MPF firma acordo para demolição parcial de prédio que avançou sobre terreno de marinha em João Pessoa (PB)

O Ministério Público Federal (MPF) firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Condomínio Residencial Atlântico para solucionar danos ambientais e patrimoniais decorrentes da ocupação irregular de terreno de marinha, bem da União, e de Área de Preservação Permanente (APP) de restinga, no município de João Pessoa. O acordo envolve a demolição parcial de um prédio de quatro andares, cuja parte frontal foi edificada além dos limites regulares do lote, avançando sobre área protegida. O TAC, homologado judicialmente, foi celebrado no âmbito de ação civil pública movida pelo MPF e busca a resolução consensual do litígio, substituindo as obrigações impostas por sentença judicial.

De acordo com o termo, o condomínio comprometeu-se a demolir todas as estruturas construídas fora da área regular do lote que avançaram sobre áreas protegidas. Após a demolição, deverá ser realizada a retirada integral do entulho e a limpeza da área, com o objetivo de permitir a regeneração natural da vegetação de restinga. As intervenções deverão ser executadas por empresa especializada, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), e precedidas de alvará expedido pela prefeitura de João Pessoa.

Indenizações, prazos e fiscalização – Os prazos estabelecidos no acordo preveem até 120 dias, a contar da homologação judicial do TAC, para a conclusão das demolições, e 30 dias após essa etapa para a limpeza da área. O condomínio também deverá apresentar documentação comprobatória das medidas adotadas, emitida pelos órgãos competentes, dentro do prazo máximo de 120 dias contados da homologação judicial.

Além das obrigações materiais, o TAC fixa o pagamento de R$ 50 mil em indenizações. Desse total, R$ 25 mil serão destinados à União, a título de compensação pela ocupação indevida do terreno de marinha, e R$ 25 mil ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, em razão do dano ambiental causado. Os valores deverão ser pagos em até 15 dias após a homologação judicial do acordo.

Com o acordo, o condomínio também assumiu compromissos de caráter preventivo e contínuo, entre eles o de não promover nova ocupação na área desocupada e o de comunicar aos órgãos competentes eventual ocupação futura por terceiros. O cumprimento integral das cláusulas será fiscalizado pelo MPF.

O descumprimento de quaisquer das obrigações ou prazos estabelecidos poderá resultar na aplicação de multa diária de R$ 500,00, revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, além da possibilidade de rescisão do acordo. Nesse caso, poderão ser restabelecidas as obrigações previstas na sentença judicial original, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

Contexto do acordo – A atuação do MPF no caso decorre da constatação de que o condomínio edificou estruturas além dos limites regulares de seu lote, avançando sobre áreas ambientalmente protegidas. O terreno invadido inclui área de marinha, classificada constitucionalmente como bem da União, e faixa de restinga fixadora de dunas, caracterizada como Área de Preservação Permanente (APP) pela legislação ambiental. O TAC foi firmado enquanto o processo judicial ainda aguardava o julgamento de embargos de declaração apresentados pelo condomínio contra sentença proferida em janeiro de 2025.

Com a assinatura do TAC, busca-se reduzir a litigiosidade e promover a reparação ambiental da área degradada, encerrando o conflito judicial de forma consensual e garantindo a preservação da restinga para as presentes e futuras gerações.




Ministro Gilmar Mendes volta a associar militares a genocídio

 

Foto: STF/Divulgação

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, voltou a criticar, nesta terça-feira (14), o envolvimento das Forças Armadas na gestão da saúde pública do país.

Apesar da reação do governo, o magistrado não recuou sobre a declaração de que o Exército pode estar se associando a um genocídio por ter integrantes nos principais cargos do Ministério da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus.

Para o ministro, o debate sobre a responsabilidade das Forças Armadas na crise sanitária está posto e é necessário evitar que a instituição caia “nos triques que são naturais da política”.

Na segunda-feira (13), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e os chefes do Exército, general Edson Leal Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Bermudez, rebateram o ministro e anunciaram que irão acionar a Procuradoria-Geral da República contra Gilmar.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que Gilmar deveria se retratar.

O ministro tentou amenizar a situação e disse que a declaração dada no sábado (11) ocorreu em um “contexto puramente acadêmico”. Apesar disso, ele manteve a mesma posição.

“São 28 militares nos cargos da cúpula do ministério, dificuldade de executar o orçamento, colapso portanto do serviço de saúde”, listou.

O ministro disse que participou recentemente de uma videoconferência com o fotógrafo Sebastião Salgado e que a ameaça aos índios é uma realidade do país.

– Participamos recentemente de um webinar com Sebastião Salgado e a temática foi toda de ameaça aos povos indígenas. Salgado liderou um grupo apontando que o Brasil pode estar cometendo genocídio. Então, é esse debate. A responsabilidade que possa ocorrer – disse.

Ele lembrou que o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o médico Dráuzio Varella participaram da mesma videoconferência no sábado e também seguiram esse raciocínio.

“O ministro Mandetta inclusive usou uma expressão dizendo que se o general que lá está (Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde) e que é especializado em logística, talvez fosse mais especializado em balística, tendo em vistas o número de mortes que ele conseguiu. Portanto, foi nessa conversa que se desenvolveu”, disse o ministro em videoconferência transmitida ao vivo.

Gilmar soltou uma nota oficial nesta terça para comentar o tema. O ministro reafirmou “o respeito às Forças Armadas”, mas ressaltou que é preciso fazer uma “interpretação cautelosa do momento atual”.

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