Martinho Moreira Franco: O amigo de fé Abelardo Jurema Filho

Martinho Moreira Franco: O amigo de fé
Abelardo Jurema Filho
Advogado, jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras

Ele tinha quase dois metros de altura e um coração diretamente proporcional ao seu tamanho, onde sempre cabia mais um. A lealdade aos amigos era a característica mais forte de sua personalidade envolvente e sedutora. Era capaz de qualquer sacrifício para atender um velho companheiro que necessitasse de sua presença. Afetivo, sensível, generoso, tinha nas músicas do Rei Roberto Carlos o roteiro de sua própria vida, do amante a moda antiga, do moço velho, do último romântico, do tipo que ainda manda flores e que chama de querida a namorada, no caso, a sua esposa Goretti, companheira de muitos anos.

Como pai, abarcava a todos, filhos e netos, com o seu amor e a sua proteção. Não importava que já estivessem crescidos: tratava-os como se ainda fossem crianças. Preocupava-se com toda a prole e era um vigilante da felicidade alheia. Desprendido dos valores econômicos e materiais, vivia modestamente, num bom apartamento em Manaíra, sem ambições a não ser as imateriais, contanto que tivesse o suficiente para viver com dignidade, manter a família e usufruir dos seus pequenos prazeres.

Profissionalmente era um craque. Cronista do cotidiano, publicitário imbatível em seus textos e frases, era um jornalista apaixonado, completo que passou por todos os estágios da profissão. Revisor, repórter, redator, editor, foi diretor de A União; fundador e diretor da Oficina de Propaganda, ao lado de Milton Nóbrega (Im) e Alberto Arcela; foi secretário de Comunicação Social do governo honrado de Tarcísio Burity. Levou para a gestão pública a integridade que trouxe do berço e o que o fez passar incólume por todos os cargos que exerceu com invulgar transparência e honestidade.

Por força do nosso trabalho, nos víamos com frequência e estávamos permanentemente ligados, sintonizados pelo espírito e pelos recursos da tecnologia disponibilizados na internet. Nos falávamos diariamente pelo zap, no início e no fim do dia, comentando a coluna, trocando ideias e informações, e muitas palavras de carinho e amizade. Me alegrava vê-lo sempre no meu celular, a elogiar, a criticar, a corrigir ou a sugerir pautas com a sua visão de jornalista experiente que sabia tratar a notícia com respeito e fidelidade.

Era o meu ombudsman: a minha melhor referência para aprimoramento do exercício de minha profissão. Um professor, que fazia observações sobre o conteúdo dos meus comentários; que sugeria títulos e que me obrigava a procurar as palavras mais adequadas para melhor compreensão dos leitores. Um mestre também na ética, na prudência e na crítica pertinente e oportuna.

Gentil, cortês, carinhoso, divertido e bem-humorado, Martinho Moreira Franco era uma figura humana adorável que encantava todos os seus amigos pela generosidade do seu temperamento e pela firmeza do seu caráter. Foi embora aos 74 anos, no dia 6 de fevereiro de 2019, deixando sua esposa Goretti, filhos, filhas e netos, e levando consigo a imensa saudade de todos que desfrutaram de sua presença.

Apaixonado pelo Roberto Carlos, fui buscar na canção do Rei a melhor definição para este homem admirável:
– “Você meu amigo de fé, meu irmão camarada. Amigo de tantos caminhos de tantas jornadas. Cabeça de homem, mas o coração de menino; aquele que está do meu lado em qualquer caminhada”.

REPORTER IÊDO FERREIRA E O JORNALISTA MARTINHO MOREIRA FRANCO( Diários Associados-década de 70)

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Abelardo Jurema Filho
Advogado, jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras




Repórter iêdo Ferreira, lamenta morte do amigo Martinho Moreira Franco

Morreu na manhã deste sábado, 6, um dos grandes nomes do jornalismo paraibano: Martinho Moreira Franco, de 74 anos lutava contra um câncer, havia passado por um procedimento cirúrgico no sábado passado e hoje, apesar de ter acordado se sentindo melhor, acabou falecendo por volta das 10 horas.

Na década de 70, no Jornal O Norte dos Diário Associados, Martinho Moreira Franco, trabalhou com  reporte iêdo ferreira, Teóclito Leal ( Editor Chefe ) Evandro Nóbrega ( Secretário ) Pedro Moreira ( Chefe de Reportagem )  Cecílio Batista ” Zé da Silva “. Natanael Alves, Juarez Batista, Willes Leal,  dentre outros grandes profissionais da imprensa paraibana

O corpo será sepultado no cemitério Senhor da Boa Sentença, às 16h em cerimônia que deve ser restrita à família. O velório será na Central São João Batista, nas proximidades da Praça da Independência, a partir das 13h30.

Atualmente, Martinho era colunista do jornal A União, mas passou por vários outros veículos e era conhecido pelo seu ótimo texto, além de ser uma pessoa querida e respeitada no meio jornalístico e cultural.

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POR QUE KID MORENGUEIRA?  Por Gilvan de Brito

POR QUE KID MORENGUEIRA?  Por Gilvan de Brito
Nos círculos de amigos próximos, Martinho Moreira Franco, falecido na semana passada, era chamado de Kid Morengueira, apelido que ganhou aos 26 anos, em 1972 e que levou até último dia, colado como um band aid. E eu vou contar a história por testemunhar o episódio: Trabalhávamos na sala de imprensa do governador Ernani Sátyro , sob o comando do jornalista Noaldo Dantas, numa época em que o cantor Moreira da Silva, estava fazendo sucesso com os seus sambas de breque que havia inventado. Certo dia Moreira da Silva lançou o disco Kid Morengueira, contendo uma música que dava título ao LP e que ainda serviu de referência noutros discos seus.
O sucesso foi imediato, os amantes desse estilo musical em todo o Brasil cantavam a música, que logo disparou nas paradas de sucesso. Na redação, que contava com Biu Ramos, Jório Machado, Martinho Moreira Franco, Luiz Crispim, Barreto Neto, Luis Ferreira, Carlito, Frank Ribeiro – além da minha participação – todos os dias, antes da chegada de Noaldo às 17 hs, havia um bate-papo com algumas tiradas de humor, capitaneadas por Barreto Neto, reconhecidamente um humorista nato.
E foi dele a ideia de chamar Martinho Moreira Franco de Morengueira, em consonância com o Moreira, que logo “pegou”. Depois de alguns dias como Morengueira, naturalmente que lhe foi acrescentado o título da música: Kid Morengueira, como passou a ser chamado na redação e fora dela até a última semana, 49 anos após.
www.reporteriedoferreira.com.br  Por Gilvan de Brito- Jornalista, advogado e escritor