Gaeco denuncia juiz da Paraíba e advogados por esquema de manipulação judicial e lavagem de dinheiro

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba apresentou denúncia ao Tribunal de Justiça contra o juiz Glauco Coutinho Marques (foto), da Vara Única de Gurinhém, e os advogados Hilton Souto Maior Neto, Henrique Souto Maior Muniz de Albuquerque, Luis Henrique de Amorim Santos e Armando Palhares Silva Júnior. Segundo a investigação, os denunciados integrariam um esquema de manipulação sistemática do Sistema de Justiça, destinado à obtenção de vantagens financeiras ilícitas.

A ação é um desdobramento da Operação Retomada, que apura a atuação de uma organização criminosa que utilizava associações formalmente constituídas, mas sem funcionamento real, para ajuizar ações em massa em comarcas específicas, com o objetivo de direcionar processos a juízes previamente influenciados.

De acordo com o Gaeco, a comarca de Gurinhém foi escolhida como base estratégica da atuação do grupo. O juiz Glauco Coutinho Marques teria sistematicamente proferido decisões favoráveis às demandas ligadas ao grupo, muitas delas em prazos considerados atípicos — algumas minutos após a distribuição dos processos, sem oitiva do Ministério Público e, em alguns casos, sob segredo de Justiça.

Intermediação e influência direta

A denúncia aponta Hilton Souto Maior Neto como o principal articulador do esquema.

O advogado era descrito como responsável por “fazer a ponte” entre advogados do grupo e o magistrado, sendo procurado para intervir diretamente em processos a fim de conseguir decisões favoráveis.

Mensagens obtidas pela investigação mostram orientação expressa para que demandas fossem tratadas com Hilton antes de chegar ao juiz. Há diversas conversas nos autos expondo combinação entre os outros advogados para que Hilton intermediasse o diálogo com o “MM”, referência ao meritíssimo, ou seja, o juiz Glauco Marques. Há, ainda, combinações de valores a serem oferecidos em troca dos “favores” jurídicos e até uma espécie de barganha para oferecer um valor abaixo do que os advogados imaginavam que atenderia a Hilton, como estratégia para reduzir o “preço” do “serviço”.

Em um dos episódios destacados, a interferência teria resultado na expedição célere de um alvará de soltura em um processo criminal, menos de uma hora após a solicitação mediada por Hilton.

Atuação também fora de Gurinhém

A investigação afirma que a atuação irregular do magistrado não se restringiu à comarca onde era titular.

No município de Sapé, durante substituição, o juiz teria homologado acordo em processo de inventário arquivado, sem presença de todos os herdeiros e beneficiando diretamente Hilton Souto Maior, que era interessado na aquisição de terras envolvidas na sucessão.

O ato foi posteriormente anulado pelo juiz titular e confirmado pelo Tribunal de Justiça, após apontamento de violações às garantias processuais e ao contraditório.

Lavagem de capitais e ocultação patrimonial

Além das suspeitas de corrupção, a denúncia sustenta que os investigados utilizaram mecanismos de dissimulação financeira para ocultar pagamentos e benefícios decorrentes das decisões judiciais, caracterizando lavagem de dinheiro.

Histórico e contexto

O documento do Ministério Público menciona que o juiz já responde a outras ações penais por fraudes e desvio de recursos públicos, relativas a período anterior à magistratura, afirmando que há padrão de conduta indicativo de atuação voltada à obtenção de vantagens ilícitas.

Próximos passos

A denúncia agora será analisada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.

Se recebida, o processo seguirá para instrução criminal, com possibilida de oitivas de testemunhas e coleta de novas provas. O juiz Glauco Coutinho já está afastado das funções por determinação do TJ da Paraíba.

Até o momento da publicação desta reportagem, não havia manifestação pública dos denunciados.

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MP abre inquérito e apura denúncia de ‘caixa dois’ e fraudes de prefeito na Paraíba

Foto: Reprodução

O Ministério Público da Paraíba instaurou um inquérito civil, nessa sexta-feira (10), para investigar a entrega de valores em espécie ao prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União), em circunstâncias sugestivas de ilícitos eleitorais (captação e gasto ilícito de recursos – “caixa dois”) e criminais (corrupção passiva, fraude à licitação, peculato).

O vice-prefeito Carlos Monteiro e o atual secretário de Articulação Política do município, Sandro Trajano de Freitas, também serão investigados.

A investigação foi aberta pela promotora Érika Bueno Muzzi, após a veiculação de uma reportagem, em 16 de setembro de 2025, segundo a qual o atual Prefeito de Caaporã teria sido filmado recebendo uma bolsa contendo cerca de R$ 400 mil, às vésperas da campanha eleitoral de 2024.

De acordo com a promotoria, os fatos narrados “demonstram reais indícios de prática de atos de improbidade administrativa”. O inquérito busca reunir provas e identificar os responsáveis por eventuais irregularidades.

Segundo o Ministério Público, o dinheiro seria destinado ao financiamento irregular da campanha de Nazário e de seu então candidato a vice, Carlos Monteiro. Em troca, o consultor financeiro Sandro Trajano de Freitas indicaria uma empresa para ser contratada pela prefeitura para serviços de coleta de lixo.

Após assumir o cargo, o prefeito de Caaporã teria rescindido o contrato anterior de limpeza urbana e firmado, por dispensa de licitação, um novo contrato de R$ 3,2 milhões com a empresa HAC Serviços Ambientais LTDA – ME, apontada como indicada por Sandro Trajano, hoje integrante do secretariado municipal.

A promotoria afirma que os fatos “demonstram reais indícios de prática de atos de improbidade administrativa” e determinou a adoção de várias medidas, incluindo:

– Requisição de cópia integral dos processos de contratação da HAC Serviços Ambientais junto à Prefeitura;

– Notificação da empresa, do prefeito, do secretário Sandro Trajano e do vice-prefeito Carlos Monteiro para apresentação de informações em até 10 dias;

– Solicitação de compartilhamento de provas com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) e com a CCRIMP (Coordenação de Combate à Corrupção e à Improbidade Administrativa).

Em nota divulgada em setembro, o prefeito Chico Nazário (União), afirmou que o suposto vídeo trata-se de uma “fake news” editada de maneira “oportunista”.

Confira nota oficial:

Repudio com firmeza a denúncia recentemente divulgada, acerca de um suposto vídeo (editado de maneira oportunista), que é mais uma fake news, criada para tentar manchar a minha imagem e macular a minha eleição e o trabalho que venho realizando à frente da cidade de Caaporã.

A verdade será inequívocamente demonstrada na Justiça Eleitoral, através dos meus advogados, Dr. Solon Benevides e Dr. Walter Agra.

Esclareço também, que o secretário de Articulação Política, Sandro Trajano de Freitas, foi exonerado para que possa se dedicar integralmente à sua defesa, de forma justa e transparente.

No que se refere à licitação do recolhimento de resíduos sólidos, informo, que a Comissão de Licitação do Município, tem atuado rigorosamente de acordo com a legislação em vigor.

Estamos à disposição da Justiça Eleitoral e Tribunal de Contas do Estado, para todos e quaisquer esclarecimentos.

Reafirmo, que estou e continuo à disposição da Justiça Eleitoral, para colaborar com todas as investigações que forem necessárias.

Nunca me submeti e jamais me submeterei a chantanges e ameaças advindas de vídeos manipulados ou qualquer outro artifício dessa natureza.

Sigo de cabeça erguida e com o mesmo compromisso de sempre: confiante na Justiça Eleitoral e trabalhando por uma Caaporã cada vez melhor, com responsabilidade, avanços e respeito ao nosso povo.

Francisco Nazário
Prefeito de Caaporã

O prazo de tramitação de uma Notícia de Fato é de 30 dias, podendo ser prorrogada uma vez, por até 90 dias. A NF é uma etapa inicial, para coleta de informações e diligências preliminares. Depois disso, a promotora de Justiça vai avaliar se existe viabilidade de instaurar um procedimento investigatório, como o Inquérito Civil.

www.reporteriedoferreira.com.br  /MaisPB




Da ironia à seriedade: veja o que Bolsonaro postou após denúncia

Ex-presidente fez publicações brincando com suposto plano para matar Lula
Por

Marina Semensato
19/02/2025 15:21

Bolsonaro em manifestação na Avenida Paulista, em 7 de setembro
Reprodução
Bolsonaro em manifestação na Avenida Paulista, em 7 de setembro
Nesta terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado em 2022. Ele é acusado, entre outros crimes, de liderar organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, as provas apresentadas no indiciamento da Polícia Federal apontam que o ex-mandatário era quem chefiava o grupo que tentou abolir a democracia no Brasil, ou seja, que tentou impedir que a vontade soberana do povo expressa pelas urnas nas eleições imperasse. Ele teria, inclusive, concordado com um plano para matar a chapa eleita e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde antes da denúncia ser protocolada, Bolsonaro tem usado as redes sociais para negar as acusações e criar um clima de desconfiança das instituições entre seus apoiadores.

Ao longo da semana, ele publicou e repostou alguns convites à população para uma manifestação no dia 16 de março, em São Paulo. Segundo ele, os protestos seriam pelo impeachment de Lula, a anistia aos golpistas do 8/1 e a mudança na Lei da Ficha Limpa – da qual era um defensor no passado, mas hoje mudou sua postura devido ao fato dela o impedir de concorrer ao próximo pleito.

Ele também esteve no Senado. Enquanto estava saindo do prédio, se encontrou com jornalistas e disse que tinha “preocupação zero” com a denúncia.

“Você já viu a minuta do golpe? Não viu. Viu a delação do Mauro Cid? Não viu. A frase mais emblemática, tem uns 30 dias mais ou menos, um amigo que deixei em Israel falou o seguinte: “Que golpe é esse que o Mossad não estava sabendo?” Nenhuma preocupação com essa denúncia, zero”, disse.

No Instagram, ele fez uma série de postagens – irônicas e outras com seriedade – sobre o caso.

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Primeiro, publicou uma nota de sua defesa, que recebeu com “estarrecimento e indignação a denúncia” da PGR, seguida de uma nota da defesa de Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais.

 

Bolsonaro também publicou montagens ironizando o suposto plano para matar Lula, com uma garrafa de bebida alcoólica; outra, com um freezer de uma marca de cerveja sendo chamado de “caixão” para o petista.

No entanto, surgiram as primeiras repercussões da delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, cujo sigilo foi retirado hoje de manhã por Moraes. Na delação, o tenente-coronel abordou detalhes não só da trama golpista, como também do caso das joias sauditas e da falsificação dos cartões de vacina.

Foi neste momento que o tom de Bolsonaro voltou a ficar mais sério. O ex-presidente publicou uma foto dele mesmo, com um texto na legenda acusando o regime atual do Brasil de ser autoritário.

“O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo: todo regime autoritário, em sua ânsia pelo poder, precisa fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias”, diz o texto da postagem.

Rebuliço nas redes
A notícia da denúncia também foi amplamente repercutida entre os internautas. Os termos “Bolsonaro preso”, “VAI SER PRESO” e “Grande Dia” ficaram entre os assuntos mais comentados no X (ex-Twitter) na manhã desta quarta, com 71 mil, 73 mil e 42 mil menções.




Mulher transexual denuncia agressão por seguranças de choperia na Paraíba

O caso ocorreu no último sábado (16), após uma confusão no estabelecimento

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Mulher transexual denuncia agressão por seguranças de choperia em Cajazeiras

Uma mulher transexual, identificada como Davylla Lins, de 24 anos, denunciou ter sido agredida por seguranças de uma choperia em Cajazeiras, no Alto Sertão da Paraíba. O caso ocorreu no último sábado (16), após uma confusão no estabelecimento.

De acordo com o relato de Dávila, ela tentava apaziguar uma briga entre dois amigos, perto do banheiro, quando foi agredida por um dos seguranças. Imagens do circuito interno do local mostram momentos de violência envolvendo a jovem e os funcionários.

Em nota, a gerência municipal dos direitos LGBT de Cajazeiras repudiou qualquer tipo de discriminação e informou que acompanha o caso. Por sua vez, o bar afirmou que Dávila apresentava sinais de embriaguez, teria iniciado a confusão e agredido o segurança, causando a ele uma fratura no pulso e mordidas no braço.

O episódio gerou repercussão, especialmente pelo histórico do estabelecimento. Em 2021, duas influenciadoras denunciaram o local por impedir o uso do banheiro feminino. Agora, as versões serão analisadas pela justiça, que deve apurar os fatos para determinar responsabilidades.

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Padre Egídio de Carvalho vira réu em nova denúncia do Gaeco

O juiz José Guedes Cavalcante Neto, da 4ª Vara Criminal da Capital, aceitou a denúncia do Gaeco do Ministério Público da Paraíba, tornando o padre Egídio de Carvalho réu em um novo processo. O religioso é acusado de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e valores, além de integrar uma organização criminosa.

“A peça acusatória atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, sendo fundamentada em informações que indicam indícios de autoria, sem motivos para rejeição por inépcia ou falta de pressuposto processual”, destacou o magistrado.

O caso é um desdobramento da Operação Indignus, que investiga desvios milionários durante o período em que Egídio administrou o Hospital Padre Zé, em João Pessoa.

Segundo informações do Gaeco apuradas por Wallison Bezerra, Egídio teria ocultado a posse de um imóvel avaliado em cerca de R$ 500 mil, localizado no bairro Cabo Branco, um dos mais caros de João Pessoa. O imóvel foi adquirido por Egídio, mas transferido para uma criança de 2 anos que vive em São Paulo.

Além da denúncia, o Ministério Público solicitou o sequestro do bem e sua transferência para o tesouro estadual, bem como a condenação de Egídio ao pagamento de R$ 480 mil por danos materiais e R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

Padre Egídio está atualmente sem advogado, pois o escritório de José Rawlison renunciou à defesa. O juiz José Guedes Cavalcante designou uma defensora pública até que o religioso defina um novo representante.

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“Recebi ameaças de morte. Não vou me acovardar”, afirma Samuel Segundo após escândalo do Hospital Padre Zé

Ex-funcionário do hospital falou que não vai se intimidar e reafirmou que o ex-diretor presidente do Hospital Padre Zé, padre Egídio de Carvalho, sabia de todos os problemas que vinham acontecendo .

Samuel Segundo revelou que vem recebendo ameaças por telefone (Foto: Reprodução)

Principal delator do escândalo dos desvios e venda de aparelhos eletrônicos doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé, Samuel Segundo, que é ex-funcionário da unidade, afirmou neste sábado (21) que vem recebendo ameaças de morte para que pare de dar informações sobre o caso. A revelação foi feita durante entrevista à imprensa.

As ameaças, promovidas de maneiras anônimas, foram feitas também à família de Samuel Segundo. No entanto, o ex-funcionário do hospital falou que não vai se intimidar e reafirmou que o ex-diretor presidente do Hospital Padre Zé, padre Egídio de Carvalho, sabia de todos os problemas que vinham acontecendo .

Samuel Segundo também disse que nunca chegou a receber dinheiro de forma indevida do hospital e que a única fonte de renda que tinha do Padre Zé era o seu salário.

“Estou temendo minha vida e minha família. Essa semana recebi duas ameaças de morte e disseram que era para eu não falar mais nada. Não vou me acovardar. Disseram que quem fala muito morre pela boca. Padre Egídio sabia de tudo e nas minhas funções eu só recebia meu salário. Podem pesquisar e me virar cabeça abaixo”, afirmou Samuel

Por meio de nota, a defesa do padre Egídio de Carvalho disse que não vai se pronunciar sobre as denúncias feitas por Samuel Segundo e que o padre está à disposição para colaborar com as investigações.

Relembre o caso

O escândalo no Hospital Padre Zé veio à tona no mês passado, após uma denúncia de furto de celulares no local. Os equipamentos haviam sido doados pela Receita Federal para o hospital e deveriam ter sido vendidos em um bazar beneficente para angariar recursos para o hospital.

Porém, os celulares foram furtados e vendidos e as investigações apontam para o envolvimento do Padre Egídio de Carvalho, que era diretor-presidente da unidade, e do ex-funcionário Samuel Segundo.

Em meio ao escândalo do furto dos celulares, o padre Egídio de Carvalho Neto, renunciou ao cargo de presidente do Hospital Padre Zé.  O pedido foi aceito pelo arcebispo Dom Manoel Delson. Padre Egídio estava há mais de cinco anos à frente do hospital, fundado há quase 90 anos. Além de estar na gerência da unidade, ele também atuava como pároco da Igreja Santo Antônio, cargo do qual também renunciou.

Furto de meio milhão

No último dia 2, a Justiça autorizou o bloqueio de contas e a quebra de sigilo bancário de Samuel Segundo. O pedido de quebra de sigilo e bloqueio foi feito pela delegada Karina Torres, da Polícia Civil, e contou com ‘prints’ de conversas de Samuel negociando a venda de iPhones e outros itens.

A delegada aponta que “restou evidenciado, com fulcro na investigação, que Samuel Segundo incorreu no delito de furto qualificado, causando o prejuízo de R$ 525.877,77 (quinhentos e vinte e cinco mil, oitocentos e setenta e sete reais e setenta e sete centavos), referente aos produtos furtados no interior do Hospital Padre Zé.”

Operação do Gaeco

No último dia 5, o padre Egídio de Carvalho foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público do Estado da Paraíba (Gaeco). Além do pároco outras pessoas da administração do hospital também foram alvos.

Entre estas pessoas está a diretora administrativa do hospital, Jannyne Dantas e a tesoureira da unidade hospitalar filantrópica, a Amanda Duarte. Segundo apurou o ClickPB, na ocasião, a operação tem como objetivo apurar os fatos que indicam possíveis condutas criminosas ocorridas no âmbito do Instituto São José, do Hospital Padre Zé e da Ação Social Arquidiocesana (ASA).

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Denúncia feita ao MPF-PB aponta coação de PMs para que promovam “guerra branca”

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O assistente social Tárcio Teixeira, pré-candidato a deputado federal pelo PSOL, protocolou na manhã dessa quarta-feira no Ministério Público Federal (MPF) da Paraíba uma denúncia grave envolvendo a politização do movimento que luta por melhores salários nas polícias do Estado. Segundo ele, um grupo de militares ligados ao deputado estadual Cabo Gilberto Silva (PSL) estaria patrulhando colegas de maneira a constrangê-los e evitar que eles aceitem os plantões extras oferecidos pelo Governo.

Na denúncia, Tárcio relata que o objetivo desses policiais seria estimular o confronto entre a PM e facções criminosas no Estado de maneira a desestabilizar as instituições.

“O fato é que alguns policiais no afã de concretizarem suas legítimas reivindicações junto ao Governo estão promovendo distúrbios e atos de absoluta deliquência, coagindo e pressionando colegas de farda a não trabalharem, ao tempo em que se somam pela periferia da região metropolitana uma verdadeira carnificina com a execução sumária de várias pessoas, gerando por via de consequência reação por parte de facções criminosas que por sua vez colocam toda a população em risco e em estado de vulnerabilidade”, diz um trecho do documento, endereçado ao chefe do MPF-PB, José Guilherme Ferraz da Costa.

Tárcio acrescenta que esses policiais apostam “no caos, na desordem, no clima de instabilidade e de descontrole, com pretensões de uma vez disseminado esse clima de terror, favorecer suas reivindicações”.

Na denúncia, é dito que os líderes do movimento estão coagindo colegas de farda para que eles não assumam os plantões extras. Os nomes dos policiais dispostos a atuar nesses casos são expostos nos grupos de WhatsApp, onde também são colocados a quantidade de viaturas, do efetivo e os territórios que têm o policiamento do dia, além do nome do policial que está fazendo plantão extra naquela escala de serviço, “em sinal inequívoco de coação e constrangimento aos policiais que querem livremente exercer seu ofício”.

Outro dado preocupante que consta na denúncia é a ameaça de que no próximo fim de semana, de 28 a 30 de janeiro, haja uma contraofensiva das facções criminosas em resposta a mortes de integrantes em confronto com policiais militares.

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Fachin diz que PGR não pode desistir de denúncia contra presidente da Câmara

Em despacho, ministro do STF cita artigo do Código Penal segundo o qual o Ministério Público não pode desistir da ação penal; Pedido de arquivamento foi apresentado em setembro de 2020

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Nelson Jr./SCO/STF

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou a  Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre um pedido para que a Corte rejeite uma denúncia oferecida pela própria PGR contra o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) , presidente da Câmara dos Deputados.

O recuo da PGR foi apresentado em setembro de 2020, três meses após o oferecimento da denúncia sob acusação de corrupção passiva.

A cobrança foi feita em um despacho desta quinta-feira em que o ministro cita artigo do Código de Processo Penal segundo o qual “o Ministério Público não poderá desistir da ação penal”. Em junho, o ministro já havia feito um pedido para que a PGR se manifestasse a respeito de “possível contradição” ao solicitar o arquivamento da denúncia, mas a procuradoria não respondeu.

Por isso, Fachin apontou que há risco de os prazos do processo vencerem e determinou que a PGR seja provocada imediatamente.

A manifestação a favor da rejeição da denúncia apresentado pela PGR foi apresentada pela subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo, uma das mais próximas auxiliares do procurador-geral, Augusto Aras, que concordou com um pedido feito pela defesa de Lira.

Na denúncia, a Lava-Jato acusa o deputado federal de ter recebido propina de R$ 1,6 milhão da empreiteira Queiroz Galvão pelo apoio do PP à manutenção de Paulo Roberto Costa na diretoria da Petrobras.

No caso de Lira, Lindôra escreveu que há “fragilidade probatória”. “Tais circunstâncias revelam, por ora, a fragilidade probatória quanto aos fatos imputados ao Deputado Federal Arthur Lira.

Por conseguinte, em juízo de parcial retratação, manifesta-se o Ministério Público Federal favoravelmente ao pleito defensivo. A fim de que seja rejeitada a denúncia em relação a Arthur César Lira, com fundamento na ausência de justa causa”, escreveu a subprocuradora a Fachin.

A investigação surgiu a partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef, que relatou ter operado o pagamento de propina ao parlamentar por parte da empresa Queiroz Galvão. O doleiro contou que a empreiteira pagou R$ 1,6 milhão a uma empresa de fachada indicada por ele e depois realizou uma engenharia financeira para entregar os valores em dinheiro vivo ao deputado.

www.reporteriedoferreira.com.br

Por

Agência O Globo



Regime fechado: Pleno do TJPB condena deputado e ex-prefeito de Picuí, Buba Germano, a 9 anos de reclusão

Na sessão desta quarta-feira (2), o Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu condenar o deputado estadual e ex-prefeito de Picuí, Rubens Germano Costa, mais conhecido por Buba Germano, a uma pena de nove anos de reclusão, no regime inicial fechado, bem como a inabilitação para o exercício de qualquer cargo ou função, eletiva ou de nomeação, pelo prazo de cinco anos, e, por consequência, a perda de qualquer cargo ou função pública, atualmente exercida, a exemplo da de deputado estadual, por incompatibilidade com o regime de cumprimento de pena e a inabilitação aplicada, sem prejuízo da reparação civil do dano causado ao patrimônio público ou particular. A decisão, por unanimidade, acompanhou o voto do relator do processo nº 0101127-41.2010.815.0000, desembargador Ricardo Vital de Almeida.

A denúncia do Ministério Público estadual dá conta de que, na época dos fatos, o réu, que era prefeito do Município de Picuí, “fez gestão verbal com a Paróquia de São Sebastião (Comissão Organizadora da Festa) de Picuí, culminando com a terceirização/contratação da parte social (pavilhão/dancing) da Festa do Padroeiro de São Sebastião (Festa de Janeiro), pela quantia de R$ 6.000,00, oportunidade em que prometera que “se a festa fosse boa, ele repassaria um pouco mais do que foi combinado para a igreja”, ou seja, se rentável a festa, pagaria acima do pactuado”.

Relata, ainda, que, “no dia 16 de janeiro de 2005, o prefeito participou do leilão da festa no pavilhão, tendo arrematado itens do leilão para si, no valor aproximado de R$ 700,00, porém somou tal despesa da arrematação que fez no leilão com o valor de R$ 6.000,00 pactuado em face da terceirização da festa e, ainda incluiu o acréscimo que prometera à paróquia. Dessa feita atingiu o montante de R$ 7.125,00, cujo valor fora pago pelo Prefeito à Paróquia, pessoalmente, consoante cheque nº 851742, datado de 01/03/2005, conta nº 40.376-8, Agência nº 2441-4/Banco do Brasil, estrategicamente “nominal” para Vital Gonçalves Cavalcanti – ME”.

Conclui o Ministério Público, portanto, haver o acusado, então prefeito do Município de Picuí, desviado rendas públicas em proveito próprio, em face da arrematação de itens do leilão da festa para si, no valor aproximado de R$ 700,00, bem como desviado o valor de R$ 6.000,00, pactuado a título de terceirização da festa do padroeiro e, ainda, o acréscimo prometido à paróquia, perfazendo o montante de R$ 7.125,00. Segundo o MPPB, tudo teria sido pago com o dinheiro da Prefeitura de Picuí, valendo-se o acusado da empresa misteriosa e “laranja”, denominada Vital Gonçalves Cavalcanti/ME (Viproart-Show e eventos), sendo estes fatos comprovados através de cópia do cheque e cópia do depósito.

O Ministério Público assevera, também, constar nos autos provas de haver a festa ocorrido dentro da programação social (14/01 a 19/01/2005), consoante convite/folder, com valores do “ingresso” individual oscilando em torno de R$ 10,00 a R$ 15,00 e que grande parte fora vendido por intermédio de funcionários públicos municipais, no prédio público denominado “ferro de engomar”, pertencente ao Município de Picuí, sendo tais condutas delitivas comprovadas por meio da cópia do cheque e dos depoimentos.

Nas alegações finais, a defesa pugnou pela absolvição, ao asseverar não ter o Ministério Público comprovado as afirmações contidas na denúncia, não se desincumbindo do ônus da prova das acusações.

Em um voto com cerca de 45 páginas, o relator do processo disse que restaram devidamente comprovadas nos autos a autoria e a materialidade delitivas. “As provas constantes dos autos demonstram que o acusado firmou contrato verbal com o padre da igreja local, no sentido de financiar os custos da festa do padroeiro da cidade de Picuí, comprometendo-se com um investimento inicial de R$ 6.000,00, a fim de, com os lucros obtidos com o evento, obter um retorno financeiro para si próprio e, caso a festa “desse bons resultados”, o acusado daria um valor a mais à entidade religiosa”, destacou.

Ainda segundo o relator, também restou comprovado nos autos ter sido de R$ 36.000,00  o custo total da festa, valor este proveniente do Fundo Municipal de Assistência Social e que o acusado pagou, por meio de um cheque, nominal a Vital Gonçalves Cavalcante – ME, no valor de R$ 7.125,00, sendo uma fração deste montante utilizado para saldar a terceirização da parte social da festa, no importe de R$ 6.000,00.

Em um trecho do seu voto, o desembargador Ricardo Vital diz não haver dúvida quanto à autoria imputada ao réu Rubens Germano Costa, em relação ao delito de desvio de rendas públicas em proveito próprio ou alheio (inciso I do artigo 1º do Decreto-Lei nº 201/67), posto haver sido demonstrado que não ocorreu a alocação devida das finanças públicas dentro das atividades da administração municipal. “No contexto probatório, ficou evidenciado que o acusado promoveu a destinação ‘privada’ de recursos públicos”, observou.

Segundo o relator, na medida em que o acusado arrematou itens do leilão, agindo na qualidade de cidadão comum, e os pagou com verba pública, dúvidas não há quanto ao dolo de se utilizar do erário em proveito próprio. “Nos termos do depoimento prestado em juízo pela testemunha indicada pelo Parquet, Francisco Germano Barros da Silva, o padre Anchieta teria confirmado que o acusado teria entregue um cheque no valor de R$ 7.125,00, sendo que “o valor de R$ 6.000,00 era da festa” e “a outra parte do valor era de itens arrematados no leilão de São Sebastião”, pontuou.

Ricardo Vital disse, ainda, que apesar de a defesa afirmar inexistir provas neste sentido, o próprio acusado confessou ter participado e estado presente em todos os dias da festa do padroeiro do Município de Picuí, em janeiro de 2005. Além do mais, os documentos colacionados aos autos comprovam que além dos R$ 6.000,00 acordados pelo então prefeito com o padre Anchieta, como sendo a contrapartida da Prefeitura na terceirização da festa, foram pagos valores a mais que cobririam os R$ 700,00 em bens particulares adquiridos pelo acusado no referido leilão.

O relator também destacou que não cabe absolvição da prática do crime previsto no artigo 1º, inciso I, do Decreto Lei 201/67, se o acusado, na condição de prefeito municipal, voluntária e conscientemente, desvia renda pública, fazendo-o em proveito próprio, como ocorreu no caso dos autos. Por fim, ele julgou procedente a denúncia para condenar Rubens Germano Costa nas sanções do artigo 1º, I e II, do Decreto-Lei nº 201/67, c/c artigo 69 do Código Penal.

Da decisão cabe recurso.

Confira, aqui, o voto.

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MP denúncia ex-governador Ricardo, a esposa,o irmão por esquema envolvendo o Lifesa

O juiz Adilson Fabrício, da 1ª Vara Criminal da Capital, recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público estadual no processo nº 0003057-45.2020.815.2002 em face de Ricardo Vieira Coutinho, Coriolano Coutinho, Gilberto Carneiro, Daniel Gomes da Silva, Waldson Dias de Souza, Maurício Rocha Alves, Aluísio Freitas de Almeida Júnior e Amanda Araújo Rodrigues.

Relata o MP que os réus uniram esforços com o fim de praticar delitos de lesa-pátria e, para isso, arquitetaram engenhoso esquema para apropriação de verbas públicas, praticando fraudes, valendo-se de organizações sociais e da adoção massiva de métodos fraudulentos de contratação, tais como superfaturamento, dispensa indevida de licitação, processos licitatórios viciados, entre outras práticas desvirtuadas. Segundo a acusação, o ex-governador Ricardo Coutinho comandava a Orcrim formada pelos denunciados, com “braço forte e olhar atento”, agindo diretamente, ou por meio de seus comandados mais próximos, como seu irmão, de cognome “Ministro”, Coriolano Coutinho e a namorada, Amanda Rodrigues.

“O fato tratado nos autos fala da ação da Orcrim, sempre objetivando apoderar-se da res pública, de forma ilegal e camuflada, consistente em utilizar de modelo criminoso engendrado pelo acusado Daniel Gomes da Silva, que utilizou modelo de corrupção e fraude praticado com o uso do Igueco S.A, laboratório público do Estado de Goiás. No caso dos autos, o alvo da ação criminosa foi o Lifesa, laboratório estatal local, organizado como Sociedade de Economia Mista. Consta na exordial acusatória que a Orcrim, usando de empresa interposta – Troy SP, que tinha como proprietário de fato o primeiro denunciado, adquiriu fraudulentamente o capital privado do laboratório público paraibano”, ressalta o juiz.

Em relação ao primeiro denunciado, o MP afirma que Ricardo Coutinho, valendo-se da condição de governador, agiu de modo a utilizar do seu cargo para usar o Lifesa, empresa de economia mista de propriedade do Estado da Paraíba, como ferramenta para o engenhoso plano de ganho indevido para os membros da Orcrim. Diz, ainda, a denúncia que o ex-governador usou capital oriundo de sua atuação ilícita como agente público para adquirir a empresa interposta (Troy SP) usada para “apropriar-se” da parcela privada do Lifesa.

Atribui-se a ele a prática de lavagem de capital com uso do Lifesa, bem como lhe foi imputada a inserção de informações falsas em documento público verdadeiro para possibilitar o ingresso de sócios falsos (laranjas) no quadro societário da empresa que se apropriou do capital privado do laboratório, falseando a verdade, já que, de fato, os dois primeiros denunciados seriam os verdadeiros proprietários da Troy SP. O MP afirmou na inicial acusatória que o irmão do ex-governador Ricardo Coutinho, Coriolano Coutinho, o “Ministro”, era responsável por coletar as propinas e desvios destinados ao então governador, bem como transitava na estrutura estatal para advogar administrativamente em favor das pretensões da Orcrim.

Ao receber a denúncia, o juiz Adilson Fabrício destacou que “os elementos indiciários apontam para a materialidade e a autoria delitivas dos crimes descritos na denúncia e imputados a cada um dos acoimados, restando nítida a presença de elementos indiciários que afiguram crimes voltados a lesar o patrimônio público objetivando o enriquecimento ilícito de pessoas privadas com atuação na gestão pública do Estado da Paraíba”. Ele explicou que a denúncia deve ser escudada por elementos de prova que implique os denunciados nas práticas criminosas descritas no seu corpo. “Percebe-se que atendidos os requisitos do artigo 41 do CPP, posto que trouxe a exposição dos fatos tidos por criminosos, detalhando a ação criminosa de cada um dos acusados, possibilitando aos réus o exercício amplo do seu direito de defesa”.