Brasil e China organizam reunião em Nova York sobre proposta conjunta de paz para Ucrânia

Celso Amorim e Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China. – Yue Yuewei/Xinhua

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a China estão organizando uma reunião em Nova York, na semana da Asssembleia-Geral da ONU (Organizações das Nações Unidas), para divulgar a proposta conjunta dos dois países de um plano de paz para a Ucrânia.

O plano foi anunciado em maio, durante uma visita do assessor internacional de Lula, Celso Amorim, a Pequim. O documento foi assinado por Amorim e por Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China.

Ele consiste em seis pontos, entre os quais a realização de uma conferência internacional de paz “que seja reconhecida tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia, com participação igualitária de todas as partes relevantes”.

“Agora é uma continuação disso, para estender o apoio [à iniciativa] baseado principalmente no Sul Global”, disse Amorim.

Os termos do documento divulgado por Brasil e China em maio foram rejeitados pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e por aliados de Kiev no Ocidente. Em linhas gerais, estes consideram que a abordagem sino-brasileira premia a Rússia e autorizaria o governo de Vladimir Putin a anexar territórios ocupados.

Na semana passada, Zelenski chamou de destrutiva a iniciativa encampada por Brasília e Pequim.

A organização do evento em Nova York está sendo acompanhada de perto pelo Palácio do Planalto. O encontro deve ocorrer na manhã de 27 de setembro, uma sexta-feira.

A relação de governos convidados não foi divulgada, mas, de acordo com Amorim, o foco é o chamado Sul Global [países em desenvolvimento]. Nem Rússia nem Ucrânia —as partes diretamente envolvidas na guerra— integram a lista.

De acordo com Amorim, a expectativa é que entre 15 e 20 países estejam representados no nível ministerial.

Lula já não estará em Nova York no dia da reunião. No caso do Brasil, uma das possibilidades é que Amorim participe ao lado do chanceler Mauro Vieira.

Ao anunciar um plano conjunto com a China, na prática o governo Lula também marcou distância de uma conferência de paz realizada na Suíça em junho.

Nos meses que antecederam o encontro, realizado no complexo hoteleiro de Bürgenstock, em Lucerna, houve intensa pressão do lado suíço para que o Brasil participasse ao menos no nível de chanceler.

No final, Lula escalou apenas uma observadora para o encontro, a embaixadora do país na Suíça, Cláudia Fonseca Buzzi. O governo tampouco endossou a declaração final da conferência de paz, que tratava o conflito como uma guerra “da Federação Russa contra a Ucrânia” que continua a causar “sofrimento humano e destruição em larga escala”.

Amorim vê o processo de paz suíço como o desfecho de uma série de conferências iniciadas em 2023 em Copenhague que, na prática, repetiram uma fórmula de paz proposta por Zelenski. Isso contribuiu para o fracasso do processo, na visão do assessor internacional.

Antes mesmo de assumir seu terceiro mandato, Lula tinha planos de exercer um papel de mediador na guerra iniciada em 2022.

O petista deu nos primeiros meses de governo uma série de declarações que foram criticadas nos Estados Unidos e na Europa por serem, na visão desses países, pró-russas.

Ele atribuiu igual responsabilidade a Putin e Zelenski pelo início da guerra e, num dos momentos mais tensos da sua relação com os EUA, chegou a declarar que os americanos incentivavam o conflito.

Com o passar o tempo, o assunto perdeu importância na agenda de Lula e foi menos abordado em discursos. A iniciativa de Amorim em Pequim recolocou a guerra da Ucrânia em posição de destaque.

Na segunda-feira (16), o presidente voltou a tratar da guerra durante discurso na formatura do Instituto Rio Branco, a escola do Itamaraty para preparação de diplomatas.

Ele disse que, no momento atual em que o mundo aborda a transição verde como uma prioridade, o Brasil tem uma oportunidade histórica por causa do seu potencial na área de energia.

“É porque o Brasil, em se tratando de energia, é um país imbatível. Basta que a gente seja grande, pense grande, acorde e transforme o sonho em realidade. Por isso que estamos fazendo com que essa coisa da transição energética seja para nós um novo momento do Brasil se desenvolver, crescer, se apresentar ao mundo de cabeça erguida, sem complexo de vira-lata, de inferioridade”, disse.

“Por isso é importante o Brasil não participar da guerra da Ucrânia e da Rússia. Por isso que é importante o Brasil dizer: ‘nós queremos paz, não queremos guerra’. Aqueles que querem conversar conosco poderiam ter conversado conosco antes da guerra. Por isso é que repudiamos massacre contra mulheres e crianças na Palestina, da mesma forma que repudiamos o terrorismo do Hamas.”

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Zelensky desafia a Rússia no Dia da Independência da Ucrânia

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, prometeu neste sábado (24) que a Rússia sofrerá “retaliações” por ter invadido o seu país e promulgou uma lei que proíbe a Igreja Ortodoxa ligada a Moscou, em atos que marcaram o 33…

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O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e sua esposa, Olena, em 24 de agosto de 2024 em Kiev
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O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e sua esposa, Olena, em 24 de agosto de 2024 em Kiev

HandoutO presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, prometeu neste sábado (24) que a Rússia sofrerá “retaliações” por ter invadido o seu país e promulgou uma lei que proíbe a Igreja Ortodoxa ligada a Moscou, em atos que marcaram o 33.º aniversário da independência da ex-república soviética.

Zelensky participou das celebrações do aniversário da independência na praça Santa Sofia, em Kiev, ao lado do presidente polonês, Andrzej Duda, e da primeira-ministra lituana, Ingrida Simonyte, dois importantes aliados da Ucrânia contra a Rússia.

O presidente revelou que as forças ucranianas testaram com sucesso uma nova arma, o míssil drone “Palianytsia”, “muito mais rápido e poderoso” do que os atualmente disponíveis.

– Troca de prisioneiros de guerra –

Rússia e Ucrânia anunciaram neste sábado a troca de 230 prisioneiros de guerra, 115 de cada lado, entre eles, soldados capturados pelas forças ucranianas na região de Kursk.

Segundo o comissário ucraniano para os direitos humanos, Dmytro Lubinets, 82 dos 115 prisioneiros recuperados por Kiev participaram da defesa da fábrica Azovstal durante o cerco russo a Mariupol em 2022, um marco na guerra que começou com a invasão russa em fevereiro daquele ano.

Os Emirados Árabes Unidos, que atuaram como mediadores da troca, apelaram a uma “desescalada” como “única forma de resolver o conflito”.

– Igreja ortodoxa russa proibida –

Zelensky também promulgou uma lei que proíbe as atividades da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou, que durante muito tempo foi a principal do país.

Esta denominação cristã cortou os laços com Moscou em 2022, mas as autoridades ucranianas continuaram a considerá-la sob influência russa e multiplicaram as ações legais que levaram à prisão de dezenas de padres.

“Os ortodoxos ucranianos hoje dão um passo para se libertarem dos demônios de Moscou”, declarou Zelensky.

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cyril, acusou as autoridades ucranianas de “perseguir” os fiéis e pediu aos líderes de outras confissões cristãs e organizações internacionais que “levantem suas vozes em defesa dos fiéis perseguidos”.

– Avanço russo no Donbass –

A ofensiva ucraniana na região russa de Kursk levou as hostilidades ao território do agressor, mas o epicentro dos combates continua sendo a bacia do Donbass, leste da Ucrânia, onde as tropas russas são mais equipadas e numerosas.

As forças de Moscou se aproximam de Pokrovsk, um importante centro logístico com cerca de 53.000 habitantes, cujas autoridades apelaram à evacuação urgente.

Um bombardeio russo matou 5 pessoas e feriu outras 5 neste sábado em Kostiantinivka, outra grande cidade da região, informou o Ministério Público ucraniano.

A Ucrânia também indicou que bombardeou um depósito de munições na região de Voronezh, no oeste da Rússia. Autoridades locais russas relataram ataques de drones e a evacuação de uma cidade.

A Ucrânia afirma que sua incursão busca criar uma “zona de segurança”, forçar Moscou a redistribuir forças de outras frentes, além de usar essas regiões como moeda de troca em possíveis negociações de paz.

A ofensiva em Kursk, contudo, não parece até agora ter aliviado a pressão russa no leste da Ucrânia.




Putin compra briga com os EUA e agradece apoio da Coreia do Norte

Presidente da Rússia e Kim Jong-un se reuniram nesta quarta-feira (19) em Pyongyang

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Putin e Kim Jong-un durante encontro em Pyongyang
Mikhail METZEL

Putin e Kim Jong-un durante encontro em Pyongyang

Nesta quarta-feira (19), Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Kim Jong-un, líder supremo da Coreia do Norte, se reuniram em Pyongyang. O russo comprou briga com os EUA ao afirmar que está lutando contra a hegemonia do país norte-americano e de países aliados.

Esta é a primeira viagem de Putin à Coreia do Norte em 24 anos. Antes da reunião, Putin participou de uma cerimônia de boas-vindas com a presença de militares e civis.

Após a cerimônia, Kim e Putin conversaram em tom amigável e de aliança. O presidente da Rússia agradeceu o apoio que ele destacou como “inabalável” do país asiático à política russa, inclusive no que diz respeito à Ucrânia.

Do lado dos EUA, os americanos deixam claro que temem a aproximação entre Rússia e Coreia do Norte, já que a “nova relação” poderia influenciar na possível contribuição dos russos para o programa nuclear e armamentista dos asiáticos.

O líder norte-coreano, por sua vez, avaliou que as relações entre Rússia e Coreia do Norte estão entrando em um período de mudanças positivas. Ainda durante a reunião, Putin fez questão de convidar Kim Jong-un para uma reunião em Moscou.




Israel bombardeia escola de agência da ONU em Gaza; 30 pessoas morreram

Por g1

Palestinos observam escola de agência da ONU em Nuseirat, na região central de Gaza, destruída em ataque de Israel no dia 6 de junho de 2024 — Foto: Bashar Taleb/AFP

Palestinos observam escola de agência da ONU em Nuseirat, na região central de Gaza, destruída em ataque de Israel no dia 6 de junho de 2024 — Foto: Bashar Taleb/AFP

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que bombardearam uma escola da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) nesta quarta-feira (5). Funcionários de saúde ouvidos pela Associated Press afirmaram que 30 pessoas morreram, incluindo cinco crianças.

Segundo o exército israelense, a instituição abrigava uma base do grupo terrorista. Por outro lado, o governo local afirmou que a escola estava sendo usada para abrigar palestinos que tiveram de deixar as próprias casas por causa do conflito.

O ataque aconteceu em um campo de refugiados de Nuseirat, que fica na região central da Faixa de Gaza.

Palestinos ao lado de familiares mortos em bombardeio israelense em Nusseirat, em 6 de junho de 2024 — Foto: Abdel Kareem Hana/AP

Palestinos ao lado de familiares mortos em bombardeio israelense em Nusseirat, em 6 de junho de 2024 — Foto: Abdel Kareem Hana/AP

Os militares israelenses afirmaram que caças do Exército realizaram um “ataque preciso” em uma unidade do Hamas que ficava dentro da escola. Ainda de acordo com as forças israelenses, terroristas foram mortos.

“Os terroristas dirigiram sua campanha de terror a partir da zona da escola, explorando-a e usando-a como refúgio”, disse o Exército de Israel.

Já as autoridades da Faixa de Gaza acusaram as forças israelenses de terem cometido “um massacre horrível”.

“Um número considerável de mártires e feridos continuam chegando ao hospital de Al-Aqsa”, afirmaram.

Segundo a AP, o hospital disse ter recebido 30 corpos em consequência do bombardeio à escola. Além disso, outras seis pessoas morreram em um outro ataque na região.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), o hospital de Al-Aqsa recebeu cerca de 70 mortos e 300 feridos desde terça-feira (4). A organização afirmou que a maioria dos pacientes é composta por mulheres e crianças alvos de bombardeios.




Otan anuncia acordo para enviar mais equipamentos de defesa à Ucrânia

Secretário-geral da organização afirmou que os países da aliança decidiram enviar mais equipamentos de defesa antiaérea para a Ucrânia

AFP

Por

AFP

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O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, durante uma coletiva de imprensa no final de uma reunião virtual do Conselho Otan-Ucrânia na sede da Otan em Bruxelas, em 19 de abril de 2024
AFP

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, durante uma coletiva de imprensa no final de uma reunião virtual do Conselho Otan-Ucrânia na sede da Otan em Bruxelas, em 19 de abril de 2024

Os países da  Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram enviar  mais equipamentos de defesa antiaérea para a Ucrânia, em guerra com a Rússia, anunciou nesta sexta-feira (19) o  secretário-geral da aliança militar transatlântica, Jens Stoltenberg.

“A Otan fez um inventário das capacidades existentes (…) e há sistemas que podem ser disponibilizados à Ucrânia. Portanto, espero anúncios de mais remessas em breve”, disse Stoltenberg.

O alto responsável norueguês fez estas declarações no final de uma reunião por videoconferência do Conselho Otan-Ucrânia, da qual participou o  presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Nessa reunião virtual, os ministros da Defesa dos países da aliança “concordaram em fornecer mais apoio militar, incluindo defesa antiaérea”, que a Ucrânia exige insistentemente para neutralizar os bombardeios russos que se intensificaram novamente nas últimas semanas.

O  chefe do governo alemão, Olaf Scholz, pediu recentemente aos países ocidentais para que transferissem sistemas de defesa antiaérea Patriot de fabricação americana para a Ucrânia.

“Saúdo os esforços da Alemanha, incluindo a recente decisão de entregar um sistema Patriot adicional à Ucrânia. Além do Patriot, há outras armas que os aliados [da Otan] podem fornecer, incluindo o SAM-T”, disse Stoltenberg, em referência a sistemas de mísseis terra-ar.

Acrescentou que os países da Otan que não têm “sistemas disponíveis comprometeram-se a fornecer apoio financeiro para os comprá-los para a Ucrânia”.

Segundo o chefe da aliança, cada país membro da Otan “decidirá com que o que contribuirá. Mas os ministros reconheceram a urgência e prometeram apoio adicional em um futuro próximo”.

“O que posso dizer é que a ajuda está a caminho”, reforçou. Zelensky disse na videoconferência que a Ucrânia “não pode esperar” e que precisa de “sete sistemas Patriot adicionais” ou equipamento equivalente, informou a Presidência ucraniana.

“É evidente que, embora a Rússia tenha uma vantagem aérea e possa contar com os seus drones e foguetes, as nossas capacidades no terreno são infelizmente limitadas”, acrescentou.

A Ucrânia pede desesperadamente um aumento da ajuda em equipamento militar desde o segundo semestre do ano passado e admite que está ficando sem capacidade operacional em termos de defesa antiaérea, depois de mais de dois anos de resistência à invasão russa, que começou em fevereiro de 2022.




O alerta da Ucrânia sobre ‘3ª Guerra Mundial’ se perder conflito com a Rússia se perder conflito com a Rússia

Volodymyr Zelensky. Foto: Divulgação/CNN

por BBC

O primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, disse à BBC que haverá uma “Terceira Guerra Mundial” se a Ucrânia perder o conflito com a Rússia e fez um apelo ao Congresso dos EUA para que aprove um projeto de lei de ajuda externa paralisado.

Shmyhal disse estar com um “otimismo cauteloso” sobre a perspectiva de parlamentares dos EUA aprovarem a medida fortemente contestada, que destinaria US$ 61 bilhões a Kiev.

A Câmara dos Deputados dos EUA deve votar o pacote no sábado (20/4). A proposta inclui financiamento para Israel e também para a região do Indo-Pacífico.

Falando à BBC em Washington na quarta-feira (17/4), Shmyhal disse sobre o pacote de ajuda dos EUA: “Precisamos deste dinheiro ontem, não amanhã, não hoje.”

“Se não oferecermos proteção, a Ucrânia cairá. E assim, o sistema global de segurança será destruído e todo o mundo precisará encontrar um novo sistema de segurança.”

“Ou haverá muitos conflitos, muitos tipos de guerras e, no final das contas, isso poderá levar à Terceira Guerra Mundial.”

Esta não é a primeira vez que a Ucrânia faz um alerta catastrófico sobre as consequências da sua potencial derrota.

No ano passado, o presidente Volodymyr Zelensky disse que se a Rússia ganhasse o conflito, poderia invadir a Polônia, desencadeando a Terceira Guerra Mundial.

Mas autoridades de Moscou ridicularizaram essas afirmações, que disseram ser alarmismo do Ocidente. No mês passado, o presidente Vladimir Putin rejeitou as sugestões de que a Rússia poderia um dia atacar o Leste da Europa, dizendo serem “completamente sem sentido”.

A Rússia nunca atacou um país da Otan, o que inclui a Polônia. O pacto de defesa coletiva da Otan significa que um ataque a um membro constitui um ataque a todos.

Na entrevista de quarta-feira, Shmyhal foi questionado sobre uma afirmação recente do presidente republicano do Comitê dos Negócios Estrangeiros, Michael McCaul, de que membros do seu próprio partido estavam “infectados” pela propaganda russa.

“Devemos compreender que a desinformação e a propaganda estão influenciando muitas pessoas aqui nos Estados Unidos, e na União Europeia, muitas pessoas, como na Ucrânia”, disse Shmyhal.

A oposição da ala mais de direita do Partido Republicano bloqueou durante meses um pacote de assistência à Ucrânia.

Alguns desses parlamentares se opuseram ao envio de bilhões de dólares em ajuda para o exterior, sem que primeiro houvesse repasses para a segurança da fronteira entre os EUA e o México.

Estes conservadores também rejeitaram qualquer sugestão de que pudessem estar sendo enganados por Moscou.

O presidente Joe Biden disse em um comunicado na quarta-feira que sancionaria o pacote imediatamente assim que fosse aprovado pelo Congresso “para enviar uma mensagem ao mundo: estamos com nossos amigos”.

A Ucrânia depende muito do fornecimento de armas dos EUA e do Ocidente para continuar fazendo frente à Rússia, que tem números superiores e uma abundância de artilharia.

Meses de impasse no Congresso já tiveram efeitos profundos no campo de batalha.

A Ucrânia está em menor número, desarmada e forçada a recuar devido ao racionamento de munições e à queda do moral.

Em fevereiro, tropas ucranianas se retiraram de Avdiivka, uma cidade perto de Donetsk ocupada pelos russos. Os ucranianos estavam lá desde 2014.

Oleksandr Tarnavskyi, um general que supervisionou a retirada, citou uma vantagem dos russos de 10 para 1 na munição de artilharia, e disse que recuar após meses de combates era “a única solução correta”.

Zelensky culpou um “déficit artificial de armas” ao fazer apelos urgentes por mais ajuda militar para evitar uma situação “catastrófica”.

Biden atribuiu a retirada de tropas ucranianas à “diminuição da oferta [de ajuda americana] como resultado da falta de ação do Congresso”.

A perda de Avdiivka foi a mais pesada para a Ucrânia desde que as suas tropas se retiraram de Bakhmut em maio de 2023.

Ambas retiradas ocorreram após meses de guerra de desgaste, em que as forças russas destruíram edifícios com artilharia maciça e enviaram milhares de tropas para a linha de frente.

O general Richard Barrons, antigo comandante do Comando das Forças do Reino Unido, declarou recentemente que temia que a Ucrânia pudesse ser derrotada este ano, a menos que recebesse armas e munições.

“Estamos vendo a Rússia atacando na linha de frente, empregando uma vantagem de cinco para um em artilharia, munições e um excedente de pessoas”, disse ele.

“A Ucrânia pode sentir que não pode vencer. E quando chegar a esse ponto, por que as pessoas vão querer lutar e morrer?”

Ambos os lados sofreram pesadas perdas nas batalhas, mas o aumento das baixas deixou a Ucrânia com escassez de pessoas.

No início deste mês, o governo reduziu a idade de recrutamento de 27 para 25 anos, em um esforço para recrutar centenas de milhares de novos soldados.

Zelensky disse que 31 mil soldados ucranianos foram mortos desde 2022. As autoridades americanas, no entanto, acreditam que pelo menos 70 mil morreram e muitos mais estão feridos.

Uma investigação da BBC calcula que pelo menos 50 mil soldados russos foram mortos. Acredita-se que dezenas de milhares de pessoas tenham ficado feridas.

A Rússia transformou a sua base industrial em uma economia de guerra — gastando 40% do seu orçamento nacional em armamentos, ao mesmo tempo que fecha acordos com o Irã e a Coreia do Norte para adquirir munições, mísseis e drones.

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Irã “cometeu um grande erro”, diz ex-primeiro-ministro de Israel no X

Em longa declaração, ex-primeiro-ministro discutiu seis tópicos sobre o ataque inédito do Irã a Israel, neste sábado (13)

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iG Último Segundo

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Naftali Bennett

Após o  ataque inédito do Irã contra Israel neste sábado (13), o ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett fez uma longa declaração, na qual disse, dentre outras coisas, que durante 30 anos o Estado judaico cometeu o erro de se dedicar ao ataque dos ‘tentáculos’ de um ‘polvo’ terrorista, e não à sua ‘cabeça’.

A metáfora de Bennett diz respeito ao fato de Israel ter travado conflitos diretos com os grupos militantes originados no Irã e espalhados pelo Oriente Médio — e não com o próprio Irã, que seria a ‘cabeça’ do polvo

Os tentáculos seriam os grupos militantes como o Hezbollah, no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, Houthis no Iêmen, e dezenas de pequenos grupos na Síria e Iraque.

“A República Islâmica do Irã cometeu um grande erro. Nos últimos 30 anos, tem causado estragos na região – por meio de seus representantes. Um polvo terrorista cuja cabeça é Teerã e os seus tentáculos estão no Líbano, no Iêmen, no Iraque, na Síria e em Gaza. Muito conveniente. Os Mullahs enviam outros para realizar ataques terroristas horríveis e morrem por eles. Sangue de outras pessoas”, postou o ex-primeiro-ministro no X (antigo Twitter).

“O erro estratégico de Israel nos últimos 30 anos foi seguir esta estratégia. Sempre lutamos contra as armas do Polvo, mas dificilmente exigimos um preço da sua cabeça iraniana.”

De acordo com Bennett, essa estratégia vai mudar e Israel passará a dedicar cada vez mais esforços no ataque ao Irã.

“Isso deve mudar agora: Hezbollah ou Hamas disparam foguetes contra Israel? Teerã paga um preço”, escreveu.

Além da metáfora, Bennett falou sobre mais cinco tópicos relacionados à escalada do conflito no Oriente Médio.

Ataque do Irã “não foi concebido para ser apenas um aviso, diz Bennett

O primeiro deles contrapõe a visão de especialistas que consideraram o ataque “indiferente”. Bennett argumenta que o ataque não pode ser interpretado apenas como uma demonstração de poder sem consequências negativas.

Ele adicionou que, ao lançar 350 drones programados para atingir Israel simultaneamente, usando três tipos diferentes de armas (mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e UAVs), o objetivo do Irã era destruir as defesas de Israel e causar danos e mortes a israelenses.

“Não é uma vitória”, rebate Bennett sobre alegação dos EUA

O ex-primeiro-ministro israelense também contestou a afirmação do governo dos EUA de que o evento foi uma “vitória” de Israel. De acordo com Bennett, apesar do  notável sucesso dos sistemas de defesa aérea de Israel, ele ressalta que o episódio não pode ser considerado uma vitória.

Ele argumentou que apenas interceptar os ataques não é suficiente para vencer uma guerra ou impedir bombardeios futuros. De acordo com o ex-ministro, a única maneira de impossibilitar que esses ataques aconteçam novamente é garantindo que o agressor pague um preço alto — ou seja, por meio de uma resposta mais agressiva e punitiva.

As declarações de Bennett vieram de encontro as feitas pelo  presidente norte-americano, Joe Biden, que chegou a alertar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que os Estados Unidos não devem participar de uma possível contra-ofensiva contra o Irã.

O principal porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que os EUA vão continuar a ajudar Israel em sua defesa, mas não querem a guerra.

“É incorreto dizer que ninguém se machucou”

O ex-primeiro-ministro ainda negou uma afirmação das autoridades iranianas, que disseram que ninguém se machucou nos  ataques de sábado.

Ele mencionou o caso de uma menina árabe-israelense de 7 anos chamada Amina Elhasuny que, segundo Bennett, está lutando pela vida. Bennett atribuiu a responsabilidade do ataque ao líder iraniano Khamenei.

O jornal New York Times fez uma reportagem com detalhes sobre o caso de Amina. De acordo com a publicação, mesmo que o dia tenha parecido tranquilo na unidade de cuidados intensivos pediátricos do Soroka Medical Center, na cidade de Beersheba, no sul de Israel, devido ao baixo número de atendimentos, a unidade passou por um dia tenso — em decorrência do estado grave de saúde de Amina, a única vítima do ataque iraniano.

Segundo o NYT , Amina e sua família moram em uma comunidade que não é reconhecida pelas autoridades israelenses. Com isso, não têm acesso a abrigos anti-bombas.

A guerra é contra “o regime iraniano”

Outra declaração importante de Bennett é que Israel luta contra o regime iraniano — e não contra o povo do Irã. Ele fez uma comparação com o regime soviético em 1985:

“O inimigo é o regime iraniano, não o maravilhoso povo iraniano. O regime iraniano me faz lembrar o regime soviético de 1985: corrupto até a medula, velho, incompetente, desprezado pelo seu próprio povo e destinado ao colapso”, publicou.

“Israel está travando a guerra de todos”, concluiu Bennett

A grande declaração de Bennett no X terminou com a seguinte afirmação:

“Israel está travando a guerra de todos. Em Gaza, no Líbano e no Teerã”, disse.

De acordo com o ex-premiê, “Não estamos pedindo a ninguém que lute por nós. Nós faremos o trabalho. Mas esperamos que os nossos aliados nos apoiem, especialmente quando for difícil – e agora é difícil.”




Irã planeja atacar Israel entre hoje e amanhã, diz jornal

Teerã teria retaliação a ataque aéreo em mente

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iG Último Segundo

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Líder supremo, aiatolá Ali Khamenei
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Líder supremo, aiatolá Ali Khamenei

O Irã está considerando um ataque contra Israel na sexta-feira (12) ou sábado (13), conforme relatado pelo jornal Wall Street Journal na quinta-feira (11). A decisão ainda não foi confirmada, apesar de estar nos planos de Teerã.

A possível ofensiva seria uma retaliação ao  ataque aéreo realizado em 1º de abril contra um prédio adjacente à embaixada iraniana em Damasco, capital da Síria, que resultou na morte de oito pessoas, incluindo o general da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Reza Zahedi. Irã e Síria atribuíram a responsabilidade do atentado a Israel.

Na quarta-feira (10), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Israel “deve e será punido” pela ação.  Relatórios de inteligência dos EUA já haviam alertado para um possível ataque a ativos israelenses pelo Irã.

Segundo uma fonte citada pelo Wall Street Journal, a ofensiva retaliatória pode ocorrer “possivelmente em solo israelense”. A Guarda Revolucionária do Irã apresentou várias opções a Khamenei, incluindo um ataque direto com mísseis de médio alcance.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, afirmou em um discurso na quinta-feira em uma base aérea no sul de Israel, que seu país responderá a qualquer ataque. Ele declarou que  Israel está preparado para atender todas as necessidades de segurança defensiva e ofensiva do país.

“Quem quer que nos prejudique, nós iremos prejudicá-los. Estamos preparados para atender a todas as necessidades de segurança do Estado de Israel, tanto defensivamente quanto ofensivamente”, declarou.




Presidente do Irã diz que ataque de Israel a consulado terá resposta

País solicitou reunião no Conselho de Segurança da ONU e afirmou ter direito de revidar; ataque israelense no consulado do Irã na Síria matou 7 pessoas

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Presidente iraniano Ebrahim Raisi
IRNA

Presidente iraniano Ebrahim Raisi

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, afirmou nesta terça-feira (2) que o  ataque de Israel ao consulado iraniano na Síria “não ficará sem resposta”, no que classificou como “ação agressiva e desesperada” de Tel Aviv.

O  ataque ao consulado destruiu um prédio do Irã em Damasco, nessa segunda-feira (1º). O bombardeio feito com aviões militares israelenses matou Mohammad Reza Zahedi, comandante sênior da Guarda Revolucionária do Irã, e outras seis pessoas, de acordo com a imprensa local.

Raisi argumentou que o ataque “desumano” de Israel é uma “violação descarada das regulamentações internacionais”, e que o governo israelense precisa enfrentar o ódio e a aversão das nações livres à sua “natureza ilegítima”, segundo informou a agência de notícias iraniana Tasnim .

O Irã argumentou ao  Conselho de Segurança da ONU que tem o direito de revidar o ataque de Israel e pediu que o órgão faça uma reunião de emergência para discutir a ação, sob o entendimento de que Israel viola regras internacionais.

Ataque ao consulado

O consulado do Irã em Damasco, capital da Síria, foi alvo de um ataque aéreo conduzido por aviões militares de Israel nessa segunda (1º). A ação resultou na morte de Mohammad Reza Zahedi, comandante sênior da Guarda Revolucionária do Irã.

As acusações e a tensão aumentaram após o  governo iraniano culpar diretamente Israel pelo ataque ao consulado em Damasco, apontando que o principal alvo do ataque era Reza Zahedi. Um porta-voz militar de Israel foi contatado pela imprensa, mas optou por não se pronunciar sobre as acusações.




Rússia lança mais de 30 mísseis contra a capital da Ucrânia

Ataque chega horas antes de cúpula da UE sobre guerra na Ucrânia

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Ataque ocorre horas antes da reunião da UE sobre guerra na Ucrânia
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Ataque ocorre horas antes da reunião da UE sobre guerra na Ucrânia

As forças russas dispararam mais de 30 mísseis contra Kiev na madrugada desta quinta-feira (21), horas antes da reunião de líderes da União Europeia para discutir maneiras de auxiliar a Ucrânia na guerra contra a Rússia .

Segundo a Aeronáutica Militar ucraniana, 31 projéteis foram abatidos pelas defesas antiaéreas do país, incluindo um míssil hipersônico KH-47M2 Kinzhal.

Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas em Kiev por causa de fragmentos dos projéteis russos.

“Os terroristas não têm mísseis para escapar da defesa dos Patriots [sistema antiaéreo americano] e outros importantes sistemas mundiais.

Agora essa proteção é necessária aqui na Ucrânia. Tudo é possível se os parceiros tiverem suficiente vontade política”, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em mensagem no Telegram.

Enquanto isso, os líderes dos 27 países da União Europeia se reúnem entre hoje (21) e amanhã (22) em Bruxelas para discutir questões de segurança e defesa, sobretudo ligadas às ameaças da Rússia.

overlay-cleverUm dos objetivos da cúpula é tentar acelerar o ritmo de envio de ajuda militar a Kiev, porém também está na pauta o endurecimento das políticas de defesa do bloco. “Se quisermos a paz, devemos nos preparar para a guerra”, alertou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.