PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Fim do Território Livre de PrincesaSérgio Botelho
– O dia 11 de agosto marca, no calendário histórico da Paraíba, o fim do Território Livre de Princesa (da cidade de Princesa Isabel, no Sertão Paraibano), surgido ao longo dos tumultuados anos 1930, com repercussão até internacional.
Em 11 de agosto de 1930, seiscentos soldados do 19º e 21º Batalhão de Caçadores do Exército, ocuparam a cidade, pondo fim oficialmente a uma revolta local, contra o poder estadual, iniciada em 28 de fevereiro de 1930, segundo o site da Câmara Municipal de Princesa Isabel.
Segundo verbete da Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas, a revolta de Princesa teria sido iniciada mesmo em 24 de fevereiro, quando do rompimento havido nas hostes governistas da política paraibana.
O racha foi exposto em telegrama pelo coronel José Pereira, líder político de Princesa Isabel, dirigido ao presidente da Paraíba, João Pessoa. Na mensagem, Pereira expunha sua contrariedade com a exclusão do nome do ex-governador João Suassuna e outras lideranças aliadas de Pereira, da chapa governista à Câmara dos Deputados e ao Senado, em pleito que se realizaria em 1º de março.
O próprio presidente do estado, João Pessoa, recusara apoio à chapa governista federal, do presidente Washington Luiz, passando a compor a oposicionista, da Aliança Liberal, na condição de candidato a vice-presidente da República do gaúcho Getúlio Vargas.
Na época da revolta em Princesa, a Paraíba esteve em vias de sofrer intervenção federal, desejada pelo próprio presidente da República e por José Pereira e seus aliados. Contudo, o assassinato de João Pessoa, em 26 de julho daquele mesmo ano, precipitou os acontecimentos. Foi quando o governo federal resolveu intervir em Princesa, objetivando ‘pacificar’ a Paraíba. A deposição de armas dos revoltosos foi negociada.
Em outubro, a Aliança Liberal assumiu de vez o governo paraibano, enquanto o presidente Washington Luiz era deposto. O coronel José Pereira passou a viver em uma fazenda no interior de Pernambuco, até a morte, em 1949, embora anistiado em 1934.
(Foto: Cidade de Princesa Isabel)
www.reporteriedofoerreira.com.br/*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.


