Evangélicos do Senado se dividem sobre indicação de Messias ao STF

AGU

O advogado-geral da União, Jorge Messias. foto: reprodução

Eventual indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, como um aceno aos evangélicos por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não é totalmente bem vista pela bancada religiosa do Senado.

Na quinta-feira (16/10), o petista recebeu os bispos da Assembleia de Deus Manoel Ferreira e Samuel Ferreira, além do deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), membro da bancada evangélica na Câmara, e da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

A reunião com lideranças evangélicas e a possível indicação de Messias se dão em meio a sucessivas tentativas de reaproximação de Lula com evangélicos. Nos últimos meses, por exemplo, a primeira-dama Janja Lula da Silva esteve em diferentes localidades para conversar com mulheres desse público.

Integrantes da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) da Casa Alta dividem opiniões sobre Messias. Composta por 18 senadores – a maioria da oposição –, o colegiado é presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) e tem a ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) Damares Alves (Republicanos-DF) como vice.

Apesar do possível aceno, integrantes do colegiado veem a indicação com desconfiança, apontam que a ligação de Messias com Lula se sobrepõe à religião, e disseram conhecer pouco sobre o AGU. “Acho que não atende [aos evangélicos]. Ele atende ao PT. É ideológico, até onde conheço”, disse um senador.

Jorge Messias é presbiteriano atuante na Igreja Batista. É visto como um homem de confiança para o presidente, que deverá formalizar a sua escolha para a terceira indicação ao Supremo neste mandato em breve.

Para a senadora governista e integrante da FPE, Eliziane Gama (PSD-MA), a frente “não pode ser norteada por questões políticas, mas, sim, pelo evangelho” e que, se a indicação se confirmar, sua ida ao Supremo deverá se dar sem percalços, apesar da antipatia da oposição.

“A bancada não pode ser norteada por questões políticas, mas, sim, pelo evangelho. O ministro Messias não é um evangélico oportunista, ele tem trabalho muito próximo com a igreja”, declarou à reportagem.

Tramitação

O STF é composto por 11 ministros, que, ao serem indicados, devem ter mais de 30 e menos de 70 anos de idade, além de “notável saber jurídico e reputação ilibada”, segundo a Constituição. Depois da escolha feita pelo titular do Palácio do Planalto, a indicação deve ser enviada ao Senado Federal.

Cabe à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa sabatinar a pessoa indicada pelo presidente. Hoje, o colegiado é comandado pelo senador governista Otto Alencar (PSD-BA). Depois, a comissão ainda deverá votar e aprovar a indicação.

Passada essa etapa, o nome ainda precisa ser referendado pelo plenário da Casa, onde precisa do parecer favorável da maioria simples dos senadores, ou seja, 41 integrantes da Casa Alta.

Se o nome for aprovado, cabe ao presidente da República oficializar a nomeação. O mandato dos ministros do STF não tem limite de duração, mas eles devem se aposentar compulsoriamente aos 75 anos.

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Cid disse que Michelle e Eduardo Bolsonaro compunham ala mais radical da trama golpista

Por Ranier Bragon ICL

FOLHAPRESS) – Chefe da Ajudância de Ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid afirmou no primeiro depoimento de sua colaboração premiada que a ala “mais radical” do grupo que defendia um golpe de Estado no Brasil no final de 2022 incluía a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A íntegra do depoimento de Cid, datada de 28 de agosto de 2023, foi obtida pelo colunista Elio Gaspari. Em novembro daquele ano, o UOL revelou que a delação de Cid apontava Michelle e Eduardo como incitadores do golpe.

“Tais pessoas conversavam constantemente com o ex-presidente, instigando-o para dar um golpe de Estado, afirmavam que o ex-presidente tinha o apoio do povo e dos CACs [Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores] para dar o golpe”, diz a transcrição do depoimento de Cid, que agora vem a público.

O relatório final da investigação da Polícia Federal sobre a trama golpista, concluído em 21 de novembro de 2024 — ou seja, um ano e três meses após o depoimento inicial de Cid –, não traz Michelle nem Eduardo entre os 40 indiciados.

O nome da ex-primeira-dama nem é mencionado no documento. Eduardo é citado apenas de forma lateral, no contexto de que seu nome aparecia como contato no telefone celular de um dos investigados. À época em que vazaram esses pontos da delação de Cid, Eduardo e Michelle negaram ao UOL envolvimento em ações pró-golpe.

As afirmações são “absurdas e sem qualquer amparo na verdade”, disse a defesa de Michelle à época, acrescentando que Bolsonaro ou seus familiares “jamais estiveram conectados a movimentos que projetassem a ruptura institucional do país”. Eduardo disse que a delação de Cid não passava de “devaneio” e “fantasia”.

O relatório da PF está sob análise da Procuradoria-Geral da República, a quem cabe oferecer denúncia ao STF contra os 40 suspeitos ou arquivar os indiciamentos.

Michelle e Eduardo são atualmente cotados para disputar a Presidência em 2026, no lugar de Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030.

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro,  tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid (Foto Lula Marques/ Agência Brasil)

Cid: ala mais radical era a favor de ‘braço armado’

No depoimento dado em agosto de 2023, Cid disse que havia três grupos distintos em torno de Bolsonaro no final de 2022, momento em que o país vivia com acampamentos de bolsonaristas em frente a quartéis do Exército pedindo um golpe de Estado.

De acordo com o tenente-coronel, o primeiro trabalhava para convencê-lo a admitir a derrota e se tornar “o grande líder da oposição”. Entre eles estariam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, entre outros.

O segundo grupo, segundo Cid, não concordava com os rumos que o país estava tomando, mas também se colocava contra medidas de ruptura. Fariam parte dele, entre outros, o comandante do Exército, Freire Gomes.

Já o terceiro grupo, favorável a medidas golpistas, era formado por duas alas nas palavras de Cid. Uma “menos radical”, que buscava encontrar indícios de fraudes nas urnas para justificar uma virada de mesa.

Outra, mais radical, “a favor de um braço armado”. Esse grupo mais belicoso defendia assinatura de decretos de exceção, de acordo com ele.

No depoimento, Cid diz que essas pessoas “gostariam de alguma forma incentivar um golpe de Estado”, queriam que Bolsonaro assinasse um decreto de exceção e “acreditavam que quando o presidente desse a ordem ele teria apoio do povo e dos CACs”.

“Quanto a parte mais radical”, prossegue o relato do depoimento de Cid feito pela PF, “não era um grupo organizado, eram pessoas que se encontravam com presidente, esporadicamente, com a intenção de exigir uma atuação mais contundente do então presidente”.

O então presidente Jair Bolsonaro com o assessor Felipe Martins, implicado na trama golpista que está preso (Foto: Reprodução redes)

Nessa ala, Cid cita nominalmente Felipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, que ocupou quatro ministérios na gestão Bolsonaro, Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, o general Mario Fernandes, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, e os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES), além de Eduardo e Michelle.

Desse grupo, apenas Felipe Martins e Mario Fernandes acabaram sendo indiciados pela PF no relatório final da trama golpista.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, é citado por Cid nessa ocasião como integrante da ala “menos radical” que buscava o golpe, a que buscaria indicativos de fraude eleitoral que justificassem a virada de mesa. Valdemar está entre os indiciados pela PF.

De acordo com a investigação, ele é suspeito de ter ingressado com questionamento do resultado eleitoral em que Bolsonaro foi derrotado por Lula mesmo ciente de que eram falsos os argumentos que usava para sugerir fraude nas urnas eletrônicas.




Evangélicos atenuam rispidez contra Lula, criticam falas raivosas e destacam economia

Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

por Anna Virginia Balloussier

Não que dê para dizer que o azedume de líderes evangélicos com Lula (PT) passou. Mas a má vontade do grupo na campanha eleitoral, que já havia dado sinais de trégua após a vitória sobre Jair Bolsonaro (PL), abrandou passado um ano de mandato do petista.

Esta reportagem conversou com sete pastores de calibre regional ou nacional, mais um ex-presidente da bancada evangélica, todos alinhados com Bolsonaro em 2022. Apenas Silas Malafaia disse não ver nada de bom na terceira incursão lulista no Palácio do Planalto.

Malafaia, que em 1989 votou em Lula no segundo turno e em 2002 chegou a aparecer em sua propaganda eleitoral, é tido como terreno irrecuperável para o presidente. Pares seus, contudo, reservam um tom mais agridoce em seu balanço, apontando o que veem como bolas foras sem desmerecer acertos da nova gestão.

“Este primeiro ano vem me surpreendendo positivamente”, diz Galdino Júnior, presidente do Ministério Santo Amaro da Assembleia de Deus. “É claro que não existe governo perfeito, mas, como um eleitor conservador que no ano passado não votou em Lula, podemos destacar mais pontos positivos do que negativos.”

Entre atos fortuitos, ele coloca a equipe ministerial, com destaque para o vice Geraldo Alckmin (PSB), que já tinha apreço no meio evangélico quando era rival declarado do agora camarada petista. “Ele foi a melhor indicação para o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.”

Galdino também enxerga “mais equilíbrio político nas negociações para passar as pautas do governo no Congresso Nacional”, sobretudo a reforma tributária. O chamado centrão, de onde vem o grosso dos parlamentares evangélicos, tem engordado seu espaço na Esplanada.

A posição de Galdino espelha um perfil comum nessa casta religiosa, influente sobre colegas à frente de igrejas menores: conservadora nos costumes e liberal na economia.

Como ele, outros pastores criticaram o governo por, no apagar das luzes de 2023, anunciar medidas como a reoneração da folha de pagamento como forma de encurtar o rombo nas contas públicas. Seu avesso, a desoneração, começou a ser implantado no primeiro ano de Dilma Rousseff (PT) no poder —a ideia era dar mais competitividade a alguns setores da economia com uma carga tributária mais relaxada.

Mas, de modo geral, o cenário econômico agradou os pastores. O crescimento do PIB acima das expectativas do mercado, que ajudou o Brasil a se estabelecer como a nona economia do planeta, e a queda do desemprego e da pobreza mereceram elogios do apóstolo César Augusto.

Líder da goiana Fonte da Vida, ele integrou mais de uma vez a comitiva evangélica que frequentava o Planalto bolsonarista.

Não que, para ele, o céu seja só de brigadeiro neste primeiro ano do Lula 3. Duramente atacado em 2022 por muitos dos líderes que hoje o cobram por uma postura mais conciliatória, o chefe do Executivo teria dobrado a aposta na polarização.

Augusto desaprova declarações que, a seu ver, “em vez de tentar unir o país, incentivaram ainda mais as divisões políticas, com atitudes voltadas à sua base mais à esquerda, desprezando o fato de ter ganhado a eleição com uma diferença menor do que 2% sobre Bolsonaro”.

O deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que já liderou o bloco evangélico no Congresso, diz que o empenho de Lula em pacificar o país não convenceu.

“A aprovação dele não melhorou entre evangélicos porque, quando ele ganhou, todos esperavam o Lula paz e amor para unificar o país. Já dizia Ulysses Guimarães, política não se faz com o fígado, e sim com a cabeça. Não se conserva rancor, a pátria não é capanga de ninguém.”

A perseverança de certa azia da liderança com o petista se espelha na avaliação arisca que a base deu ao governo na última pesquisa Datafolha. Uma fatia maior de evangélicos, 38%, o considera ruim ou péssimo, contra 30% da média nacional.

O presidente chegou a fazer acenos a essa parcela religiosa, num mea culpa sobre a maneira como a esquerda lidou com o grupo nos últimos anos.

“Temos que aprender para conversar com essa gente. Que é gente trabalhadora, gente de bem, gente que muitas vezes agradece à igreja por ter tirado o marido da cachaça para cuidar da família.”

Mas a estratégia de Lula em achar que pode falar diretamente com o povo evangélico, cortando a mediação de grandes pastores, seria uma furada. Os fiéis estão atentos ao que se prega no púlpito, o que se reflete no apoio em peso a Bolsonaro nos dois pleitos passados, avaliam os líderes.

Ainda que persista na retórica governista, em termos práticos, o presidente deixou em suspenso toda uma cartela de causas progressistas que muitos aliados esperavam ver avançar. Ponto para Lula, dizem os cabeças evangélicos. Se insistisse em pautar questões como aborto ou drogas, o bumerangue voltaria direto para ele.

Há um tropeço difícil de relevar para César Augusto e Edson Rebustini, presidente do Conselho de Pastores de São Paulo, uma das entidades que representa o corpo pastoral no estado. Decepcionou a posição sobre o massacre de israelenses em outubro, “ao não chamar o Hamas de grupo terrorista e igualar os lados, dizendo que Israel está fazendo um genocídio”, diz Rebustini.

É uma questão cara a muitos evangélicos, que têm uma leitura messiânica sobre o papel do Estado israelense na contemporaneidade.

Outra frustração, esta tratada nos bastidores do poder evangélico, foi Jorge Messias, o advogado-geral da União, ter sido preterido para o STF (Supremo Tribunal Federal). Não que fosse o nome dos sonhos dessa ala de pastores, mas ao menos é evangélico.

Quem entrou na corte, em compensação, foi um nome que Lula chegou a definir, em tom de galhofa, seu indicado, Flávio Dino, como um “comunista do bem”. Usou a palavra maldita para vários evangélicos, que associam comunismo a valores anticristãos.

Reverter a rejeição dos evangélicos é um caminho pedregoso, mas não sem volta, segundo os pastores que a reportagem escutou, à exceção de Malafaia. Alguns só toparam falar em anonimato por entenderem que, agora, o pedágio ideológico em apoiar Lula nas igrejas é mais alto do que no passado.

Eles até são favoráveis a abrir canais de diálogo com o governo, evocando tanto princípios religiosos (uma passagem bíblica ordena que todos orem pelas autoridades da vez) quanto táticos. Bater de frente com o Executivo, afinal, pode ser um tiro no pé para interesses evangélicos, que não se limitam à agenda moral. Basta lembrar das questões tributárias que envolvem isenções variadas para templos.

O que uns chamam de fisiologismo histórico desse grupo cristão, outros preferem definir como uma conduta conciliadora e pragmática.

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Ex-Presidente Lula vem a Paraíba em agosto e terá encontro com líderes religiosos

A visita de Lula ao estado havia sido agendada para o dia 4, em João Pessoa, no Busto de Tamandaré, e foi alterada para o dia 2, em Campina Grande.

O presidente estadual do PT, Jackson Macêdo, confirmou que o evento de pré-campanha será no Parque do Povo, às 14h, e que, pela manhã, às 11h, no Hotel Garden, haverá o evento interreligioso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo)

O ex-presidente Lula terá encontro com líderes religiosos, em Campina Grande. O evento acontecerá no mesmo dia em que o pré-candidato à Presidência estará presente em evento no Parque do Povo com lideranças do PT e aliados em torno da pré-candidatura de Veneziano a governador da Paraíba, na próxima terça-feira (2).

A visita de Lula ao estado havia sido agendada para o dia 4, em João Pessoa, no Busto de Tamandaré, e foi alterada para o dia 2, em Campina Grande.

Em entrevista ao programa Arapuan Verdade, nesta quinta-feira (28), conforme apurou o ClickPB, o presidente estadual do PT, Jackson Macêdo, confirmou que o evento de pré-campanha será no Parque do Povo, às 14h, e que, pela manhã, às 11h, no Hotel Garden, haverá o evento interreligioso.

Jackson Macêdo definiu o evento no Parque do Povo como um “ato pela democracia, pela paz, das lideranças preocupadas com a situação do Brasil e sintonizadas com a democracia”.

O dirigente do PT-PB informou, ainda em entrevista à Arapuan FM, que “o evento deve ir até o começo da noite e, assim que terminar, o ex-presidente embarca para São Paulo”.

www.reporteriedoferreira.com.br/ clickpb




Pastor evangélico Silas Malafaia; ” só fecho igrejas com ordem judicial”

No vídeo, o pastor também cita os decretos dos governadores do Rio de Janeiro e de Santa Catarina para evitar aglomerações em razão do coronavírus.​

Silas Malafaia disse que não fechará as igrejas (Foto: Reprodução)

O pastor Silas Malafaia disse em um vídeo divulgado nas redes sociais, nesta quarta-feira (18), que só vai fechar as igrejas que ele é pastor por meio de ordem judicial. Malafaia disse que os governadores não têm poder de fechar a igreja.

No vídeo, o pastor também cita os decretos dos governadores do Rio de Janeiro e de Santa Catarina para evitar aglomerações em razão do coronavírus.

A fala do pastor ignora as recomendações da Organização Mundial de Saúde e Ministérios que a população fique de quarentena em casa para que não haja maior disseminação do novo Coronavírus pelo país.