Prefeito autoriza obras de pavimentação no Roger, Treze de Maio e Expedicionários, que terão 100% de ruas calçadas

SECOM – JP

Prefeito autoriza obras de pavimentação no Roger, Treze de Maio e Expedicionários, que terão 100% de ruas calçadas

O programa de pavimentação da Prefeitura de João Pessoa está entrando na fase de fechamento de bairros, concluindo o calçamento de 100% das ruas, com infraestrutura completa e acessibilidade. Na manhã desta sexta-feira (20), o prefeito Cícero Lucena autorizou os obras nos bairros do Roger, Treze de Maio e Expedicionários, além de assinar ordem de serviço para recapeamento asfáltico na Rua Nossa Senhora do Carmo, em Mandacaru.

Os três bairros estão inseridos em uma lista onde figuram outros 22 com 100% de suas ruas pavimentadas ou com obras já contratadas. A meta da gestão é chegar, até final do próximo ano, em 35 bairros na Capital. O investimento, só nessa ordem de serviço, é de R$ 843 mil. Somado o investimento total do programa de pavimentação, incluindo as 191 ruas entregues, mais de 200 em execução e as que já receberam ordem de serviço, o valor é de R$ 222,6 milhões.

“A gente tem colhido a opinião da própria população quando diz que uma rua como essa, no inverno tem a lama, no verão tem a poeira. Estamos acabando com esse problema e levando acessibilidade para o cadeirante, o piso tátil para o deficiente visual, plantando a árvore onde o proprietário desejar cuidar dessa árvore, valorizando os imóveis. Ou seja, em uma única ação você leva vários benefícios à população, então, é motivo de muita alegria Deus estar nos permitindo fazer isso”, disse o prefeito, durante solenidade na Rua Fotógrafo Ernane Augusto dos Santos, no Roger.

Entre os moradores beneficiados com a pavimentação, na rua que dá acesso a Avenida Ayrton Senna, a dona de casa Leuza Télis, disse que é a mais prejudicada com os problemas na rua, que agora serão solucionados. “A água desce todinha e fica toda na calçada, isso quando chove. Moro com a minha nora, meu filho e duas netinhas – todos prejudicados. Mas agora a gente sabe que vai melhorar, se Deus quiser“, afirmou.

A solenidade também contou com as presenças do deputado estadual João Gonçalves, dos vereadores Guga Oliveira, Emano Santos e Professor Gabriel, além dos secretários Marcos Vinícius (Comunicação), Rubens Falcão (Infraestrutura), os executivos Ubaldo Pequeno (Desenvolvimento Urbano) e João Bosco (Desenvolvimento Econômico e Trabalho).

Confira a lista das ruas com ordem de serviço:

Roger – Fotógrafo Ernane Augusto de Carvalho, Travessa Anísio Salatiel e a entrada por trás do Parque Arruda Câmara (Bica);




Publicado no jornal A UNIÃO, edição de hoje Um discurso histórico: Por Rui Leitao 

 

Publicado no jornal A UNIÃO, edição de hoje

Um discurso histórico: Por Rui Leitao

 

Em 1968 a juventude estudantil cada vez mais se afirmava como porta voz da insatisfação popular ante o governo autoritário que os militares estavam impondo à sociedade brasileira. Organizavam e comandavam todas as manifestações públicas de protesto à ditadura, recebendo sempre a adesão de artistas, intelectuais, religiosos e do povo em geral. Isso provocava um clima de tensão social, com o governo dando demonstrações de inquietação com a crescente mobilização liderada pelos estudantes.

 

Havia uma expectativa muito grande em relação às comemorações do dia da independência, quando os militares procuravam acender o sentimento cívico nacional, estimulando participação patriótica dos colégios nos desfiles de sete de setembro. Por outro lado, as lideranças estudantis enxergavam nesse evento um especial instante de expressar o repúdio coletivo ao regime, tirando o brilho das marchas comemorativas da data e provocando os ditadores. Por isso, em várias capitais do país surgiam movimentos de convencimento dos estudantes a não participação nos desfiles.

 

Na Paraíba, vários comícios relâmpagos foram realizados com esse objetivo, com maior ênfase no Liceu e no Estadual do Roger, através dos dirigentes dos Grêmios Daura Santiago Rangel e Castro Alves, respectivamente.

Essa intenção ganhou força a partir do discurso histórico proferido pelo Deputado Márcio Moreira Alves, na Câmara Federal, no dia dois de setembro, sugerindo o boicote às comemorações do sete de setembro. Não imaginava o deputado que, com aquele pronunciamento, ele mudaria a história política brasileira. Instalava-se a partir dele a crise que culminaria com a edição do AI 5.

 

Para melhor compreensão do teor explosivo do discurso, considerado pelos ministros militares como “ofensivo aos brios e à dignidade das forças armadas”, transcrevo na íntegra a seguir:

“Senhor Presidente, Senhores Deputados Todos reconhecem ou dizem reconhecer, que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto isso não basta. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem juntos com os algozes dos estudantes.

 

Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile. Esse boicote pode passar também às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa aqueles que vilipendiam-nas. Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me, senhor presidente, que é possível resolver essa farsa, esta democratura, pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia. Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e ha hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário de seus superiores”.

 

www.reporteriedoferreira.com.br   Por  Rui Leitão, Jornalista, Advogado e Escritor.