Membros das Brigadas do Hezbollah do Iraque participam do funeral de um comandante militar em Bagdá, em 22 de setembro de 2024
Uma “escalada” militar regional não é o melhor para Israel , alertou um porta-voz da Casa Branca neste domingo (22), em meio a crescentes tensões na fronteira com o Líbano, que aumentam os temores de uma guerra total.
“Não acreditamos que uma escalada desse conflito militar seja o melhor” para Israel, declarou John Kirby à rede ABC. “Isso é o que dizemos a nossas contrapartes israelenses”, disse o porta-voz do governo americano.
Após quase um ano de guerra entre o movimento palestino Hamas e Israel na Faixa de Gaza, a frente se deslocou esta semana para a fronteira com o Líbano, em plena escalada militar entre as tropas israelenses e o grupo Hezbollah , apoiado pelo Irã.
Na madrugada deste domingo, o Exército israelense anunciou novos bombardeios contra alvos do movimento islamista no sul do Líbano, depois que esse disparou mais de 100 foguetes contra áreas residenciais do norte de Israel.
“Agora, as tensões estão muito mais altas do que estavam há alguns dias”, afirmou Kirby.
Mas “ainda acreditamos que pode haver tempo e espaço para uma solução diplomática e estamos trabalhando nisso”, acrescentou.
As trocas de tiros na fronteira se multiplicaram desde a onde de explosões contra pagers e walkie-talkies do Hezbollah, atribuídas a Israel, que causaram 39 mortes e 2.931 feridos nos bastiões desse grupo, segundo as autoridades libanesas.
“Estamos trabalhando desde o início do conflito, em 8 de outubro, para tentar evitar uma escalada, evitar que o conflito se estenda ali e ao redor de Israel, mas também para a região”, disse o porta-voz da Casa Branca.
Israel incluiu esta semana a fronteira com o Líbano entre seus objetivos de guerra para permitir o retorno dos milhares de habitantes deslocados pela violência.
Uma escalada da guerra “certamente não vai ser o melhor para toda essa gente que o primeiro-ministro (Benjamin) Netanyahu diz que quer enviar de volta para casa”, disse Kirby.
Guerra em Gaza
A guerra em Gaza eclodiu há quase um ano após um ataque do movimento palestino Hamas em Israel no qual morreram 1.205 pessoas, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais israelenses.
Dos 251 sequestrados durante a incursão islamista, 97 seguem presos no território, dos quais 33 foram declarados mortos pelo Exército israelense.
A ofensiva israelense causou a morte de pelo menos 41.431 palestinos, segundo dados do Ministério da Saúde desse território governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Brasil condena ataques israelenses em Beirute e pede cessar-fogo
Itamaraty alertou para risco de ‘conflito de ampla proporção’ no Oriente Médio
Forças Armadas de Israel anunciaram bombardeio contra posições do Hezbollah no sul do Líbano
O governo do Brasil condenou o bombardeio de Israel contra Beirute , no Líbano , ação que resultou na morte de pelo menos 37 pessoas, incluindo três crianças e sete mulheres, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde local.
“O governo brasileiro acompanha, com forte preocupação, esse mais recente episódio na escalada de tensões na região.
O Brasil exorta as partes envolvidas ao exercício de máxima contenção e à imediata interrupção dos ataques, que ameaçam conduzir a região a conflito de ampla proporção”, diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
“O Brasil reafirma sua convicção sobre a urgência de alcançar cessar-fogo permanente e abrangente na Faixa de Gaza, como forma de evitar o alastramento das hostilidades para outras áreas do Oriente Médio”, acrescenta a nota do Itamaraty.
Durante a semana, as explosões de milhares de pagers e walkie-talkies já haviam provocado dezenas de mortes no Líbano, que ainda foi alvo de novos ataques israelenses neste sábado (21).
Lula sobe o tom contra Israel após novo ataque: “Sabotando processo de paz”
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (14) o governo de Israel por novo ataque à Faixa de Gaza. Em manifestação nas redes sociais, Lula pediu que líderes políticos mundiais não se calem diante do “massacre interminável”.
“O governo de Israel segue sabotando o processo de paz e o cessar-fogo no Oriente Médio. O mais recente bombardeio promovido na Faixa de Gaza vitimando centenas de inocentes é inadmissível. Agora com mais de 90 vítimas fatais e quase 300 feridos em tendas que abrigavam crianças, idosos, mulheres”, lamentou o presidente, se referindo a ataque ocorrido neste sábado em zona de designação humanitária Al-Mawasi, em Khan Younis.
Para Lula, é “estarrecedor” que o povo palestino continue sendo punido coletivamente, até mesmo em zonas humanitárias delimitadas que deveriam ser protegidas.
“Nós, líderes políticos do mundo democrático, não podemos nos calar diante desse massacre interminável. O cessar-fogo e a paz na região precisam ser prioridades na agenda internacional. Todos os nossos esforços devem estar centrados na garantia da libertação dos reféns israelenses e no fim dos ataques à Faixa de Gaza.”
Violações
Em maio deste ano, o presidente Lula removeu de Israel o embaixador Frederico Meyer, que ocupava o principal posto da representação brasileira em Tel Aviv. Meyer foi transferido para o cargo de representante do Brasil na Conferência do Desarmamento, em Genebra, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). Nenhum diplomata foi indicado para ocupar a embaixada em Tel Aviv.
Desde o ano passado, Lula vem criticando as ações de Israel na Faixa de Gaza, que considera um genocídio contra o povo palestino. Para o governo brasileiro, as ações em Gaza violam sistematicamente os direitos humanos.
O governo israelense nega todas as acusações e diz que tem tomado ações para proteger os civis. O conflito na região se acirrou depois do ataque do Hamas a Israel em outubro do ano passado. Após a ação, Israel iniciou bombardeios na Faixa de Gaza que continuam até hoje e já mataram milhares de pessoas.
Agência Brasil
Israel bombardeia escola de agência da ONU em Gaza; 30 pessoas morreram
Militares disseram que escola servia como base do Hamas. Já as autoridades locais afirmaram que instituição estava abrigando palestinos deslocados.
Por g1
Palestinos observam escola de agência da ONU em Nuseirat, na região central de Gaza, destruída em ataque de Israel no dia 6 de junho de 2024 — Foto: Bashar Taleb/AFP
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que bombardearam uma escola da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) nesta quarta-feira (5). Funcionários de saúde ouvidos pela Associated Press afirmaram que 30 pessoas morreram, incluindo cinco crianças.
Segundo o exército israelense, a instituição abrigava uma base do grupo terrorista. Por outro lado, o governo local afirmou que a escola estava sendo usada para abrigar palestinos que tiveram de deixar as próprias casas por causa do conflito.
O ataque aconteceu em um campo de refugiados de Nuseirat, que fica na região central da Faixa de Gaza.
Palestinos ao lado de familiares mortos em bombardeio israelense em Nusseirat, em 6 de junho de 2024 — Foto: Abdel Kareem Hana/AP
Os militares israelenses afirmaram que caças do Exército realizaram um “ataque preciso” em uma unidade do Hamas que ficava dentro da escola. Ainda de acordo com as forças israelenses, terroristas foram mortos.
“Os terroristas dirigiram sua campanha de terror a partir da zona da escola, explorando-a e usando-a como refúgio”, disse o Exército de Israel.
Já as autoridades da Faixa de Gaza acusaram as forças israelenses de terem cometido “um massacre horrível”.
“Um número considerável de mártires e feridos continuam chegando ao hospital de Al-Aqsa”, afirmaram.
Segundo a AP, o hospital disse ter recebido 30 corpos em consequência do bombardeio à escola. Além disso, outras seis pessoas morreram em um outro ataque na região.
Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), o hospital de Al-Aqsa recebeu cerca de 70 mortos e 300 feridos desde terça-feira (4). A organização afirmou que a maioria dos pacientes é composta por mulheres e crianças alvos de bombardeios.
Como fica a relação entre Israel e Irã após a morte de Ebrahim Raisi?
Como fica a relação entre Israel e Irã após a morte de Ebrahim Raisi?
Ebrahim Raisi, presidente do Irã, morreu em um acidente de helicóptero no último fim de semana
O líder supremo do Irã, o aiatoiá Ali Khamenei, anunciou na segunda-feira (20) que o país teria 5 dias de luto pela morte do presidente Ebrahim Raisi e de outras oito pessoas em um acidente de helicóptero , ocorrido no último domingo (19).
Além de decretar luto, o líder supremo também nomeou o vice-presidente Mohamad Mokhber como presidente interino, que deve preparar eleições presidenciais em 50 dias ao lado dos chefes do Poder Legislativo e Judiciário do país.
Os impactos da morte de Raisi ainda são debatidos por internacionalistas, principalmente no que diz respeito às relações exteriores. Uma das incógnitas é a situação entre Irã e Israel. Entenda:
Israel e Irã
O Irã apoia dois grupos terroristas com os quais Israel está atualmente em combate em duas frentes: o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. Além disso, os rebeldes houthis do Iêmen estão atacando embarcações israelenses no Mar Vermelho.
Durante a guerra em Gaza, que começou em 7 de outubro do ano passado com os ataques do Hamas, Irã e Israel trocaram ataques diretos em abril, um evento sem precedentes.
Em 13 de abril de 2024, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em conjunto com as Forças de Mobilização Popular do Iraque, o grupo libanês Hezbollah e os Houthis do Iêmen, realizou ataques contra Israel sob o codinome Operação Promessa Verdadeira, empregando drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos.
Após a morte de seu presidente, o Irã deve manter apoio à Palestina e não mudar as suas posições políticas contra Israel. Ainda, o parlamentar israelense Avigdor Liberman, líder do partido de oposição Yisrael Beytenu, afirmou ao site de notícias Ynet que nada nas políticas do Irã no Oriente Médio deve mudar.
“Para nós, não importa, não afetará a atitude de Israel [em relação ao Irã]. As políticas do Irã são definidas pelo líder supremo [aiatolá Ali Khamenei]”, disse Liberman.
Ao The New York Times, Meir Javedanfar, professor iraniano-israelense da Universidade Reichman, em Israel, declarou que os pesquisadores do programa nuclear iraniano e líderes militares são mais importantes para o regime dos aiatolás do que o presidente do país.
“Sua ausência ou presença não teria muito impacto. O mesmo não pode ser dito de um cientista nuclear, trabalhando num programa que poderia produzir uma bomba nuclear para ameaçar Israel”, disse Javedanfar.
Javedanfar afirmou que Raisi não era mais do que “um soldado de infantaria do líder supremo” e “um servo leal, com pouca influência dentro do regime”.
Ao iG , Nathana Garcez, internacionalista e Investigadora Colaboradora na Universidade de Coimbra, diz acreditar que “não deve haver nenhuma mudança muito drástica. O Irã deve continuar apoiando a Palestina independentemente da figura enquanto presidente”.
“Mas, em um contexto geral, acho que a postura do Irã deve ficar mais zelosa em relação a Israel, ainda que o falecido presidente já tinha um perfil de enfrentamento, então vai ser difícil encontrar um outro presidente com o mesmo segmento igual ao de Raisi”, acrescenta ela.
O que acontece após a morte de Ebrahim Raisi?
“A postura agora é de manutenção dentro do governo iraniano neste primeiro momento. A longo prazo, a morte de Raisi não afeta muito a política de Estado, porque ela ultrapassa a figura do chefe de governo”, diz Nathana.
Sobre o sucessor de Ebrahim, a pesquisadora diz que se deve esperar um “sucessor também bastante conservador e que se aproxime das características do Raisi, que era o favorito para se tornar o próximo líder supremo do Irã. Isso indica que um candidato importante nas próximas eleições deve ser o vice-presidente e presidente interino do país, Mohammad Mokhber. Ele é um candidato à sucessão natural, ainda que seja considerado menos conservador do que Raisi”, afirma Nathana Garcez.
A possibilidade de disputas políticas em torno da sucessão não é descartada , visto que alguns nomes já circulam pelo parlamento. Alguns deles são: Saeed Jalili, figura política importante que já desempenhou papéis como negociador-chefe do acordo nuclear e membro do Conselho de Discernimento, e Mohammad Baqer Qalibaf, ex-prefeito de Tehran.
Qual o tipo de regime do Irã?
“O regime do Irã é bastante único no planeta”, diz Nathana.
Segundo a internacionalista, o chefe de Estado é o líder supremo, um aiatolá, que é escolhido pela Assembleia de Especialistas (88 clérigos de grande virtude que ficam em tal cargo por oito anos). O cargo de líder supremo é vitalício e o líder supremo detém poder sobre as forças armadas e a mídia pública, e é o chefe do judiciário. Mas se o Chefe de Estado não é eleito por voto direto, a Assembleia de Especialistas é. Ela, assim como o Parlamento iraniano e o próprio presidente do Irã, são escolhidas por voto direto da população iraniana maior de 18 anos de idade.
O parlamento tem cerca de 290 legisladores e é a instituição responsável pela formulação de leis, assim como pela ratificação de tratados internacionais e elaboração do orçamento público. No entanto, as leis criadas no parlamento ainda passam por um último crivo antes de entrarem em vigor: o Conselho dos Guardiões. O Conselho dos Guardiões é formado por 12 membros, sendo 6 clérigos escolhidos pelo líder supremo e seis juristas escolhidos pelo parlamento. Eles são os responsáveis por analisar se as leis criadas estão de acordo com a Shariah/lei islâmica.
“Cabe mencionar que o papel do presidente no Irã acaba sendo de menor potência em comparação com outras repúblicas presidencialistas, já que o papel de líder do executivo cabe ao líder supremo de acordo com a constituição no Irã. Ainda assim, ele é o segundo político mais importante do país e é responsável pela criação do seu próprio gabinete de governo, com membros responsáveis pela gestão do governo também”, explica Garcez.
Relação entre Brasil e Irã
Os dois países começaram a se relacionar em 1903, evoluindo positivamente ao longo dos anos. Durante a Revolução Islâmica de 1979, os laços comerciais com o Brasil se fortaleceram, fazendo do Irã um importante importador de commodities brasileiras.
No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sob o governo de Mahmoud Ahmadinejad, as relações políticas se estreitaram, fazendo com que Brasília, junto com a Turquia, tentasse um acordo nuclear entre o Irã e o Ocidente. Os Estados Unidos negaram o acordo, mas o Brasil manteve boas relações com o Irã, como tem até hoje.
“O Brasil e o Irã tem relações cordiais e uma série de parcerias econômicas e de projetos de desenvolvimento. A boa relação deve se manter, até pela recente entrada do Irã nos BRICS + (grupo de países de mercado emergente)”, avalia a internacionalista Nathana Garcez.
Espanha, Irlanda e Noruega reconhecerão a Palestina como Estado
Espanha, Irlanda e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (22) a decisão de reconhecer a Palestina como Estado a partir de 28 de maio
Thomas COEXEspanha, Irlanda e Noruega anunciaram nesta quarta-feira (22) a decisão de reconhecer a Palestina como Estado a partir de 28 de maio, e esperam que outros países sigam o passo, diante do “perigo” que a solução de dois Estados enfrenta devido à guerra em Gaza.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, foi o primeiro a anunciar a decisão, em Oslo, onde foram negociados os acordos, atualmente ignorados, que obrigavam israelenses e palestinos a aceitar uma coexistência pacífica entre dois Estados independentes.
Ao anunciar que o país reconhecerá o Estado palestino em 28 de maio, Støre fez um “forte apelo” para que outros países sigam o mesmo caminho.
Depois de chamar o dia de “histórico e importante”, o primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, fez o anúncio poucos minutos depois, no que foi seguido pelo chefe de Governo da Espanha, Pedro Sánchez, no Parlamento em Madri.
“É uma declaração inequívoca de apoio a uma solução de dois Estados como o único caminho crível para a paz e a segurança, para Israel e a Palestina, e para os seus povos”, afirmou o primeiro-ministro irlandês em Dublin.
O reconhecimento dos dois Estados é “a pedra angular sobre a qual a paz deve ser construída”, acrescentou.
“Hoje, afirmamos que reconhecemos o Estado de Israel, reconhecemos o seu direito de existir em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Reconhecer o Estado da Palestina envia a mensagem de que existe uma alternativa viável ao niilismo do Hamas”, completou.
Em Madri, o primeiro-ministro Sánchez também falou sobre a decisão.
“O primeiro-ministro (israelense Benjamin) Netanyahu não tem um projeto de paz para a Palestina”, afirmou o socialista Sánchez, uma das vozes mais críticas dentro da União Europeia (UE) contra a operação militar iniciada por Israel após o ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro.
“Lutar contra o grupo terrorista Hamas é legítimo e necessário (…) mas Netanyahu está gerando tanta dor e tanta destruição, e tanto ressentimento em Gaza e no resto da Palestina, que a solução de dois Estados está em perigo”, afirmou Sánchez.
Formalmente, a medida será adotada com um decreto que deve ser aprovado na próxima terça-feira, durante uma reunião do Conselho de Ministros espanhol.
Segundo uma contagem da Autoridade Palestina, 142 dos 193 Estados-membros da ONU expressaram apoio ao reconhecimento de um Estado palestino.
A iniciativa de Madri, Dublin e Oslo pode ser acompanhada por outros países europeus.
Em março, os governantes da Eslovênia e de Malta assinaram em Bruxelas um comunicado conjunto com Madri e Dublin, no qual expressavam o desejo de adotar a mesma medida.
O governo esloveno anunciou um decreto neste sentido em 9 de maio, com a intenção de enviá-lo ao Parlamento para aprovação até 13 de junho.
“Passos precipitados”
O governo de Israel reagiu rapidamente e convocou seus embaixadores na Noruega e na Irlanda para consultas.
“Hoje, eu envio uma mensagem forte à Irlanda e à Noruega: Israel não permanecerá calado diante disso”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, em um comunicado.
“Os passos precipitados dos dois países terão mais consequências graves”, acrescentou o chanceler israelense, que prometeu adotar uma medida similar caso a Espanha aderisse à iniciativa.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), considerada internacionalmente a único representante legítima do povo palestino, considerou o reconhecimento do Estado Palestino por três países europeus como um “momento histórico, em que mundo livre triunfa pela verdade e pela justiça”.
Uma fonte do Hamas celebrou os anúncios de Espanha, Irlanda e Noruega e afirmou que estes foram possíveis graças à “corajosa resistência” do povo palestino.
“Vemos como um passo importante para afirmar o nosso direito à terra e ao estabelecimento de um Estado palestino com Jerusalém como capital”, afirmou o Hamas em um comunicado, em que faz um apelo aos “países de todo o mundo para que reconheçam (os seus) direitos nacionais legítimos”.
Israel prometeu “aniquilar” o Hamas e iniciou uma ofensiva em larga escala contra a Faixa de Gaza em represália ao ataque de 7 de outubro, que matou mais de 1.170 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados divulgados pelas autoridades israelenses.
Das 252 pessoas sequestradas durante o ataque, 124 permanecem em Gaza, mas o Exército israelense acredita que 37 foram mortas.
Desde 7 de outubro, mais de 35.000 palestinos, a maioria civis, morreram na Faixa de Gaza em bombardeios e operações militares israelenses, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que governa Gaza.
Morte de Raisi pode gerar disputa de poder no Irã, diz embaixador
Cesário Melantonio acredita que os candidatos à sucessão vão debater, principalmente, a questão nuclear
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Presidente do Irã momentos antes de sofrer acidente
A inesperada morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi , após um acidente de helicóptero nesse domingo (19), pode levar o país a uma forte disputa de poder , de acordo com Cesário Melantonio Neto , colunista do PortaliGe embaixador do Brasil na Grécia . Além de Raisi, estava na aeronave o ministro das Relações Exteriores do país, Hossein Amir-Abdollahian, que também não sobreviveu, conforme anunciou o governo nesta segunda-feira (20).
“Raisi era um dos nomes preferidos do Ali Khamenei [líder supremo do Irã]. Nesse sentido, vamos ter que esperar o desenrolar dos acontecimentos, já que o vice-presidente vai assumir por 50 dias. Neste período, haverá novas eleições”, disse. “Certamente este acontecimento vai influenciar a sucessão do Khamenei”, acrescentou.
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Segundo o embaixador, Ebrahim Raisi era o mais conservador entre os últimos presidentes. “Como em todos os países, tem o centro, a direita e a esquerda. Raisi era o mais conservador dos últimos três presidentes. Ele era o mais extremo no conservadorismo islâmico iraniano. Esse grupo vai tentar procurar um candidato para manter o poder. Ninguém sabe ainda quem será”, continuou.
Para Melantonio, os candidatos à sucessão de Raisi vão debater, principalmente, a questão nuclear. “Tem um grupo que é favorável a uma negociação sobre o tema, já outro que não é favorável. O Raisi era contra a negociação, enquanto Mohammad Khatami e Mahmoud Ahmadinejad [ex-presidentes] são favoráveis a conversar com o Ocidente”, declarou.
Interferência externa
A sucessão de Raisi também pode ser influenciada por escolhas de outros países, apontou o embaixador. A questão energética, segundo Melantonio, é a principal motivação.
“Tudo isso se insere no quadro energético, já que o Irã, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita são grandes players no mundo da energia e membros da Opep. Todos têm interesse na questão do petróleo e do gás. A cooperação energética é importante”, declarou.
O embaixador ainda afirma que a Rússia e a China (outras potências mundiais), também vão tentar interferir. A situação no Oriente Médio pode ficar mais “caótica”, no entendimento de Melantonio. “Rússia e China são grandes apoiadoras do Irã. Aliás, o programa nuclear do Irã é apoiado há 20 anos pela Rússia. E, agora, pela China também. Ambos têm interesses comuns com grandes exportadores de energia”, analisou.
“Portanto, é um quadro multifacetado, com EUA tentando influenciar, só que mais difícil. A União Europeia tem as suas relações mais abertas. Vai tentar dar o seu recado também. É algo que vai tumultuar ainda mais a região e que terá impacto para o mundo inteiro”, continuou.
Brasil observa
Para o embaixador, o Brasil não tem poder de influenciar na escolha do novo presidente do Irã. Porém, como é um dos países fundadores do Brics, precisa acompanhar o processo eleitoral do novo integrante do grupo.
“Não acredito que o Brasil participe. O Brasil não tem poder suficiente para influenciar uma sucessão no Irã. Quem tem poder, na minha opinião, são os árabes ricos, como Arábia Saudita, Omã, Bahrein… Todo o Golfo Pérsico. Depois, aparecem China e Rússia, porque os chineses importam muita energia do Irã. Já a Rússia, tem relações estreitas com os iranianos na área de cooperação nuclear”, disse.
“O Brasil não tem excesso de poder para influenciar a sucessão no Irã. O Brasil vai mais observar e acompanhar, já que o Irã é membro dos Brics e temos interesse na cooperação energética internacional. O Brasil não é uma Rússia ou Arábia Saudita, mas está começando a ser importante no mundo da energia, já que tem grandes reservas. Nesse sentido, o Brasil tem grande interesse”, finalizou o colunista do iG.
Irã “cometeu um grande erro”, diz ex-primeiro-ministro de Israel no X
Em longa declaração, ex-primeiro-ministro discutiu seis tópicos sobre o ataque inédito do Irã a Israel, neste sábado (13)
Após o ataque inédito do Irã contra Israel neste sábado (13), o ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett fez uma longa declaração, na qual disse, dentre outras coisas, que durante 30 anos o Estado judaico cometeu o erro de se dedicar ao ataque dos ‘tentáculos’ de um ‘polvo’ terrorista, e não à sua ‘cabeça’.
A metáfora de Bennett diz respeito ao fato de Israel ter travado conflitos diretos com os grupos militantes originados no Irã e espalhados pelo Oriente Médio — e não com o próprio Irã, que seria a ‘cabeça’ do polvo
Os tentáculos seriam os grupos militantes como o Hezbollah, no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, Houthis no Iêmen, e dezenas de pequenos grupos na Síria e Iraque.
“A República Islâmica do Irã cometeu um grande erro. Nos últimos 30 anos, tem causado estragos na região – por meio de seus representantes. Um polvo terrorista cuja cabeça é Teerã e os seus tentáculos estão no Líbano, no Iêmen, no Iraque, na Síria e em Gaza. Muito conveniente. Os Mullahs enviam outros para realizar ataques terroristas horríveis e morrem por eles. Sangue de outras pessoas”, postou o ex-primeiro-ministro no X (antigo Twitter).
“O erro estratégico de Israel nos últimos 30 anos foi seguir esta estratégia. Sempre lutamos contra as armas do Polvo, mas dificilmente exigimos um preço da sua cabeça iraniana.”
De acordo com Bennett, essa estratégia vai mudar e Israel passará a dedicar cada vez mais esforços no ataque ao Irã.
“Isso deve mudar agora: Hezbollah ou Hamas disparam foguetes contra Israel? Teerã paga um preço”, escreveu.
Além da metáfora, Bennett falou sobre mais cinco tópicos relacionados à escalada do conflito no Oriente Médio.
Ataque do Irã “não foi concebido para ser apenas um aviso, diz Bennett
O primeiro deles contrapõe a visão de especialistas que consideraram o ataque “indiferente”. Bennett argumenta que o ataque não pode ser interpretado apenas como uma demonstração de poder sem consequências negativas.
Ele adicionou que, ao lançar 350 drones programados para atingir Israel simultaneamente, usando três tipos diferentes de armas (mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e UAVs), o objetivo do Irã era destruir as defesas de Israel e causar danos e mortes a israelenses.
“Não é uma vitória”, rebate Bennett sobre alegação dos EUA
O ex-primeiro-ministro israelense também contestou a afirmação do governo dos EUA de que o evento foi uma “vitória” de Israel. De acordo com Bennett, apesar do notável sucesso dos sistemas de defesa aérea de Israel, ele ressalta que o episódio não pode ser considerado uma vitória.
Ele argumentou que apenas interceptar os ataques não é suficiente para vencer uma guerra ou impedir bombardeios futuros. De acordo com o ex-ministro, a única maneira de impossibilitar que esses ataques aconteçam novamente é garantindo que o agressor pague um preço alto — ou seja, por meio de uma resposta mais agressiva e punitiva.
As declarações de Bennett vieram de encontro as feitas pelo presidente norte-americano, Joe Biden, que chegou a alertar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que os Estados Unidos não devem participar de uma possível contra-ofensiva contra o Irã.
O principal porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que os EUA vão continuar a ajudar Israel em sua defesa, mas não querem a guerra.
“É incorreto dizer que ninguém se machucou”
O ex-primeiro-ministro ainda negou uma afirmação das autoridades iranianas, que disseram que ninguém se machucou nos ataques de sábado.
Ele mencionou o caso de uma menina árabe-israelense de 7 anos chamada Amina Elhasuny que, segundo Bennett, está lutando pela vida. Bennett atribuiu a responsabilidade do ataque ao líder iraniano Khamenei.
O jornal New York Times fez uma reportagem com detalhes sobre o caso de Amina. De acordo com a publicação, mesmo que o dia tenha parecido tranquilo na unidade de cuidados intensivos pediátricos do Soroka Medical Center, na cidade de Beersheba, no sul de Israel, devido ao baixo número de atendimentos, a unidade passou por um dia tenso — em decorrência do estado grave de saúde de Amina, a única vítima do ataque iraniano.
Segundo o NYT , Amina e sua família moram em uma comunidade que não é reconhecida pelas autoridades israelenses. Com isso, não têm acesso a abrigos anti-bombas.
A guerra é contra “o regime iraniano”
Outra declaração importante de Bennett é que Israel luta contra o regime iraniano — e não contra o povo do Irã. Ele fez uma comparação com o regime soviético em 1985:
“O inimigo é o regime iraniano, não o maravilhoso povo iraniano. O regime iraniano me faz lembrar o regime soviético de 1985: corrupto até a medula, velho, incompetente, desprezado pelo seu próprio povo e destinado ao colapso”, publicou.
“Israel está travando a guerra de todos”, concluiu Bennett
A grande declaração de Bennett no X terminou com a seguinte afirmação:
“Israel está travando a guerra de todos. Em Gaza, no Líbano e no Teerã”, disse.
De acordo com o ex-premiê, “Não estamos pedindo a ninguém que lute por nós. Nós faremos o trabalho. Mas esperamos que os nossos aliados nos apoiem, especialmente quando for difícil – e agora é difícil.”
Brasil declara ‘grave preocupação’ com ataque do Irã a Israel
Itamaraty cobrou ‘esforços’ para evitar ‘escalada’ na região
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Ataque de Irã em território israelense
O governo do Brasil expressou “grave preocupação” com o ataque de mísseis e drones do Irã contra Israel , em retaliação ao bombardeio à embaixada de Teerã em Damasco, na Síria.
“Desde o início do conflito em curso na Faixa de Gaza, o governo brasileiro vem alertando sobre o potencial destrutivo do alastramento das hostilidades à Cisjordânia e para outros países, como Líbano, Síria, Iêmen e, agora, o Irã”, diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
“O Brasil apela a todas as partes envolvidas que exerçam máxima contenção e conclama a comunidade internacional a mobilizar esforços no sentido de evitar uma escalada”, acrescenta a nota
No comunicado, o Itamaraty também desaconselha “viagens não essenciais à região” e afirma que “monitora a situação dos brasileiros” na zona, “em particular em Israel, Palestina e Líbano, desde outubro passado”.
Irã promete ‘medidas mais duras’ caso Israel responda a ataques
Segundo o Exército de Israel, eles já planejam como irão reagir
Irã promete ‘medidas mais duras’ caso Israel responda a ataques
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iG Último Segundo
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ATTA KENARE/AFP
Manifestantes queimam uma bandeira israelense durante o funeral membros da Guarda Revolucionária mortos em um bombardeio na Síria
O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, afirmou neste domingo (14) que qualquer “nova aventura” de Israel, a resposta será “ainda mais dura”. O mandatário acrescentou que o ataque no sábado (13) em território israelense foi “uma lição contra o inimigo sionista”.
O presidente iraniano classificou o ataque como uma “medida defensiva” e de “legítima defesa”, que ocorreu em respostas “às ações agressivas do regime sionista [de Israel] contra os objetivos e interesses do Irã”. Ele refere-se ao bombardeio israelense à embaixada iraniana em Damasco, na Síria, no dia 1º de abril, quando oito pessoas foram mortas, inclusive três integrantes da Guarda Revolucionária do Irã.
Em comunicado, Ebrahim Raisi afirmou que o ataque foi “uma ação militar decisiva”. Apesar do bombardeio, Israel disse que o Domo de Ferro, seu sistema de defesa aéreo, interceptou 99% dos drones no ataque feito pelo Irã .
O presidente do Irã deixou ainda um recado a Israel e apoiadores, dizendo que caso “mostrem um comportamento imprudente, receberão uma resposta muito mais decisiva e violenta”.
Raisi diz ainda que o ataque foi uma forma de “castigar o agressor [Israel] e gerar estabilidade na região”.
O Irã “considera a paz e a estabilidade na região como algo necessário para a sua segurança nacional” e “não poupa esforços para restaurá-la”, afirmou o presidente iraniano
“Está totalmente claro para qualquer observador justo que as ações do regime sionista são de uma entidade ocupante, terrorista e racista, que considera que não está vinculada a deveres ou normas legais ou morais”, disse Raisi.
Resposta de Israel
À Iran International, uma emissora iraniana, um porta-voz das Forças Armadas de Israel declarou que o país responderá “com ação, não com palavras”. Mais cedo, o contra-almirante e porta-voz do Exército, Daniel Hagari, disse ao The Guardian que estão “prontos para fazer o que for necessário pela defesa de Israel”.
“Temos planos, a situação está em curso”, disse Hagari.
De acordo com um funcionário de alto escalão da administração do premiê Benjamin Netanyahu, Israel decidiu reagir, só não definiu a forma, segundo a CNN.
A fonte acrescentou que ainda não sabe se a reação de Israel será muito violenta ou algo mais moderado. As opções serão avaliadas durante a reunião do gabinete de guerra convocada para a tarde deste domingo.