TRE-PB diz que apreciará operação contra prefeito de Cabedelo quando for provocado

Presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, Márcio Murilo da Cunha Ramos

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) se manifestou, no início da tarde desta terça-feira (14), sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal contra o prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante). Em nota, o presidente da Corte, Márcio Murilo da Cunha Ramos, garantiu que o Tribunal vai avaliar as acusações assim que for provocado.

“[O mandado] não foi determinado por integrante da Justiça Eleitoral. Portanto, eventual efeito desse afastamento na seara eleitoral, inclusive no tocante à sua diplomação, será oportunamente apreciado pela autoridade eleitoral competente, em processo judicial específico, quando provocada”, esclareceu o desembargador.

Edvaldo Neto foi eleito prefeito de Cabedelo, no último domingo (12), nas eleições suplementares. Ele era o prefeito interino da cidade em decorrência da cassação do seu antecessor, André Coutinho (Avante), cassado pela Justiça Eleitoral por envolvimento com facções criminosas durante as últimas eleições municipais.

Dessa vez, mais um prefeito da cidade portuária é afastado do cargo por relação com organizações criminosas.

Leia nota na íntegra

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) vem a público esclarecer que o afastamento do prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto, determinado no âmbito da Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (14), não foi determinado por integrante da Justiça Eleitoral. Portanto, eventual efeito desse afastamento na seara eleitoral, inclusive no tocante à sua diplomação, será oportunamente apreciado pela autoridade eleitoral competente, em processo judicial específico, quando provocada.

Des. Márcio Murilo da Cunha Ramos
Presidente do TRE-PB

Entenda operação 

O prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, foi afastado do cargo na manhã desta terça-feira (14), durante a Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura a suposta atuação de organização criminosa voltada à fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de facção criminosa.

Além do prefeito, foram alvos de mandados auxiliares da gestão municipal, o ex-prefeito da cidade, Vitor Hugo, e o secretário de Gestão Governamental de João Pessoa, Rougger Guerra.

Conforme apurado, o esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo/PB, circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional.

A investigação revelou um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas, cujo valor pode chegar até R$ 270 milhões de reais.

Estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras cautelares pessoais determinadas pelo Poder Judiciário, tais como o afastamento do atual Prefeito de Cabedelo/PB e de outros servidores públicos, com a finalidade de aprofundar a colheita probatória, preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas investigadas. As diligências são executadas em regime de força-tarefa entre a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba, por intermédio do GAECO, e a Controladoria-Geral da União.

“A investigação segue em andamento e os fatos apurados poderão ensejar responsabilização pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa, sem prejuízo de outros ilícitos eventualmente identificados no curso da apuração”, informou a PF.




O DIREITO DE CHORAR Por Rui Leitão

O DIREITO DE CHORAR Por Rui Leitão

 

O choro é um estado emocional que pode ser provocado, tanto por manifestação de alegria, quanto de tristeza. É uma característica exclusivamente humana. O pranto do sofrimento, no entanto, é resultado da vivência de angústias, decepções, dores, medo, indignação e saudade. Nesses casos o choro é involuntário. Há quem entenda que ao chorar a pessoa demonstra que não tem capacidade para lidar racionalmente com uma situação indesejada. Não concordo com esse ponto de vista. Tem sentimentos que dificilmente podem ser reprimidos ou sufocados. É preciso que eles sejam expressos de forma a acalmar um coração pesaroso.

 

Tem gente também que costuma censurar o choro e pergunta por quanto tempo o indivíduo vai continuar derramando lágrimas. São pessoas que se incomodam com o choro dos outros, porque as deixam irritadas. Geralmente esse é o comportamento de quem não tem sensibilidade, são embrutecidos, não costumam ser alcançados pelo espírito de empatia. São frios por natureza.

 

O aperto no peito, a sensação de desamparo, a perda de paz interior, são sintomas que inevitavelmente levam o ser humano a verter lágrimas de tristeza e de preocupação. Neste momento ele espera receber o abraço fraterno de apoio, a compreensão do seu sentimento de consternação, a palavra de conforto e de ajuda. O pranto do luto é mais demorado, permanece maltratando os corações por mais tempo, por conta da perda inesperada de alguém que amamos.

 

O choro nem sempre se mostra ao derramar lágrimas. Muitas vezes ele se evidencia por gritos silenciosos de inquietação, desgosto, aflição, amargura, revolta. Chorar, no sentido de lamentar, cobrar, questionar, reclamar, é um exercício de cidadania. A indignação nos conduz também ao choro. Lágrimas são palavras ditas de um sentimento calado.

 

Chorar é bom para a nossa saúde mental. Portanto, não nos faz bem segurar as lágrimas. Reprimir as emoções nos faz infelizes. Há momentos em que o choro tem efeitos terapêuticos. Após o choro, muitas vezes, recuperamos o equilíbrio emocional e melhoramos de humor. Guardar as lágrimas pode aumentar nosso sentimento de raiva ou de tristeza.

 

O machista diz que “homem não chora”. São inaceitáveis códigos culturais impostos como peso da masculinidade, onde ele terá que guardar para si as emoções que podem produzir pranto. Eu não me envergonho de chorar. E tenho chorado recentemente. Por vários motivos. Mas principalmente pelos males causados pela pandemia. Reajo com veemência às afirmações de que chorar é “frescura”. Não. Chorar não é atitude de covardia, como alguns tentam classificar. Pelo contrário é um ato de coragem, autenticidade, quando não se submete ao fingimemto de que não está infeliz ou desgostoso com alguma coisa, para não ferir a imagem de masculinidade ou não desagradar os que possam ficar aborrecidos com seu pranto de lamento.

 

Quero me manter firme na coragem de não esconder meus sentimentos de tristeza, de dor, de medo e de angústia. E vou chorar sempre que tiver vontade. Porém, sem perder o ânimo para vencer as contrariedades, a desesperança e o arbítrio. Não abro mão do meu direito de chorar. Muito mais quando esse choro tem justificativas e se faz necessário até para alívio da alma.

 

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Rui Leitão