Saudade: Ausência que mora no peito: Ruin Leitao 

Saudade: Ausência que mora no peito: Ruin Leitao

Sempre questionei por que a palavra “saudade” não tem equivalente em nenhum outro idioma. Será que esse é um sentimento único dos brasileiros? Claro que não! Todo ser humano, seja qual for a nacionalidade, sente saudade.

Há momentos na vida em que pensamos que o tempo parou, ou desejamos que ele faça voltar os ponteiros do relógio e a contagem dos dias em nosso calendário. O nó na garganta se torna intenso. Surge a imensa vontade de reviver aquilo que a nossa memória guardou como agradável, prazeroso, inesquecível. É a alma querendo retornar ao passado. Quando sentimos saudade de alguém ou de algo que aconteceu, damos-nos conta da importância daquela pessoa ou daquela ocorrência de outrora.

A saudade é um sentimento teimoso; ela insiste em dominar nossas emoções, mesmo quando queremos fugir das lembranças. Ocorre que, no cotidiano, nos deparamos com situações que nos remetem a recordações impossíveis de serem evitadas. Uma foto antiga, um cheiro conhecido, uma paisagem que serviu de cenário a algo vivido no passado, uma música que marcou uma relação provocam no coração certa nostalgia. Bate uma melancolia, acompanhada da necessidade de preencher um vazio no peito. É a sensação de que o motivo da saudade está presente no pensamento, longe dos olhos, mas firme no coração.
A saudade nos faz viajar no tempo e sonhar com a possibilidade de reencontros.

Lógico que toda saudade dói, mas algumas provocam uma ansiedade gostosa, uma expectativa cheia de vontade de viver. É quando sabemos que a saudade sentida terá fim. A tristeza temporária, vivida naquele instante, tem previsão para acabar. Esse é o lado bom da saudade: quando abraçamos as boas lembranças na expectativa de que elas se repitam.

A saudade que causa dor maior é aquela que nos dá a certeza de que nada voltará a ser como antes, como diz Lulu Santos em uma de suas canções: “nada do que foi será do jeito que já foi um dia”. Chegamos a pensar que a vida perdeu o sentido, como se nada mais pudesse substituir a ausência sentida. Então, os olhos deixam transparecer a imensa dor que habita o peito, transbordando em lágrimas. O coração se declara. A saudade pode até ser eterna, mas torna-se menos dolorosa à medida que o tempo passa. Melhor chorar por saudade do que olhar para o passado e nada sentir.

wwwreporteriedoferreira,com.br /Rui Leitao- advogado, jornalista, poeta, escritor




HADDAD MATOU A NOSSA SAUDADE DE FLÁVIO DINO Por Rui Leitao 

HADDAD MATOU A NOSSA SAUDADE DE FLÁVIO DINO Por Rui Leitao

O ministro Fernando Haddad matou nossa saudade de Flávio Dino ontem na Câmara dos Deputados. Deu um show de argumentação técnica. Tendo sido convidado para participar de uma audiência na Comissão de Finanças e Tributação, onde o objetivo seria debater sobre a política econômica, se viu obrigado a enfrentar os costumeiros bate bocas provocados por uma bancada de parlamentares que vem se destacando pelo protagonismo em espetáculos de patetices, sem qualquer compromisso com a discussão de temas que deveriam ser levados a sério. O feitiço virou contra os feiticeiros. Ao invés de ser “lacrado” com a produção de vídeos para publicação na internet, como sempre fazem, foi ele quem “lacrou”. Não deixou qualquer provocação sem resposta inteligente e de fina ironia.

O grande problema é que os idiotas também se elegem. Claro, porque têm eleitores que se assemelham no comportamento irresponsável. Eles participam de processos eleitorais optando por escolhas que contrariem a prática da boa política. Não diria que são votos de protestos, são exercidos por idiotas em suas mais diversas versões ─ o espertalhão, o otário, o vigarista, o fanático, o farsante, o bobo alegre, etc. Então, têm que determinar suas preferências como se estivessem olhando no espelho.

Cultura e inteligência não são atributos necessários para que possam definir suas opções na hora de exercer o sufrágio nas urnas. Não têm noção do alto custo da irracionalidade política, quando colocam em cargos eletivos pessoas intelectualmente limitadas, e, portanto, desqualificadas, para o exercício dos cargos para os quais foram guindados nos processos eleitorais.

O tiro saiu pela culatra. Haddad, como era de se esperar, esbanjou conhecimento de economia, sempre falando com calma e tratando todos com a urbanidade que caracteriza sua personalidade. Mas, não perdeu oportunidade para responder com pitadas de humor inteligente aos que tentaram “enquadrá-lo”. Como se diz na gíria popular “foram jantados” pelo ministro. Os lacradores da extrema direita brasileira tiveram que se render às suas insignificâncias. Ficaram impedidos de fazer recorte nas redes sociais para ganhar apoio da base. A mediocridade dessa bancada parlamentar composta por negacionistas, reacionários e, acima de tudo, inconsequentes, se viram incapazes de repetir as costumeiras estultices, uma vez que encontraram alguém com a capacidade de enfrentar debates, ainda que fugindo do tema de seriedade, com inteligência e responsabilidade. Se não temos mais o Flávio Dino, ganhamos o Fernando Haddad. Só lamento que o tempo de um ministro tão importante para o país, seja perdido com a necessidade de responder a questionamentos dos que se prestam às atividades da “baixa política”.

Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor