Seguíamos apressados para o Varadouro, eu e Nice, pela rua Monsenhor Walfredo, quando nos deparamos com as luzes vermelhas de um sinal de trânsito acenderem, paralisando todos os veículos. De repente vem um venezuelano com uma placa mal escrita num portunhol até certo ponto compreensível, pedindo ajuda para alimentar a família, e apontou para a mulher e duas filhas pequenas, sentadas numa calçada com duas filhas, uma maior, em pé, e outra no colo, menor, chorando. Indaguei por que a menina chorava e ele disse, também no portunhol estropiado, que ela estava comendo o papel encontrado nas proximidades, por estar com fome. mas a mão não deixava.
E por isso chorava, em protesto. Então sinal abriu, os carros começaram a buzinar para sair da frente e eu tive que acelerar e seguir caminho, num trânsito maluco, num sábado em torno do meio-dia sob um sol causticante. Segui triste e a minha tristeza aumentou quando liguei a rádio do carro e logo surgiram os políticos da Paraíba, poderosos, em cargos públicos, querendo se reelegerem, dizendo os benefícios que realizaram e pedindo ao povo votos para continuarem se locupletando no Governo, na Assembleia e na Câmara dos Deputados.
Desliguei e a tristeza transformou-se numa ira, contra aqueles que poderiam solucionar quadros terríveis como esse, de famílias de um país vizinho ao Norte, morrendo de fome, na rua, porque não podem voltar para a sua terra, que fora devastada por um político e ditador e, agora está sendo saqueado e roubada por outro (o petróleo do maior produtor do mundo) enquanto o povo continua em estado difícil. Enquanto os miseráveis comem nas ruas os papeis que o políticos jogam com mensagens otimistas.


