Dino ganha força na Esplanada como nome para assumir vaga de Rosa Weber no STF

Flávio Dino. Foto: Reprodução/Facebook

Por Wesley Oliveira e Renan Ramalho

O nome do ministro da Justiça, Flavio Dino, tem ganhado força nos bastidores da Esplanada dos Ministérios e é um dos cotados para assumir a vaga da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). A atual presidente da Corte se aposenta em outubro, o que vai possibilitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faça uma nova indicação ainda neste ano. Recentemente, o petista emplacou o nome do seu advogado, Cristiano Zanin, na vaga deixada por Ricardo Lewandowski.

Integrantes do governo ouvidos pela Gazeta do Povo admitem que o nome de Dino passou a ser considerado diante de sua proximidade com Lula e de sua experiência jurídica. O atual ministro da Justiça fez carreira como juiz federal, foi presidente da Associação Nacional de Juízes Federais, membro do Conselho Nacional de Justiça e deixou a magistratura para ingressar na política em 2006, quando se elegeu deputado federal pelo Maranhão.

Além disso, Dino vem adotando um tom menos radical nas últimas semanas, apesar de sua participação no congresso da UNE, quando assumiu que busca uma regulamentação das redes sociais por causa da proliferação de ideias de direita. A mudança de tom do ministro foi interpretada pelos colegas de governo como um movimento para pavimentar sua indicação ao STF. Antes disso, ele vinha sendo um dos principais responsáveis pelos embates com nomes da oposição na internet e nas audiências públicas no Congresso Nacional.

A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que caso o ministro sinalize ao presidente que deseja voltar para a carreira no Judiciário, Lula não apresentaria objeções de indicá-lo. O ministro diz que está feliz com a atual função no governo e garante que nunca tratou do tema com o chefe do Executivo.

Indicação de Flávio Dino conta com apoio de ministros do STF

Dentro do STF, uma eventual indicação de Flávio Dino não seria mal recebida pelos ministros da Corte. O ex-governador é conhecido no meio jurídico – seu irmão, por exemplo, é o subprocurador Nicolão Dino, muitas vezes cotado para o comando da Procuradoria-Geral da República – e convive bem com a nata da advocacia, sempre presente em julgamentos, audiências, solenidades e eventos jurídicos.

Neste ano, ele ganhou mais simpatia dentro do STF por se juntar a uma luta dos ministros em prol da regulamentação das redes sociais. Além da pressão junto ao Congresso Nacional para aprovar o PL das Fake News, Dino tomou medidas no próprio Ministério da Justiça para pressionar as big techs a controlar mais o que trafega em suas plataformas.

Com a Polícia Federal sob seu comando, passou a colaborar com Alexandre de Moraes nos criticados inquéritos contra os “atos antidemocráticos” e as “milícias digitais”, especialmente após o 8 de janeiro. Dino, aliás, permanece blindado por Moraes na investigação sobre o caso, apesar das inúmeras tentativas de parlamentares de direita de acusá-lo de omissão na segurança da Praça dos Três Poderes, no dia da invasão.

Outro ativo de Dino é sua interlocução estreita com o mundo político. Ex-governador e senador licenciado, ele tem contatos no PCdoB, por onde passou, e no PSB, seu atual partido, mas também no campo da esquerda em geral.

Outros nomes correm por fora na busca pela vaga de Rosa Weber

Como acontece com qualquer outro novo candidato ao STF, pesa contra sua eventual indicação a existência de uma longa fila de interessados que se apresentaram antes. Dentro do STF, há ministros que preferem nomes próximos de colegas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os mais fortes hoje são Luís Felipe Salomão e Benedito Gonçalves.

Há anos eles compõem a lista de favoritos, mas agora ganharam força porque tiveram atuação determinante, ao lado de Moraes, para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro à inelegibilidade, e também para desgastar e cassar o mandato de deputado do ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos-PR), que foi coordenador da força-tarefa da Lava Jato.

Outro interessado na vaga, e que também se empenhou para a cassação de Dallagnol, é o atual presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. Foi dele a iniciativa para cobrar R$ 3 milhões do ex-chefe da Lava Jato pelas diárias e passagens pagas a ex-integrantes da força-tarefa de Curitiba.

O grupo Prerrogativas, formado por advogados que militam contra a Lava Jato e que tem influência sobre Lula, tem vários outros nomes preferidos, como os dos professores Pedro Serrano e Lenio Streck, das advogadas Dora Cavalcanti, Flávia Rahal e Carol Proner, além da desembargadora Simone Schreiber.

Dino usa programa para viajar pelo país e pavimenta possível candidatura ao Planalto no pós-Lula

Além de ser cotado para assumir uma cadeira no STF, o nome de Flávio Dino é apontado como um dos presidenciáveis da esquerda no pós-Lula. A avaliação é de que o ministro tem aproveitado sua atuação na pasta para pavimentar uma possível candidatura ao Planalto em 2026 ou em 2030.

Aos seus interlocutores, Dino tem enfatizado que gosta de ser político e não se arrependeu da opção que fez no passado, ao deixar a magistratura para ingressar na política. Uma cadeira no STF, no entanto, não é descartada inteiramente por parte do ministro da Justiça de Lula.

Em meio a essas movimentações, Flavio Dino tem rodado o país para promover o lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). O projeto, no entanto, ainda não foi finalizado pelos técnicos do ministério da Justiça.

Ao todo, o chefe da pasta já rodou 16 estados do Brasil para divulgar o programa que tem como objetivo a redução dos índices de violência e promover a cidadania. A avaliação interna do Planalto é de que o Pronasci será uma vitrine de projeção para Flávio Dino dentro do governo Lula. Com o Pronasci, o ministro já entregou, por exemplo, cerca de 200 viaturas para cidades de todo o país.

“Trago equipamentos, trago armamentos, trago viaturas, sobretudo para esta causa, a causa da proteção das mulheres. Se nós queremos, como queremos, de fato, prestigiar as famílias, nós temos que combater o feminicídio. Nós nunca teremos uma país justo enquanto as pessoas acharem que podem matar mulheres”, disse Dino durante passagem por Goiânia na semana passada.

Na agenda, Dino prometeu entregar para Goiás 58 viaturas, nove drones, 40,5 mil munições, além de pistolas e outros equipamentos para as forças policiais. O total de investimento no estado ultrapassa R$ 9 milhões, de acordo com a pasta.




Suspeito de hostilizar Moraes influencia futebol e política no interior de SP e já liderou chapa PL-PT

Roberto Mantovani Filho. Foto: Reprodução

por ARTUR RODRIGUES E RUBENS CAVALLARI

SANTA BÁRBARA D’OESTE, SP (FOLHAPRESS) – Pouco antes da viagem na qual se deparou com Alexandre de Moraes em um aeroporto na Itália e se tornou alvo da Polícia Federal sob suspeita de hostilidade ao ministro do STF, Roberto Mantovani Filho chegou a ter uma conversa amistosa com Luis Vanderlei Larguesa, presidente do PT em Santa Bárbara d’Oeste (interior de São Paulo) que foi seu parceiro de chapa, em dobradinha com o PL, em uma eleição municipal.

“Ele me apresentou [a quem estava com ele]. A única coisa é que ele fez uma observação: ‘olha, esse aqui é um grande político, amigo meu, tal: o único defeito dele é ser do PT’. Fez essa observação como muita gente faz, mas num tom descontraído”, conta Larguesa, que manifestou estranhamento na segunda-feira (17) diante do episódio que envolveu Mantovani, Moraes e familiares de ambos na última sexta-feira (14) em Roma.

O empresário de 71 anos, influente nos negócios, na política e no futebol do município de 183 mil habitantes próximo de Campinas, prestou depoimento na terça-feira (18) à PF após um caso que gerou amplo repúdio na classe política. Disse ter reagido a ofensas e “afastado” uma pessoa que seria filho do magistrado.

Visto como algoz por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos últimos anos, Moraes foi hostilizado no aeroporto italiano, aos gritos de “bandido”, “comunista” e “comprado”, e relatou um golpe contra seu filho, cujos óculos chegaram a cair.

Mantovani, que estava com Andreia Munarão, sua esposa, Alex Zanatta Bignotto, seu genro, e Giovanni Mantovani, seu filho, definiu a situação como “um entrevero”. A defesa da família negou ofensa a Moraes e disse que acabou envolvida após hostilidade de outro grupo, mas se nega a expor detalhes e deixa perguntas sem respostas. Não comenta, porém, sobre a agressão ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, atribuída ao empresário de Santa Bárbara.

O petista Larguesa, candidato a vice na chapa derrotada em que Mantovani tentou ser prefeito em 2004, quando os dois partidos tinham aliança nacional, afirma que prefere aguardar as apurações. O PL, pelo qual concorreu naquela eleição, só se tornaria partido de Bolsonaro em 2021.

O ex-candidato a vice define seu antigo parceiro como “conservador” e diz acreditar que tenha votado no então presidente em 2022. “Mas conheço um monte de gente que votou no Bolsonaro e que não tem perfil radical”, diz.

“Eu, francamente, estranhei”, completa, em relação ao conflito no aeroporto.

Em Santa Bárbara d’Oeste, antes do caso envolvendo Moraes, Mantovani é conhecido há décadas pela atuação como presidente do clube de futebol União Barbarense durante um período tido como áureo do time, no fim da década de 1990 e começo dos anos 2000.

Em 1999, em um momento registrado pelo jornal Folha de S.Paulo, chegou a participar de uma homenagem do clube a Zagallo, tetracampeão mundial de futebol e então técnico da Portuguesa. Veja:

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

“Nós nunca imaginamos que o Zagallo, que é tetracampeão do mundo de futebol, viesse a Santa Bárbara”, disse Mantovani na época.

O jornalista JJ Belani, pesquisador da história do time, diz que Mantovani foi um dos maiores presidentes do clube. “Com ele no comando, o União Barbarense conquistou seu maior título, o de campeão paulista da Série A-2 em 1998 e em seguida campeão paulista do interior em 1999”, afirmou.

Com isso, o time subiu para a primeira divisão. Posteriormente, outros grupos políticos assumiram o clube, que voltou à segunda divisão.

Pela atuação como empresário em uma empresa de bombas voltadas à indústria e acessórios, Mantovani já recebeu homenagens na Câmara Municipal de Santa Bárbara.

Atualmente, ele é filiado ao PSD, segundo a sigla. O partido, porém, pode expulsá-lo após avaliação da comissão de ética. Em 2020, Mantovani apoiou candidatos locais com doações – de R$ 19 mil distribuídos, R$ 11 mil foram para o PSD.

A aposta, novamente, não vingou nas urnas. O candidato Dr. José (PSD), que recebeu R$ 4.000 do empresário, perdeu para o atual prefeito, Rafael Piovezan (PV).

Políticos locais agora também parecem se esquivar de vínculo com o empresário.

Em 2018, o vereador Joi Fornasari (PV) fez uma moção de aplausos à Helifab, empresa de Mantovani, citando-o nominalmente. Nesta segunda, a reportagem procurou Fornasari pessoalmente na Câmara, mas foi informada que ele não falaria sobre o tema.

Não foi a primeira homenagem recebida por Mantovani, que já havia recebido o título de Cidadão Barbarense e também uma medalha da Casa Legislativa.

Contatado pela reportagem, Mantovani informou que passaria esta segunda-feira fora de Santa Bárbara e indicou a reportagem a procurar seu advogado, Ralph Tórtima Filho.

A reportagem também foi até a residência do genro dele, Alex Zanatta, que não quis dar entrevista. Ele prestou depoimento à PF no domingo (16) em Piracicaba (SP) e negou a acusação de ofensas ao ministro.

Em Santa Bárbara, no segundo turno das eleições de 2022, 66% da população votou em Bolsonaro contra Lula. Mantovani, porém, busca afastar a pecha de bolsonarista radical em meio ao episódio com Moraes.

O advogado da família afirma que Mantovani já esteve com Lula no passado e sempre teve relação de respeito com o PT.

“O ocorrido [no aeroporto] não tem qualquer conotação política”, diz. “Não houve em momento algum nada direcionado ao ministro, em momento algum eles quiseram atingir a imagem pública do ministro.”

O advogado, mais uma vez, evitou comentar a suspeita de agressão contra o filho de Moraes. Segundo ele, o assunto será tratado nesta terça, quando o empresário vai depor à PF.

De acordo com o advogado, a família está assustada com a repercussão do caso e “ciente que isso tudo logo vai ser esclarecido”.

Tórtima Filho diz que Mantovani atualmente está aposentado e se dedica principalmente a cuidar dos netos. Já a esposa dele, segundo o defensor, atua como voluntária em entidades beneficentes.

O empresário fez carreira no comando da Helifab, do ramo de bombas, que distribuía produtos da Netzsch – fundada na Alemanha, que afirma ter adquirido a empresa no ano passado e que buscou se distanciar do antigo parceiro.

Segundo o grupo, Mantovani não representa mais a Netzsch. “O Grupo Netzsch claramente não se alinha com as atitudes do Sr. Roberto Mantovani e condenamos veementemente suas ações e comportamento”, diz a empresa.

Apesar disso, afirma que está “verificando se ainda existem relações comerciais ativas entre o Sr. Mantovani e a Netzsch”.

Veja fotos de Mantovani ao lado de Lula:

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha

Suspeito de agredir Moraes em Roma liderou chapa PL-PT - 17/07/2023 - Poder  - Folha




Envolvidos em agressões a Moraes podem ser presos no Brasil; entenda

Atitude dos brasileiros acusados de hostilizar Moraes e sua família pode ser caracterizada por mais de um crime; pena pode ser de mais de oito anos de reclusão

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PF pede imagens do aeroporto de Roma para investigar hostilidades a Moraes
Reprodução

PF pede imagens do aeroporto de Roma para investigar hostilidades a Moraes

O incidente ocorrido na última sexta-feira (14) envolvendo um grupo de brasileiros e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  Alexandre de Moraes, juntamente com sua família, desencadeou um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar o caso.

A atitude dos brasileiros, que foram acusados de hostilizar Moraes e sua família, pode ser caracterizada pela PF como agressão, injúria, difamação ou até mesmo uma tentativa de subverter o Estado Democrático de Direito.

Renato Ribeiro de Almeida, Doutor em Direito do Estado pela USP, afirma que brasileiros que cometem crimes fora do país também devem responder por essa prática de crimes, ainda mais envolvendo autoridades da República Federativa do Brasil.

“É devida a apuração dos fatos, inclusive, com a possível penalização dessas pessoas por crime contra honra e até por lesão corporal, caso for comprovada a agressão contra o filho do ministro Alexandre de Moraes”, disse.

Rubens Beçak, professor de Graduação e Pós-graduação da USP, também compartilha da mesma interpretação e alega que caso o Ministério Público Federal identifique agressão ou intenção de coação ou constrangimento ao exercício do cargo público, a pena pode ser até mais do que oito anos de reclusão, conforme a classificação de crimes contra o Estado Democrático de Direito.

“Se esse inquérito for positivo, e a questão das imagens eu acho de suma importância, aquelas pessoas tidas por agressores sofrerão, desde que ouvido o ministério público, a ação penal e ao final as combinações da lei, inclusive prisão, multas”, afirmou.




Guarda Municipal diz que tem agentes prontos para fiscalizar o trânsito de João Pessoa

Lei, que foi sancionada pela ex-presidente Dilma em 2014, foi validada pelo STF nesta terça. Ela libera a atuação dos guardas municipais na fiscalização do trânsito

Imagem ilustrativa (Foto: Reprodução/Walla Santos)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) validar uma lei que autoriza a atuação das guardas municipais na fiscalização de trânsito, o superintendente da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP), Expedito Filho, afirmou nesta terça-feira (11), que aguarda a publicação da decisão para analisar e se posicionar sobre o assunto.

Expedito falou que não tem opinião formada sobre o tema e que, após análise do setor jurídico da Semob-JP, vai conversar com o comando da Guarda Municipal para debater o assunto.

“Não podemos emitir uma opinião formada nesse momento, tendo em vista que falta a publicação da decisão e necessitamos de uma análise jurídica sobre ela”, disse Expedito Filho

0 comandante da Guarda Municipal da Capital, Vítor Almeida, afirmou que doze guardas municipais já possuem treinamento para atuar na fiscalização do trânsito e que a atuação depende de entendimento com a Semob-JP.

“Nossos agentes possuem condições de ajudar e auxiliar no trânsito de nossa cidade e na segurança. Porém, é necessário que haja um entendimento da concessão junto à Semob ou Detran-PB para que os agentes atuem”, afirmou




STF fixa regras e libera pagamento do piso da enfermagem para funcionários do setor público

O Globo

Profissionais de enfermagem fazem protesto no Rio pelo piso salarial. Foto: Alexandre Cassiano

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu liberar o pagamento do piso da enfermagem para servidores do setor público mediante o atendimento de alguns critérios. O julgamento, realizado no plenário virtual, terminou na noite desta sexta-feira.

A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, Luís Roberto Barroso, para estabelecer que o piso deve ser pago por estados, Distrito Federal, municípios e autarquias somente nos limites dos recursos repassados pela União.

No voto de Barroso, apresentado em conjunto com o ministro Gilmar Mendes, foram estipuladas regras para o pagamento do piso para servidores públicos porque não há uma fonte segura para custear nos próximos anos os encargos financeiros impostos aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.

Em 2023, o governo federal abriu crédito especial para esse fim. Barroso e Gilmar propõem que, para garantir o piso, a União possa usar recursos de emendas parlamentares.

O STF analisou uma ação ajuizada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde), que questionou a constitucionalidade de uma lei aprovada em 2022. A norma fixou o piso nacional em R$ 4.750 para os profissionais de enfermagem, R$ 3.325 para os técnicos de enfermagem, e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras. Pela lei, os valores deveriam valer tanto para o setor público como para o setor privado.

Entenda o caso

– Em julho de 2022 o Congresso aprovou uma mudança na Constituição para estabelecer uma remuneração mínima para enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e parteiras;
– Em setembro de 2022, o ministro Luís Roberto Barroso atendeu a uma solicitação da Confederação Nacional de Saúde, Hospitais Estabelecimentos de Serviços (CNSaúde) e suspendeu a lei que determinava o piso salarial nacional da enfermagem;
– A justificativa foi avaliar o impacto financeiro da medida para os entes federativos;
– Em maio deste ano, o ministro Barroso revogou a sua própria decisão e ficou liberado o pagamento do valor. O Supremo terminou de julgar essa decisão individual dada por Barroso;
– A liberação do piso para 2023 só foi possível porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que liberou R$ 7,3 bilhões a serem enviados para estados, DF e municípios.

As divergências entre os ministros apareceram sobretudo em relação ao setor privado, que emprega os enfermeiros celetistas. Os ministros Barroso, Gilmar, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram para que a implementação do piso seja precedida de negociação coletiva, de modo a “admitir acordos, contratos e convenções coletivas, a fim de possibilitar a adequação do piso à realidade dos diferentes hospitais e entidades de saúde pelo país”. Segundo o relator da ação, o objetivo é evitar o risco de demissões e de prejuízo aos serviços de saúde.

O ministro Dias Toffoli apresentou um complemento a esse entendimento, no qual propõe que, além da negociação coletiva, seja prevista uma regionalização do valor do piso, devendo prevalecer “o negociado sobre o legislado”. Toffoli foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Nunes Marques.

“Em relação aos profissionais celetistas em geral, a implementação do piso salarial deve ocorrer de forma regionalizada mediante negociação coletiva realizada nas diferentes bases territoriais e nas respectivas datas base, devendo prevalecer o negociado sobre o legislado, tendo em vista a preocupação com eventuais demissões e o caráter essencial do serviço de saúde”, propôs Toffoli.

Somente os ministros Edson Fachin e Rosa Weber votaram para que a lei vigore da forma como foi aprovada, prevendo o mesmo piso para todos os profissionais.




CCJ do Senado aprova nome de Cristiano Zanin para o STF

Advogado participou de sabatina e foi questionado sobre Lava Jato e pautas de costumes; nome será analisado pelo plenário da Casa nesta quarta

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Cristiano Zanin ainda terá nome analisado pelo plenário do Senado
Sylvio Sirangelo/TRF4 – 24.1.18

Cristiano Zanin ainda terá nome analisado pelo plenário do Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (21) o nome do advogado Cristiano Zanin para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação ainda deverá ser analisada pelo plenário do Senado.

Dos 27 senadores que compõem a comissão, 21 votaram a favor de Zanin. Outros cinco foram contrários à indicação. Um não apresentou voto.

Cristiano Zanin foi indicado por Lula no começo do mês e deverá ocupar a cadeira deixada por Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril. Ele deve herdar mais de 500 processos que estavam sob a relatoria do ex-ministro.

Para a aprovação, Zanin contou com apoio de parlamentares de oposição, como o PL, que fechou questão em favor do ex-defensor de Lula. Nos últimos dias, o indicado se reuniu com senadores para se apresentar e foi bem avaliado pelos congressistas ligados à base bolsonarista.

O advogado ainda foi sabatinado pelos integrantes da CCJ nesta quarta e questionado sobre sua parcialidade em processos da Operação Lava Jato. Ele afirmou que manterá seu posicionamento como ‘suspeito’ para casos em que atuou como advogado, mas deixou aberta a possibilidade de atuar em outros processos sobre o tema.

“Como eu já disse anteriormente, as regras objetivas podem ser tratadas e enfrentadas. Os processos que lecionei como advogado, não poderia julgar esse processo ou essa causa. Por outro lado, questões futuras, processos futuros, para confirmar a suspeição, é necessário analisar os autos”, disse.

“Não acredito que o simples fato de colocar uma etiqueta no processo e indicar o nome Lava Jato possa ser um critério, do ponto de vista jurídico, para aquilatar a suspeição e o impedimento”, concluiu Zanin.

O relator da indicação, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), questionou Zanin sobre sua relação com Lula e as decisões monocráticas. Cristiano Zanin disse que não será subordinado da cúpula petista e defendeu que decisões monocráticas sejam analisadas pelo plenário do STF.

“O ministro do STF só pode estar subordinado à Constituição da República. Me sinto na condição de exercer esse honroso cargo e atuar com imparcialidade”, disse Zanin.

“Sei a distinção dos papéis entre um advogado e um ministro do Supremo Tribunal Federal, se aprovado por este Senado. Saibam, senhoras senadoras, senhores senadores, que na verdade eu não vou mudar de lado, pois meu lado sempre foi o mesmo: o lado da Constituição, das garantias, amplo direito de defesa e do devido processo legal”, ressaltou.

Processos de Zanin

Dos mais de 500 processos que Cristiano Zanin deverá herdar de Lewandowski, ele ficará impedido de analisar 143 deles, por ter relação com as partes envolvidas nas ações. Entretanto, ele ficará com processos de interesse do Palácio do Planalto.

 Por Ig




Senado aprova e Cristiano Zanin é o novo ministro do STF

O plenário do Senado aprovou, por 58 votos a 18, nesta quarta-feira (21) o advogado Cristiano Zanin para a vaga de ministro deixada por Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal (STF). Não houve abstenção.

Zanin foi designado para a vaga pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele atuou na defesa de Lula durante os processos da Operação Lava Jato e na campanha ao Planalto em 2022.

Nas indicações de ministros ao STF, cabe somente ao Senado analisar a escolha. A votação é secreta. Não há votação na Câmara dos Deputados.

Aos 47 anos, considerando as atuais regras para aposentadoria no Supremo, ele poderá atuar por 28 anos no STF — até atingir 75 anos.

Por Maurílio Júnior




Advogados de Anderson Torres descartam delação premiada de ex-ministro

Torres deixou a prisão na noite dessa quinta-feira (11)

Por

iG Último Segundo

Anderson Torres
redacao@odia.com.br (Agência Brasil)

Anderson Torres

Os advogados de  Anderson Torres comentaram nesta sexta-feira (12) a soltura do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça , que ocorreu na noite de quinta-feira (11) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) .

Eumar Novacki, advogado de Torres disse em entrevista que não há possibilidade do ex-ministro se comprometer com uma delação premiada. A defesa ainda criticou os atos golpistas do dia 8 de janeiro na sede dos Três Poderes em Brasília e os classificou como “odiosos”.

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal estava detido desde o dia 14 de janeiro, e a prisão se deu por suspeita de omissão durante os ataques antidemocráticos que tiveram como alvo a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro deste ano. Anderson deixou o Batalhão da Polícia Militar, localizado em Guará, em Brasília, por volta das 21h15.

Apesar da liberdade, Moraes determinou que Torres cumpra algumas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição da posse e porte de armas. Torres ainda deverá se apresentar à Justiça toda semana e está proibido de sair do Distrito Federal.

O ministro também determinou que o ex-secretário entregasse o passaporte e o afastamento do ex-ministro do cargo de delegado da Polícia Federal. Torres também não poderá usar redes sociais e ter contatos com outros investigados.

 




Exército gastou R$ 376 mil para controlar golpistas em Brasília

Foram 70 dias de ato, que custaram mais de R$ 5 mil por dia aos cofres públicos

Manifestação golpista na Praça dos Três Poderes

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Manifestação golpista na Praça dos Três Poderes

Antes mesmo dos  atos golpis tas  do dia 8 de janeiro em Brasília, o Exército precisou deixar 200 homens no QG de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar controlar o ato. Essa decisão teve um custo aos cofres públicos de R$ 376 mil.

Logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestantes se reuniram em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, e se organizaram para tentar pedir uma intervenção militar.

Foram 70 dias de ato, que custaram mais de R$ 5 mil por dia aos cofres públicos. Esses valores constam da segurança do Setor Militar Urbano (SMU), logística e operações no local, segundo o portal Metrópoles.

Atos Golpistas

A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou no começo do mês com um pedido para que os financiadores dos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro deste ano sejam condenados a pagar R$ 100 milhões por dano moral coletivo.

O documento enviado pela AGU à Justiça Federal do Distrito Federal tem como alvo 54 pessoas físicas, três empresas, uma associação e um sindicato. Esses mesmos financiadores já tinham sido incluídos em outra ação relacionada às manifestações golpistas.

No outro processo, a cobrança era para que esses financiadores pagassem R$ 20,7 milhões em relação aos danos materiais usados na Praça dos Três Poderes. Essas pessoas e empresas teriam financiado ônibus para levar os golpistas para os atos.

Condenação definitiva de 42 pessoas

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Justiça Federal do Distrito Federal, no dia 1º, a condenação definitiva de mais 42 pessoas presas em flagrante por participarem da invasão e depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

Antes, outras 40 pessoas, que seguem presas preventivamente, também tiveram pedido de condenação formulado pela AGU. Os 42 suspeitos já tiveram os bens bloqueados anteriormente, a pedido da própria AGU, em uma ação cautelar.

STF concede liberdade a mais de 80 golpistas

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes concedeu, nesta sexta-feira  (10), liberdade provisória a 80 pessoas presas em decorrência dos atos golpistas que tiveram como alvo a Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro deste ano.

Em contrapartida, foi determinada a aplicação de medidas cautelares contra os envolvidos nas ações antidemocráticas. Algumas das medidas são cancelamento dos passaportes emitidos pela Polícia Federal, recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana mediante tornozeleira eletrônica e proibição da utilização de redes sociais.

No dia 9 de janeiro a PF prendeu, em flagrante, 2.151 pessoas dos atos terroristas e estavam na frente de quartéis. Destas, 745 foram liberadas imediatamente após a identificação, e das 1.406 que seguiram presas, permanecem detidos 440 homens e 82 mulheres. As demais obtiveram liberdade provisória para responder ao processo mediante cautelares.

Por Ig




PGR: autoridades da Paraíba serão investigadas por atos golpistas

Ex-primeira-dama é suspeita de depredação, enquanto deputado estadual, vereadora e ex-candidato ao governo podem ter instigado manifestação
Reprodução Redes Sociais

Ex-primeira-dama é suspeita de depredação, enquanto deputado estadual, vereadora e ex-candidato ao governo podem ter instigado manifestação

Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a investigação de quatro autoridades da Paraíba por suspeita de participação nos atos golpistas do dia 8 de janeiro, em uma tentativa fracassada bolsonarista.

A denúncia sugere que a ex-primeira-dama Pâmela Bório (PSC) tenha participado na depredação de prédios públicos. Outros políticos do estado, como o deputado estadual Wallber Virgolino (PL) , a vereadora de João Pessoa Eliza Virgínia (PP) e o ex-candidato ao governo Nilvan Ferreira (PL) , também são suspeitos, estes por possívelmente terem incitado a manifestação. A manifestação partiu de ação apresentada pelo PSOL ao Supremo Tribunal Federal (STF).

partido solicita que a Corte investigue os quatro e decrete prisão preventiva de ambos, além de bloqueio em suas redes sociais. A PGR aceitou abrir a investigação , mas os outros pedidos foram indeferidos. Quem deve julgar o caso é o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos.

Pâmela Bório postou vídeos e fotos na Praça dos Três Poderes, nos atos golpistas. A PGR afirma que é preciso investigar se ela participou da “efetiva destruição dos bens pertencentes ao erário ou se a representada apenas incitou os atos criminosos”.

Pâmela é ex-esposa do ex-governador Ricardo Coutinho (PT) e concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022 e foi eleita à suplente de deputado federa.

Após a repercussão de sua participação nos atos, ela divulgou nota afirmando que estava realizando uma “cobertura jornalística”.

Wallber Virgolino, Eliza Virgínia e Nilvan Ferreira publicaram fotos dos golpistas. Para a PGR, eles “exaltaram os atos criminosos”, que quer saber se há “elementos que possam comprovar se os representados incitaram a execução dos atos antidemocráticos”

 

Por

iG Último Segundo