Não há férias na escola da vida Por Rui Leitao
Não há férias na escola da vida Por Rui Leitao
Na escola da vida, ninguém pergunta se você quer se matricular. Basta nascer e já está inscrito. Não há uniforme, não há carteira marcada. E o período letivo… ah, esse nunca acaba.
O curioso é que, nessa escola, somos alunos e professores ao mesmo tempo. Mas o grande mestre é o tempo — esse professor exigente, paciente e, às vezes, severo. Ele não dá aviso prévio de prova. Um dia você acorda e lá está: o teste na mesa. E se não estudou, não adianta pedir recuperação.
Algumas matérias são leves: amor, amizade, alegria. Outras exigem mais esforço: paciência, tolerância, perdão. Tem também aquelas disciplinas que a gente preferia não cursar: dor, perda, solidão. Mas é com elas que o aprendizado se aprofunda.
O diretor da escola — que muitos chamam de Deus — tem um jeito todo particular de preparar as lições. Às vezes, ensina pelo afeto; outras, pela dificuldade. E assim vamos acumulando notas, sem boletim impresso, mas com um registro invisível no coração.
Nos conflitos, aprendemos a valorizar a paz. Na escassez, descobrimos o suficiente. Ao ver injustiças, treinamos a empatia. E, no convívio diário, aprendemos a arte difícil de amar o próximo — lição que alguns repetem por anos e anos sem conseguir passar.
Não há férias nessa escola. O sinal não toca para encerrar o expediente. Cada dia é uma nova aula. E talvez o diploma final seja a serenidade de olhar para trás e dizer: “Aprendi. Errei, mas aprendi. Vivi a lição até o último capítulo.”
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão-Advogado, jornalista, poeta, escritor