PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carboreto Sérgio Botelho
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carboreto
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carboreto
Gilvan de Brito
POESIAS COM HISTÓRIA: Por Gilvan de Brito
Certa vez, há muito tempo, fui à cidade de Patos numa missão jornalística e, numa visita à feira livre, tive a oportunidade de ver um quadro pungente e arrebatador, que não me saiu da mente durante vários dias, até que eu resolvi fazer uma poesia daquela cena, para que as pessoas pudessem participar desse meu sentimento. O soneto, contando em detalhes o que acontecera naquela fração de segundos, gravado na mente num fugaz espaço de tempo, que me marcou até os dias de hoje, ficou assim:
A VIDA EM SEGUNDOS
Assisti a uma cena triste num fugaz momento
O fortuito encontro de velho e menino aleijados,
Que se cruzaram de muletas, muito fraquejados,
Numa ação muda de um grande arrebatamento.
O velho olhou para a criança e viu ali a sua história
Fez-lhe um afago, um acalento sobre seu cabelo
Demonstrou grande compaixão, tristeza e desvelo,
Ao projetar na mente a sua malfadada trajetória.
Em apenas dois segundos sobre a muleta-escora
O homem entendeu o que esperava aquele menino
Nas desequilibradas caminhadas pela vida afora.
A criança espevitada e na sua ânsia de brincar e viver
Nem sequer prestou atenção no aleijado à sua frente
O triste retrato de como será o seu futuro até morrer.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Gilvan
HISTÓRIA DE GOVERNADORES: Escrito Por Gilvan de Brito
Nesta época em que os governadores estão sob suspeita de diversos crimes, lembrei-me de um fato ocorrido no governo João Agripino, que dá a medida de um administrador no exercício desse cargo de mandatário de um estado. Na época eu trabalhava como repórter de A União, deslocado para o palácio da Redenção acompanhando o governador para fazer notícia das mil obras programada e, inauguradas no último ano de sua administração. Certo dia o chefe de gabinete do governador, Marilac Toscano, me contou um episódio que assistira naquele recatado ambiente de trabalho: João Agripino pedira-lhe para levar à sua presença um vendedor de anéis de grau, para formandos. Ele queria dar um anel do grau em Direito para o filho mais novo, Gervásio Maia, que estava concluindo o curso.
Então o vendedor chegou, foi encaminhado ao gabinete e o governador começou a escolher os anéis, fixando-se em alguns os quais começou a perguntar preços. Foi selecionando os mais baratos e num deles, que lhe agradou entre os demais, perguntou em quantas prestações aquele tipo poderia ser dividido. O vendedor, que esperava ganhar a comissão de uma só vez, com a venda à vista, estranhou e disse: “Governador, o Senhor tem condições de comprar este à vista, o preço é razoável e eu ainda vou lhe dar um desconto”. Ao que João Agripino respondeu: “Você se engana, eu sou um homem que vive do seu salário, e o de governador dá apenas para as despesas da família, que são muitas”. Meio frustrado o vendedor preencheu a nota de compra, recebeu a entrada, na hora, e mandou o governador assinar as promissórias restantes, o que foi feito, na maior normalidade.
Depois entregou o anel numa caixinha quadrada e pequena. João Agripino recebeu, olhou, virou de um lado para o outro, admirando os fulgores e a intensidade da cor vermelha do rubi (a segunda pedra mais preciosa, depois do diamante). Depois tudo seguiu em frente, na maior normalidade. Outra de João Agripino: eu estava esperando o ônibus para Copacabana, diante do edifício Avenida Central, na Rio Branco, no Rio de Janeiro, quando começou a chuviscar. Observei que o ex-governador João Agripino se encontrava no meio daquela multidão que se aglomerava diante da parrada dos coletivos. Na época ele ocupava o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Ele então, para evitar a chuva, procurou um lugar na parada. Foi então que me viu e começou a conversar querendo saber das novidades da Paraíba. Abasteci-o de notícias e ele perguntou para onde eu ia. Copacabana, disse-lhe.
Então ele complementou, enquanto levantava a mão para parar um Taxi. “Eu vou para o Catete, meio do caminho, não lhe serve.” Apertou-me a mão e seguiu.” Admirei-me de ele não ter um carro do TCU à disposição, como presidente daquela Corte, que então ocupava, e muito menos não ter um veículo próprio, com motorista. Era próprio da sua personalidade, não usar esses benefícios, embora garantidos por lei. João Agripino morreu pobre, não deixou patrimônio, embora tenha ocupado todos os cargos da República, iniciando-se como procurador e depois promotor público.(Foto onde estou transmitindo uma solenidade no salão nobre do palácio da Redenção, vendo-se, ainda, Edme Tavares, Manoel e Amir Gaudêncio)
