Vice de Maduro toma posse como presidente interina da Venezuela

Ditador deposto, capturado no sábado (3), se declarou inocente em audiência; Portal iG segue atualizando as informações sobre a situação da Venezuela

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Nicolás Maduro com os agente federais, na chegada aos EUA
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Nicolás Maduro com os agente federais, na chegada aos EUA

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17h25 – Na cerimônia que marcou o início ao ano legislativo na Assembleia Nacional da Venezuela, o filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, falou sobre o pai com voz embargada.

Deputado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Nicolasito criticou a prisão do pai e de Cilia Flores.

“A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela. “E também nos veremos, Cilia”, disse Nicolás Maduro Guerra.

16h51 – O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nas redes sociais a frase “Este é o nosso hemisfério”, fazendo menção à Venezuela e à operação que capturou Nicolás Maduro. A postagem foi feita na rede X.

“Este é o NOSSO hemisfério, e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada”, diz a legenda.

O post traz uma imagem com uma foto do presidente Donald Trump em preto e branco e a frase “Este é nosso hemisfério”, com a palavra “nosso” destacada em vermelho.

A Casa Branca também publicou um artigo com a mesma frase. A fala foi atribuída ao secretário de Estado, Marco Rubio, que participou de uma série de entrevistas a veículos de comunicação americanos nesta segunda-feira (5).

16h39 – O Palácio do Planalto informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou, por telefone, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no último sábado (3).

A conversa foi classificada por integrantes do Planalto como “super rápida”. Lula queria confirmar as informações divulgadas pelo governo dos EUA de captura de Nicolás Maduro. Delcy Rodríguez confirmou, mas,  naquele momento, ainda não tinha informações detalhadas sobre o paradeiro do ditador venezuelano.

Apenas após a ligação, o governo brasileiro divulgou nota condenando a ação norte-americana.

16h26 – Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, prometeu usar “todos os meios” para “trazer de volta” Nicolás Maduro.

Delcy Rodríguez, presidente interina e irmã do presidente da Assembleia Nacional, o designou para liderar uma comissão que buscará a libertação de Maduro e esposa.

16h05 – Delcy Rodríguez, vice de Maduro, toma posse, neste momento, como presidente interina da Venezuela, perante o Parlamento, no Salão Tríptico da Assembleia Nacional.

Ela presta o juramento de posse, menciona a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores e promete defender o país como nação livre, soberana e independente. Prometeu ainda, no discurso, paz econômica, política e social à população.

“Venho com profunda tristeza pelo sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da Primeira-Dama Cilia Flores. Unamo-nos como uma só nação para fazer a Venezuela avançar nestes momentos terríveis que ameaçam a estabilidade e a paz do país”, declara.

Ela disse ainda que assume “com dor”, mas “com honra”.

Delcy Rodrigues tem 56 anos e é conhecida por suas fortes ligações com o setor privado e trabalho no partido governista.

O filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, também estava presente.

A cerimônia é presidida por seu irmão e chefe do Legislativo do país, Jorge Rodríguez.

16h – Uma das declarações de Nicolás Maduro durante a audiência de custódia desta segunda-feira (5) apontou o que deve ser uma das principais linhas de defesa.

O ditador deposto se colocou diante do juiz e declarou: “Fui capturado em minha casa, em Caracas, na Venezuela”. Sua prisão durante a madrugada em um país estrangeiro por agentes da lei dos Estados Unidos pode ser apontado como uma “abdução militar”, nas palavras de seu advogado — violou a lei.

15h45 – Diante do agendamento da próxima audiência do casal Maduro somente para o dia 17 de março, às 11 horas (horário local) e também da declaração da defesa de Cilia Flores na audiência de custódia, indicando a necessidade de acompanhamento médico, a expectativa é de que os advogados solicitem a transferência de ambos para outra carceragem.

Barry Pollack, advogado de Maduro, disse na audiência que prevê “uma quantidade substancial de moções” e acrescentou que Maduro é o chefe de um Estado soberano e tem direito aos privilégios e à imunidade inerentes ao cargo. Pollack acrescentou que também existem problemas relacionados à legalidade de seu sequestro militar.

O Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn, é apontado como um dos piores presídios norte-americanos, com condições precárias de higiene.

15h33 – A defesa de Cilia Flores declarou, na audiência de custódia, que a esposa de Maduro sofreu ferimentos durante a captura. Ela estaria com uma fratura ou hematomas nas costelas e, por isso, precisa de atendimento médico. A Justiça ainda não se manifestou sobre a declaração.

15h22 – Na reunião no Conselho de Segurança da ONU, que ocorre nesta segunda-feira (5), os Estados Unidos disseram que não estão em guerra contra a Venezuela ou seu povo.

Mike Waltz, representante americano nas Nações Unidas, afirmou também que não farão uma ocupação no país sul-americano.

15h15 – Barry Pollack, advogado de defesa renomado, está defendendo Nicolás Maduro na Justiça dos Estados Unidos. Pollack é mundialmente conhecido por garantir a liberdade de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em um acordo histórico com a justiça americana.

Mark Donnelly, um ex-procurador federal de Houston, representa a esposa de Maduro. Ele atuou como investigador da Câmara dos Representantes do Texas na investigação e no julgamento de impeachment de 2023 contra o procurador-geral do estado, Ken Paxton, que foi absolvido.

15h08- O juiz distrital Alvin Hellerstein, de 92 anos, experiente magistrado que conduziu a audiência de Maduro e esposa, concedeu um pedido feito pelo casal de ser visitado por um representante do Consulado da Venezuela.

14h59 – Nicolás Maduro e Cilia Flores estão sendo levados de volta ao Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn, onde permanecerão até pelo menos até 17 de março, data da próxima audiência na Justiça norte-americana. A primeira audiência terminou.

14h54 – Na Venezuela, o atual governo ordenou, por meio de decreto, nesta segunda-feira (5) que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”.

14h50- A esposa de Maduro, Cilia Flores, também enfatizou sua inocência ao ser questionada sobre sua declaração: “Inocente. Completamente inocente”, afirmou.

14h47 – No tribunal o juiz pediu a Maduro que se identificasse. Em espanhol, ele se apresentou como presidente da Venezuela, algo que as autoridades americanas contestam, alegando que ele não é o líder legítimo. Respondeu que é inocente, que havia sido sequestrado e que é um homem bom.

O ditador deposto, Nicolás Maduro, que foi capturado pelas forças militares dos Estados Unidos em ataque a Caracas, capital da Venezuela, no último sábado (3) junto com sua esposa Cilia Flores, se declarou inocente na audiência de custódia na Justiça norte-americana, realizada no Tribunal Federal, em Nova York.

Os dois estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn, e foram levados para a audiência em Lower Manhattan e notificados oficialmente sobre seus supostos crimes.

Maduro e Cilia Flores são acusados de narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de armas e explosivos, e conspiração para a posse de armas e explosivos.




Lula vê “catástrofe” sobre eventual ataque armado à Venezuela

A fala do presidente vem diante do cenário estremecido entre os Estados Unidos e o país sul-americano

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Lula discursa na Cúpula do Mercosul
Ricardo Stuckert/PR

Lula discursa na Cúpula do Mercosul

Durante o discurso na Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), neste sábado (20), o presidente Lula (PT) alertou sobre os riscos do aumento de tensões no continente.

Na ocasião, o petista classificou uma possível intervenção armada na Venezuela como uma “catástrofe humanitária” e pode representar um “precedente perigoso para o mundo”.

A fala do presidente vem diante do cenário estremecido entre os Estados Unidos e Venezuela. Recentemente, Donald Trump faz diversas declarações sobre um possível ataque armado na região.

“Não queremos guerra no nosso continente. Todo dia tem uma ameaça no jornal e nós estamos preocupados. Agora, vai chegar o Natal e talvez eu tenha que conversar com Trump outra vez pra saber o que é possível o Brasil contribuir para um acordo diplomático e não para a guerra”, disse.

Cúpula do Mercosul
Ricardo Stuckert/PR

Cúpula do Mercosul

Além das tensões militares

Na cúpula, Lula falou também sobre o adiamento da assinatura do acordo entre o Mercosul e União Europeia. Segundo o petista, desde 2023, o Brasil vem tentando garantir que o acordo contribua para o desenvolvimento do bloco.

Além disso, o Chefe do Executivo citou as recentes movimentaçoes jurídicas do Brasil, como o julgamento dos envolvidos na trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para ele, o país “acertou a conta com os passados”.  A segurança é um direito do cidadão e um dever do Estado, independentemente da ideologia”, ressaltou Lula.




Governo dos EUA retira Moraes e esposa de lista da Lei Magnitsky

Ministro do STF foi sancionado pelo governo norte-americano em julho deste ano

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Alexandre de Moraes e a esposa Viviane
Reprodução/redes sociais

Alexandre de Moraes e a esposa Viviane

O governo norte-americano retirou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes da lista de sancionados da Lei Magnitsky.

O Departamento do Tesouro fez um comunicado nesta sexta-feira (12), mas não explicou os motivos para a decisão.

Desde então, estavam bloqueados os bens do ministro, da esposa e de uma empresa pertencente ao casal nos Estados Unidos, a entidade Lex – Instituto de Estudos Jurídicos, que também foi retirada da lista nesta sexta.

Cidadãos americanos também não podiam fazer negócios com o ministro.

Na época da sanção, o governo Trump alegou, como justificativa para a sanção, o processo que corria no STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, após perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.

Depois disso, no julgamento de 11 de setembro,  Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. O ex-presidente cumpre pena na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 25 de novembro.

A Lei Magnitsky

Trata-se de um dispositivo da legislação americana que permite que os Estados Unidos imponham sanções econômica s a acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.

Aprovada durante o governo de Barack Obama, em 2012, a lei prevê sanções como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo norte-americano, além da proibição de entrada no país.

A legislação foi criada após a morte de Sergei Magnitsky, advogado russo que denunciou um esquema de corrupção envolvendo autoridades de seu país e morreu em uma prisão de Moscou, em 2009.




Para Trump, os dias de Maduro como presidente “estão contados”

Fala é feita em meio a clima de tensão com a Venezuela

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Trump analisa que EUA não deve entrar em guerra com Venezuela
Reprodução/CBS

Trump analisa que EUA não deve entrar em guerra com Venezuela

O líder dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que o tempo de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela está em seus últimos momentos, sem deixar claro o motivo. A fala foi feita durante uma entrevista exclusiva ao canal local CBS, publicada na noite deste domingo (02).

Confira:  Trump nega intenção de ataques dentro da Venezuela

A jornalista que conduzia a entrevista questionou a Trump: “será que os dias de Maduro como presidente estão contados?” . O presidente, de forma direta, afirmou que “diria que sim, acho que sim” . O trecho foi publicado no perfil oficial do governo norte-americano na rede social X.

Tensão entre os países

Desde o começo de setembro,  os EUA têm  atacado embarcações em águas internacionais próximas à Venezuela em supostas operações contra o narcotráfico. Desde que começaram os ataques, mais de 60 pessoas morreram, segundo dados do próprio governo estadunidense.

A aproximação de navios de guerra das Forças norte-americana da Venezuela, logo após o governo acusar o presidente Nicolás Maduro de chefiar cartéis de drogas, gerou tensão entre os países. O venezuelano nega as acusações e afirma que as ações dos EUA têm objetivo de derrubar seu governo

Na entrevista deste domingo, Trump também foi questionado sobre a veracidade de possíveis ataques terrestre na Venezuela. Ele disse que não iria confirmar e nem negar, com a justificativa de que “não falaria para uma repórter o que atacaria”.

Trump descarta guerra com a Venezuela

Durante a entrevista ao programa “60 minutes”, da CBS, o presidente norte-americano descartou uma possível guerra com a Venezuela: “Duvido. Não acho que vá acontecer” .

As ações são vistas como forma de pressionar mudanças no governo venezuelano, apesar de oficialmente serem divulgadas pelos EUA como uma guerra às drogas.




LULA,O ESTADISTA DO DIÁLOGO; Rui Leitao

LULA,O ESTADISTA DO DIÁLOGO; Rui Leitao

É extraordinária a capacidade de Lula em transformar divergências em oportunidades de aproximação, através do diálogo. Tornou-se, por isso mesmo, uma liderança internacional ouvida e respeitada. Tem se revelado um mestre, tanto da diplomacia quanto da governança. Claro que isso tem incomodado os que, gratuitamente, nutrem antipatia por sua forma de fazer política. As dificuldades pelas quais passou, desde a infância, fizeram com que se determinasse a trabalhar no sentido de evitar que os brasileiros na base da escala social passem pelas mesmas amarguras que experimentou. E percebe-se sinceridade quando afirma isso. Seu esforço tem sido o de colocar os pobres no orçamento público. No desenvolvimento desse trabalho, já tirou mais de 30 milhões de brasileiros da extrema pobreza — o que representa uma inclusão social jamais vista na história de nosso país.

No cenário externo, Lula também tem se destacado. Ao projetar o Brasil para o mundo, age como um verdadeiro estadista. Altivo, de cabeça erguida, tem sido vitorioso na defesa da soberania nacional, impondo respeito entre as Nações — como é o caso das negociações empreendidas com o presidente dos Estados Unidos. Já colocou o Brasil em posição de destaque na geopolítica global, recuperando o prestígio que havíamos perdido. Não se inibe em dialogar até com interlocutores que se apresentavam numa relação marcada por atritos, estabelecendo um nível de conversa pautada pela diplomacia e pelo interesse mútuo.

O mundo voltou a olhar para o Brasil. Em suas viagens internacionais, nunca perde a oportunidade de abrir novos mercados, atrair investimentos e fortalecer a presença do país nas cadeias globais de valor. Impressiona a forma competente com que tem enfrentado os desafios globais impostos pelo extremismo político, movido pela retórica agressiva e pelos ataques à democracia em nosso país e em diversas partes do mundo. Um octogenário que assume, corajosamente, o protagonismo de quem está disposto a combater as injustiças sociais — não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Fala de paz onde existe guerra. Assume o discurso da esperança, onde a desesperança tenta prevalecer.

No recente encontro com Trump, ocorrido no domingo, Lula não tratou apenas do tarifaço — que, sabidamente, se revelou um tiro no pé para os Estados Unidos —, mas ousou defender a unidade latino-americana, o multilateralismo e a convivência harmoniosa entre as Nações, numa postura de independência ideológica. Procurou convencer, por sua própria história, que nunca quis ser um revolucionário comunista. É, acima de tudo, um proletário que chegou a comandar os destinos do seu país. Aprendeu a tratar dos assuntos de economia observando a vida cotidiana do povo.

É natural que, numa democracia, percebamos manifestações de simpatia e de antipatia por lideranças políticas. Essas reações contrárias, no entanto, não podem deixar de enxergar o óbvio: Lula representa o Brasil soberano, garantindo a força da nossa economia e a autonomia da nossa política externa, sem aceitar interferências do governo norte-americano na Justiça brasileira, nem se curvar diante dos que se acham poderosos. Isso, sim, é verdadeiramente o comportamento de um autêntico patriota.
Em seus pronunciamentos, reafirma sempre: “O Brasil tem um único dono — o povo brasileiro.”

www.reporteriedoferreira.com.br /Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor

 




Lula e Trump: quais os próximos passos das negociações

Professor de Relações Internacionais e Economia acredita em acordo difícil, no qual o Brasil terá que ceder

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Trump e Lula tiveram reunião de 50 minutos de portas fechadas
Ricardo Stuckert / PR

Trump e Lula tiveram reunião de 50 minutos de portas fechadas

Passada a expectativa do primeiro encontro oficial dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para conversar sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, após uma breve conversa na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a questão agora é: o que esperar dos próximos passos das negociações?

Lula e Trump se encontraram às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, na Malásia.

Apesar de breve, o encontro foi “supreedentemente bom” , na opinião de Lula. Trump concordou, elogiou Lula e parabenizou o presidente brasileiro pelo seu aniversário de 80 anos, nesta segunda-feira (27).

A reunião na Malásia foi o primeiro passo para um acordo difícil, no qual o Brasil terá que ceder. E o desfecho poderá levar semanas ou até meses. Essa é a opinião do professor de Relações Internacionais e Economia do Ibmec, Alexandre Pires, que fez uma análise da situação em entrevista ao  Portal iG.

Praxe diplomática

Pires explica que o encontro foi o início de um mecanismo bilateral, ou seja, marcou a autorização dos chefes de Estado para que as suas equipes comecem as negociações. Na sequência, ainda na Malásia, como é a praxe diplomática, ocorreu a definição de agendas e do local.

“Havia expectativa ali das equipes de que alguma coisa avançasse pelo lado americano, mas obviamente que a negociação vai ser dura”, afirmou, destacando que o Brasil está sob investigação na representação comercial americana, com relação às suas práticas.

“Existe um estado de emergência econômico lançado só sobre o Brasil, então existem pontos duros. Uma parte considerável dos elementos para a tarifa de 40% que se somou à de 10%, em abril, tem componentes políticos, jurídicos, regulatórios. E da mesma maneira que outros países estão tendo que ceder tremendamente para fazer acordos com os Estados Unidos, com o Brasil não vai ser diferente”, enfatiza o especialista.

“Especialmente zerar as tarifas para produtos americanos e eliminar, na totalidade ou quase na totalidade, barreiras não tarifárias. Isso tudo vai entrar em questão. Ainda mais com um componente geopolítico, por exemplo, a aproximação do Brasil com a China, e a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vários pontos provavelmente vão ser usados pelos americanos nessas negociações para tentar tirar do Brasil um acordo muito semelhante ao acordo que outros países tiveram que assinar com os americanos” , adverte Pires.

 

Segundo ele, os próximos passos agora são os agendamento dos encontros, que deverão ocorrer nos Estados Unidos, além da definição das equipes, as autorizações e vistos. Também se espera o resultado das investigações americanas sobre o comércio brasileiro.

Foco agora é a China

De qualquer forma, o professor de Relações Internacionais ressalta que o foco dos Estados Unidos agora é a China e a busca pela assinatura de um acordo comercial que poderá ocorrer em Gyeongju, na Coreia do Sul, no final deste mês, no encontro entre Trump e Xi Jinping.

“Depois disso, o Brasil pode voltar à pauta e aí a discussão pode se acelerar ou não. Nós temos que lembrar que a China está lá há praticamente sete ou oito meses negociando com um poder de barganha muito maior que o nosso. Outros países tiveram que ceder rapidamente e o Brasil já está aí enfrentando as tarifas há três meses. Então, agora vamos ver como as equipes procedem”, pondera.

O que vai para a mesa de negociações

“Mas o mundo mudou e agora resta esperar como que o Brasil vai responder às exigências, aos pontos da pauta dos americanos e o que nós vamos conseguir colocar na mesa de negociação. Temos minerais críticos, terras raras, temos um mercado consumidor grande para alguns produtos americanos, também para o etanol. O mercado nosso de licitações públicas provavelmente vai entrar na pauta, a questão das big techs, as regulações da Anatel, a questão de pagamento como PIX, enfim, vários pontos vão ser colocados e o Brasil agora vai ter que costurar com os americanos alguma saída” , aponta Pires.

Ele afirma ainda que a equipe brasileira sabe qual é o acordo comercial que os Estados Unidos já têm escrito; resta saber se vai conseguir modificar os termos sem que os parceiros americanos que já assinaram outros acordos venham a se sentir desprivilegiados em relação ao Brasil.

“Vai ser tudo muito difícil, muito duro e talvez exija semanas ou meses. Torcemos para que seja feito de uma maneira rápida, eliminando essas tarifas que pesam sobre as empresas brasileiras e, consequentemente, sobre o potencial de crescimento do Brasil”, finaliza o professor Alexandre Pires.




Lula: Trump sabe que Bolsonaro “é passado” na política brasileira

Petista disse que explicou ao presidente dos Estados Unidos a gravidade da tentativa de golpe orquestrada por Jair e aliados

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Lula e Trump se encontraram neste domingo (26)
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula e Trump se encontraram neste domingo (26)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na madrugada desta segunda-feira (27), que o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, entende que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  “faz parte do passado da política brasileira” e que “rei morto é rei posto”.

A declaração ocorreu após reunião de 45 minutos entre os dois líderes, em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a 47ª cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Lula disse ainda que explicou a gravidade do plano golpista que tinha, entre outras etapas, ameaças dirigidas a ele próprio, ao vice-presidente Geraldo Alckmin e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele adicionou que o julgamento de Bolsonaro no STF foi “muito sério, com provas muito contundentes”.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e associação criminosa. Ele cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, após decisão de Moraes, mas no inquérito que apura a tentativa dele e do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de influenciar o governo dos Estados Unidos a impor sanções contra autoridades brasileiras.

Além do tópico Bolsonaro, o encontro tratou de temas econômicos e políticos, como as sanções impostas por Washington e as tarifas que afetam produtos brasileiros.

“Vocês sabem que, se depender de mim e de Trump, vai ter acordo”, disse Lula. “Rolou muita sinceridade na nossa relação. É bem possível que vocês fiquem surpresos com a afinidade do Estado americano e o Estado brasileiro”, completou.

Trump falou de Bolsonaro antes da reunião

“Não é da sua conta”, disparou. “Eu sempre gostei do Bolsonaro. Me senti mal com o que aconteceu com ele. Ele está passando por muita coisa”.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, que participou da reunião, o nome de Bolsonaro não foi mencionado durante a conversa oficial.

Reações de Bolsonaristas

As fotos de Lula e Trump juntos na Malásia foram recebidas como uma “derrota” na cúpula bolsonarista, segundo apuração da jornalista Andréia Sadi, do g1.

Em público, aliados de Bolsonaro tentaram minimizar a importância do encontro e valorizar a breve menção feita por Trump antes da reunião. Nos bastidores, porém, a avaliação foi negativa.




Lula diz que reunião com Trump foi “ótima, franca e construtiva”

Lula diz que reunião com Trump foi “ótima, franca e construtiva”

Presidentes discutiram tarifas e sanções em reunião na Malásia

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Trump e Lula
Instagram Lula

Trump e Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu neste domingo (26) com o ex-presidente e atual líder americano Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a 47ª Cúpula da ASEAN. Nas redes sociais, Lula classificou a reunião como “ótima” e disse que o diálogo foi “franco e construtivo”, com foco na agenda comercial e econômica bilateral.

Segundo ele, os dois países decidiram criar um grupo de trabalho para discutir soluções sobre tarifas e sanções aplicadas a autoridades brasileiras.

Foi o primeiro encontro presencial entre os dois desde uma breve conversa na Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Veja a íntegra:

A reunião começou às 15h30 no horário local (4h30 em Brasília) e durou cerca de 50 minutos. O encontro ocorre após os Estados Unidos anunciarem tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e sanções a autoridades em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.




Lula conversa com Trump e pede fim de tarifaço a produtos brasileiros




Rumores sobre saída de Barroso do STF estão cada vez mais fortes

Especulações de que ele poderá antecipar sua aposentadoria e deixar a Corte ainda neste ano esquentam bolsa de apostas em torno de nomes para o cargo

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Ministro Luís Roberto Barroso estaria pensando em deixar o STF logo após passar a presidência da Corte para o seu sucessor, o ministro Edson Fachin, que assumirá o posto no final de setembro
Felippe Sampaio/SCO/STF

Ministro Luís Roberto Barroso estaria pensando em deixar o STF logo após passar a presidência da Corte para o seu sucessor, o ministro Edson Fachin, que assumirá o posto no final de setembro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, não admite em público, apesar de serem cada vez mais fortes os rumores de que ele deverá antecipar sua aposentadoria e deixar a Corte ainda neste ano.

Barroso tem 67 anos e poderia permanecer no tribunal por mais oito anos, até 11 de março de 2033, quando completará 75 anos – a idade limite estabelecida pela Constituição para o exercício do cargo.

Mas, ele estaria desanimado com o clima político que paira sobre o país e o próprio tribunal, que virou alvo de ataques e de ameaças internas, por parte de setores da sociedade ligados ao bolsonarismo e à extrema direita brasileira e de grupos radicais instalados no Congresso, e externas, como tem feito o governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump.

Diante do quadro belicoso, Barroso já teria feito chegar até mesmo ao presidente Lula esse seu desejo, acompanhado da sugestão de que veria com bons olhos se fosse contemplado pelo governo com alguma embaixada na Europa, mais especificamente na Itália, ou nos Estados Unidos, onde tem interesses particulares.

O caso ocorrido recentemente com um de seus filhos, o executivo Bernardo van Brussel Barroso, veio reforçar esse seu sentimento.

Bernardo morava em Miami, na Flórida, onde ocupava o cargo de diretor associado do banco BTG Pactual.

No entanto, após as sanções anunciadas pelo governo estadunidense contra o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes do STF, ele aproveitou que estava de férias no Brasil e decidiu não retornar mais para lá, a fim de evitar eventuais constrangimentos no seu regresso.

Nomes cotados

Dois nomes aprecem hoje bem cotados na bolsa de apostas para a eventual vaga de Barroso.

Um deles, é do advogado e procurador da Fazenda Nacional, Jorge Messias, 45 anos, atual advogado-geral da União (AGU).

Seu nome já havia sido cogitado pelo presidente Lula para integrar o Supremo em 2023, quando da aposentadoria da ministra Rosa Weber, em outubro daquele ano.

Apesar das suas ligações históricas com o PT e de gozar da confiança de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, de quem foi subchefe para assuntos jurídicos no governo dela, a escolha naquela época acabou recaindo sobre o nome do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.

Por ter sido preterido naquela oportunidade, o nome de Jorge Messias voltou aparecer com força na bolsa de apostas.

O outro nome citado para o STF é o do também advogado e senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), 48, ex-presidente do Senado e do Congresso.

Apesar de o presidente Lula já ter afirmado mais de uma vez que Pacheco é o candidato dele para disputar a eleição para governador de Minas Gerais no ano que vem, o nome do senador para integrar o STF, já contava com o apoio do seu sucessor na presidência do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“A Corte precisa de pessoas corajosas e preparadas juridicamente. E o senador Pacheco é o nosso candidato. O STF é jogo para adultos”, afirmou.

Mulher

Em 2023, havia a expectativa de que Lula naturalmente indicaria uma outra mulher para ocupar a vaga aberta pela ministra Rosa Weber.

Mas, em vez disso, elas viram sua representavidade na Corte ser reduzida de duas cadeiras para apenas uma.

A atual configuração do STF mostra claramente esse desequilíbrio. Entre os 11 ministros, 10 são homens. Não há um único preto ou preta e a única mulher é a ministra Carmen Lúcia.

Na campanha para a escolha da sucessora de Rosa Weber, os movimentos negro e de mulheres defendiam a indicação de uma mulher negra para o cargo.

Eles chegaram a preparar uma lista com seis nomes de grandes juristas negras em meio à campanha por mais mulheres no tribunal.

Um dos nomes que aparecia encabeçando a lista estava o da então juíza federal, Adriana Cruz, 53.

Ela é uma das primeiras juízas federais pretas do país, e ficou mais conhecida por ter liderado diversas iniciativas para promoção dos direitos humanos e da igualdade racial no Poder Judiciário.

Atualmente, Adriana Cruz ocupa o cargo de secretária geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Lula

Ao fim, a indicação, como se sabe, é do presidente Lula.

Caberá exlusivamente ao presidente decidir se irá optar pelo caminho mais fácil, indicando o  nome de mais um homem para a eventual vaga de Barroso, ou se decidirá por dar a vez a uma mulher, que já se mostraram tão ou mais preparadas juridicamente, tão ou mais corajosas para os enfrentamentos da vida, do que muitos homens.