O presidente do STF, Edson Fachin
Nelson Jr./SCO/STF
O presidente do STF, Edson Fachin

De vazamento em vazamento, o risco de combustão do motor do STF era tanto que o presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu mandar parar o carro e drenar tudo o que tinha dentro para evitar novas contaminações do debate eleitoral.

Na noite de quinta-feira (10), a ordem era para que André Mendonça levantasse o sigilo das investigações do caso Master. Mendonça liberou, mas manteve preservado um inquérito relativo ao financiamento do filme “Dark Horse”, um desdobramento da peça principal.

Soube-se, assim, que Flávio Bolsonaro (PL) era investigado desde julho. Era ele quem fazia a interlocução entre a produção da cinebiografia do pai e o financiador, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem chamava de “irmão”.

Tudo na história é estranho: desde encontros secretos até a forma com que o banqueiro enviou a grana, passando pelo volume de recursos. O dinheiro, até onde se sabe, passou por contas de fundos ligados à família Bolsonaro nos Estados Unidos. E a suspeita é que não alimentaram só o filme,.

Não se sabe em que momento os recursos pingaram na conta da produtora Go Up, neófita em trabalhos do tipo.

Alvo de uma operação da PF na véspera, Karina Gama, a dona da produtora, é o lado mais frágil da história, conforme alertaram aliados durante a ação, esta comandada por Flávio Dino, para investigar se emendas parlamentares também bancaram a produção via Mário Frias (PL-SP).

Fachin sabe que recebeu um material pela metade de Mendonça, que até agora não deu uma razão plausível para explicar por que segue sob sigilo bem o inquérito que alcança o filho do seu ex-chefe e responsável por sua indicação à Corte.

Na dúvida Fachin desenhou o recado: todos os inquéritos significa todos. Queda total. Em 24h.

Será um longo fim de semana.