A Guerra Ideológica contra a Universidade Pública Por Rui Leitao 

A Guerra Ideológica contra a Universidade Pública Por Rui Leitao

O vídeo postado recentemente pela família do ex-jogador de futebol Túlio Maravilha, no qual afirma não concordar que a filha se matricule em uma universidade pública, integra uma ofensiva ideológica destinada a deslegitimar as instituições de ensino superior custeadas pelo Estado. Sob o argumento de preservar “valores familiares”, o casal reforça o velho e seletivo falso moralismo das elites, que veem na educação pública um espaço incômodo de crítica social e pluralidade de ideias.

É cada vez mais evidente a existência de um projeto político para desmontar a universidade pública. Esse projeto não se limita ao discurso: materializou-se em cortes orçamentários sistemáticos, que provocaram asfixia financeira, comprometeram o custeio, os investimentos, a assistência estudantil e reduziram bolsas de pesquisa. Trata-se de uma ofensiva conduzida por lideranças da extrema direita, com apoio de setores da elite econômica e cultural, que pretendem submeter o ensino superior à lógica neoliberal, extinguindo a gratuidade e transferindo recursos públicos para instituições privadas.

Multiplicam-se ataques que tentam rotular as universidades públicas como ineficientes, irrelevantes e ideologicamente “doutrinadoras”. Recusam-se a reconhecer que nelas se produz a maior parte do conhecimento científico do país, que se desenvolvem pesquisas estratégicas e que se formam profissionais altamente qualificados. Esse negacionismo é político. Suas consequências são concretas: fuga de cérebros, sucateamento de laboratórios, dificuldades de permanência para estudantes pobres e um ambiente de intimidação que ameaça a liberdade de cátedra.

Os inimigos da universidade pública não toleram que ela seja espaço do contraditório e da crítica. Rejeitam a ideia de que ciência, tecnologia e conhecimento sejam instrumentos de emancipação social.

Declarações como as do casal Túlio Maravilha reforçam a narrativa de “doutrinação de esquerda” e “balbúrdia”, estigmatizando professores e pesquisadores e expressando a histórica aversão das elites brasileiras a uma universidade gratuita, inclusiva e crítica.

Defender a universidade pública é defender a soberania científica, a mobilidade social e a democracia. Enquanto instituição pública, ela não serve ao lucro, mas ao interesse coletivo. Atacá-la é atacar o futuro do país. Em síntese, esses ataques não são apenas contra as universidades, mas contra a própria democracia.

www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitao- advogado, jornalista, poeta, escritor




O GABINETE DO ÓDIO E A ALA IDEOLÓGICA: Escrito Por Rui Leitao 

O GABINETE DO ÓDIO E A ALA IDEOLÓGICA: Escrito Por Rui Leitao

 

Desde o início do ano passado o Brasil vem experimentando uma forma de governar inédita na sua história republicana. As decisões são tomadas por influência de integrantes de um chamado “gabinete do ódio” e uma ala ideológica de extrema direita, instalados nas dependências do Palácio do Planalto. Ao que se noticia, comandados pelos filhos do presidente e o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, ora residindo nos Estados Unidos.

São escritórios que se dedicam exclusivamente a elaborar dossiês com o propósito de macular a honra e a moral dos que elegem como adversários do bolsonarismo, produzir notícias falsas e divulgar com utilização de robôs na internet “fazendo a cabeça” da militância, as fakenews, estimular posições beligerantes nas redes. Nomeiam e exoneram quem eles querem, sempre na conformidade da identificação ou não com o pensamento político que assumiram e que definiram como cartilha a ser obedecida por quem fizer parte da equipe de governo.

Abrigam um núcleo de assessores remunerados pelo poder público que têm como tarefas produzir relatórios diários com suas interpretações sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da presidência da república. Definem as estratégias para as mídias digitais, defendendo sempre a tática do confronto ideológico. Emitem opiniões polêmicas e criam narrativas com memes, prints e vídeos, visando apresentar os inimigos do presidente, contra os quais disseminam ataques irresponsavelmente. Agridem todos os que pensam diferente.

É uma estratégia planejada, apoiada unicamente nos objetivos mesquinhos do poder, Funcionam como se fossem uma ABIN paralela, Só que voltados para a desinformação que interessa ao governo. Uma estrutura oficial que se beneficia da ascensão do poder cibernético para instrumentalizar o projeto político da extrema direita. São hábeis em não deixar as impressões digitais em suas ações inflamadas, agressivas e fanáticas.

Esses influenciadores digitais têm a missão de resultar engajamentos populares aos seus interesses políticos. Buscam capturar os genuínos bolsonaristas para reforçar a imagem do Bolsonaro como alguém que se coloca contra tudo e contra todos, o “outsider”., o único capaz de dar jeito na “podridão de Brasília”. Sua biografia de inépcia esquecida em favor de uma causa ideológica. Se apressam em desmentir toda e qualquer acusação contra o presidente, mesmo que não tenham argumentos convincentes para isso. Mas se prevalecem do fanatismo já conquistado.

Chegam ao absurdo de estimular o enfoque midiático para as patetices articuladas do presidente, na intenção de desviar a atenção para a pandemia do coronavírus. Até porque o presidente se posta na contramão do que tem atuado todas a lideranças políticas do mundo. Mas a sua preocupação não é essa. Seu foco é a eleição de 2022. O discurso negacionista tentando convencer a opinião pública de que a pandemia é uma falsidade, não passa de uma gripezinha.

Até quando teremos que nos submeter a essa ação dolosa do gabinete do ódio e da ala ideológica repercutindo na vida nacional?

Rui Leitão