Faltou governo ou faltou sorriso?; Rui Leitao 

Faltou governo ou faltou sorriso?; Rui Leitao

Há rompimentos na política que nascem de divergências legítimas: discordâncias programáticas, conflitos de visão administrativa, mudanças de rumo. Mas há outros que parecem brotar de um motivo tão frágil que acabam revelando mais sobre quem rompe do que sobre quem é abandonado.

Torna-se um caso curioso na crônica política, alguém apresentar como justificativa para deixar a base do governo, a alegação de que falta sorriso por parte do governador. O detalhe que chama atenção não é apenas o motivo em si, mas o momento em que ele foi descoberto: quando resta pouco tempo para o fim do mandato.

É inevitável a pergunta que paira no ar: essa ausência de sorriso não existia antes?

Principalmemte, quando se trata de liderança política que, durante todo o período do governo, participou da administração, ocupando espaços, usufruindo das prerrogativas e dos benefícios políticos de estar no poder. Não se ouviu, até agora, qualquer manifestação pública de incômodo com a suposta falta de cordialidade do chefe do Executivo. Pelo contrário, a convivência pareceu suficientemente confortável para justificar a permanência.

A política, como a vida pública em geral, exige franqueza e coerência. Quando alguém rompe, espera-se que apresente razões consistentes, ligadas ao interesse público, às políticas adotadas, às prioridades administrativas ou às demandas da sociedade. Afinal, governar um Estado é lidar com problemas concretos: saúde, educação, infraestrutura, segurança, desenvolvimento econômico.

Nada disso foi mencionado. O problema, ao que parece, era o sorriso.

A situação chega a soar paradoxal. Trabalhar para responder às necessidades da Paraíba deveria ser a medida principal de avaliação de qualquer governo. No entanto, para alguns, mais relevante do que discutir resultados, políticas ou projetos é avaliar a expressão facial do governante.

Talvez seja um sinal de nossos tempos políticos: a aparência às vezes pesa mais do que a substância.

Mas há também outro aspecto que não pode passar despercebido. Quando a crítica só surge no apagar das luzes de uma administração — depois de anos de convivência, cargos e benefícios políticos — ela inevitavelmente perde força moral. Parece menos uma convicção e mais uma conveniência.

No fundo, o episódio lembra uma velha lição da política: há quem se preocupe em servir à sociedade e há quem se preocupe apenas em preservar a própria posição no tabuleiro.

Se o critério para permanecer ou romper com um governo fosse realmente o sorriso do governante, a política deixaria de ser espaço de decisões públicas e passaria a ser apenas um exercício de etiqueta.

E, nesse caso, talvez o que estivesse faltando não fosse o sorriso do governador — mas a sinceridade de quem só percebeu isso quando o governo já está terminando.

www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitao- advogado, jornalista, poeta, escritor




POLICIAL – PROFISSÃO PERIGO; Por Francisco Nóbrega dos Santos

POLICIAL – PROFISSÃO PERIGO;
Por Francisco Nóbrega dos Santos

Quem estudou Direito Administrativo e desfrutou da oportunidade de haver,
ao menos, lido com atenção a importância do exercício do Poder de Polícia, de modo
especial, nas páginas bem elaboradas pelo Mestre Helly Lopes Meireles, no livro
“DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO, decerto terá uma noção da forma bipartida e
a atuação da Polícia Judiciária nesse contexto.

Didaticamente é fácil distinguir o poder de Polícia Administrativa, exercido pelo
executivo na atuação dos órgãos fazendários e fiscalizadores, definidos como ação
coercitiva, na proteção de bens e da coletividade. Atua, de forma especial, com força
vinculante preventiva e coercitiva. Obviamente restrita ao ato da administração.
Todavia, nessa birrepartição, faz distinção entre o Poder da Administração e o
poder político. O poder Político destinado à Polícia Civil, atua, de forma destacada, nas
ações inerentes ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, de forma repressiva,
ostensiva, preventiva e coercitiva, na manutenção da ordem e da segurança da
coletividade.

Daí é de se observar que a pré-falada divisão é prerrogativa que faz distinção
entre a Polícia Judiciária e a Polícia Administrativa. Obviamente O poder Político se
manifesta através da Polícia Civil, com a importante atuação de investigar, periciar,
apreender, prender e de instaurar processo criminal, como a parte mais eficaz após a
“notitia criminis” quando emerge a fase preliminar da apuração de fatos ou atos que
constituam crimes previstos na Legislação Penal, inseridos na Constituição.
Na mesma linha desse raciocínio apresenta-se a força ostensiva, preventiva e,
sobretudo, coercitiva que é a parte mais delicada dessa função de riscos e desafios.
A Polícia Civil, composta de funções das mais diversas, na fase processual penal,
tais como delegado, escrivão, peritos, agentes e outras do gênero, vivem na zona
vermelha, denominada, zona perigosa, onde há, necessariamente, o confronto e o
risco de sobrevivência ou de mutilação, na arriscada missão.

No lado crucial dessas circunstâncias é de se vislumbrar a desigualdade entre a
intensidade do trabalho desses heróis anônimos, num distanciamento entre a
realidade e o reconhecimento das autoridades governamentais, ante a incompreensão
no tocante às tarefas que cabem a esses heróis, guerreiros e, acima de tudo, guardiões
da sociedade, da comunidade e das instituições.

Basta, numa visão simples, avaliar a distância entre seu exaustivo e temerário
trabalho e a remuneração pelos serviços. Porém os fatos fogem à visão dos poderes e

a situação em que vivem ou sobrevivem esses destemidos guerreiros. Muitos
enclausurados numa delegacia ou outro recinto afim. Algumas vezes na iminência de
serem atacados por quadrilhas, grupos ou facções, sem a visão dos gestores.
Desse modo, até a presente data, o Estado da Paraíba paga a pior remuneração
do Nordeste e a menor de todo o Brasil. È importante ressaltar que temos a atuação
da Polícia como uma das mais eficientes do Nordeste, condição essa que faz com que o
povo confie e acredite na sua ação. E esses dedicados servidores arriscam suas vidas
para proteção à sociedade, notadamente quando se sabe que as leis penais do País são
generosas com o crime, colocando, em breve tempo, nas ruas seres nocivos à
sociedade, o que faz crescer os riscos daqueles que se arriscam nessa PROFISSÃO
PERIGO.

www.reporteriedoferreira.com.br     Por Francisco Nóbrega dos Santos-Jornalista,advogado e escritor.