A Democracia sob o risco da desinformação; Rui Leitao 

A Democracia sob o risco da desinformação; Rui Leitao

Chegamos ao ano de 2026, quando, em nosso país, serão realizadas eleições gerais. Cerca de 150 milhões de brasileiros terão a oportunidade de escolher seus representantes, tanto no Congresso Nacional (Senado e Câmara dos Deputados) quanto os governadores de Estado e o presidente da República. O Brasil se verá, mais uma vez, diante de um desafio que vem crescendo com o passar do tempo: o combate à desinformação.

Desde 2018, as eleições passaram a ser fortemente marcadas pela propagação de notícias falsas ou distorcidas em grupos de aplicativos de mensagens, com produção de conteúdos que demonstram evidente nível profissional e que são amplamente repassados por influenciadores digitais.

Torna-se necessário, portanto, destacar o quanto é fundamental que a sociedade civil se posicione no enfrentamento à desinformação e à corrupção eleitoral. O controle da disseminação das chamadas fake news não pode ser, exclusivamente, uma responsabilidade do Poder Judiciário. O sistema eleitoral precisa garantir que o eleitor não seja enganado justamente no momento em que decide em quem votar.

Percebe-se claramente que o objetivo dessas práticas é provocar medo, atacando a credibilidade dos adversários por meio do uso de temas conspiratórios. A utilização de informações falsas nesse período ocorre em diversos campos políticos, embora, em tempos recentes, tenha sido intensamente adotada pela extrema direita. É interessante observar o quanto essa política de desinformação tem apresentado refinamento e mudanças em suas técnicas e formatos. Os boatos e mentiras emergem com impressionante rapidez e força, conduzidos, especialmente, pelas plataformas digitais. As estratégias de manipulação eleitoral, mesmo adaptadas à era digital, ainda preservam práticas antigas de controle, semelhantes ao que se convencionou chamar de “voto de cabresto”.

O disparo sistemático de notícias falsas pode afetar a livre formação da vontade popular, sendo repetidas à exaustão até alcançar o máximo de disseminação, aproveitando-se de brechas na regulamentação e da lentidão dos processos jurídicos. O desinteresse pela verdade factual e a interpretação seletiva dos fatos, orientadas por valores pessoais, crenças e ideologias, contribuem para que essas ondas de desinformação sejam aceitas por parcelas significativas do eleitorado.

Contudo, é preciso considerar que as disputas de narrativas na política não autorizam práticas de difamação ou calúnia contra adversários. A desregulação das mídias digitais concorre, assim, para que o processo de desinformação se consolide como um grave problema para a preservação dos valores e princípios da democracia e do Estado Democrático de Direito.

Com a entrada em cena das inteligências artificiais generativas, a produção de informações falsas tende a dar um salto qualitativo. Fatos são distorcidos ou fabricados sem que haja tempo hábil para as devidas contraditas. A utilização de inteligência artificial nas propagandas eleitorais foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, exigindo, no entanto, a veiculação de aviso explícito sobre seu uso.

Todo cuidado é pouco. As eleições deste ano são essenciais para a manutenção da democracia, garantindo que nossa representação política se estabeleça com equilíbrio entre as forças partidárias e ideológicas, de modo a impedir que continue a prevalecer um conjunto de ideias conservadoras e retrógradas que ameaçam o Estado Democrático de Direito.

www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor




Eduardo Bolsonaro e Pablo Marçal lideram propagação de desinformação, aponta UFRJ

Estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aponta que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador digital Pablo Marçal estão entre os principais propagadores de desinformação sobre a tragédia do Rio Grande do Sul. A análise foi feita entre os dias 27 de abril e 10 de maio.

Segundo o Netlab, o deputado federal Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para “denunciar” uma suposta demora do presidente Lula em aprovar o envio da Força Nacional ao Rio Grande do Sul.

Eduardo Bolsonaro também criticou a decisão de Lula de ir primeiro à cidade de Santa Maria e não a Porto Alegre logo no início da tragédia.

Estudo do Netlab (UFRJ) aponta desinformação sobre enchentes no RS do deputado Eduardo Bolsonaro (Reprodução)

Segundo o parlamentar, a escolha do presidente teria sido influenciada pelo secretário de comunicação Paulo Pimenta, que é de Santa Maria — o município, no entanto, era o mais afetado do estado no dia da visita de Lula, em 2 de maio.

Pablo Marçal publicou desinformação sobre o Rio Grande do Sul (Reprodução)

Pablo Marçal

O Netlab também apontou que Netlab, Pablo Marçal usou as redes sociais para disseminar a informação falsa de que a Polícia Rodoviária Federal estava impedindo que caminhões com doações chegassem às vítimas das chuvas e enchentes.

O influenciador também acusou a TV Globo de receber dinheiro para esconder a realidade da tragédia gaúcha e manipular a opinião
pública.

estudo também elenca o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG),
a influenciadora digital cristã Michele Dias Abreu, o empreeendedor e influenciador Leandro Ruschel, e o médico influenciador Victor Sorretino como os principais disseminadores de fake news.

Narrativas

O Netlab também aponta as principais informações falsas disseminadas na internet. Entre as desinformações mais compartilhadas, estavam “Lula não está comprometido com as vítimas das enchentes”, “Marina insiste em culpar Bolsonaro por tragédia”, “Starlink é a única internet que está ajudando nos resgates”, “Show da Madonna recebeu recursos que deveriam ir pro RS”.

De acordo com o Netlab, também foram identificadas notícias falsas como “Governo está impedindo que doações cheguem às vítimas”, “As chuvas são um castigo de Deus”, “A tragédia foi planejada por globalistas” e “Figuras de direita estão ajudando mais que o governo”.

Anúncios enganosos

O Netlab identificou também 381 anúncios enganosos e 51 anúncios com desinformação sobre as enchentes no Rio Grande do Sul nas plataformas da Meta. Também foram identificados anúncios fraudulentos que promoviam produtos ou informações enganosas com a intenção de gerar lucro.

Por agências