PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império Sérgio Botelho

JORNALISTA IÊDO FERRERA, JORNALISTA E ESCRITOR SÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império
Sérgio Botelho

 

– A respeito do prédio das Nações Unidas, no Ponto de Cem Reis, sobre o qual escrevi, neste domingo 8, recebi do amigo teatrólogo, artista plástico e escritor José Bezerra, as seguintes observações, que seguem reproduzidas, na íntegra:
“Eu sempre detestei esse tal prédio das Nações Unidas, em João Pessoa, porque, para construí-lo, tiveram que derrubar dois pontos que foram marcantes na transição da minha infância para a adolescência.
O primeiro era a banca de revistas, que ficava ao lado da Praça Vidal de Negreiros. Correu o boato de que ali era a única banca da cidade que vendia balas Seleções, com a figurinha do elefante — estampa que, acredito, nunca foi impressa, para que ninguém enchesse os álbuns e nunca ganhasse os prêmios prometidos. Era também o ponto de encontro mais procurado da cidade para a comercialização, a troca, o escambo das balas Seleções.

 

Os bondes vinham lotados de crianças, adolescentes e até adultos de todos os bairros da cidade — Oitizeiro, Cruz das Armas, Jaguaribe, Róger, Tambiá, Torre, Mandacaru, Expedicionários (em construção)… e mais não havia. Alguns dos frequentadores traziam até marmitas.
O outro ponto de sedução destruído para a elevação do citado edifício foi o Salão Império, onde aprendi a jogar sinuca. Ficava na Padre Meira, mas com a entrada principal voltada para o terreno baldio, onde se reunia a maloca das balas Seleções.

 

Foi ali que aprendi a jogar sinuca e enterrei dois anos de repetência na primeira série do ginásio, no Liceu, situado ali bem pertinho. Gazeava as aulas para procurar elefantes e me viciar em sinuca, no Ponto de Cem Réis.
Meu pai nunca entendeu que aquele meu comportamento não era apenas irresponsabilidade… era o prenúncio de um desabrochar poético, lírico, sonhador — de um hoje, octogenário, eterno aprendiz de poeta provinciano.

 

Que sonha ainda em escrever uns dez romances, sua biografia, reeditar toda a sua obra e ganhar sozinho uma Mega-Sena da Virada… mesmo sabendo que, para essa última, só tem uma chance de ganhar entre 1.500.063.860 (um bilhão, cinquenta milhões, sessenta e três mil, oitocentas e sessenta) chances de perder.
Pelo menos, há uma chance. Bem mais fácil do que achar um elefante no Ponto de Cem Réis, porque a imagem do elefante nunca foi impressa.”

 

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O teatrólogo José Bezerra, As Nações Unidas e o Salão Império


(A foto mostra o espaço onde depois foi construído o prédio da loja As Nações Unidas, no Ponto de Cem Réis. O Salão Império é o prédio menor, à direita)

www.reporteriedoferreira.com.br/ Sergio Botelho- Jornalista, poeta, escritor




Câmara aprova doação do edifício das Nações, em João Pessoa; local vai virar condomínio residencial

CCJ da Câmara já havia aprovado a Medida Provisória da Prefeitura nessa segunda-feira. Prédio será doado ao Fundo de Arrendamento Residencial.

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Medida Provisória foi aprovada pelo Plenário da Câmara (Foto: Olenildo Nascimento/Câmara de João Pessoa)

O Plenário da  aprovou, nesta terça-feira (27), a doação do prédio das Nações Unidas, no Centro da Capital. O local vai ser transformado em um condomínio residencial. A ação faz parte do planejamento de revitalização e ocupação do Centro de João Pessoa.

A com a aprovação, a Prefeitura fica autorizada a doar o prédio ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). O FAR é administrado pela Caixa Econômica Federal. O local vai abrigar unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

O edifício das Nações Unidas fica na Praça Vidal de Negreiros, na esquina com a Avenida Padre Meira. A Medida Provisória que autoriza a doação do terreno já havia sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara

Veja abaixo o documento enviado pela Prefeitura à Câmara para a doação do prédio: