Marcelo Queiroga protagoniza propaganda do PL. Foto: Reprodução“Pede pra sair, senhor 02!” Todos lembram desta referência, não é? Sim, do filme Tropa de Elite. O personagem do ator Wagner Moura na trama segura pelo braço um aspirante a uma vaga na tropa e manda ele desistir. O PL, de forma figurada, tem feito o mesmo com o comunicador Nilvan Ferreira e com os deputados Cabo Gilberto (federal) e Wallber Virgolino (Estadual). A escalação do ex-ministro Marcelo Queiroga para estrelar a inserção do partido na TV diz muito sobre isso. É só mais uma humilhação imposta contra o “triunvirato”, formado pelos três aspirantes à condição de candidato do partido de Jair Bolsonaro.
Só que dentro desta trama, cada vez mais, Queiroga vem assumindo papel de protagonista na condução dos preparativos rumo às eleições do ano que vem. O ex-ministro foi ungido para o posto pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Tem, também, as bênçãos do ex-presidente da República. E tem, ainda, a simpatia do deputado federal Wellington Roberto, que vem comandado o partido há anos, sem dar espaço para outras lideranças. No pleito do ano passado, o Cabo Gilberto comprou briga com o colega de partido nos bastidores, por causa da falta de verbas do partido para as candidaturas.
Na propaganda divulgada pelo PL, Queiroga se apresenta à população de João Pessoa, lembrando o trabalho dele à frente do Ministério da Saúde. De fato, o ex-ministro assumiu o cargo num momento de grande incerteza em relação à política de saúde do país, por causa da pandemia. Ele conduziu a distribuição das vacinas e adotou um discurso, pelo menos inicialmente, voltado para a ciência. No ano passado, chegou a ser cotado para a disputa do governo do Estado ou para o Senado, mas acabou decidindo ficar até o fim do governo Bolsonaro.
A vantagem dele em relação a Nilvan, Gilberto e Wallber é ter boa relação com o ex-presidente, que figura como seu padrinho político. O dado negativo é não ser conhecido da maior parte da população. E reside neste quesito a crítica dos três pré-candidatos em processo de descarte, por serem mais conhecidos. Todos já experimentaram eleições e só Nilvan ainda não ocupou cargos eletivos.
O ato contínuo disso, muito claramente, é que restará aos três a porta da rua, tendo em vista que o candidato do partido, ao que parece, já foi definido. Ou seja, Queiroga deve ser o postulante e os outros três, se quiserem entrar na disputa, terão que mudar de sigla.



