Sousa segura Treze e vai decidir o Paraibano com o Botafogo-PB

Foto: Daniel Vieira

No estádio Amigão, em Campina Grande, na noite de quarta-feira (03), Treze e Sousa se enfrentaram e definiram o adversário do Botafogo-PB na final do Campeonato Paraibano de 2024. E depois da vitória o Dinossauro no sertão por 2 a 1, na partida de volta das semifinais, o esmeraldino segurou o empate por 0 a 0 e se classifica para decidir o torneio com o Botafogo-PB.

Precisando vencer de qualquer maneira, o técnico William de Mattia escalou os donos da casa com Igor Rayan, Van, Luís Fernando, Rafael Castro (Roberto), Higor (Leonan); Juninho (Matheus Chaves), Edmundo (Di Maria), Gui Campana (Xandy); Will Viana, Thiaguinho e Pilar, com a saída de Xandy dos titulares para a entrada do centroavante Pilar.

Já do lado do Dino, Paulo Schardong apenas trocou Hiago por Leozinho com relação ao time que começou jogando no Marizão. Iniciaram a partida Bruno Fuso, Iranilson, Breno Cézar, Marcelo Duarte, Jackson Santos (João Rafael); Hebert Cristian (Everton Potiguar), Alexandre Aruá, Felipe Jacaré, Reinaldo (Adriano Seixas); Leozinho (Hiago Ramiro) e Diego Ceará (Michel Potiguar).

A primeira metade da partida foi de praticamente nenhuma emoção. Vindo em uma postura claramente retrancada, o Sousa fechava os espaços e tentava se aproveitar das inúmeras falhas do sistema defensivo trezeano.

Já o Treze, por sua vez, não conseguia impor seu futebol e praticamente não incomodou o goleiro Bruno Fuso. Igor Rayan também foi mero espectador, e o 0 a 0 prevaleceu até o intervalo.

Para conseguir o resultado que precisava no segundo tempo, o técnico do Galo colocou o time para cima tirando Higor, Juninho e Gui Campana para colocar Leonan, Matheus Chaves e Xandy. Já o Sousa voltou com o mesmo time que começou a partida.

E logo no primeiro lance da segunda etapa, no primeiro minutos, após cobrança de escanteio da esquerda, Leonan aproveitou bate rebate e chutou a queima-roupa, mas o goleiro sousense fez uma ótima defesa para evitar a abertura do placar. No lance seguinte, Xandy recebeu na esquerda, cortou para o meio e acertou o chute no travessão, levantando a torcida.

A resposta do Dino veio aos 26 do segundo tempo. Diego Ceará fez jogada pela esquerda e tocou para o meio, onde Reinaldo fez o corta luz e Hebert Cristian apareceu como elemento surpresa para limpar a marcação e bater no canto esquerdo de Igor Rayan, que mandou para escanteio com a ponta dos dedos.

No último suspiro do Treze, aos 49 minutos, Xandy mais uma vez cortou da esquerda para o meio e acertou o travessão.

O Galo fica na terceira posição do Paraibano e se garante na Série D de 2025. O Sousa vai para sua terceira final do estadual nos últimos quatro anos, e vai decidir com o Botafogo-PB quem fica com a taça. O Dino também fica com a vaga na Copa do Brasil do ano que vem, além da Série D e pelo menos na Pré-Copa do Nordeste como vice-campeão, ou lugar na fase de grupos se conquistar seu tricampeonato.

Equipe @Vozdatorcida




Aos 78 anos morre Beckenbauer, um dos maiores nomes da história do futebol

Franz Beckenbauer, um dos maiores jogadores da história do futebol, morreu aos 78 anos nesta segunda-feira (8). Capitão da Alemanha Ocidental na conquista da Copa do Mundo de 1974, ele voltou a vencer o torneio em 1990, também com a Alemanha Ocidental.

Isso faz dele um dos únicos três que obtiveram a glória maior do futebol em campo e à beira do gramado. Zagallo, que morreu na última sexta (5), aos 92 anos, foi campeão como jogador do Brasil em 1958 e em 1962, antes de erguer a taça como técnico em 1970. O francês Didier Deschamps festejou como atleta em 1998 e como treinador em 2018.

Mais celebrado futebolista de seu país —à frente mesmo de nomes marcantes como Rahn, Gerd Müller, Rummenigge, Matthäus, Lahm e Neuer—, Beckenbauer disputou 103 partidas e marcou 14 gols pela seleção. O porte elegante e a liderança em campo lhe renderam o apelido Der Kaiser (O Imperador).

“Sou Franz, não o Kaiser”, reclamava ele, um tanto incomodado com o cognome que lhe foi imputado no fim da década de 1960 por um jornal. Ele foi fotografado em Viena ao lado da estátua de um antigo imperador austríaco, Franz Joseph 1º, e logo imprensa e torcedores encamparam a novidade —a analogia era perfeita.

O desconforto acabou passando no decorrer dos anos, tanto que, em seu Twitter (@beckenbauer), estampava no topo da página, ao se apresentar: “Some call me #Kaiser” (“Alguns me chamam de Kaiser”).

Beckenbauer, 1,81 m, ostentava um estilo clássico, de encher os olhos. Jogava sempre de cabeça erguida e distribuía passes e lançamentos precisos. Zagueiro, destro, não era somente um excelente marcador ou organizador. É reconhecido como o primeiro grande líbero do futebol moderno: sua visão de jogo, versatilidade, autoconfiança e inteligência privilegiada o permitiam lançar-se de surpresa ao campo adversário.

Seu talento e capacidade física e técnica afloravam, e ele partia para o ataque com impressionante velocidade, driblando e tabelando, arriscando a gol de fora da área com frequência. E o fazia muito bem —e com as duas pernas. Marcou assim, em chute de canhota de antes da meia-lua, na semifinal da Copa de 1966, na Inglaterra, superando o mitológico goleiro soviético Lev Iashin, o Aranha Negra.

Nesse seu primeiro Mundial, aos 20 anos, magrelo e com cabelos curtos (tempos depois adotou o visual “cabeludo e com costeletas”), anotou quatro vezes, algo surpreendente para um defensor, duas delas logo na estreia, na goleada de 5 a 0 na Suíça, e uma nas quartas de final, contra o Uruguai (driblou o goleiro e quase entrou com bola e tudo), além do já citado gol na União Soviética.

Quatro anos depois, anotou mais uma vez em um Mundial, iniciando na metade do segundo tempo das quartas de final uma pouco provável reação da Alemanha, que perdia de 2 a 0 da Inglaterra. O gol deu força aos germânicos, que empataram, levaram a partida para a prorrogação e fizeram 3 a 2, vingando-se do algoz na decisão da Copa de 1966.

Raça e determinação eram características que não lhe faltavam. É reconhecido como um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira a partida semifinal da Copa do Mundo de 1970, no estádio Azteca, no México.

Atuou em boa parte do chamado Jogo do Século (Itália 4 x 3 Alemanha, na prorrogação) com parte do corpo imobilizado, o braço direito em uma tipoia, depois de ter fraturado a clavícula ao sofrer uma falta violenta do beque italiano Pierluigi Cera, que interrompeu uma arrancada do craque alemão rumo ao gol aos 23 minutos do segundo tempo.

Outros quatro anos se passaram, e nesse ínterim houve a conquista de uma Eurocopa (em 1972), para que Beckenbauer vivesse o maior momento de sua carreira futebolística. Em seu país, com a tarja de capitão e desta vez com a camisa 5 (usou o número 4 nas Copas anteriores), levantou a novíssima Taça Fifa no estádio Olímpico de Munique.

Ele não fez gol, mas, sob sua liderança, a Alemanha exibiu um futebol sólido, de força e competência, que fez sucumbir na final o mágico Carrossel Holandês e culminou com a obtenção do triunfo em sua cidade natal.

Nascido na combalida Munique pós-Segunda Guerra em 11 de setembro de 1945, Franz Anton Beckenbauer foi um entre tantos garotos alemães que se inclinaram para a prática do futebol na esteira do primeiro título mundial do país, na Suíça, em 1954.

Começou a jogar aos nove anos, no clube SC Munich ’06, e, aos 14, transferiu-se para o Bayern de Munique. Admitiu, entretanto, que torcia para o rival 1860 Munich e que sonhava em vestir sua camisa. Acabou optando pelo Bayern depois de, na decisão de um torneio sub-14 entre o SC e o 1860, ter se desentendido e trocado agressões com um adversário. Não havia mais clima para juntar-se ao time do coração.

Beckenbauer jogou e brilhou no gigante da Baviera de 1964 a 1977, com mais de 400 jogos, seis dezenas de gols, três títulos da Copa dos Campeões (1974-1976, todos como capitão, um feito único), um título mundial (a Copa Intercontinental de 1976, suplantando o Cruzeiro de Raul, Piazza e Jairzinho), quatro do Campeonato Alemão e outros quatro da Copa da Alemanha, além de uma Recopa Europeia.

Em 1977, seduzido pelos dólares norte-americanos, abdicou de seu reinado no Bayern e se juntou a Pelé no Cosmos de Nova York, na tentativa dos Estados Unidos de popularizar o “soccer”. Em quatro temporadas, sagrou-se campeão três vezes. De volta à Alemanha, defendeu por dois anos o Hamburgo, conquistando um Campeonato Alemão. Antes de parar de jogar, em 1983, atuou de novo pelo Cosmos.

Chuteiras penduradas, iniciou a carreira de treinador e de cara assumiu a seleção alemã. Entre 1984 e 1990, foram duas finais de Copa do Mundo, ambas contra a Argentina: derrota por 3 a 2 em 1986, vitória por 1 a 0 em 1990. Após a conquista em Roma, Beckenbauer fez questão de enaltecer, com segurança e orgulho, o próprio trabalho: “Jogamos bem os sete jogos, fomos sempre os melhores”.

Nessa geração, Lothar Matthäus era a personificação de Beckenbauer em campo, quase um “clone” do futebol eficiente e completo do Kaiser. Mas o ótimo Matthäus era a continuação, a parte 2, e, como nos filmes, o original é, 99% das vezes, imbatível.

Beckenbauer também comandou o Bayern —clube do qual desde 2009 era o presidente de honra— em 1993-1994 e 1996, e o Olympique de Marselha, em 1990-1991. E esteve à frente do Comitê Organizador da Copa da Alemanha, em 2006, uma das mais bem-sucedidas, organizacional e financeiramente, da história.

RAIO-X

Nome: Franz Anton Beckenbauer
Nascimento: 11 de setembro de 1945, em Munique (Alemanha)
Altura: 1,81 m
Peso: 77 kg
Posição: Zagueiro/Volante/Líbero
Casamentos: Brigitte (1966-1990), Sybille (1990-2004) e Heide (desde 2006)
Filhos: Stephan, Thomas, Francessca, Noel e Michael

CLUBES
Bayern de Munique (1964-1977)
427 jogos, 60 gols

Cosmos (1977-1980 e 1983)
132 jogos, 21 gols

Hamburgo (1980-1982)
28 jogos, 0 gol

SELEÇÃO
103 jogos, 14 gols (1965-1977)

PRINCIPAIS CONQUISTAS
1 Copa do Mundo
1 Eurocopa
1 Mundial (Copa Intercontinental)
3 Ligas dos Campeões da Europa
1 Recopa europeia
4 Campeonatos Alemães
4 Copas da Alemanha
3 Campeonatos dos EUA

PRÊMIOS INDIVIDUAIS
2 Bolas de Ouro (melhor jogador da Europa)
4 vezes melhor jogador do ano na Alemanha

NA PRANCHETA
Treinou a Alemanha (1984-1990). Ganhou a Copa do Mundo de 1990 e foi vice na de 1986
Treinou o Olympique de Marselha (1990-1991)
Treinou o Bayern de Munique (1993-1994 e 1996). Ganhou um Alemão e uma Copa da Uefa

EXTRACAMPO
Presidente do Comitê Organizador da Copa da Alemanha – 2006

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