Cultura brasileira: um patrimônio em todos os sentidos; Sérgio Botelho
Sérgio Botelho – Ao receber o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2025, Wagner Moura sintetizou em poucas palavras uma ideia que, embora possa soar como um arroubo emotivo, carrega uma enorme densidade histórica e cultural: “O Brasil é o país da cultura”.
A afirmação não é apenas um gesto de exaltação nacionalista, mas tem forte consistência em um traço essencial da identidade brasileira: a diversidade, entendida não apenas como mera coexistência de diferenças, mas como uma profunda miscigenação, que moldou o país em múltiplos planos — étnico, social, linguístico, artístico e espiritual.
De fato, pesquisas recentes em genética apontam o Brasil como o país mais miscigenado do mundo. Todo esse amálgama, reunindo povos originários, africanos, europeus, asiáticos e de outras partes do mundo, produziu uma riqueza singular, que se manifesta tanto nos aspectos materiais — como a culinária, a música, a arquitetura — quanto nos simbólicos, como as narrativas, as expressões linguísticas, as crenças e as festas populares.
Essa diversidade é a base de uma cultura extraordinariamente potente, marcada pela inventividade e pela resiliência. Do samba ao forró, do chorinho ao funk, da literatura de Machado de Assis à poesia de Conceição Evaristo, do cinema de Glauber Rocha ao de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho, passando pelo teatro, pelas artes plásticas, pela música, pela dança e pelas novas expressões audiovisuais e digitais, o Brasil oferece ao mundo uma das mais vibrantes e inovadoras produções culturais contemporâneas.
Se ainda não se consolidou plenamente como “o país da cultura” no sentido institucional, político e econômico — pois há desafios estruturais, como o financiamento público, as políticas de preservação do patrimônio, o acesso amplo à educação e à cultura —, é indiscutível que o Brasil tem todos os elementos para sê-lo. E precisa perseguir isso com afinco.
A frase de Moura, portanto, pode ser lida tanto como constatação quanto como convite e desafio: o de transformar essa riqueza potencial e latente numa política efetiva de valorização cultural, que enfrente desigualdades históricas e assegure que essa diversidade seja não apenas celebrada, mas também protegida e promovida.
E tem mais: do ponto de vista global, num mundo cada vez mais marcado por movimentos migratórios, conflitos identitários e tensões entre culturas, a experiência brasileira de miscigenação e convivência — apesar de seus percalços e contradições — oferece um modelo de diálogo intercultural e de criatividade social. A força cultural do Brasil é, portanto, não só um ativo interno, mas uma contribuição para o mundo, um exemplo de como a diversidade pode ser uma fonte de vitalidade, e não de fragmentação.
Assim, o comentário de Wagner Moura, longe de ser aleatório, é uma síntese emocional e política de um Brasil que, mais do que nunca, precisa reconhecer sua cultura como um dos seus maiores patrimônios e potências estratégicas para o futuro.
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Cultura brasileira: um patrimônio em todos os sentidos – PARA ONDE IR
Sérgio Botelho – Ao receber o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2025, Wagner Moura sintetizou em poucas palavras uma ideia que, embora possa soar como um arroubo emotivo, carrega uma enorme densidade histórica e cultural: “O Brasil é o país da cultura”. A afirmação não é ape…
Oposição a Cícero joga contra seu patrimônio e “cede” uma quase vitória antecipada à reeleição do prefeito
Os efeitos das inúmeras indefinições do bloco oposicionista ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (Progressistas), que busca a reeleição, é fator que contribue para o baixo redimento político na seara antagônica.
Na pré-campanha, e até mesmo quando a campanha foi realmente às ruas, cargas nocivas regadas às disputas internas nas legendas da oposição abalaram os alicerces dos seus candidatos.
Pondo uma visão no passado recente, o PL ficou desidratado na capital paraibana, quando o então pré-candidato à prefeitura pessoense, Nilvan Ferreira, foi guilhotinado da agremiação, forçando-o a deixar a legenda e buscar a disputa pelo Executivo em outra plaga, qual seja Santa Rita. O comunicador migrou para o Republicanos, levando toda sua densidade eleitoral para a cidade dos canaviais.
Não se sabe, realmente, quem de fato foi o mentor de tal estratégia harakiri. Mas certamente o presidente estadual da legenda, deputado federal Wellington Roberto; o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto efetivaram um compromisso com o ex-ministro da Saúde bolsonarista, Marcelo Queiroga, pouco conhecido na capital paraibana e sem qualquer DNA político.
Resultado: sua candidatura à prefeitura de João Pessoa é um copo de H2O. Inodoro, insípido e incolor. Sem sal e desprovido de sangue, em palidez anêmica e profunda.
Já o deputado federal Ruy Carneiro (Podemos), mesmo não sofrendo turbulências significativas advindas da sua agremiação partidária, ousou, convidando a perita criminal Amanda CSI (MDB) para ser sua vice.
É importante, aliás, mais que importante, a participação do sexo feminino no processo eleitoral, mas a aposta do parlamentar não foi assertiva por um simples motivo: a escolhida não tem cabedal político para animar o eleitorado.
A prova maior se deu nas eleições de 2022, quando Amanda CSI lançou sua candidatura para deputada federal. Resultado: não foi eleita. Passou longe, obtendo simplórios 12.085 votos. E sim: ela é qualificada em sua profissão e nas redes sociais. Possui milhares de seguidores, o que não quer dizer que códigos binários digitais se transformem em sufrágios.
Agora vem o Partido dos Trabalhadores completamente dividido. E o embate começou antes mesmo da pré-campanha. Duas alas se formaram. Uma estando à frente ex-governador Ricardo Coutinho, que defendeu e conseguiu, via Executiva Nacional da sigla, colocar o ex-prefeito e atual deputado estadual Luciano Cartaxo como postulante.
E outro agravante; emplacou uma chapa puro sangue, pondo sua esposa, Amanda Rodrigues, como vice. Ignorou o grupo político do ex-gestor a figura robusta da deputada estadual Cida Ramos, que recebeu a anuência do presidente estadual do PT, Jackson Macêdo, e figuras de proa como o ex-deputado federal Frei Anastácio, que hoje está como secretário da Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido do Governo da Paraíba.
É sabido, em tal lógica, que Ricardo Coutinho não quer a menor aproximação com o governador João Azevêdo (PSB), que, por sua vez, apóia Cícero Lucena. Resultado: o embate interno – nas vésperas das eleições – pois em terra a outrora combativa miitância petista. Ativa em outros tempos, cochila hoje em berço esplêndido.
Outro adendo: o presidente Lula, embora apareça no guia eleitoral “Cartaxiano” solicitando votos, seu apelo é meramente burocrático.
Lula está comprometido politicamente com o governador João Azevêdo (PSB), aliado de Lucena. Nesse prisma, o mandatário do país não nutre gosto absuluto em escolher um lado no campo de batalha. Ele flutua como um Zeppelin cuidadoso para não deixar descontete as partes envolvidas. Então, os que pensaram que o chefe do Executivo brasileiro iria transferir votos para Cartaxo, erraram de forma robusta.
A mesma “síndrome” ocorre com Marcelo Queiroga. Esperava ele ter o controle de sufrágios da direita e extrema direita, patrocinada pelas falas e trejeitos afetados de Bolsonaro. Mas não foi isso que aconteceu.
Agora vamos para o final da análise. Esses fatos mencionados estão inseridos em contexto maior, que a coluna vai abordar de forma subsequente. Mas já adianto, baseado na pesquisa do Instituto Quaest, que Cícero Lucena segue firme na liderança, havendo, inclusive, a possibilidade do jogo não ir para o segundo turno.
E se houver, é ele o favorito na disputa. Mas não se deve subestimar os adversários. Afinal, o jogo eleitoral não foi findado. Aposentar as sandálias da humildade, pondo-as no armário do esquecimento é um erro que não deve ser cometido.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Eliabe Castor
Davi Brito, campeão do BBB 24, choca ao revelar valor atual de seu patrimônio
A revelação foi feita durante sua participação no “Domingo Record”
Por
iG Gente
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Divulgação/Record
Davi Brito choca ao revelar valor atual de seu patrimônio
Davi Brito, que ganhou R$ 2,92 milhões ao se tornar o campeão do BBB 24, reality da TV Globo, chocou o público ao revelar o valor estimado de seu patrimônio atual.
A revelação foi feita em entrevista a Rachel Sheherazade durante sua participação no “Domingo Record”, que foi ao ar hoje (25). Segundo o baiano, ele acumula um patrimônio de mais de R$ 10 milhões.
“Multipliquei em poucos meses com o ramo imobiliário. Compra, venda, reforma, aluga, compra mais barato aqui, vende mais caro”, explicou.
Davi disse ainda que é dono de dez propriedades, quatro localizadas em um mesmo condomínio.
Além disso, o ex-motorista de aplicativo afirmou que o prêmio do reality também deu para ajudar a sua família.
“Meu pai tem a casa dele, minha mãe tem o apartamento dela. Dei um prédio para a minha irmã há pouco tempo, para ela tomar conta e estabilizar a vida dela”, contou.
Veja o patrimônio declarado ao TSE pelos candidatos ao Senado na Paraíba
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou as declarações de bens dos candidatos ao Senado Federal pela Paraíba que já registraram suas candidaturas. Os valores informados pelos concorrentes, até a sexta (12), vão de R$ 556 mil a R$ 3 milhões.
Levando em consideração os candidatos registrados até esta sexta-feira (12), o patrimônio mais alto até agora é o do candidato do PT, Ricardo Coutinho. O mais baixo é o do candidato do PSOL, Alexandre Soares.
Até a última atualização desta reportagem, quatro candidaturas ao Senado Federal pela Paraíba haviam sido registradas no TSE. O prazo termina em 15 de agosto.
Alexandre Soares (PSOL) – R$ 556 mil
O candidato do PSOL ao Senado, o professor de ensino superior Alexandre Soares, declarou ter um patrimônio de R$ 556.000,00 mil no registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O patrimônio inclui dois apartamentos (R$ 370 mil e R$ 140 mil) e um veículo de R$ 46 mil.
Efraim Filho (União) – R$ 785 mil
O candidato do União Brasil ao Senado, Efraim Filho, informou à Justiça Eleitoral ter R$ 785.349,66 milhões em bens.
Entre os bens declarados estão dois veículos (R$ 69 mil e R$ 42 mil), um apartamento de R$ 536.349,66, uma loja de R$ 45 mil e outros bens imóveis no valor de R$ 42 mil.
Ricardo Coutinho (PT) – R$ 3 milhões
O candidato do PT, Ricardo Coutinho, informou ao TSE ter R$ 3.278.527,81 milhões em bens. Na lista estão presentes, três casas, de R$ 1,7 milhões, R$ 350 mil e R$ 150 mil;, dois terrenos, de R$ 60 mil e R$ 7.347,60 mil,; R$ 100 mil em quotas ou quinhões de capital; R$ 80.082,72 em aplicação de renda fixa; e R$ 702.645,71 em previdência privada.
Sérgio Queiroz (PRTB) – R$ 626 mil
Sérgio Queiroz, candidato do PRTB, informou ter R$ 626.863,23 em bens. O patrimônio inclui um veículo no valor de R$ 38 mil, apartamento de R$ 80 mil, terreno de R$ 80 mil, depósito bancário em conta corrente de R$ 42,55 e 16 ações, com o valor total de R$ 428.820,68.
www.reporteriedoferreira.com.br/Palavrapb
Feiras livres podem se tornar patrimônio cultural na Paraíba
Por:
Augusto Magalhães
PL declara as feiras livres da Paraíba como patrimônio histórico cultural imaterial – Foto : A Cidade e A História
Quem tem o hábito de frequentar as feiras livres sabe bem o que é diversidade cultural. De frutas e verduras a chinelos de couro, colheres de pau, roupas, brinquedos populares e temperos, tudo é encontrado numa feira na Paraíba. Sem falar das cantorias, dos folhetos de cordel e dos boxes que vendem rolos de corda, armadores de rede, pregos, linha, botão e ri-ri – como são conhecidos no Nordeste os zíperes ou fecho-eclair. Esse rico espaço cultural a céu aberto pode se tornar patrimônio histórico cultural imaterial da Paraíba, caso a Assembleia Legislativa aprove o Projeto de Lei 2.108/20, que institui também o Dia Estadual do Feirante.
De acordo com a proposta do deputado Tovar Correia Lima (PSDB), as comemorações do Dia do Feirante devem acontecer anualmente em 25 de agosto, permitindo o governo promover ações de incentivo e homenagens aos feirantes. “Será um dever do Poder Público preservar essa prática na Paraíba, bem como voltar sua atenção a projetos direcionados à preservação das feiras livres”, argumenta.
As feiras livres são de uma importância histórica e social de grande valia para qualquer sociedade, seja numa metrópole ou numa pequena cidade do interior. Mais do que um simples local de compra e venda de mercadorias, são ambientes de riquíssima interação social.
Fregueses e donos de bancas são personagens principais, mas uma infinidade de coadjuvantes fazem da feira livre uma miscelânea de vozes, corpos e histórias que se misturam e se confundem, dando vida a espaços antes frios e meramente ilustrativos.
Na Paraíba, a tradição de frequentar as feiras livres continua de vento em popa, apesar das facilidades dos hipermercados com suas gôndolas de frutas e verduras. Em João Pessoa, há a tradicional Feira de Jaguaribe, realizada às quartas-feiras no bairro de mesmo nome. Além disso, existe o Mercado Central e o Mercado de Mangabeira, o maior bairro da capital.
No interior, a Feira Central de Campina Grande já é famosa, assim como a Feira de Itabaiana, terra de Sivuca, que imortalizou com sua esposa Glorinha Gadelha a música “Feira de Mangaio”. Também há as feiras de Solânea, Guarabira, Taperoá, Cajazeiras, Cabedelo e muitas outras que justificam a Paraíba transformar essas manifestações em patrimônio cultural e imaterial do estado.
A origem
A palavra feira teve origem na palavra em latim feria, que significa “dia santo ou feriado” e a palavra freguês, usada para tratamento dos consumidores de feira livre, originou-se também do latim filiu ecclesiae que significa “filhos da igreja”. Assim, no início, as pessoas ou fiéis aproveitavam as festas religiosas para se reunirem e trocarem mercadorias.
Na antiguidade, as feiras tinham o objetivo de promover trocas de mercadorias entre as pessoas de diferentes lugares e com diferentes itens. Com a queda do feudalismo e o surgimento do capitalismo, esse modo de comércio ganhou força e importância econômica.
Inicialmente, foram impulsionadas pelas Cruzadas, uma vez que naquela época as atividades comerciais deveriam atender às necessidades dos viajantes e com o tempo, as necessidades foram aumentando e se diversificando, bem como a população foi crescendo e as feiras, então, passaram a ter importância social, promovendo a comunicação e interação dos povos.
E para ilustrar bem essa interação social que até hoje se mantém na cidade de Itabaiana, interior da Paraíba, segue a maravilhosa letra da música “Feira de Mangaio”, autoria de Sivuva em parceira com Glorinha Gadelha.
Feira de Magaio
Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira de pássaros
E foi pássaro voando pra todo lugar
Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá
Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaiero ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá
Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Farinha, rapadura, e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pavio de candeeiro, panela de barro
Menino vou me embora tenho que voltar
Xaxar o meu roçado que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar
Porque tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar
Mas é que tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar
Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira de pássaros
E foi pássaro voando em todo lugar
Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá
Mas é que tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar