PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Praças XV de Novembro e Álvaro Machado Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Praças XV de Novembro e Álvaro Machado
Sérgio Botelho
– Algumas das ruas e praças de João Pessoa, sobre as quais temos jogado luz, nessa série Parahyba e suas Histórias, desempenharam papel de grande relevância na formação da cidade. Dentro desse prisma, as atuais praças Álvaro Machado e XV de Novembro, localizadas no Varadouro, são exemplos emblemáticos. Durante os tempos coloniais, esses espaços foram diretamente influenciados pela proximidade do Porto do Capim, que fazia do Varadouro o principal ponto de movimentação comercial da cidade.
Com a construção da estrada de ferro, entre o final do Império e o advento da República (anos 1880, 1890 e primeiras décadas do Século XX), essas praças ganharam nova relevância, ambas se consolidando como pontos estratégicos para o desenvolvimento econômico e social da cidade. Além disso, os dois locais sediaram eventos memoráveis que marcaram a história pessoense, como celebrações cívicas e manifestações culturais, servindo de ambientes a acontecimentos que moldaram a identidade da cidade.
Elas são depositárias de tradições, costumes e valores que, ao longo dos anos, ajudaram a construir a narrativa política, social e cultural da cidade. Preservar esses logradouros é essencial para reforçar o senso de pertencimento e continuidade histórica, garantindo que a identidade pessoense permaneça viva e inspiradora para as gerações futuras. Dessa maneira, investir na revitalização e funcionalidade de praças como a Álvaro Machado e a XV de Novembro é fundamental para promover a memória coletiva de João Pessoa.
Lembrando que o esforço não deve ser exclusivo do poder público, mas compartilhado com instituições privadas e movimentos culturais que podem contribuir de forma significativa para transformar esses espaços em centros de convivência, lazer e cultura. Ao torná-las mais funcionais, com infraestrutura adequada, atividades culturais regulares e iniciativas que estimulem o uso comunitário, essas praças ganham vida como locais de interação social. Com a efetiva requalificação do Conventinho, a tarefa será facilitada.
Na foto, a Praça XV de Novembro, com a Rua João Suassuna, que leva ao Conventinho.
www.reporteriedoferreira.com.br/ Sergio Botelho- jornalista, poeta, escritor



O GABINETE DO ÓDIO E A ALA IDEOLÓGICA: Escrito Por Rui Leitao 

O GABINETE DO ÓDIO E A ALA IDEOLÓGICA: Escrito Por Rui Leitao

 

Desde o início do ano passado o Brasil vem experimentando uma forma de governar inédita na sua história republicana. As decisões são tomadas por influência de integrantes de um chamado “gabinete do ódio” e uma ala ideológica de extrema direita, instalados nas dependências do Palácio do Planalto. Ao que se noticia, comandados pelos filhos do presidente e o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, ora residindo nos Estados Unidos.

São escritórios que se dedicam exclusivamente a elaborar dossiês com o propósito de macular a honra e a moral dos que elegem como adversários do bolsonarismo, produzir notícias falsas e divulgar com utilização de robôs na internet “fazendo a cabeça” da militância, as fakenews, estimular posições beligerantes nas redes. Nomeiam e exoneram quem eles querem, sempre na conformidade da identificação ou não com o pensamento político que assumiram e que definiram como cartilha a ser obedecida por quem fizer parte da equipe de governo.

Abrigam um núcleo de assessores remunerados pelo poder público que têm como tarefas produzir relatórios diários com suas interpretações sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da presidência da república. Definem as estratégias para as mídias digitais, defendendo sempre a tática do confronto ideológico. Emitem opiniões polêmicas e criam narrativas com memes, prints e vídeos, visando apresentar os inimigos do presidente, contra os quais disseminam ataques irresponsavelmente. Agridem todos os que pensam diferente.

É uma estratégia planejada, apoiada unicamente nos objetivos mesquinhos do poder, Funcionam como se fossem uma ABIN paralela, Só que voltados para a desinformação que interessa ao governo. Uma estrutura oficial que se beneficia da ascensão do poder cibernético para instrumentalizar o projeto político da extrema direita. São hábeis em não deixar as impressões digitais em suas ações inflamadas, agressivas e fanáticas.

Esses influenciadores digitais têm a missão de resultar engajamentos populares aos seus interesses políticos. Buscam capturar os genuínos bolsonaristas para reforçar a imagem do Bolsonaro como alguém que se coloca contra tudo e contra todos, o “outsider”., o único capaz de dar jeito na “podridão de Brasília”. Sua biografia de inépcia esquecida em favor de uma causa ideológica. Se apressam em desmentir toda e qualquer acusação contra o presidente, mesmo que não tenham argumentos convincentes para isso. Mas se prevalecem do fanatismo já conquistado.

Chegam ao absurdo de estimular o enfoque midiático para as patetices articuladas do presidente, na intenção de desviar a atenção para a pandemia do coronavírus. Até porque o presidente se posta na contramão do que tem atuado todas a lideranças políticas do mundo. Mas a sua preocupação não é essa. Seu foco é a eleição de 2022. O discurso negacionista tentando convencer a opinião pública de que a pandemia é uma falsidade, não passa de uma gripezinha.

Até quando teremos que nos submeter a essa ação dolosa do gabinete do ódio e da ala ideológica repercutindo na vida nacional?

Rui Leitão