A Informação como Mercadoria; Rui Leitao

A Informação como Mercadoria; Rui Leitao

A mídia tem o poder de construir realidades — e, quando convém a determinados interesses, também de distorcê-las. Muitas vezes, promove silêncios e esconde verdades, agindo não como instrumento de informação pública, mas como ferramenta de manutenção do poder. No Brasil, a maioria dos grandes veículos de comunicação pertence a famílias tradicionalmente ligadas à política e à economia. Beneficiárias do sistema, essas elites utilizam a mídia como extensão de sua influência.

A atuação da mídia vai além do seu papel primordial — informar com isenção e compromisso ético. O mais preocupante é que, frequentemente, esse compromisso se dissolve diante da busca por lucros ou da conveniência ideológica. A informação é seletiva, filtrada e apresentada sob perspectivas que interessam a determinados grupos. E essa manipulação afeta especialmente as classes sociais mais vulneráveis, onde o acesso à educação crítica é limitado. Para muitos, tudo o que sai na tela ou no papel é a mais pura verdade, tornando-os alvos fáceis de manipulação.

Nesse contexto, impõe-se um questionamento essencial: quais são os limites da atuação da mídia em um Estado democrático? Como evitar que ela transforme a opinião pública em massa de manobra a serviço de interesses escusos? Apesar de sua importância na promoção de mudanças sociais, culturais e políticas, a mídia corre o risco de perder sua função transformadora, tornando-se reprodutora da lógica do capital.

Hoje, ela se posiciona num cruzamento entre interesses econômicos, políticos e corporativos. Isso compromete gravemente sua autonomia e neutralidade. A prática do que se pode chamar de “informação por encomenda” ganha espaço, fazendo do jornalismo uma indústria — e do jornalista, um operário da manipulação. O francês Serge Halimi resumiu com precisão: “A informação é hoje um produto como qualquer outro, objeto de compra e venda, proveitoso ou dispendioso, condenado assim que deixa de ser rentável.”

Ao ser tratada como mercadoria, a informação se submete às leis do mercado, em detrimento de valores éticos e cívicos. O jornalista, nesse cenário, deixa de ser mediador da realidade para tornar-se gestor da opinião pública. E a notícia, que deveria ser um retrato fiel do que as fontes dizem, passa a ser contaminada por pressões externas, por disputas de audiência, por compromissos comerciais e por interferências políticas.

Falar do jornalismo como o “quarto poder” pode soar ilusório. Na prática, esse poder está subordinado aos centros de decisão econômica, política e tecnológica. Muitos jornalistas, mesmo conscientes do papel que deveriam desempenhar numa democracia, atuam hoje como ressonância dos outros poderes, não como seu contraponto.

A crise do jornalismo contemporâneo não é apenas de credibilidade — é de identidade. Quando a informação vira produto, a verdade vira moeda. E o interesse público, que deveria ser o norte da comunicação social, cede lugar ao interesse privado, aos lucros e à influência.

Mais do que nunca, é preciso reivindicar uma mídia comprometida com a verdade, com a ética e com a cidadania. A sociedade não pode abrir mão de um jornalismo que seja, de fato, um espaço de reflexão crítica e vigilância democrática.

www.reporteriedoferreira.com.br /Rui Leitão- Advogado, Jornalista, Poeta, Escritor




A NECESSÁRIA REGULAÇÃO DA MÍDIA Por Rui Leitao 

A NECESSÁRIA REGULAÇÃO DA MÍDIA Por Rui Leitao

Ainda existe muita gente no Brasil que permite ser anestesiada pela mídia monopolista empresarial que permanece atrelada às classes dominantes. São muitos os que resistem em enxergar a realidade e acreditam no mundo paralelo que o jornalismo pertencente à elite econômica insiste em propagar. O jornalismo por ela produzido tem forte apelo ideológico de direita. Pratica a ideologização e partidarização das informações sem nenhum constrangimento. Faz a defesa intransigente do neoliberalismo e nunca foi aliada de projetos democráticos.

 

A monopolização da informação tem o propósito de distorcer fatos conforme seus interesses políticos e econômicos, na intenção de manipular a opinião pública e negar ao cidadão o direito de conhecer a verdade dos fatos. Jornalistas golpistas que se afirmam democráticos estimulam o ódio, o preconceito, o separatismo, o racismo e vociferações fascistas. Defendem o totalitarismo que quer ocupar o lugar da política, enfraquecendo o Estado. Não se conformam com o resultado da eleição presidencial de outubro do ano passado.

 

A regulação da mídia é imperiosa e urgente para a preservação, a consolidação, o avanço da democracia e a garantia da soberania nacional. E não venham argumentar que se trata de cerceamento da liberdade de expressão. O que se faz necessário é o impedimento do monopólio midiático, porque ele tem compromisso com o capital financeiro, e não com os brasileiros. Vemos, com muita frequência, condenações midiáticas que se antecipam ao devido processo penal. Basta que sejam adversários.

 

Há um lobby histórico de empresários do setor contra a regulação da mídia, fazendo com que boa parte da população aceite os argumentos de que se trata de imposição de censura. Pelo contrário, a diversidade de vozes e a pluralidade de ideias ajudam a combater a censura. A grande mídia se recusa a promover um debate transparente e informado sobre o tema. Alimenta a cultura do medo e da desinformação. A regulação midiática já é realidade em vários partes do mundo democrático. A regulação estabelece regras para garantir o bom funcionamento e para que todos possam usufruir do direito à comunicação.

 

Esse debate precisa ser aprofundado no campo das políticas da comunicação e da cultura. É imprescindível regulamentar o § 5o do Art. 220 da CF quando prevê que “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. Até hoje não há uma lei que determine o que é monopólio e oligopólio na lógica das comunicações. É importante que a mídia funcione de forma ética, responsável e democrática. O embargo a este debate é feito com a preocupação em garantir a reserva de mercado, o lucro e com o poder de pautar a sociedade com a visão única dos valores da classe dominante. Que tenhamos uma regulação com critérios transparentes e amplamente debatidos.

 

www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão, Jornalista, advogado, poeta escritor.




Bolsonaro é eleito “Pessoa Corrupta do Ano” pela mídia internacional

O Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio internacional que reúne jornalistas investigativos e centros de mídia independente, elegeu o presidente Jair Bolsonaro como “Pessoa Corrupta do Ano”. A organização afirmou que o líder brasileiro “venceu por pouco” o chefe da Casa Branca, Donald Trump, e o mandatário turco, Recep Erdogan, por considerar que o brasileiro exerceu papel na promoção do crime organizado e da corrupção.

“A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar o povo”, disse Drew Sullivan, editor do OCCRP.

Segundo a Agência Estado, o consórcio destacou as denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos – RJ), filho do presidente, no caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando ele era deputado estadual. Pelo mesmo motivo, a organização cita as investigações contra o vereador Carlos Bolsonaro.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder das Filipinas, Rodrigo Dutrte, também já levaram o prêmio.

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