Zambelli: situação política na Itália poderia impedir extradição

Avaliação é do advogado Rafael Paiva, ao iG, se referindo a Giorgia Meloni, atual primeira-ministra italiana, de extrema-direita

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A deputada federal licenciada do PL, Carla Zambelli
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A deputada federal licenciada do PL, Carla Zambelli

O fato da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL) ter se entregado às autoridades da Itália,  nesta terça-feira (29), conforme informou seu advogado, deverá ser pouco relevante na decisão da Justiça italiana a respeito de sua extradição para o Brasil.

A avaliação é do advogado criminalista Rafael Paiva, professor de Direito Penal e Processo Penal, em entrevista ao Portal iG.

Paiva acredita na extradição de Zambelli nas próximas horas, mas faz uma ressalva: “A menos que haja alguma aituação política, considerando que o governo atual da Itália é de direita”, diz ele, se referindo a Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, de extrema-direita, mesmo posicionamento pollítico do PL de Zambelli.

“Existem situações jurídicas, mas existe também a situação política. Eu acredito que a deputada deverá ser extraditada, a não ser que o governo italiano decida comprar essa briga. Não foi o que ocorreu em situações semelhantes, mas não podemos descartar completamente a situação”, pondera.

Carla Zambelli, que tem cidadania italiana, foi presa na Itália nesta terça, para onde fugiu no final do mês de maio, depois de ser condenada a 10 anos de prisão em regime fechado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da prisão, ela também foi condenada à perda do mandato, o que ainda será analisado pela Câmara dos Deputados.

Apesar do deputado italiano Angelo Bonelli dizer em sua rede social que denunciou à polícia italiana um endereço em Roma no qual Zambelli estaria hospedada, seu advogado afirmou que a deputada se entregou e que agora “busca a sua não extradição e, obviamente, ser julgada com imparcialidade e justiça”.

Pelas leis italianas, as autoridades do país têm agora até 48 horas para decidir se vão soltar Zambelli, se ela vai para prisão domiciliar ou se aceitam o pedido de extradição do Brasil.

“O fato dela ter se entregado, se isso ocorreu, deverá ser bem pouco relevante na decisão sobre sua extradição. Os próximos passos aguardados, se não houver nenhuma surpresa, é que ela seja extraditada para o Brasil”, aposta Paiva.

Ele também antecipa quais poderão ser os três argumentos da defesa da deputada para tentar impedir sua extradição para o Brasil: a dupla cidadania da deputada, a alegação de estar sofrendo perseguição política, conforme já disse nas redes sociais, e a situação deplorável das cadeias brasileiras.

 




CPMI acata acesso a dados de Zambelli e Delgatti e reconvocação de Cid

Decisão foi tomada durante sessão desta quinta-feira (24) da comissão

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iG Último Segundo

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Atualizada às 

CPMI aprovou quebra de sigilos de Zambelli e Delgatti e reconvocação de Cid
Montagem iG / Imagens: Lula Marques/ Agência Brasil

CPMI aprovou quebra de sigilos de Zambelli e Delgatti e reconvocação de Cid

Na manhã desta quinta-feira (24), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro aprovou a quebra de sigilos bancário e telemático da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e do hacker Walter Delgatti Neto. A comissão ainda aprovou a reconvocação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

Hoje, a CPMI aprovou:

  • Quebra de sigilo telefônico e telemático de Zambelli;
  • Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da deputada;
  • Quebra de sigilo telefônico e telemático de Bruno Zambelli, irmão de Zambelli;
  • Quebra de sigilo telefônico e telemático de Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor de Bolsonaro;
  • Quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Delgatti;
  • Reconvocação de Cid;
  • Convocação de Osmar Crivelatti;
  • Pedido para que o Exército forneça processos, sindicâncias e inquéritos instaurados para investigar militares que deveriam ter feito a proteção do Palácio do Planalto no dia dos ataques do 8 de janeiro de 2023.

Nesta quinta, a CPMI  ouve o depoimento do sargente do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-assessor de Bolsonaro , em investigação que apura a possível participação de agentes públicos em uma tentativa de golpe de estado, após derrota de Bolsonaro nas últimas eleições.

A quebra de sigilos de Zambelli começou a ser defendida após ela ter sido apontada como a responsável por ordenar uma invasão aos sistemas do Poder Judiciário pelo hacker Walter Delgatti.

À Polícia Federal, o hacker disse que a  deputada pediu que ele invadisse as urnas eletrônicas, além de contas de e-mail e o celular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com ele, a parlamentar teria pago a ele uma quantia de R$ 40 mil para invadir o sistema do Judiciário.

A quebra de sigilo foi motivo de discussão entre os parlamentares na última terça-feira (22). Aliados de Bolsonaro se mostraram contra a medida e pediram somente a convocação de Zambelli à comissão — debate que levou ao cancelamento da sessão dessa terça.

No dia seguinte, porém, o presidente da CPMI, deputado Arthur Maia (União-BA), decidiu pautar o requerimento. “Eu penso que, depois daquele depoimento do hacker, é importante que isso seja colocado, né? Havia vários requerimentos nesta direção [de quebra de sigilo da deputada]”, afirmou Maia.

Já em relação a Mauro Cid, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro já foi chamado para depor na CPMI, mas ficou em silêncio. Depois, surgiram novas acusações contra ele, de que  Cid teria atuado para tentar vender presentes recebidos pelo governo brasileiro de líderes de outros países durante viagens oficiais.

Com isso, integrantes da CPMI passaram a defender que ele fosse reconvocado e comparecesse novamente para prestar depoimento.




PF faz operação contra Zambelli e hacker da “vaza jato” que disse ter sido procurado para invadir urnas eletrônicas

02/08/2023 08:01
Suetoni Souto Maior
A deputada Carla Zambelli postou, em 2022, foto de encontro com Walter Delgatti. — Foto: Reprodução/Twitter

A Polícia Federal está cumprindo, na manhã desta quarta-feira (2), cinco mandados nos estados de São Paulo e Brasília. Os alvos são a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto, famoso por ter dado origem à chamada “Vaza Jato” ao invadir telefones de autoridades envolvidas com a operação Lava Jato. Contra a parlamentar, os mandados são de busca e apreensão, enquanto um mandado de prisão preventiva foi expedido contra Delgatti.

Em depoimento recente à Polícia Federal, o hacker disse que a deputada federal bolsonarista lhe pediu para invadir as urnas eletrônicas ou, se não conseguisse, a conta de e-mail e o telefone do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo Delgatti, o pedido foi feito em setembro do último ano, quando ele e a parlamentar se encontraram na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo.

Oficialmente, a Polícia Federal divulgou que há cinco mandados de busca e apreensão (três no DF, dois no SP) e um mandado de prisão preventiva.

“Em prosseguimento às ações em defesa da Constituição e da ordem jurídica, a Polícia Federal está cumprindo mandados judiciais relativos a invasões ou tentativas de invasões de sistemas informatizados do Poder Judiciário da União, no contexto dos ataques às instituições”, escreveu em uma rede social o ministro da Justiça, Flávio Dino.




Operação contra Zambelli abre novo racha entre Valdemar e Bolsonaro

Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro. © Neto Sousa/Estadão – 30/11/2021

Por Igor Gadelha

A operação da Polícia Federal contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP) na quarta-feira (2/8) abriu um novo racha entre Jair Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Enquanto Bolsonaro criticou a ex-aliada nos bastidores e publicamente mantém silêncio sobre o tema, Valdemar saiu em defesa de Zambelli. À CNN Brasil, o presidente do PL chamou a operação da PF de “barbaridade”.

Segundo aliados do cacique, ele deu a declaração após ser pressionado pela ala radical da sigla a defender Zambelli e por considerar que a votação expressiva da deputada deve ser valorizada.

O entorno de Bolsonaro, entretanto, demonstrou incômodo com a fala de Valdemar. O temor é de que o cacique do PL traga a crise de Zambelli para o colo do ex-presidente, que foi citado pelo hacker em depoimentos.

“Novamente Valdemar contrasta com Bolsonaro e mostra-se completamente desconectado da realidade”, avaliou à coluna um aliado próximo do ex-presidente.

Essa é o segundo racha recente entre Valdemar e Bolsonaro. No início de julho, ambos divergiram publicamente sobre a proposta de reforma tributária votada na Câmara.

Reação de Bolsonaro

Bolsonaro foi informado da operação contra Zambelli por auxiliares. Ao saber da operação, ele classificou Zambelli como “incosequente” e “tóxica”.

O ex-presidente também fez questão de ressaltar que não fala com a deputada há muito tempo, apesar das inúmeras tentativas de contato dela nos últimos meses.




Hacker acusa Zambelli de pedir invasão de urnas e contas de Moraes

O pedido foi feito quando Lula (PT) saiu na frente de Jair Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral

 

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iG Último Segundo

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Deputada Carla Zambelli (PL).
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Deputada Carla Zambelli (PL).

O hacker da Vaza Jato, Walter Delgatti Netto, disse em depoimento à Polícia Federal que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) lhe pediu para invadir as urnas eletrônicas ou, caso não conseguisse, a conta de e-mail e o telefone do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração é de Andréia Sadi, colunista do g1.

Delgatti disse que o pedido foi feito em setembro do ano passado durante um encontro entre os dois na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. Naquele momento, as pesquisas de intenção de voto mostravam vantagem de Lula (PT) em relação a Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.

Desde os resultados das pesquisas, Bolsonaro e seus apoiadores vinham atacando a segurança do sistema eleitoral.

No depoimento, Delgatti admitiu que não conseguiu acessar o sistema da urna eletrônica nem o telefone de Alexandre de Moraes. Em 2019, quando o hacker invadiu aplicativos de outras autoridades, ele teve acesso ao e-mail do ministro, mas não encontrou nada comprometedor.

A invasão das contas em 2019 foi o motivo da prisão de Delgatti. Posteriormente, ele foi posto em liberdade, mas voltou a ser detido em junho deste ano por descumprir medidas judiciais.

Entre as medidas descumpridas por Delgatti foi o acesso à internet. Além de ter amplo acesso, ele ainda cuidava do site e das redes sociais da deputada Carla Zambelli.

Após ser detido pela segunda vez, Delgatti depôs em inquérito que investiga a invasão do sistema de mandados de prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inclusão de uma falsa ordem de prisão de Alexandre de Moraes.