundos, minutos e horas admirándo-as, como inefável produto da natureza. Muitas vezes eu tenho um impulso para retirar uma daquelas belíssimas pétalas e admirá-las de perto, o amarelo bordado de verde nos extremos, mas me contenho, e a preservo pelo simbolismo que representam.
Também duram pouco tempo, uma semana, e se mostram poucas horas, quando o sol começa a esquentar abrem-se, quando o sol produz calor, se fecham; coisa de duas a três horas por dia. Recolhem-se de uma forma curiosa, como um palito. Ninguém é capaz de garantir que vão desabrochar no dia seguinte. Mas elas se abrem e, pelo modo como se exibem, parecem dizer “estou aqui venham me ver, talvez pela última vez!”.
Sei de mim que não interfiro neste ritual do abre e fecha, arranca, renasce, porque tenho a certeza de que elas aguardam o momento de reviverem, e isso me dá uma lição: A vida continua. Eu acho que as margaridas têm uma alma que ressurge noutro corpo, como acontece conosco, os humanos.
www.reporteriedoferreira.com.br/ Gilvan de Brito- advogado, jornalista, poeta, escritor


