Mídia estatal do Irã confirma a morte do aiatolá Ali Khamenei
Notícia foi divulgada horas depois de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, usar rede social para dizer que ataques haviam matado líder supremo
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Sarah Belline
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khamenei.ir/Reprodução
Líder supremo iraniano, Ali Khamenei
Na publicação, Donald Trump também afirmou: “Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para aqueles de muitos países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e sua gangue de bandidos sedentos de sangue”.
Na postagem, ele ainda ressaltou que membros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e policiais não queriam mais lutar e que “agora eles podem ter imunidade; depois, só terão a morte”.
No final da mensagem, ele garantiu que os bombardeios pesados e precisos continuarão de forma ininterrupta durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançar o objetivo de “paz em todo o Oriente Médio e, de fato, no mundo”.
Quem é o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã
Aiatolá Ali Khamenei, tinha 86 anos, o homem mais poderoso do Irã, esteve à frente do regime do país por quase 40 anos e era a principal autoridade política e religiosa do país.
Ele era tanto chefe de Estado como comandante-chefe e t inha a palavra final sobre políticas públicas do país.
Nascido em 1939, na cidade sagrada de Mashhad, Khamenei cresceu sob o governo do xá Reza Pahlavi, período em que o Irã mantinha relações próximas com o Ocidente. Participou da mobilização que culminou na Revolução Islâmica de 1979, liderada por Ruhollah Khomeini, que derrubou a monarquia e instituiu a república islâmica.
Após a revolução, ganhou espaço entre os clérigos xiitas. Em 1981, sofreu um atentado que comprometeu permanentemente sua mão direita. No mesmo ano, foi eleito presidente do país. Com a morte de Khomeini, em 1989, assumiu o posto de líder supremo, acumulando autoridade sobre as Forças Armadas, o Judiciário e os principais rumos da política externa.
Durante seu comando, o Irã fortaleceu alianças regionais e passou a apoiar grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza, dentro de uma estratégia de confrontação indireta com Israel e aliados ocidentais.
Irã ameaça atacar bases dos EUA no país, se acordo fracassar
Países negociam acordo nuclear nesta semana; Departamento de Estado norte-americano começa a esvaziar sua embaixada no Iraque
Por
Marcia Bessa Martins
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Montagem iG
Trump afirmou que as negociações serão realizadas na quinta-feira (12); governo iraniano diz que ocorrerão no domingo (15)
Dias antes da sexta rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos, prevista para acontecer nesta semana, o ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh, disse, nesta quarta-feira (11), que o Irã poderá atacar as bases norte-americacas no país se o acordo nuclear fracassar e um possível conflito começar entre os dois países.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou que as negociações serão realizadas na quinta-feira (12), enquanto o governo iraniano pontuou que elas ocorrerão no domingo (15) em Omã.
“Algumas autoridades do outro lado ameaçam entrar em conflito se as negociações não derem frutos. Se um conflito acontecer, todas as bases americanas estão ao nosso alcance e as atacaremos com ousadia nos países anfitriões”, alertou Nasirzadeh.
Suas declarações foram divulgadas pela Agência de Notícias da República Islâmica do Irã.
Trump também ameaçou bombardear o Irã caso o país não chegue a um novo acordo nuclear.
Espera-se que o Irã apresente uma contraproposta a uma oferta anterior dos EUA para um acordo nuclear
Os dois países discordaram sobre a questão do enriquecimento de urânio e sobre o programa de mísseis do Irã.
Esvaziamento da embaixada no Iraque
A decisão dos Estados Unidos, junto com um alerta do Reino Unido sobre novas ameaças à navegação comercial no Oriente Médio, veio poucas horas depois de o presidente Trump, declarar, em um podcast divulgado nesta quarta-feira, que está “menos confiante” quanto às chances de um acordo com o Irã que limite sua capacidade de desenvolver armas nucleares.
A agência do comércio marítimo britânico aconselhou embarcações comerciais que transitem pelo Golfo Pérsico, Golfo de Omã e Estreito de Ormuz a adotarem precauções adicionais.
O Departamento de Estado não informou quantos funcionários seriam retirados do Iraque, nem os motivos específicos. Funcionários não essenciais e familiares de diplomatas também foram autorizados a deixar as embaixadas americanas no Bahrein e no Kuwait.
Biden afirma que Israel não vai tomar decisão sobre os ataques do Irã “imediatamente”
Presidente norte-americano também fez apelo para israelenses não atacarem instalações de petróleo iranianas
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AFP|iG Último Segundo
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AFP
Joe Biden também falou que não sabe se as eleições dos Estados Unidos serão pacíficas
O presidente dos Estados Unidos , Joe Biden , afirmou nesta sexta-feira (4) que Israel “não tomará uma decisão imediatamente” a respeito de uma possível retaliação ao ataque realizado pelo Irã na última terça-feira (1º).
Biden ainda fez um apelo a Israel , para que não ataque instalações petroleiras do Irã, após ter reconhecido na véspera que esta possibilidade está sendo considerada.
“Se eu estivesse em seu lugar, estaria pensando em outras alternativas além de atacar campos petrolíferos”, declarou Biden à imprensa.
Eleições nos Estados Unidos
O presidente Joe Biden também falou sobre as eleições presidenciais. Ele destacou que não sabe se as eleições dos Estados Unidos, marcadas para o dia 5 de novembro, serão pacíficas, devido aos comentários do candidato republicano Donald Trump.
“Confio em que serão livres e justas”, mas “não sei se serão pacíficas”, declarou.
“As coisas que Trump disse e o que ele falou da última vez, quando não gostou do resultado das eleições, foram muito perigosas”, acrescentou.
Como fica a relação entre Israel e Irã após a morte de Ebrahim Raisi?
Como fica a relação entre Israel e Irã após a morte de Ebrahim Raisi?
Ebrahim Raisi, presidente do Irã, morreu em um acidente de helicóptero no último fim de semana
O líder supremo do Irã, o aiatoiá Ali Khamenei, anunciou na segunda-feira (20) que o país teria 5 dias de luto pela morte do presidente Ebrahim Raisi e de outras oito pessoas em um acidente de helicóptero , ocorrido no último domingo (19).
Além de decretar luto, o líder supremo também nomeou o vice-presidente Mohamad Mokhber como presidente interino, que deve preparar eleições presidenciais em 50 dias ao lado dos chefes do Poder Legislativo e Judiciário do país.
Os impactos da morte de Raisi ainda são debatidos por internacionalistas, principalmente no que diz respeito às relações exteriores. Uma das incógnitas é a situação entre Irã e Israel. Entenda:
Israel e Irã
O Irã apoia dois grupos terroristas com os quais Israel está atualmente em combate em duas frentes: o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. Além disso, os rebeldes houthis do Iêmen estão atacando embarcações israelenses no Mar Vermelho.
Durante a guerra em Gaza, que começou em 7 de outubro do ano passado com os ataques do Hamas, Irã e Israel trocaram ataques diretos em abril, um evento sem precedentes.
Em 13 de abril de 2024, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em conjunto com as Forças de Mobilização Popular do Iraque, o grupo libanês Hezbollah e os Houthis do Iêmen, realizou ataques contra Israel sob o codinome Operação Promessa Verdadeira, empregando drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos.
Após a morte de seu presidente, o Irã deve manter apoio à Palestina e não mudar as suas posições políticas contra Israel. Ainda, o parlamentar israelense Avigdor Liberman, líder do partido de oposição Yisrael Beytenu, afirmou ao site de notícias Ynet que nada nas políticas do Irã no Oriente Médio deve mudar.
“Para nós, não importa, não afetará a atitude de Israel [em relação ao Irã]. As políticas do Irã são definidas pelo líder supremo [aiatolá Ali Khamenei]”, disse Liberman.
Ao The New York Times, Meir Javedanfar, professor iraniano-israelense da Universidade Reichman, em Israel, declarou que os pesquisadores do programa nuclear iraniano e líderes militares são mais importantes para o regime dos aiatolás do que o presidente do país.
“Sua ausência ou presença não teria muito impacto. O mesmo não pode ser dito de um cientista nuclear, trabalhando num programa que poderia produzir uma bomba nuclear para ameaçar Israel”, disse Javedanfar.
Javedanfar afirmou que Raisi não era mais do que “um soldado de infantaria do líder supremo” e “um servo leal, com pouca influência dentro do regime”.
Ao iG , Nathana Garcez, internacionalista e Investigadora Colaboradora na Universidade de Coimbra, diz acreditar que “não deve haver nenhuma mudança muito drástica. O Irã deve continuar apoiando a Palestina independentemente da figura enquanto presidente”.
“Mas, em um contexto geral, acho que a postura do Irã deve ficar mais zelosa em relação a Israel, ainda que o falecido presidente já tinha um perfil de enfrentamento, então vai ser difícil encontrar um outro presidente com o mesmo segmento igual ao de Raisi”, acrescenta ela.
O que acontece após a morte de Ebrahim Raisi?
“A postura agora é de manutenção dentro do governo iraniano neste primeiro momento. A longo prazo, a morte de Raisi não afeta muito a política de Estado, porque ela ultrapassa a figura do chefe de governo”, diz Nathana.
Sobre o sucessor de Ebrahim, a pesquisadora diz que se deve esperar um “sucessor também bastante conservador e que se aproxime das características do Raisi, que era o favorito para se tornar o próximo líder supremo do Irã. Isso indica que um candidato importante nas próximas eleições deve ser o vice-presidente e presidente interino do país, Mohammad Mokhber. Ele é um candidato à sucessão natural, ainda que seja considerado menos conservador do que Raisi”, afirma Nathana Garcez.
A possibilidade de disputas políticas em torno da sucessão não é descartada , visto que alguns nomes já circulam pelo parlamento. Alguns deles são: Saeed Jalili, figura política importante que já desempenhou papéis como negociador-chefe do acordo nuclear e membro do Conselho de Discernimento, e Mohammad Baqer Qalibaf, ex-prefeito de Tehran.
Qual o tipo de regime do Irã?
“O regime do Irã é bastante único no planeta”, diz Nathana.
Segundo a internacionalista, o chefe de Estado é o líder supremo, um aiatolá, que é escolhido pela Assembleia de Especialistas (88 clérigos de grande virtude que ficam em tal cargo por oito anos). O cargo de líder supremo é vitalício e o líder supremo detém poder sobre as forças armadas e a mídia pública, e é o chefe do judiciário. Mas se o Chefe de Estado não é eleito por voto direto, a Assembleia de Especialistas é. Ela, assim como o Parlamento iraniano e o próprio presidente do Irã, são escolhidas por voto direto da população iraniana maior de 18 anos de idade.
O parlamento tem cerca de 290 legisladores e é a instituição responsável pela formulação de leis, assim como pela ratificação de tratados internacionais e elaboração do orçamento público. No entanto, as leis criadas no parlamento ainda passam por um último crivo antes de entrarem em vigor: o Conselho dos Guardiões. O Conselho dos Guardiões é formado por 12 membros, sendo 6 clérigos escolhidos pelo líder supremo e seis juristas escolhidos pelo parlamento. Eles são os responsáveis por analisar se as leis criadas estão de acordo com a Shariah/lei islâmica.
“Cabe mencionar que o papel do presidente no Irã acaba sendo de menor potência em comparação com outras repúblicas presidencialistas, já que o papel de líder do executivo cabe ao líder supremo de acordo com a constituição no Irã. Ainda assim, ele é o segundo político mais importante do país e é responsável pela criação do seu próprio gabinete de governo, com membros responsáveis pela gestão do governo também”, explica Garcez.
Relação entre Brasil e Irã
Os dois países começaram a se relacionar em 1903, evoluindo positivamente ao longo dos anos. Durante a Revolução Islâmica de 1979, os laços comerciais com o Brasil se fortaleceram, fazendo do Irã um importante importador de commodities brasileiras.
No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sob o governo de Mahmoud Ahmadinejad, as relações políticas se estreitaram, fazendo com que Brasília, junto com a Turquia, tentasse um acordo nuclear entre o Irã e o Ocidente. Os Estados Unidos negaram o acordo, mas o Brasil manteve boas relações com o Irã, como tem até hoje.
“O Brasil e o Irã tem relações cordiais e uma série de parcerias econômicas e de projetos de desenvolvimento. A boa relação deve se manter, até pela recente entrada do Irã nos BRICS + (grupo de países de mercado emergente)”, avalia a internacionalista Nathana Garcez.
Morte de Raisi pode gerar disputa de poder no Irã, diz embaixador
Cesário Melantonio acredita que os candidatos à sucessão vão debater, principalmente, a questão nuclear
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iG Último Segundo
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Presidente do Irã momentos antes de sofrer acidente
A inesperada morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi , após um acidente de helicóptero nesse domingo (19), pode levar o país a uma forte disputa de poder , de acordo com Cesário Melantonio Neto , colunista do PortaliGe embaixador do Brasil na Grécia . Além de Raisi, estava na aeronave o ministro das Relações Exteriores do país, Hossein Amir-Abdollahian, que também não sobreviveu, conforme anunciou o governo nesta segunda-feira (20).
“Raisi era um dos nomes preferidos do Ali Khamenei [líder supremo do Irã]. Nesse sentido, vamos ter que esperar o desenrolar dos acontecimentos, já que o vice-presidente vai assumir por 50 dias. Neste período, haverá novas eleições”, disse. “Certamente este acontecimento vai influenciar a sucessão do Khamenei”, acrescentou.
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Segundo o embaixador, Ebrahim Raisi era o mais conservador entre os últimos presidentes. “Como em todos os países, tem o centro, a direita e a esquerda. Raisi era o mais conservador dos últimos três presidentes. Ele era o mais extremo no conservadorismo islâmico iraniano. Esse grupo vai tentar procurar um candidato para manter o poder. Ninguém sabe ainda quem será”, continuou.
Para Melantonio, os candidatos à sucessão de Raisi vão debater, principalmente, a questão nuclear. “Tem um grupo que é favorável a uma negociação sobre o tema, já outro que não é favorável. O Raisi era contra a negociação, enquanto Mohammad Khatami e Mahmoud Ahmadinejad [ex-presidentes] são favoráveis a conversar com o Ocidente”, declarou.
Interferência externa
A sucessão de Raisi também pode ser influenciada por escolhas de outros países, apontou o embaixador. A questão energética, segundo Melantonio, é a principal motivação.
“Tudo isso se insere no quadro energético, já que o Irã, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita são grandes players no mundo da energia e membros da Opep. Todos têm interesse na questão do petróleo e do gás. A cooperação energética é importante”, declarou.
O embaixador ainda afirma que a Rússia e a China (outras potências mundiais), também vão tentar interferir. A situação no Oriente Médio pode ficar mais “caótica”, no entendimento de Melantonio. “Rússia e China são grandes apoiadoras do Irã. Aliás, o programa nuclear do Irã é apoiado há 20 anos pela Rússia. E, agora, pela China também. Ambos têm interesses comuns com grandes exportadores de energia”, analisou.
“Portanto, é um quadro multifacetado, com EUA tentando influenciar, só que mais difícil. A União Europeia tem as suas relações mais abertas. Vai tentar dar o seu recado também. É algo que vai tumultuar ainda mais a região e que terá impacto para o mundo inteiro”, continuou.
Brasil observa
Para o embaixador, o Brasil não tem poder de influenciar na escolha do novo presidente do Irã. Porém, como é um dos países fundadores do Brics, precisa acompanhar o processo eleitoral do novo integrante do grupo.
“Não acredito que o Brasil participe. O Brasil não tem poder suficiente para influenciar uma sucessão no Irã. Quem tem poder, na minha opinião, são os árabes ricos, como Arábia Saudita, Omã, Bahrein… Todo o Golfo Pérsico. Depois, aparecem China e Rússia, porque os chineses importam muita energia do Irã. Já a Rússia, tem relações estreitas com os iranianos na área de cooperação nuclear”, disse.
“O Brasil não tem excesso de poder para influenciar a sucessão no Irã. O Brasil vai mais observar e acompanhar, já que o Irã é membro dos Brics e temos interesse na cooperação energética internacional. O Brasil não é uma Rússia ou Arábia Saudita, mas está começando a ser importante no mundo da energia, já que tem grandes reservas. Nesse sentido, o Brasil tem grande interesse”, finalizou o colunista do iG.
Líder Supremo e presidente: saiba como funciona ordem de poder no Irã
Nesta segunda-feira (2), o presidente iraniano Ebrahim Raisi morreu em um acidente de helicóptero
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iG Último Segundo
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Foto do presidente iraniano Ebrahim Raisi em 2 de abril de 2024
A Constituição iraniana estabelece um procedimento claro para a sucessão presidencial em caso de falecimento do presidente em exercício, como ocorreu nesta segunda-feira (20), após o helicóptero de Ebrahim Raisi se acidentar e provocar sua morte . Nesses casos, o primeiro vice-presidente assume temporariamente, sujeito à aprovação do Líder Supremo.
Além disso, a Carta Magna determina que os três principais chefes dos poderes da república – o vice-presidente, o presidente do parlamento e o chefe do poder judiciário – devem coordenar uma eleição para escolher um novo líder dentro de 50 dias após o vice-presidente assumir interinamente.
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O primeiro vice-presidente, Mohammad Mokhber , está aguardando a aprovação do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, para assumir o cargo. Fontes oficiais indicaram que Mokhber estava a caminho do local onde o helicóptero do presidente caiu.
Como funciona a relação de poder
O Líder Supremo do Irã desempenha um papel crucial como árbitro final dos assuntos internos e externos na República Islâmica, assumindo autoridade até mesmo sobre os poderes do presidente.
Diferentemente de seu antecessor, o presidente moderado Hassan Rouhani, Ebrahim Raisi construiu uma estreita aliança com Khamenei.
Apesar da complexidade do organograma de comando do Irã, grande parte do poder recai sobre uma figura central – a do Líder Supremo. No entanto, o sistema político do país é intrincado, envolvendo diversas autoridades com papéis específicos na tomada de decisões e na governança do Estado. Entenda o papel de cada um:
O Líder Supremo
Este é o ápice da estrutura de poder político do Irã. Inspirado nas ideias do aiatolá Ruhollah Khomeini, o primeiro a ocupar esse cargo e uma figura central na revolução iraniana, o líder supremo detém uma autoridade máxima. Até agora, apenas duas pessoas ocuparam este posto: Khomeini e o atual líder, o aiatolá Ali Khamenei, desde 1989.
Além de ser o chefe de Estado, é também a máxima autoridade política e religiosa do país, com um mandato vitalício. Suas atribuições incluem nomear pessoas para postos importantes, como o chefe do Poder Judiciário e os diretores da rádio e da TV estatais, além de questões relacionadas à segurança, defesa e política externa.
O presidente
Esta é como a segunda maior autoridade do país pela Constituição, o presidente é o chefe do Poder Executivo. No entanto, seus poderes são limitados pela estrutura de poder do Irã e pela autoridade do Líder Supremo. Candidatos à presidência são investigados pelo Conselho de Guardiões, que pode vetar aspirantes ao cargo.
Hassan Rouhani, estava no cargo desde 2013, embora tenha sido o único presidente iraniano que não era clérigo. Rouhani é considerado um “moderado” e já criticou abertamente o sistema iraniano, algo incomum para um presidente.
Conselho de Guardiões
Esta é a organização mais influente do Irã, composta por 12 membros: seis clérigos especialistas em jurisprudência islâmica e seis juristas. O conselho é responsável por ratificar projetos de lei, vetar candidatos em eleições e supervisionar a conformidade com a Constituição e a lei islâmica. Seus membros são nomeados pelo líder supremo e pelo chefe do Poder Judiciário, que por sua vez é designado pelo líder supremo.
A Guarda Revolucionária
É uma importante força militar, política e econômica do Irã, subordinada ao Líder Supremo. Com cerca de 150 mil membros ativos, a Guarda Revolucionária possui suas próprias divisões e é responsável pela defesa das fronteiras e pela manutenção da ordem interna. Sua unidade de operações no exterior, a Força Quds, é responsável por operações militares fora do país e tem grande influência em outras partes do Oriente Médio.
Essas autoridades desempenham papéis distintos, mas interligados, no sistema político do Irã, cada uma contribuindo para a governança e para a tomada de decisões no país.
Irã mobiliza “todo seu potencial” para achar helicóptero de presidente
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, falou publicamente com a população do país e pediu paciência a todos
Reprodução
Ebrahim Raisi
O vice-presidente do Irã, Mohammad Mokhber, determinou que todo o potencial e capacidades do governo sejam usados para encontrar o helicóptero do presidente iraniano Ebrahim Raisi. Segundo a IRNA (agência de notícias da República Islâmica), houve uma sessão presidida por Mokhber para definir as ações de resgate.
O vice-presidente determinou que o ministro da Saúde, Bahram Einollahi, e o vice-presidente para assuntos executivos, Mohsen Mansouri, fossem até as cidades de Varzaqan e Jolfa, localizadas na província do Azerbaijão Oriental, região onde ocorreu o acidente.
Einollahi e Mansouri vão ficar responsáveis por supervisionar os trabalhos de busca e resgate. A aeronave sofreu um acidente neste domingo (19) por causa de más condições climáticas.
Mais cedo, a TV estatal do país havia dito que o helicóptero havia sido encontrado. Porém, a informação foi negada pela IRNA e também pela Crescente Vermelho, o que é equivalente à Cruz Vermelha.
Ali Khamenei, líder supremo do Irã, falou publicamente com a população do país e pediu paciência a todos. Ele relatou que a “gestão o Estado do Irã não será afetada” pelo ocorrido e que não há motivo para ficarem ansiosos.
“O estimado presidente e a empresa estavam voltando a bordo de alguns helicópteros e um dos helicópteros foi forçado a fazer um pouso forçado devido ao mau tempo e à neblina”, disse o ministro do Interior, Ahmad Vahidi, à TV estatal.
Além do presidente iraniano, também estavam no helicóptero Hossein Amirabdollahian, ministro das Relações Exteriores do Irã, Malek Rahmati, governador da província iraniana do Azerbaijão Oriental, e Hojjatoleslam Al Hashem, líder religioso.
Irã “cometeu um grande erro”, diz ex-primeiro-ministro de Israel no X
Em longa declaração, ex-primeiro-ministro discutiu seis tópicos sobre o ataque inédito do Irã a Israel, neste sábado (13)
Após o ataque inédito do Irã contra Israel neste sábado (13), o ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett fez uma longa declaração, na qual disse, dentre outras coisas, que durante 30 anos o Estado judaico cometeu o erro de se dedicar ao ataque dos ‘tentáculos’ de um ‘polvo’ terrorista, e não à sua ‘cabeça’.
A metáfora de Bennett diz respeito ao fato de Israel ter travado conflitos diretos com os grupos militantes originados no Irã e espalhados pelo Oriente Médio — e não com o próprio Irã, que seria a ‘cabeça’ do polvo
Os tentáculos seriam os grupos militantes como o Hezbollah, no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, Houthis no Iêmen, e dezenas de pequenos grupos na Síria e Iraque.
“A República Islâmica do Irã cometeu um grande erro. Nos últimos 30 anos, tem causado estragos na região – por meio de seus representantes. Um polvo terrorista cuja cabeça é Teerã e os seus tentáculos estão no Líbano, no Iêmen, no Iraque, na Síria e em Gaza. Muito conveniente. Os Mullahs enviam outros para realizar ataques terroristas horríveis e morrem por eles. Sangue de outras pessoas”, postou o ex-primeiro-ministro no X (antigo Twitter).
“O erro estratégico de Israel nos últimos 30 anos foi seguir esta estratégia. Sempre lutamos contra as armas do Polvo, mas dificilmente exigimos um preço da sua cabeça iraniana.”
De acordo com Bennett, essa estratégia vai mudar e Israel passará a dedicar cada vez mais esforços no ataque ao Irã.
“Isso deve mudar agora: Hezbollah ou Hamas disparam foguetes contra Israel? Teerã paga um preço”, escreveu.
Além da metáfora, Bennett falou sobre mais cinco tópicos relacionados à escalada do conflito no Oriente Médio.
Ataque do Irã “não foi concebido para ser apenas um aviso, diz Bennett
O primeiro deles contrapõe a visão de especialistas que consideraram o ataque “indiferente”. Bennett argumenta que o ataque não pode ser interpretado apenas como uma demonstração de poder sem consequências negativas.
Ele adicionou que, ao lançar 350 drones programados para atingir Israel simultaneamente, usando três tipos diferentes de armas (mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e UAVs), o objetivo do Irã era destruir as defesas de Israel e causar danos e mortes a israelenses.
“Não é uma vitória”, rebate Bennett sobre alegação dos EUA
O ex-primeiro-ministro israelense também contestou a afirmação do governo dos EUA de que o evento foi uma “vitória” de Israel. De acordo com Bennett, apesar do notável sucesso dos sistemas de defesa aérea de Israel, ele ressalta que o episódio não pode ser considerado uma vitória.
Ele argumentou que apenas interceptar os ataques não é suficiente para vencer uma guerra ou impedir bombardeios futuros. De acordo com o ex-ministro, a única maneira de impossibilitar que esses ataques aconteçam novamente é garantindo que o agressor pague um preço alto — ou seja, por meio de uma resposta mais agressiva e punitiva.
As declarações de Bennett vieram de encontro as feitas pelo presidente norte-americano, Joe Biden, que chegou a alertar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que os Estados Unidos não devem participar de uma possível contra-ofensiva contra o Irã.
O principal porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que os EUA vão continuar a ajudar Israel em sua defesa, mas não querem a guerra.
“É incorreto dizer que ninguém se machucou”
O ex-primeiro-ministro ainda negou uma afirmação das autoridades iranianas, que disseram que ninguém se machucou nos ataques de sábado.
Ele mencionou o caso de uma menina árabe-israelense de 7 anos chamada Amina Elhasuny que, segundo Bennett, está lutando pela vida. Bennett atribuiu a responsabilidade do ataque ao líder iraniano Khamenei.
O jornal New York Times fez uma reportagem com detalhes sobre o caso de Amina. De acordo com a publicação, mesmo que o dia tenha parecido tranquilo na unidade de cuidados intensivos pediátricos do Soroka Medical Center, na cidade de Beersheba, no sul de Israel, devido ao baixo número de atendimentos, a unidade passou por um dia tenso — em decorrência do estado grave de saúde de Amina, a única vítima do ataque iraniano.
Segundo o NYT , Amina e sua família moram em uma comunidade que não é reconhecida pelas autoridades israelenses. Com isso, não têm acesso a abrigos anti-bombas.
A guerra é contra “o regime iraniano”
Outra declaração importante de Bennett é que Israel luta contra o regime iraniano — e não contra o povo do Irã. Ele fez uma comparação com o regime soviético em 1985:
“O inimigo é o regime iraniano, não o maravilhoso povo iraniano. O regime iraniano me faz lembrar o regime soviético de 1985: corrupto até a medula, velho, incompetente, desprezado pelo seu próprio povo e destinado ao colapso”, publicou.
“Israel está travando a guerra de todos”, concluiu Bennett
A grande declaração de Bennett no X terminou com a seguinte afirmação:
“Israel está travando a guerra de todos. Em Gaza, no Líbano e no Teerã”, disse.
De acordo com o ex-premiê, “Não estamos pedindo a ninguém que lute por nós. Nós faremos o trabalho. Mas esperamos que os nossos aliados nos apoiem, especialmente quando for difícil – e agora é difícil.”
Irã promete ‘medidas mais duras’ caso Israel responda a ataques
Segundo o Exército de Israel, eles já planejam como irão reagir
Irã promete ‘medidas mais duras’ caso Israel responda a ataques
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iG Último Segundo
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ATTA KENARE/AFP
Manifestantes queimam uma bandeira israelense durante o funeral membros da Guarda Revolucionária mortos em um bombardeio na Síria
O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, afirmou neste domingo (14) que qualquer “nova aventura” de Israel, a resposta será “ainda mais dura”. O mandatário acrescentou que o ataque no sábado (13) em território israelense foi “uma lição contra o inimigo sionista”.
O presidente iraniano classificou o ataque como uma “medida defensiva” e de “legítima defesa”, que ocorreu em respostas “às ações agressivas do regime sionista [de Israel] contra os objetivos e interesses do Irã”. Ele refere-se ao bombardeio israelense à embaixada iraniana em Damasco, na Síria, no dia 1º de abril, quando oito pessoas foram mortas, inclusive três integrantes da Guarda Revolucionária do Irã.
Em comunicado, Ebrahim Raisi afirmou que o ataque foi “uma ação militar decisiva”. Apesar do bombardeio, Israel disse que o Domo de Ferro, seu sistema de defesa aéreo, interceptou 99% dos drones no ataque feito pelo Irã .
O presidente do Irã deixou ainda um recado a Israel e apoiadores, dizendo que caso “mostrem um comportamento imprudente, receberão uma resposta muito mais decisiva e violenta”.
Raisi diz ainda que o ataque foi uma forma de “castigar o agressor [Israel] e gerar estabilidade na região”.
O Irã “considera a paz e a estabilidade na região como algo necessário para a sua segurança nacional” e “não poupa esforços para restaurá-la”, afirmou o presidente iraniano
“Está totalmente claro para qualquer observador justo que as ações do regime sionista são de uma entidade ocupante, terrorista e racista, que considera que não está vinculada a deveres ou normas legais ou morais”, disse Raisi.
Resposta de Israel
À Iran International, uma emissora iraniana, um porta-voz das Forças Armadas de Israel declarou que o país responderá “com ação, não com palavras”. Mais cedo, o contra-almirante e porta-voz do Exército, Daniel Hagari, disse ao The Guardian que estão “prontos para fazer o que for necessário pela defesa de Israel”.
“Temos planos, a situação está em curso”, disse Hagari.
De acordo com um funcionário de alto escalão da administração do premiê Benjamin Netanyahu, Israel decidiu reagir, só não definiu a forma, segundo a CNN.
A fonte acrescentou que ainda não sabe se a reação de Israel será muito violenta ou algo mais moderado. As opções serão avaliadas durante a reunião do gabinete de guerra convocada para a tarde deste domingo.
Irã planeja atacar Israel entre hoje e amanhã, diz jornal
Teerã teria retaliação a ataque aéreo em mente
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Divulgação
Líder supremo, aiatolá Ali Khamenei
O Irã está considerando um ataque contra Israel na sexta-feira (12) ou sábado (13), conforme relatado pelo jornal Wall Street Journal na quinta-feira (11). A decisão ainda não foi confirmada, apesar de estar nos planos de Teerã.
A possível ofensiva seria uma retaliação ao ataque aéreo realizado em 1º de abril contra um prédio adjacente à embaixada iraniana em Damasco, capital da Síria, que resultou na morte de oito pessoas, incluindo o general da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Reza Zahedi. Irã e Síria atribuíram a responsabilidade do atentado a Israel.
Na quarta-feira (10), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Israel “deve e será punido” pela ação. Relatórios de inteligência dos EUA já haviam alertado para um possível ataque a ativos israelenses pelo Irã.
Segundo uma fonte citada pelo Wall Street Journal, a ofensiva retaliatória pode ocorrer “possivelmente em solo israelense”. A Guarda Revolucionária do Irã apresentou várias opções a Khamenei, incluindo um ataque direto com mísseis de médio alcance.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, afirmou em um discurso na quinta-feira em uma base aérea no sul de Israel, que seu país responderá a qualquer ataque. Ele declarou que Israel está preparado para atender todas as necessidades de segurança defensiva e ofensiva do país.
“Quem quer que nos prejudique, nós iremos prejudicá-los. Estamos preparados para atender a todas as necessidades de segurança do Estado de Israel, tanto defensivamente quanto ofensivamente”, declarou.