Em carta, 30 ex-presidentes pressionam Lula a defender democracia na Venezuela

Em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira, 5, trinta ex-chefes de Estado da América Latina e Espanha pediram para que o mandatário brasileiro pressione mais a Venezuela em defesa da democracia na região.

“Os ex-chefes de Estado e de governo que subscrevem esta mensagem, membros da Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas (Idea), exortamos a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, a reafirmar seu inquestionável compromisso com a democracia e a liberdade, as mesmas de que gozam seu povo, e a fazê-la prevalecer também na Venezuela”, afirmam os signatários na carta.

Na nota, os ex-presidentes afirmaram que o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais venezuelana foi Edmundo González, candidato opositor ao mandatário Nicolas Maduro. Além disso, escreveram que são porta-vozes da maioria dos venezuelanos e destacam o número de prisões, torturas, desaparecimento e mortes que já aconteceram desde o início dos protestos contra a reeleição de Maduro. Até o momento, 12 mortes já foram relatadas.

“Eles estão protestando em defesa de seu voto, estão resistindo pacificamente, guiados por María Corina Machado e por quem, como demonstram os relatórios eleitorais que são de conhecimento público e foram coletados pelas testemunhas na seção eleitoral, foi eleito presidente, Edmundo González Urrutia. A Venezuela tem o direito de fazer uma transição para a democracia”, conclui a carta.

O documento foi assinado por integrantes do grupo Idea, fórum composto de 37 ex-líderes mundiais. Entre eles estão o argentino Maurício Macri, os colombianos Álvaro Uribe e Iván Duque, o equatoriano Guillermo Lasso e o boliviano Carlos Mesa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também é integrante do Idea, mas não assinou a carta.

Lula e Venezuela

Lula ainda não reconheceu a vitória de Maduro declarada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no domingo, 28. O presidente brasileiro também cobrou que o governo venezuelano divulgasse as atas eleitorais, que até o momento não vieram a público por parte do regime, mas atenuou o tom e não acusou fraude.

“É normal que tenha uma briga. Como resolve essa briga? Apresenta a ata”, disse Lula.

Durante sua visita ao Chile nesta segunda-feira, Lula e o mandatário chileno, Gabriel Boric, conversaram a portas fechadas sobre a situação da Venezuela.

A oposição venezuelana alega que González venceu com 73% dos votos, enquanto Maduro teria arrematado menos de 30% (segundo o CNE, o presidente da Venezuela teria vencido com 51%). O principal ponto de questionamento é que até o momento o regime não divulgou os resultados na totalidade, desagregados por mesa de votação, enquanto a oposição fez esforços para obter e divulgar esses dados.

Lista dos signatários

Mario Abdo, Paraguai
Óscar Arias S., Costa Rica
José María Aznar, Espanhaa
Nicolás Ardito Barletta, Panamá
Felipe Calderón, México
Rafael Ángel Calderón, Costa Rica
Laura Chinchilla, Costa Rica
Alfredo Cristiani, El Salvador
Iván Duque M., Colômbia
José María Figueres, Costa Rica
Vicente Fox, México
Federico Franco, Paraguai
Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Chile
Osvaldo Hurtado, Equador
Luis Alberto Lacalle H., Uruguai
Guillermo Lasso, Equador
Mauricio Macri, Argentina
Jamil Mahuad, Equador
Hipólito Mejía, República Dominicana
Carlos Mesa G., Bolívia
Lenin Moreno, Equador
Mireya Moscoso, Panamá
Andrés Pastrana, Colômbia
Ernesto Pérez Balladares, Panamá
Jorge Tuto Quiroga, Bolívia
Mariano Rajoy, Espanha
Miguel Ángel Rodríguez, Costa Rica
Luis Guillermo Solís R., Costa Rica
Álvaro Uribe V., Colômbia
Juan Carlos Wasmosy, Paraguai




Agência divulga contagem de atas da Venezuela e González tem o dobro de votos de Maduro

Associated Press divulgou a própria contagem de atas de votação na Venezuela e mostra vitória absoluta de González sobre Maduro

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|Nicolás Maduro e Edmundo González

Reprodução: Redes Sociais

Nicolás Maduro e Edmundo González

Associated Press divulgou neste sábado, 3, a contagem de atas das eleições da Venezuela a qual tiveram acesso. Os números mostram que Edmundo González  recebeu mais votos do que Nicolás Maduro , que se declarou presidente reeleito.

AP analisou 24 mil imagens de atas eleitorais correspondentes a 79% das urnas de votação. No total, foram quase 10,26 milhões de votos. Os votos de González são bastante superiores.

De acordo com os cálculos da agência, feita com decifração de QR Codes das folhas de votos, maduro teve 3,13 milhões de votos. González teve 6,89 milhões, mais do que o dobro do presidente.

De onde vêm atas de eleição?

As atas totais das eleições são fonte de tensão. Diversos países pediram pela divulgação, mas o Conselho Nacional Eleitoral , presidido por aliado de Maduro, não as divulgou, apesar das cobranças mundiais.

As atas consultadas pela AP foram divulgadas pela oposição de Maduro na internet. María Corina Machado , líder do partido, divulgou que tinham as atas digitalizadas e as disponibilizou em um link. Agora, a divulgação é pública.

Por lá, a AP analisou as imagens; 4% delas estava com qualidade ruim de análise. Porém, a agência de notícias enfatizou que não conseguiu verificar de modo independente a validade das atas vindas da oposição de Maduro.

Protestos contra Madur explodem em Caracas, Venezuela reprodução / Twitter

1/4 Protestos contra Madur explodem em Caracas, Venezuela reprodução / Twitter
María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter

2/4 María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter
María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter

3/4 María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter
María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter

4/4 María Corina encabeça manifestações na Venezuela reprodução / Twitter

Contagem do CNE

A contagem anunciada pelo CNE, sem apresentação das atas, é bastante diferente da AP. Eles atribuíram 6,3 milhões de votos a Maduro e 5,3 milhões a González. Teriam sido apuradas 96,87% das urnas.

Essas foram as atas retificadas pelo país e usadas para a posse de reeleição de Maduro na Venezuela.




Em nota conjunta, Brasil, Colômbia e México pedem divulgação de atas na Venezuela e solução pelas ‘vias institucionais’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu jornalistas para café da manhã no Palácio do Planalto na terça (23) – Gabriela Biló /Folhapress

Brasil, Colômbia e México divulgaram uma nota conjunta no início da noite da quinta-feira (1º) em que pedem a divulgação de atas eleitorais na Venezuela. A nota pede também a solução do impasse eleitoral no país pelas “vias institucionais” e que a soberania popular seja respeitada com “apuração imparcial”.

A Venezuela mergulhou em um impasse político e social após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ter declarado o atual presidente, Nicolás Maduro, reeleito na eleição de domingo passado (28).

Mas a oposição alega fraude e afirma que o vencedor foi o candidato oposicionista Edmundo González. Não só a oposição, mas também o governo de outros países — como a Argentina e o Chile — e organismos internacionais apontam irregularidades no pleito e não reconheceram o resultado.

O Brasil já vinha pedindo que o CNE — órgão controlado na prática por Maduro — apresente as atas eleitorais, espécie de boletim das urnas. A autoridade eleitoral venezuelana ainda não fez isso, mesmo após 5 dias da divulgação do resultado.

Desde o início da semana, era esperada a nota conjunta entre Brasil, México e Colômbia, países com influência regional e que vêm adotando uma posição cautelosa sobre a crise.

“Acompanhamos com muita atenção o processo de escrutínio dos votos e fazemos um chamado às autoridades eleitorais da Venezuela para que avancem de forma expedita e divulguem publicamente os dados desagregados por mesa de votação”, afirmaram os três países na conjunta.

“As controvérsias sobre o processo eleitoral devem ser dirimidas pela via institucional. O princípio fundamental da soberania popular deve ser respeitado mediante a verificação imparcial dos resultados”, completou o texto.

Pouco antes de a nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou remotamente com os presidentes Manoel Lopez Obrador, do México, e Gustavo Petro, da Colômbia, O tema foi justamente a crise eleitoral na Venezuela.

A conversa começou por volta de 17h20 e durou cerca de 40 minutos.

Participaram também, do lado do Brasil, o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim. .

Brasil, México e Colômbia seguem em sua posição de nem reconhecer nem refutar o resultado eleitoral. A estratégia continua sendo a espera pelas atas.

‘Manter a paz social’

Os três países disseram na nota que as preocupações prioritárias neste momento é “manter a paz social e proteger vidas humanas”.

“Nesse contexto, fazemos um chamado aos atores políticos e sociais a exercerem a máxima cautela e contenção em suas manifestações e eventos públicos, a fim de evitar uma escalada de episódios violentos”, diz o texto.

Brasil, Colômbia México também se colocaram à disposição para apoiar o diálogo entre o governo e a oposição venezuelana.

“Que esta seja uma oportunidade para expressar, novamente, nosso absoluto respeito pela soberania da vontade do povo da Venezuela. Reiteramos nossa disposição para apoiar os esforços de diálogo e busca de acordos que beneficiem o povo venezuelano”.

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OEA rejeita eleição de Maduro e denuncia manipulação de votos na Venezuela

Para Organização dos Estados Americanos, resultado da eleição foi “manipulação extraordinária” de voto

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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
Marcelo Camargo/Agência Brasil – 29/05/2023

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Organização dos Estados Americanos (OEA) negou a legitimidade da reeleição de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela . O presidente assumiu nesta segunda-feira (29) o terceiro mandato, e diz ter 51,2% dos votos válidos – mas não apresentou provas.

De acordo com relatório divulgado pela  OEA nesta terça-feira (30), o resultado foi “manipulação extraordinária” dos votos. O órgão afirmou ter indícios sólidos disso.  A oposição afirma também ter provas.

O que diz relatório da OEA?

Para a organização, ao assumir presidência de forma fraudulenta, Maduro “aplicou um esquema repressivo, acompanhado de ações para distorcer completamente o resultado eleitoral”.

O relatório diz: “Ao longo de todo este processo eleitoral assistimos à aplicação por parte do regime venezuelano do seu esquema repressivo complementado por ações destinadas a distorcer completamente o resultado eleitoral, colocando esse resultado à disposição das manipulações mais extraordinárias”.

A organização viu com maus olhos a demora da divulgação dos resultados e a  recusa de divulgação de atas . Afirmaram, ainda, terem encontrado “ilegalidades, vícios e más práticas” durante as eleições que elegeram Maduro.

Segundo o documento, o CNE – Centro Nacional Eleitoral divulgou o vencedor sem apresentação de dados ou provas, e os números apresentados oficialmente teriam “erros aritméticos” e forneceram “apenas as porcentagens agregadas de votos que as principais forças políticas teriam recebido.”

“Em conclusão, dado que não existe qualquer suporte documental público que suporte os dados anunciados pela CNE, existindo, sim, informações provenientes de diversas fontes que os contradizem, é critério técnico do Departamento de Cooperação e Observação Eleitoral que os resultados oficiais não merecem confiança nem devem receber reconhecimento democrático”.




Venezuela: oposição afirma possuir provas da vitória de González na eleição

María Corina Machado afirma que atas recebidas pelo grupo são ‘suficientes’ para garantir a vitória contra Nicolás Maduro

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Maduro e Urrutia votam em Caracas
Montagem/Reprodução

Maduro e Urrutia votam em Caracas

A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, disse, nesta segunda-feira (29) que o grupo de oposição já pode afirmar a vitória sobre o presidente Nicolás Maduro na eleição realizada no último domingo (28).

“Temos 73,20% das atas e, com este resultado, o nosso presidente eleito é Edmundo González Urrutia”, disse María Corina, conforme a agência Associated Press.

Corina acredita que, com base em atas de votação que a oposição já tem, González teve 6,2 milhões de votos, e, Maduro, 2,7 milhões.

“Com as atas que nos faltam, mesmo que o Conselho Nacional Eleitoral tenha dado 100% dos votos a Maduro, eles não são suficientes”, declarou.

O candidato oponente do atual presidente venezuelano, por sua vez, teria pedido “calma e firmeza” para contestar o resultado. O político chegou a colocar que acha irresponsável que uma autoridade eleitoral de seu país tenha feito um “anúncio prematuro de resultados sem ter sido auditado”.

 




Venezuela: Brasil pede que ONU e Carter Center verifiquem contestação da oposição

Entidades foram recebidas na condição de observadores na eleição venezuelana

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Maduro e González votaram em Caracas
Montagem/Reprodução

Maduro e González votaram em Caracas

Após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela apontar a reeleição do atual presidente, Nicolás Maduro , ao apurar 80% das urnas e a oposição contestar o placar, o Brasil solicitou à missão da ONU e ao Carter Center que verifiquem a contestação do resultado.

A ONU e a Carter Center foram recebidos na condição de observadores na Venezuela.

Segundo a última pesquisa eleitoral, da ORC Consultores, realizada em julho, Maduro não iria se reeleger. Edmundo González aparecia com 59,68% das intenções de voto, enquanto o atual líder venezuelano ocupava o segundo lugar, com 14,64%.

No entanto, após 80% das urnas verificadas, o CNE disse que Maduro saiu vitorioso com 51,2% dos votos, somando 5.150.092. O principal adversário, González, teve 44,2%, totalizando 4.445.978 votos.

No domingo (28), Maduro afirmou que respeitaria o resultado da eleição.

“Vou respeitar o resultado oficial das eleições e o processo eleitoral (…). Há uma constituição, e a lei tem que ser respeitada. Sou Nicolás Maduro, presidente do povo, e reconhecerei a palavra santa do árbitro eleitoral”, declarou o venezuelano.

Maduro ocupa a presidência desde 2013, quando assumiu o cargo após a morte de Hugo Chávez, seu padrinho político. Nos últimos anos, ele perdeu popularidade pela grave crise econômica e social na Venezuela.

Venezuela e o Brasil

Na última semana, a relação entre Venezuela e o Brasil ficou estremecida, após o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, criticar o sistema eleitoral brasileiro durante um discurso público nas prévias das eleições presidenciais.

“Nós vamos ganhar de novo. E na Venezuela vai haver democracia, liberdade e paz. Nós temos o melhor sistema eleitoral do mundo. Temos 16 auditorias. E se faz uma auditoria ‘profunda’, como vocês sabem, em 54% das urnas. Em que outra parte do mundo se faz isso? Nos Estados Unidos? Não há auditoria no sistema eleitoral. No Brasil, não auditam nenhum boletim de urna. Na Colômbia, não auditam nem uma urna sequer. Na Venezuela, auditamos com profundidade”, disse Maduro durante discurso na pré-eleição.

A declaração ocorreu após o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmar que não gostou de outra fala de Maduro, que afirmou que haveria “banho de sangue” se a oposição vencesse o pleito deste domingo (28).

“Eu fiquei assustado com a declaração do Maduro dizendo que se ele perder as eleições vai ter um banho de sangue. Quem perde as eleições toma um banho de voto. O Maduro tem que aprender, quando você ganha, você fica. Quando você perde, você vai embora”, declarou o presidente brasileiro.

Maduro também respondeu Lula. “Eu não disse mentiras. Apenas fiz uma reflexão. Quem se assustou que tome um chá de camomila”, disse Maduro, sem mencionar Lula. “Na Venezuela vai triunfar a paz, o poder popular, a união cívico-militar-policial perfeita”, acrescentou.

Por conta da situação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desistiu de enviar dois representantes para acompanhar as eleições presidenciais na Venezuela.

O TSE disse ainda que as urnas eletrônicas são auditáveis e seguras, além de reiterar que as falas de Maduro são falsas.

“Em face de falsas declarações contra as urnas eletrônicas brasileiras, que, ao contrário do que afirmado por autoridades venezuelanas, são auditáveis e seguras, o Tribunal Superior Eleitoral não enviará técnicos para atender convite feito pela Comissão Nacional Eleitoral daquele país para acompanhar o pleito do próximo domingo”, afirmou o tribunal, em nota.

“A Justiça Eleitoral brasileira não admite que, interna ou externamente, por declarações ou atos desrespeitosos à lisura do processo eleitoral brasileiro, se desqualifiquem com mentiras a seriedade e a integridade das eleições e das urnas eletrônicas no Brasil”, acrescentou.




Inclusão nas eleições municipais de 2024

A novidade para esse ano é o uso da IA para criação de uma voz sintetizada, que vai auxiliar eleitores com deficiência visual

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Inclusão nas eleições municipais de 2024
Divulgação/TSE

Inclusão nas eleições municipais de 2024

Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral indicam que, neste ano de 2024, um total de 1,4 milhão de cidadãos declarou possuir algum tipo de deficiência e precisar de condições especiais para votar. O número representa um aumento de 25% em relação a 2020, quando o TSE registrou 1,1 milhão de eleitores com deficiência.

O crescimento é significativo e a Justiça Eleitoral brasileira está atenta a ele, tendo dado sucessivos passos em direção a um processo eleitoral cada vez mais inclusivo.

Neste momento, por exemplo, o TSE abriu prazo para que eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida solicitem transferência temporária de seção eleitoral, para que possam votar em outubro. A data limite é 22 de agosto e o benefício se estende também a pessoas indígenas, quilombolas, integrantes de comunidade tradicional ou residente de assentamento rural.

Na hora do voto, as pessoas com deficiência também podem contar com recursos tecnológicos de inclusão. A novidade para esse ano de 2024 é o uso da  Inteligência Artificial para criação de uma voz sintetizada, batizada de Letícia, que vai auxiliar eleitores com deficiência visual na hora do voto. A ferramenta vai informar o cargo em votação, os números digitados pelo eleitor e o nome do candidato que receberá o voto. A urna conta ainda com a apresentação de um intérprete de Libras para orientar e melhorar a experiencia de voto dos cidadãos com deficiência auditiva.

Outro importante fator de inclusão no processo eleitoral é o uso do nome social no título de eleitor. Esse direito existe desde 2018 e a previsão é de que, neste ano, mais de 41 mil pessoas utilizem o nome social, número que quadriplicou desde 2020.

Ao mesmo tempo em que eleitores com deficiência contam com instrumentos importantes para votar, a Justiça Eleitoral também tem procurado ampliar as ferramentas inclusivas para as candidaturas. Em fevereiro deste ano, o TSE publicou instrução que dispõe sobre a escolha e registro de candidatos em 2024. O documento trouxe novas medidas para que possamos ter candidatos com perfis mais plurais, sendo que entre elas estão o maior controle da destinação de recursos para candidaturas negras e a exigência de que as listas apresentadas pelos partidos contenham ao menos uma pessoa de cada gênero.

A mesma instrução ainda estipula que, no registro das candidaturas, sejam coletados dados pessoais sobre etnia indígena, pertencimento a comunidade quilombola e identidade de gênero. Os concorrentes também terão opção de indicar, ou não, a orientação sexual. Essas informações são importantes para que tenhamos estatísticas mais aprofundadas sobre o perfil dos nossos candidatos, de forma que a Justiça Eleitoral possa criar mecanismos futuros para ampliar a representatividade das mais diversas parcelas da sociedade no processo eleitoral.

Se por um lado temos registrado avanços relevantes, por outro, ainda são muitos os pontos falhos. Um deles, por exemplo, é a falta de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida em todo o país, sendo comuns, no dia da eleição, os vídeos com desabafos de cidadãos sobre as mais diversas dificuldades de acesso às urnas, incluindo calçadas esburacadas e presença de escadas dentro dos prédios de votação. Da mesma forma, candidatos que representam minorias comumente recebem poucos recursos e infraestrutura por parte dos partidos, o que torna muito difícil a execução adequada de suas campanhas.




Pela 1ª vez, Maduro diz que vai ‘respeitar o resultado’ das eleições na Venezuela

Ele ocupa a presidência desde 2013, quando assumiu o cargo após a morte de Hugo Chávez

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Nicolás Maduro votou neste domingo (28)
Reprodução/X

Nicolás Maduro votou neste domingo (28)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou pela primeira vez que respeitará o resultado das urnas. Ele busca a reeleição neste domingo (28), enfrentando o opositor Edmundo Urrutia, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais.

“Vou respeitar o resultado oficial das eleições e o processo eleitoral (…). Há uma constituição, e a lei tem que ser respeitada. Sou Nicolás Maduro, presidente do povo, e reconhecerei a palavra santa do árbitro eleitoral”, declarou.

Maduro ocupa a presidência desde 2013, quando assumiu o cargo após a morte de Hugo Chávez, seu padrinho político. Nos últimos anos, ele perdeu popularidade e corre sério risco de perder a eleição para a oposição.

Por conta disso, nos últimos dias, o presidente venezuelano aumentou o tom e chegou a dizer que ocorreria um “banho de sangue” caso não vencesse as eleições presidenciais.

O posicionamento gerou reações de líderes internacionais, inclusive do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disse ter ficado assustado.

Neste domingo, Maduro voltou a dizer que apenas sua vitória dará tranquilidade aos venezuelanos. “Vamos unir o país com um projeto econômico, social, cultural e político, para que possamos construir um sólido projeto de futuro em um sonho compartilhado por toda a Venezuela”, declarou.

“O país assombrará o mundo com a economia que estamos construindo, com base em uma consulta democrática permanente, com a participação mais do povo do que dos partidos. Vamos organizar politicamente a sociedade”, completou.

Nicolás Maduro promete melhorar a economia da Venezuela

Nicolás Maduro prometeu melhorar a economia da Venezuela, criticando países que permitem o “capitalismo selvagem dos multimilionários” e prometendo uma economia mais inclusiva, com a participação da população.

“Estamos vivendo em uma nova época de transição ao capitalismo selvagem, com o poder de um grupo de multimilionários que dominam o mundo. Com uma transição mais democrática, chegamos ao socialismo. A minha escola é o diálogo, o debate, a negociação e a diplomacia. Aprendi o que representa o poder da palavra no movimento sindical e com o comandante Chávez”, concluiu.




Guiana diz que não permitirá que Venezuela anexe Essequibo

Segundo o governo guianês, o país liderado por Maduro viola “os princípios mais fundamentais do direito internacional”

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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e presidente da Guiana, Irfaan Ali
Montagem iG / Imagens: Fotos Públicas e Freddie Everett/ Public Domain

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e presidente da Guiana, Irfaan Ali

O governo da Guiana rebateu, nesta quinta-feira (4), a promulgação da lei do governo de Nicolás Maduro, que cria uma província venezuelana em Essequibo, território da Guiana.  Houve ainda uma cerimônia para a assinatura do texto na noite de quarta-feira (3).

A Guiana afirmou que não vai permitir que a Venezuela anexe a região de Essequibo. Segundo o governo guianês, o país liderado por Maduro viola “os princípios mais fundamentais do direito internacional” e vai na contramão do  acordo firmado em dezembro de 2023, que foi intermediado pelo Brasil.

“O governo da República Cooperativa da Guiana deseja alertar o governo da República Bolivariana da Venezuela, os governos da Comunidade do Caribe e da Comunidade Latino-Americana e Caribenha de Nações, bem como o secretário-geral das Nações Unidas e ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, que não permitirá a anexação, apreensão ou ocupação de qualquer parte do seu território soberano”, diz a nota da Guiana.

Acordo entre Venezuela e Guiana

No fim de 2023, lideranças dos dois países se reuniram para assinar um acordo que proíbe ameaças e o uso da força na questão que envolve Essequibo.

Ademais, eles acordaram que irão buscar coexistência pacífica e unidade da América Latina e Caribe; estão cientes sobre a controvérsia envolvendo a fronteira e a decisão do Tribunal Internacional de Justiça; vão dialogar sobre as questões; não promoverão a escalada do conflito; criarão uma comissão conjunta com ministros das Relações Exteriores para tratar do que já foi firmado em acordo.

Entenda a disputa

O território Essequibo, também chamado de Guiana Essequiba, é administrado pela Guiana e reivindicado pela Venezuela há mais de um século. Com cerca de 160 mil km², a área é rica em minerais e biodiversidade.

De um lado, a Guiana defende um limite estabelecido em 1899 por uma corte de arbitragem de Paris. Na ocasião, o Reino Unido (na época, a Guiana era colônia do país) saiu em vantagem sobre a posse do território, o que desagradou à Venezuela.

Do outro lado, a Venezuela defende o Acordo de Genebra de 1966, que estabelece bases para uma solução negociada e não reconhece o acordo anterior, anulando-o.

Foi em 2015, porém, que a situação voltou a ser pauta, quando a empresa petrolífera estadunidense ExxonMobil passou a explorar a região. A área é rica em petróleo e a companhia encontrou diversas reservas.

Desde então, a Guiana despontou na exploração de jazidas de petróleo, mudando a economia local. Somente no ano passado, a economia do país cresceu 62%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), representando a maior taxa do mundo.




Essequibo: Defesa nega que Maduro atravessará território brasileiro

Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro disse que “em hipótese alguma” tropas venezuelanas cruzarão fronteira brasileira para chegar até a Guiana

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Um dos caminhos para a Venezuela chegar a Guiana é pela tríplice fronteira com o Brasil no estado de Roraima

Pedro França/Agência Senado

Um dos caminhos para a Venezuela chegar a Guiana é pela tríplice fronteira com o Brasil no estado de Roraima

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira (11) que as Forças Armadas não vão permitir “em hipótese nenhuma” que o exército venezuelano entre em território brasileiro para chegar até a  Guiana .

De acordo com o ministro, outra hipótese avaliada pela Defesa seria a de uma invasão marítima, mas que é dificultada pela geografia da região da Guiana Essequiba, que é composta por florestas densas.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira (11) que as Forças Armadas não vão permitir “em hipótese nenhuma” que o exército venezuelano entre em território brasileiro para chegar até a  Guiana .

De acordo com o ministro, outra hipótese avaliada pela Defesa seria a de uma invasão marítima, mas que é dificultada pela geografia da região da Guiana Essequiba, que é composta por florestas densas.

O governo brasileiro que impedir o que o território brasileiro seja usado como passagem em uma tentativa da Venezuela de invadir a Guiana.  Além de Maduro precisar lidar com os militares brasileiros na região,  o a geografia do território de Roraima, na tríplice fronteira, torna mais complicado o acesso, uma vez que há cadeias de montanhas.

O ministro reinterou que o Brasil não irá se envolver em um eventual conflito. Ele justificou que o reforço de veículos do Exército para a região já era algo planejado pelo governo federal , mas que foi acelerado para evitar “qualquer problema” na tensão diplomática que existe na região.