Coisas da mídia Por: Francisco Nóbrega dos Santos

Certo dia, não me recordo precisamente a data. Só Lembro bem que era um dia
de semana, isto é, um dia útil para quem gosta de trabalhar, porém inútil para os
inimigos do trabalho.

Estava eu bem próximo de um televisor, quando um diálogo me chamara a
atenção. Tratava-se um programa de avaliação musical e um desses divulgadores da
mídia, cujo nome não guardei na memória. Porém vamos aos fatos.

O apresentador entrevistava um cantor, com enorme venda de CDs no
mercado. O interlocutor falava com tanto entusiasmo que me senti curioso sem saber
do que se tratava. O entrevistador, após rasgados elogios ao entrevistado, falou sob a
obra prima, da aceitação da música em todo território brasileiro, e tratava o assunto
como se estivesse falando de uma peça de arte ou de uma literatura erudita.

A minha curiosidade foi aumentando e eu, perdendo uma parcela do meu
corrido tempo, mesmo com certa impaciência, esperei o desfecho daquele
entusiástico bate papo. E esse , começou, após alguns minutos de enrolação e de
suspense, ante o aguardado motivo de tanta rasgarão de seda. Então o entusiasmado
repórter indagou; – em que o nobre poeta cantor e compositor se inspirou para editar
essa bela melodia, que tem encantado a juventude desse imenso território.

A resposta foi rápida; andando por aí, sondando a genialidade da juventude e, num momento de
rara inspiração, fui pondo em prática os fatos e criei tão importantes acordes que
caíram como uma luva nos apreciadores da poesia e da arte literária.
“Genial, falou o entrevistador, você tá vivendo o grande momento da
criatividade do nosso povo e, nessa oportunidade, meus parabéns pelo estouro no
mercado dessa bela letra e romântica música”, concluiu o apresentador.

Passados, esses prolongados minutos, para finalizar essa importante entrevista,
disse o locutor: – “ gostaria que o nobre artista desse uns acordes e cantasse um trecho
da melodia”. Incontinenti o autor da maravilha musical anunciada soltou sua voz
assim; tererê Tetê… tererê Tetê, tererê Tetê. Confesso que, a princípio fiquei irritado
por ter aguardado ansioso o nome da obra prima. Deixa isso prá… A mídia tá no seu
papel.

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