OS JOVENS NA BIENAL: A ESPERANÇA QUE FLORESCE Por Rui Leitao
OS JOVENS NA BIENAL: A ESPERANÇA QUE FLORESCE Por Rui Leitao
Ver tantos jovens circulando entre os estandes, folheando obras, dialogando com autores e se deixando envolver pelo universo da leitura renova nossa esperança no futuro. Essa foi a sensação experimentada ao participar, na semana passada, da XV Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em Recife, a convite da Editora UNIÃO. Percebia-se a curiosidade, o interesse e o entusiasmo estampados nos rostos da juventude que ali compareceu, demonstrando que o livro permanece sendo um instrumento poderoso de formação e transformação.
O encontro com autores, os lançamentos de livros, a realidade virtual e os programas de inclusão proporcionavam ao público juvenil o incentivo à leitura, além daquela a que tem acesso na escola tradicional. Num ambiente dinâmico, a Bienal cumpriu o objetivo de colocar a nova geração no centro das discussões sobre leitura e cultura, abrindo, assim, perspectivas esperançosas para o futuro da leitura em nosso país. O intercâmbio cultural promovido pelo evento permitia que fossem explorados novos universos literários.
A EPC – Empresa Paraibana de Comunicação – marcou presença com a instalação de um espaço para a Livraria e Editora A UNIÃO, onde foram lançados livros de autores paraibanos, incluindo 27 escritores selecionados pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB), com obras literárias nos gêneros romance, conto, crônica, cordel, poesia, literatura infantojuvenil e biografia.
Tive a honra de ser convidado para apresentar meu mais recente livro Eu Vivi a Ditadura Militar e pude constatar, com alegria, o interesse dos jovens em conhecer mais sobre esse tema tão importante para a história política nacional. Foi gratificante perceber o despertar da consciência crítica dessa geração, que busca compreender verdades que, estrategicamente, tentaram apagar da memória coletiva. Com entusiasmo e ânimo, percebi o desejo da juventude em debater o tema, procurando informações que lhe foram negadas.
Foi muito bom e auspicioso verificar que os jovens não estão restritos à utilização da internet e das redes sociais para expandir o conhecimento que lhes permite assumir o necessário protagonismo na construção de novas realidades, manifestando suas demandas sociais, políticas, econômicas e culturais. Essa redescoberta da importância do livro contribui para que exercitem o senso crítico, a imaginação e a criatividade.
Fiquei feliz: essa nova geração indica a esperança ativa a que se referia Paulo Freire, enraizada na prática e na união de esforços para se tornar efetiva. Uma esperança sabedora de sua importância enquanto ação-reflexão que promove transformação social, começando pela compreensão crítica da realidade. Rejeitando a esperança cega dos despolitizados, mas afirmando a esperança revolucionária, que busca mudanças, resiste à repressão e crê na possibilidade de um mundo melhor — trabalhando sempre pela realização das novidades viáveis.
No livro A Pedagogia do Oprimido, o pedagogo pernambucano expressa com clareza seu espírito de luta com esperança: “Movo-me na esperança enquanto luto, e se luto com esperança, espero”. E mais: “Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por imperativo existencial e histórico.”
Saí de lá otimista, porque testemunhei uma garota, em torno dos 18 anos, pesquisando onde encontrar livros de Paulo Freire.
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor




Duas jovens são assassinadas a tiros no intervalo de poucas horas em João Pessoa (Foto: Verinho Paparazzo/RTC)
Por g1 PB


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