Moraes atende pedido e libera contato entre Bolsonaro e Valdemar Costa Netto

Foto: Jonathas Brandão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu, nesta terça-feira (11), a um pedido do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e derrubou a medida que impedia o contato do dirigente partidário com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Moraes é o relator no STF do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente e aliados. Diferentemente de Bolsonaro, Valdemar não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República nesse caso.

A proibição de contato entre os dois investigados havia sido determinada por Moraes em fevereiro de 2024. Como não foi denunciado, Valdemar pediu que fossem revogadas as restrições determinadas contra ele.

Na decisão, Alexandre de Moraes também revogou outras medidas cautelares que haviam sido impostas contra Valdemar Costa Neto.

Com isso, o presidente do PL pode:

  • manter contato com Jair Bolsonaro e outros investigados por tentativa de golpe;
  • receber de volta seu passaporte e viajar para o exterior;
  • participar de cerimônias e homenagens a militares das Forças Armadas e policiais;
  • ter de volta relógios de luxo (das marcas Rolex, Bulgari e Piguet), valores e outros bens que haviam sido apreendidos pela Polícia Federal no curso das investigações.



Bolsonaro consultou Valdemar se classe política apoiaria golpe

Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

por Guilherme Amado

Após a derrota para Lula, em outubro de 2022, Jair Bolsonaro procurou Valdemar Costa Neto e perguntou se, na avaliação do presidente do PL, a classe política apoiaria a convocação dos militares para interferir no Supremo Tribunal Federal — ou seja, num golpe.

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Operação contra Zambelli abre novo racha entre Valdemar e Bolsonaro

Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro. © Neto Sousa/Estadão – 30/11/2021

Por Igor Gadelha

A operação da Polícia Federal contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP) na quarta-feira (2/8) abriu um novo racha entre Jair Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Enquanto Bolsonaro criticou a ex-aliada nos bastidores e publicamente mantém silêncio sobre o tema, Valdemar saiu em defesa de Zambelli. À CNN Brasil, o presidente do PL chamou a operação da PF de “barbaridade”.

Segundo aliados do cacique, ele deu a declaração após ser pressionado pela ala radical da sigla a defender Zambelli e por considerar que a votação expressiva da deputada deve ser valorizada.

O entorno de Bolsonaro, entretanto, demonstrou incômodo com a fala de Valdemar. O temor é de que o cacique do PL traga a crise de Zambelli para o colo do ex-presidente, que foi citado pelo hacker em depoimentos.

“Novamente Valdemar contrasta com Bolsonaro e mostra-se completamente desconectado da realidade”, avaliou à coluna um aliado próximo do ex-presidente.

Essa é o segundo racha recente entre Valdemar e Bolsonaro. No início de julho, ambos divergiram publicamente sobre a proposta de reforma tributária votada na Câmara.

Reação de Bolsonaro

Bolsonaro foi informado da operação contra Zambelli por auxiliares. Ao saber da operação, ele classificou Zambelli como “incosequente” e “tóxica”.

O ex-presidente também fez questão de ressaltar que não fala com a deputada há muito tempo, apesar das inúmeras tentativas de contato dela nos últimos meses.