Prisão de Silvinei: Moraes aponta ‘condutas gravíssimas’ em decisão

Ministro do STF destacou ainda que liberdade do ex-diretor da PRF poderia interferir no andamento de investigações

Por

iG Último Segundo

|

Atualizada às 

Silvinei Vasques foi preso nesta quarta-feira (9) em operação da PF
Tomaz Silva/Agência Brasil

Silvinei Vasques foi preso nesta quarta-feira (9) em operação da PF

Na decisão que autorizou a prisão de Silvinei Vasques nesta quarta-feira (9) , o ministro Alexandre de Moraes apontou que o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) utilizou irregularmente a máquina pública com o intuito de interferir nas eleições do ano passado.

“As condutas imputadas a Silvinei Vasques são gravíssimas e as provas apresentadas, bem como as novas diligências indicadas pela Polícia Federal como imprescindíveis para a completa apuração das condutas ilícitas investigadas, comprovam a necessidade da custódia preventiva para a conveniência da instrução criminal”, escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ele também concordou com a PF no ponto onde a corporação indica que a manutenção da liberdade de Silvinei poderia interferir nas investigações acerca da possibilidade de interferência da PRF no pleito eleitoral de 2022, principalmente no que diz respeito ao depoimento de dois servidores.

Os profissionais citados são Naralúcia Leite Dias, ex-chefe do Serviço de Análise de Inteligência da PRF, e Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de Análise de Inteligência da corporação.

Alexandre de Moraes aponta ainda que há fortes indícios de que Vasques cometeu crimes como prevaricação, restrição ou impredimento do exercício do direito político e abuso de autoridade.

Blitz e interferência nas eleições

A Polícia Federal encontrou provas de que as blitz no segundo turno das eleições  foram intencionalmente direcionadas para prejudicar a votação de Lula.

Os investigadores encontraram imagens com o mapeamento das cidades da região Nordeste onde Lula teve mais de 75% dos votos no primeiro turno em celulares de policiais rodoviários.

Também foram descobertas conversas sobre uma reunião da cúpula da Polícia Rodoviária em que Silvinei teria determinado a realização de um “policiamento direcionado” às cidades em que Lula obteve mais votos.




Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF, vira réu por improbidade

De acordo com o MPF, o diretor da corporação fez uso indevido do cargo

Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF
Reprodução/Instagram

Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF

O  diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal ( PRF ) Silvinei Vasques virou réu por improbidade administrativa nesta sexta-feira (25). A decisão foi do juiz José Athur Diniz Borges, da 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que atendeu a um pedido do Ministério Público Federal.

No último dia 15, o pedido foi apresentado pelo MPF . Na ocasião, também foi feito um pedido de afastamento de Silvinei do cargo de diretor-geral da PRF. No entanto, após analisar o caso, o juiz afirmou que quer ouvir o policial antes de tomar uma decisão.

Segundo a argumentação do MPF, o agente usou o cargo indevidamente e apontou ações durante as eleições 2022 para favorecer o presidente Jair Bolsonaro (PL), como pedido de votos irregularmente.

“A vinculação constante de mensagens e falas em eventos oficiais, entrevista a meio de comunicação e rede social privada, mas aberta ao público em geral, tudo facilmente acessível na internet, sempre associando a própria pessoa do requerido à imagem da instituição PRF e concomitantemente à imagem do Chefe do Poder Executivo federal e candidato a reeleição para o mesmo cargo, denotam a intenção clara de promover, ainda que por subterfúgios ou mal disfarçadas sobreposição de imagens, verdadeira propaganda político-partidária e promoção pessoal de autoridade com fins eleitorais”, argumentou o Ministério Público.

A solicitação surgiu por conta da publicação feita por Silvinei nos perfis das redes sociais, um dia antes da votação do segundo turno. O diretor da PRF pediu aos seus seguidores que votassem no atual presidente da República.

“Não é possível […] dissociar da narrativa desta inicial a possibilidade de que as condutas do requerido, especialmente na véspera do pleito eleitoral, tenham contribuído sobremodo para o clima de instabilidade e confronto instaurado durante o deslocamento de eleitores no dia do segundo turno das eleições e após a divulgação oficial do resultado pelo TSE”, escreveu o MPF.

Por

iG Último Segundo