Greve dos caminhoneiros fracassa em todo o país; não houve adesão na Paraíba

Sabe aquela greve dos caminhoneiros que ia parar o Brasil nesta quinta-feira (4)? Não, não foi apenas na Paraíba que ela fracassou. As rodovias não tiveram contenção em nenhum lugar no Brasil, de acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A manifestação era capitaneada pela União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC), tinha pauta oficialmente centrada na suspensão do pagamento de empréstimos pelos profissionais, mas tinha como pano de fundo um apoio velado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Este último ponto, inclusive, contribuiu para o fracasso.

Entidades que representam transportadores autônomos refutam uma adesão formal ao movimento por causa do apoio velado à pauta da anistia aos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. Eles entendem que, mais uma vez, seriam usados como “massa de manobra”. Em 2018, uma greve dos profissionais pavimentou a candidatura de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciar o cumprimento definitivo dos 27 anos de prisão do ex-gestor, aliados prometeram parar o país. O que não aconteceu.

A Polícia Rodoviária Federal revelou que não recebeu nenhum aviso de paralisação no país e que, mesmo assim, continuará patrulhando os 75 mil quilômetros de rodovias federais. O fracasso, desta vez, foi conhecido imediatamente. Não será preciso mais 72 horas.




O FRACASSO DA INTENTONA GOLPISTA Por Rui Leitao 

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje:

O FRACASSO DA INTENTONA GOLPISTA Por Rui Leitao

Amanhã completa um ano do fracasso da intentona golpista quando as sedes dos três poderes em Brasília foram invadidas e depredadas. É uma data que deverá ser relembrada para que não mais se repita. O brutal ataque à democracia que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023, fez aflorar, lamentavelmente, o que tem de pior em nosso país, revelando ressentimentos e recalques por motivações de ordem político-ideológica. Não podemos ficar reféns dos extremistas, nem tolerantes com a repetição de novos atentados. Atitudes afirmativas da sociedade brasileira no enfrentamento dessas manifestações antidemocráticas se fazem necessárias.

 

As imagens emblemáticas daquele dia que não conseguimos esquecer, protagonizadas pelos que entendem a democracia como sendo um “luxo perigoso”, continuam a exigir rigorosa apuração de responsabilidades. Foi uma pretensão de golpe terceirizada. Seu principal estimulador sequer estava no país. Os vândalos, fanáticos que acreditavam estar cumprindo uma missão patriótica, foram utilizados como massa de manobra. Os principais líderes desse movimento não se arriscaram a participar daqueles atos de terrorismo e colocaram pessoas incautas num furacão que as levou às prisões. Porém, a justiça haverá de buscar a identificação dos organizadores e financiadores para que possam ser punidos exemplarmente. Eles fazem parte de uma minoria que, não só tem aversão à democracia, mas a tudo o que ela representa: igualdade, diversidade e inclusão, pautas ignoradas pelo governo que se findou.

 

Se naquela tarde/noite os verdadeiros patriotas e democratas tiveram momentos de preocupação e apreensão, no final da noite a sensação já era de alívio. As instituições responderam rápida e eficazmente e desmontaram o golpe planejado. No dia seguinte, já estavam em Brasília todos os 27 governadores hipotecando solidariedade aos presidentes da República, do Supremo Tribunal Federal, do Senado e da Câmara, numa firme demonstração de repúdio aos acontecimentos. Sem apoio popular e sem liderança, o golpe se apresentou natimorto.

 

A reconstrução nacional, em novas bases, não deve ser tarefa única das instituições, como já vem sendo feita. É importante que a população, igualmente, se conscientize dessa jornada pela Democracia, Igualdade e Reconstrução do país. Novos caminhos já estão sendo percorridos. O evento que acontecerá amanhã, organizado pelo presidente Lula, tem a finalidade de desarticular definitivamente toda a rede golpista que promoveu e executou os atos de terrorismo em Brasília. É esperada a participação de todas as lideranças políticas do país, comprometidas com o Estado Democrático de Direito. Quem recusar o convite do presidente estará demonstrando apoio à barbárie do dia 8 de janeiro de 2023 e sendo cúmplice das conspirações autoritárias de tomada do poder. Que a bandeira brasileira não seja mais usada por analfabetos políticos, como testemunhamos naquele fatídico 8 de janeiro, quando depredaram o patrimônio político, cultural e histórico de nossa nação. A democracia continuará vencendo, a despeito dos radicais de direita que insistem em atacá-la.

 

No meu tempo de vida já presenciei, pelo menos, três tentativas de golpes de estado no Brasil. Dois deles se efetivaram: o de 1964 com a instalação da ditadura militar e o de 2016 quanto tiraram a presidente Dilma do poder. O terceiro falhou, foi abortado no seu nascedouro. O delírio durou poucas horas. Portanto, o dia de amanhã, apesar das tristes lembranças, é de comemoração, porque a nossa democracia foi salva. Mas não podemos abaixar a guarda, eles não desistem facilmente. Continuemos em estado de alerta.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão-Advogado, jornalista, poeta e escritor