Eduardo Paes vence segundo turno e é eleito prefeito do Rio

Paes teve 64,31% dos votos válidos, enquanto o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), obteve 35,69%

Eduardo Paes é eleito prefeito do Rio no segundo turno

Eduardo Paes é eleito prefeito do Rio no segundo turno

Sergio Moraes/Reuters – 29.11.2020

Eduardo Paes (DEM) venceu o segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro. Com 93,44% das urnas apuradas neste domingo (29), ele recebeu 64,31 % dos votos válidos.

Seu adversário, Marcelo Crivella (Republicanos), obteve 35,69% dos votos válidos.

Foram contabilizados 5% de votos em branco (145.982) e 13,73% de nulos (400.800).

Paes manteve a vantagem apontada nas pesquisas neste segundo turno e volta a assumir a cadeira que ocupou entre 2009 e 2016

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Por unanimidade, TRE-RJ deixa Crivella inelegível até 2026

 

O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) decidiu, por unanimidade, condenar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), por abuso de poder político e conduta vedada. Como punição, ele foi considerado inelegível até 2026

O último dos sete votos foi dado pelo jurista Vitor Marcelo Rodrigues, que decidiu acompanhar integralmente o relator do processo. Rodrigues havia feito um pedido de vista, impedindo que o julgamento de Crivella fosse concluído na última segunda-feira (21).

Ele alegou precisar de mais tempo para analisar o processo por conta do volume de documentos contidos na ação. Rodrigues foi indicado para compor o TRE-RJ pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) —que apoia a candidatura de Crivella à reeleição— no início deste mês. Ele foi professor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). À revista Crusoé, ele admitiu que a relação com o filho mais velho do presidente ajudou na nomeação:

“Claro, acho que o fato de eu ter sido professor do Flávio e conhecer pesou, sim”, disse.

Na segunda-feira, o TRE-RJ já havia formado maioria para condenar Crivella. Seis dos sete julgadores votaram naquela ocasião pela condenação do prefeito —que ficará inelegível até 2026.

Crivella foi acusado de abuso de poder político e conduta vedada por usar veículos e funcionários da Comlurb, companhia de coleta de lixo do Rio, para promover um evento de campanha de seu filho Marcelo Hodge Crivella, que tentava se eleger deputado federal, e Alessandro Costa, que concorreu a deputado estadual, em julho de 2018.

Crivella ainda pode recorrer da condenação, e poderá seguir em sua campanha à reeleição normalmente, mesmo com a candidatura sub judice. De acordo com juristas ouvidos pelo UOL, adversários no pleito deste ano poderão pedir a impugnação do registro do prefeito se a decisão do TRE-RJ for publicada antes que sua candidatura seja julgada pela Justiça Eleitoral.

Caso a condenação seja consumada depois do registro, Crivella disputará normalmente a eleição. Contudo, caso seja eleito pode ter sua diplomação contestada. Caso a Justiça acate essa ação, ele poderia não tomar posse ou ser retirado do cargo durante o governo.

Evento teve o apoio de 51 veículos da prefeitura

O evento foi realizado na quadra da escola de samba Estácio de Sá, na região central do Rio, e contou com a presença de Crivella. De acordo com a de Ação de Investigação Judicial Eleitoral movida pelo PSOL durante a campanha de 2018, a máquina pública foi usada através da Comlurb para ampliar a repercussão do ato de campanha.

O desembargador Claudio Luis Braga dell’Orto, relator do caso, destacou que uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara dos Vereadores do Rio obteve diversas provas e depoimentos mostrando o uso da estrutura da Comlurb para apoiar o evento político. Segundo ele, documentos obtidos pelos vereadores provam que ao menos 51 veículos da Comlurb foram usados —inclusive com motoristas em horário de serviço— para levar funcionários da empresa à quadra da escola de samba.

Ainda segundo Claudio Luis Braga dell’Orto, “o prefeito disponibilizou, em manifesto desvio de finalidade, elevado número de veículos afetados da Comlurb, para transportar servidores com recursos do erário, muitos dos quais em horário de expediente, para participar de evento político-eleitoral”.

www.reporteriedoferreira.copm.br   /UOL




‘Guardiões do Crivella’: instalação de CPI tem bate boca e termina sem definição

 

Parlamentares governistas se retiraram de reunião, que foi encerrada por falta de quórum; ainda não há data para nova instalação

Agência Brasil

Instalação de CPI tem bate boca entre vereadores e termina sem definição

A primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores do Rio que vai investigar o caso dos “Guardiões do Crivella” foi marcada por confusão entre vereadores na manhã desta terça-feira (22).

O grupo formado por cinco vereadores iria escolher o presidente e relator dos trabalhos, mas uma polêmica entre governistas e oposição terminou em bate boca. Os três vereadores da base do prefeito Marcelo Crivella se retiraram da sessão, e a instalação da CPI foi cancelada. Ainda não há nova data para a reunião.

Vídeos feitos na sala das comissões mostram discussões entre os vereadores. A CPI é formada pela vereadora Teresa Bergher (Cidadania), autora do pedido de investigação, e pelos vereadores Átila A. Nunes (DEM), opositor do prefeito, e Jorge Manaia (Progressistas), Inaldo Silva (Republicanos) e João Mendes de Jesus (Republicanos). Este último era integrante de um dos grupos dos “Guardiões”.

No início da reunião o vereador Jorge Manaia fez uma questão de ordem solicitando a transferência da reunião para a próxima terça-feira. Presidindo a primeira reunião por ser a vereadora mais velha, Teresa Bergher negou o pedido, e os três governistas deixaram a reunião.

Segundo Manaia, a exigência de presença física constante no edital de convocação prejudicou a publicidade e o acesso da imprensa e da população aos trabalhos da comissão. Para Teresa Bergher, a questão de ordem foi uma manobra para adiar as investigações.

“É um triste espetáculo que não nos surpreende é só confirma o comprometimento do prefeito e de seus guardiões, que não querem ser investigados. Quem não deve não teme, não é verdade?”, questionou.

O vereador Átila A. Nunes também criticou a saída dos vereadores da reunião.

“Isso é mais uma prova de que devem muito, mostra que eles não querem a investigação para saber exatamente como funcionava esse grupo dos guardiões do Crivella”, protestou.

A reportagem tentou contato com os três vereadores que se retiraram da reunião, mas ainda não obteve retorno.

‘Guardiões’

Revelado em reportagem do RJTV no final de agosto, o grupo “Guardiões do Crivella” foi organizado para impedir a imprensa de repercutir denúncias e reclamações na porta de hospitais municipais.

Funcionários são pagos para vigiar a porta de unidades municipais de Saúde, para constranger e ameaçar jornalistas e cidadãos que denunciam os problemas. A reportagem revelou também que os intimidadores são coordenados por grupos em WhatsApp, através dos quais há controle rígido de escala e horário, com direito a “ponto” por meio de selfie no posto de trabalho.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Agência O Globo