Lira diz a Lula o que fará com o pedido de impeachment

Os dois se encontraram e conversaram sobre o tema

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Lula cumprimentando Arthur Lira
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Lula cumprimentando Arthur Lira

A conversa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), no encontro da última quinta-feira (22), no Palácio do Planalto, rendeu muitas trocas de informações e a definição dos rumos do pedido de impeachment.

Segundo pessoas presentes no encontro e que conversaram com o Último Segundo, Lula não tocou no assunto do pedido de impeachment, que foi protocolado por parlamentares de oposição nesta quinta-feira (22). Mas, antes do fim do happy hour, Lira decidiu falar sobre o tema.

Lira confirmou para Lula o que ele já havia dito a deputados petistas. O pedido será arquivado sem passar por comissões ou ir ao plenário para votação. O presidente da Câmara avisou Lula que segue comprometido com o projeto do governo federal de apaziguar os ânimos entre os poderes para tocar o país, focando na melhora da economia.

A afirmação, no entanto, ocorreu depois que Lula garantiu que seguirá com as negociações e manterá a distribuição de cargos de escalão baixo para o Centrão, quase todos controlados pelo próprio Lira. Além disso, o presidente da Câmara deu a garantia de que não tocará pauta bomba nas sessões em 2024.

Mesmo assim, Lira será pressionado nas próximas semanas porque os parlamentares de oposição já conseguiram 140 assinaturas pedindo a abertura de um processo de impeachment contra Lula. O pedido se baseia no fato de que o presidente teria comparado os ataques de Israel a faixa de gaza ao holocausto.

Lula, em contrapartida, teria respondida a Lira que não tem preocupação com o tema e que confia na palavra do presidente da Câmara com temas sensíveis deste nível.




Ministra minimiza pressão do centrão no Congresso e diz que não endureceu repasses

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante cerimônia no Palácio do Planalto – Pedro Ladeira – 16.nov.2023/Folhapress

por Luciana Coelho

A ministra Nísia Trindade, cuja pasta —Saúde— era cobiçada pelo centrão por causa de seu orçamento extenso, afirmou que não recebeu pressão por cargos, e classificou sua relação com o Congresso como “de alto nível”.

“Eu nunca recebi nenhuma pressão para nomeação de cargos dentro do ministério. Em relação ao meu cargo, vocês já acompanham esse debate desde o ano passado, mas eu estou focada no que tem que fazer”, afirmou a ministra a jornalistas em Davos.

Ela também minimizou a reação à portaria editada em dezembro que mudou os critérios para transferência de verbas pertencentes a uma cota para parlamentares, à semelhança de emendas. Nísia nega que tenha havido endurecimento dos critérios.

“O ministério tem critérios de distribuição de verbas, de uso de emendas, esses critérios são transparentes e tem para o objetivo levar a saúde aos municípios”, disse.

“Mas esses critérios são importantes naturalmente e eles já foram instituídos há muito tempo no Sistema Único de Saúde para que haja uma forma correta de distribuição de recursos que tem a ver com os equipamentos de saúde de cada município, com o tamanho da população.”

Indagada sobre descontentamento, ela citou a demanda represada de municípios que teriam ficado sem atendimento qualificado na gestão anterior, do governo Jair Bolsonaro (PL), quando o hoje deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) era o titular da Saúde.

“Muitos parlamentares representam esses municípios, o que é absolutamente legítimo, e cabe ao ministério tomar as decisões com os critérios há muito estabelecidos para o Sistema Único de Saúde.”

Nísia está em Davos, onde integra a delegação brasileira no encontro anual do Fórum Econômico Mundial. A ministra participou de painéis sobre o Brasil, saúde e clima, uso de tecnologia na saúde e acesso a medicamentos, além de ter mantido encontros bilaterais para tratar do último tema.

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Parlamentares se mobilizam para derrubar vetos de Lula: Marco temporal e desoneração são “inegociáveis”

Foto: Reprodução

Por Tatiana Azevedo

Em mais uma guerra de nervos entre oposição e base governista, deputados e senadores se mobilizam para derrubar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a matérias aprovadas pelos parlamentares e vetadas pelo chefe do Executivo, na próxima sessão do Congresso Nacional, marcada para esta quinta-feira (14). Os oposicionistas se articulam com o Centrão e garantem: não admitem negociar nem o marco temporal, nem a desoneração da folha de pagamento.

Esses temas são considerados prioritários para deputados e senadores, principalmente de partidos de oposição ao governo, que consideram os vetos infundados e preocupantes.

O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Evair de Melo (PP-ES), disse que “não há nenhum tipo de acordo no Congresso que permita manter o veto de Lula ao marco temporal”. Lula vetou partes do projeto, que após passar pela Câmara seguiu para o Senado e foi aprovado poucos dias após a derrubada da tese da demarcação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Já o projeto que prorrogou a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia, como indústria e serviços, entre outros, foi aprovado pelo Senado em outubro, e permitia que estes setores ficassem isentos ou tivessem redução de impostos e encargos até dezembro de 2027. Neste caso, o presidente da República decidiu vetar o texto integralmente, o que provocou insatisfação e críticas entre os setores atingidos pelo veto e a classe política.

Presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), é um dos que lideram a mobilização pela derrubada do veto. “Nós não abrimos mão. Tem dois pontos aí que para nós, não adianta nem conversar: marco temporal e desoneração da folha, isso não tem conversa, não tem acordo, não tem meio termo”.

Marco Temporal: polêmica sobre demarcação de terra se arrasta desde o início do ano

No caso do marco temporal, por exemplo, a polêmica vem desde o início deste ano, quando a Câmara dos Deputados aprovou, em maio, o Projeto de Lei 490/2007, que fixou a data de 5 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal – como data limite para a demarcação de terras indígenas no Brasil, se antecipando à análise do tema pelo plenário do STF.

Em setembro, a Corte derrubou a tese e decidiu que a demarcação independe do fato de que as comunidades indígenas estivessem ocupando ou disputando a área na data da promulgação da Constituição de 1988.

Menos de uma semana após a decisão do STF, numa reação ao que chamaram de ‘usurpação’ de poderes do Legislativo, deputados e senadores iniciaram um movimento de obstrução no Congresso, paralisando as atividades dos plenários da Câmara e Senado no primeiro dia, com apoio de diversas frentes parlamentes, entre elas a da Agropecuária, uma das mais influentes no Parlamento, e aprovaram o marco temporal no Senado Federal.

Este texto, enviado para sanção do presidente, teve trechos vetados, entre eles artigos que tratam da obrigatoriedade de indenização a proprietários de terra em disputa; a necessidade de indenizar benfeitorias realizadas em áreas em disputa; e a permissão para que não-indígenas, que tivessem posse da área demarcada, pudessem usufruir da terra objeto da demarcação até que fosse concluído o procedimento demarcatório e indenizadas as benfeitorias; entre outros pontos.

O mal estar em torno dos vetos aumentou nos últimos dias, com a declaração do presidente Lula, durante a COP-28, em Dubai, que ao admitir a possibilidade de derrubada do veto ao marco temporal, disse que “a gente tem que se preparar para entender que ou nós construímos uma força democrática capaz de ganhar o poder Legislativo, o poder Executivo, e fazer a transformação que vocês querem, ou nós vamos ver acontecer o que aconteceu com o Marco Temporal”.

“Querer que uma raposa tome conta do nosso galinheiro é acreditar demais. E nós temos que ter consciência do papel da política que a gente tem que fazer”, afirmou o petista.

Em resposta, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nota em que afirma que as falas de Lula criminalizam o Legislativo. O presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirma ter os votos necessários para derrubar o veto.

Desoneração da folha: Frentes lançam manifesto em defesa da prorrogação

Em outra frente, deputados e senadores também marcaram posição sobre a necessidade de derrubada do veto do presidente Lula à prorrogação da desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. Reunidas, 11 frentes parlamentares, como a de Comércio e Serviços, Empreendedorismo, e Construção Civil lançaram manifesto pela derrubada.

O manifesto diz que a desoneração “tem sido fundamental para a manutenção e geração de empregos em setores chave da economia, que a manutenção de empregos e o estímulo à atividade econômica também geram receitas por meio do consumo e do recolhimento de outros impostos” e que “a derrubada do veto é o caminho mais acertado para dar segurança e garantir os empregos”.

O presidente da Frente do Empreendedorismo, Joaquim Passarinho, afirma que “esse veto prejudica o emprego no Brasil e nós vamos defender sempre a geração cada vez maior de emprego”. Segundo o deputado, foram meses tratando do tema no Congresso, e o governo nunca viu problemas no texto, até vetar integralmente o projeto aprovado, prometendo que a Fazenda se encarregaria de nova proposta.

Na segunda-feira (11), o ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse que a proposta alternativa, que continua sendo um mistério, seria apresentada após a votação da reforma tributária na Câmara dos Deputados.

O texto vetado por Lula, que foi aprovado tanto pelos deputados quanto pelos senadores, estende a desoneração, que vence no próximo dia 31 de dezembro, até 2027, permitindo assim que as empresas que integram os 17 setores beneficiados pela medida, e as que mais empregam no país, substituam a alíquota previdenciária de 20% sobre os salários por uma alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

Um dos setores prejudicados pelo veto do presidente Lula à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos é o de serviços, onde se inserem as empresas de comunicação, responsáveis por empregar milhares de pessoas, e que poderá sentir os impactos negativos da medida caso o veto não seja derrubado.

Para a deputada Any Ortiz (Cidadania-RS), que relatou o projeto na Câmara, “é sempre importante reforçar que estes 17 setores são responsáveis por cerca de 9 milhões de empregos. O Congresso Nacional não permitirá que o governo coloque na rua milhões de trabalhadores às vésperas do Natal.”

Segundo cálculos dos setores afetados, acabar com as alíquotas significa mais pessoas na fila do desemprego, uma vez que as empresas não conseguirão absorver essa carga, passando a demitir.

Impasse em torno de vetos tem adiado sessão do Congresso desde novembro

Desde o início de novembro, líderes tem tentado, sem sucesso, emplacar uma sessão conjunta do Congresso Nacional, que reúne deputados e senadores, para analisar outros vetos presidenciais. Depois de dois adiamentos, a sessão deve ocorrer nesta quinta-feira (14), quando devem ser analisados 39 vetos, parciais e totais, e outros 20 projetos de lei do Congresso Nacional (PLNs) – proposições que tratam de matéria orçamentária de iniciativa exclusiva do chefe do Executivo relacionadas especialmente à abertura de crédito suplementar e especial no Orçamento.

Além dos vetos ao marco temporal e a desoneração da folha de pagamento, Lula também vetou trechos do arcabouço fiscal e do projeto que reestabeleceu o voto de qualidade no Conselho Administrativo Fiscal (Carf), matérias determinantes para o cumprimento da meta fiscal, e priorizadas no primeiro semestre do ano na Câmara dos Deputados, com empenho pessoal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e muita negociação entre parlamentares e governo.

No caso específico do Carf, o deputado Joaquim Passarinho lembra que ao ser costurado o acordo para aprovação da matéria, no início de julho, o governo se comprometeu a parcelar as dívidas do contribuinte, em caso de empate, em 12 vezes, sem juros nem correção monetária, e depois vetou essa parte. Para Passarinho, o governo deverá tentar um acordo no sentido de deixar passar o marco temporal, como aprovado, e em troca, manter o veto do Carf.

Lula também vetou partes do marco fiscal aprovado pelos parlamentares que estabelecia “travas” para que o governo não pudesse eliminar despesas para equilibrar suas contas. “É simples, você não pode tirar a conta de luz para equilibrar as contas da casa. E ele vetou isso. Aí é fácil, os programas sociais não contam no balanço, aí é fácil equilibrar meu balanço tirando despesa, e não economizando”, completa o deputado.

O parlamentar admite que sobre esses temas é possível conversar, mas sobre marco temporal e desoneração da folha “não tem conversa”. Os vetos de Lula serão derrubados com a maioria dos votos dos parlamentares de cada casa – 257 deputados e 41 senadores.

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Lira contraria Ciro Nogueira e diz que PP é base do governo Lula

Arthur Lira afirmou que PP estará junto com Lula

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Arthur Lira ao lado de Lula
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Arthur Lira ao lado de Lula

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou neste domingo (19) em entrevista à Folha de S.Paulo que as bancadas do PP e Republicanos na Casa agora fazem parte da base de apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa mudança ocorreu após um acordo que resultou na indicação de ministros dos partidos para o governo.

“Há uma aproximação de partidos de centro que não faziam parte da base do governo para essa adesão. É claro que, quando um partido indica um ministro que era líder de um partido na Câmara [caso de André Fufuca, do PP, que virou ministro do Esporte], a tendência natural é que esse partido passe a ser base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados, como Republicanos, como outros partidos”, comentou.

Segundo Lira, a aproximação de partidos de centro, que anteriormente não faziam parte da base governista, levou à adesão dessas legendas à base de apoio de Lula na Câmara dos Deputados. Ele enfatizou que esse apoio se refere à atuação política no Congresso e não necessariamente a outros projetos políticos.

“Estamos tratando de base de apoio. Não estamos tratando de outros tipos de projetos [políticos], por enquanto. Não quer dizer que [isso] não possa avançar, mas por enquanto nós estamos falando de apoio político no Congresso”, pontuou.

Lira destacou que o PP, apesar de seu presidente, o senador Ciro Nogueira, ter uma postura de oposição ao governo, passou a integrar a base de apoio a Lula na Câmara dos Deputados. No entanto, ele ressaltou que não é possível garantir que todos os 49 deputados do PP votem conforme os interesses do Palácio do Planalto.

Com a entrada do PP e Republicanos no governo, Arthur Lira acredita que a base de apoio a Lula na Câmara alcance entre 340 e 350 votos, o que seria suficiente para a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs).

Lira negou que as negociações para a entrada desses partidos na base de apoio tenham caráter de fisiologismo e explicou que o presidente Lula optou por essa estratégia para formar sua base, trazendo os partidos para ocupar espaços na Esplanada dos Ministérios, semelhante ao que ocorreu no início de seu governo com PSD, União Brasil e MDB.

“Eu sempre combati isso [presidencialismo de coalizão]. Mas essa é a maneira escolhida pelo governo que foi eleito democraticamente. O presidente Lula escolheu essa maneira de formar sua base, trazendo os partidos para ocupar espaço na Esplanada dos Ministérios”, explicou.

O presidente da Câmara também mencionou que a Caixa Econômica Federal terá indicações políticas, e ele fará parte desse processo, mas a intenção é contemplar não apenas o PP, mas também outros partidos do Centrão.

Por Ig




Com Centrão, governo Lula pode ter base de 374 deputados e 59 senadores

Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por Pedro Jordão

Com apoio dos parlamentares do Centrão após realizar possíveis trocas nos comandos dos ministérios, o governo Lula poderia passar a ter uma base de 374 deputados federais.

Ao todo, a Câmara tem 513. Já no Senado Federal, o governo poderia passar a ter apoio de 59 entre os 81 membros da Casa.

A projeção foi apontada pela consultoria Arko Advice a partir dos planos do governo para uma reforma ministerial.

Atualmente, a estimativa do governo sobre a “base ampliada” é de 284 deputados e 49 senadores. Considerando a bancada eleita, que são os partidos que integram a chapa de Lula diretamente, há, atualmente, aproximadamente 121 deputados e 12 senadores.

Consultoria aponta provável aumento da base governista a partir do apoio de partidos do chamado Centrão / Reprodução

A Arko Advice também estimou o apoio ao governo na Câmara dos Deputados durante o primeiro semestre dos últimos governos. Em 2003, Lula teve 63,74% de apoio. No segundo mandato dele, em 2007, 54,20%.

Já o primeiro governo Dilma, em 2011, teve apoio de 54,10%. No segundo mandato de Dilma, que começou em 2015, o apoio caiu para 46,13% na Câmara. Ela sofreria o impeachment um ano depois.

No primeiro semestre de Bolsonaro, o apoio foi de 58,29%. E, agora, no primeiro semestre do terceiro mandato de Lula, o apoio dele na casa legislativa foi de 57,06%.

Consultoria apontou a porcentagem de apoio na Câmara nos últimos governos / Reprodução

 




Janja entra em campo para afastar Centrão de comando do Bolsa Família

Janja durante a cerimônia de diplomação de Lula. Foto: Lula/Ricardo Stuckert

Por Daniel Rittner

Em meio às pressões de partidos do Centrão para ganhar mais espaço no governo, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, gravou um vídeo ao lado do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), cuja pasta é cobiçada pelo PP.

O partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), entregou 40 dos 49 votos possíveis na votação da reforma tributária em primeiro turno. Para se comprometer mais fortemente com o governo, o PP vinha pleiteando o comando do Ministério da Saúde.

No entanto, diante da disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em manter Nísia Trindade na Saúde, o foco da legenda passou a ser o Ministério do Desenvolvimento Social, que está à frente do Bolsa Família e participa ativamente do Programa de Aquisição de Alimentos.

No vídeo gravado na sexta-feira (7), Janja manda um recado indireto a quem pretende assumir o ministério. Ela visitou o gabinete de Wellington Dias e fez o vídeo ao lado dele e de secretárias da pasta – incluindo a secretária de Renda e Cidadania, Eliane Aquino, responsável pelo Bolsa Família.

“Eu estou aqui no MDS, e esse é o coração do governo. O presidente Lula fala que a população mais pobre do Brasil é a prioridade desse governo”, disse Janja. “Então, o Ministério do Desenvolvimento Social é que atende as políticas públicas feitas para essa população, são pensadas aqui”, acrescentou Janja.

“Acabamos de fazer uma reunião muito importante, eu aprendi muito aqui, tirei muitas dúvidas e eu quero contar para vocês que a gente tem muitos projetos muito legais vindo aí pela frente, o Brasil Sem Fome está chegando e a gente está muito feliz. O trabalho, aqui, está acontecendo, e a realidade do Brasil está mudando a cada dia. Todos juntos pela união e reconstrução do Brasil”.




Por que o Centrão e Lula conversam por uma aliança

Presidente Lula tenta aprovar as pautas do governo com mais facilidade e o Centrão quer ter mais recursos

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Lula ao lado de Arthur Lira
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Lula ao lado de Arthur Lira

Nos corredores de Brasília, uma das principais discussões tem sido a respeito das negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças Centrão. As conversas têm despertado interesses e dividido opiniões, pois envolvem a possibilidade de uma aliança entre Lula e partidos como PP, PL e Republicanos. A expectativa é que ocorra uma reforma ministerial ainda neste segundo semestre.

Apesar de ter sido muito criticado ao longo do governo Bosonaro, o Centrão se manteve com grande poder no Congresso Nacional e agora busca ter maior espaço no Palácio do Planalto, já que as siglas que compõe o bloco possuem diferentes interesses e preferem ter alianças estratégicas.

Diferente do seu antecessor, Lula sempre deixou claro que senta para negociar com qualquer político eleito. Porém, ao longo das negociações, avisou que não aceitará chantagem. Qualquer mudança no governo precisará ter o seu aval, mesmo o petista querendo ampliar seu leque de alianças.

Arthur Lira (PP-AL) e seus aliados enxergam na união com Lula uma oportunidade de aumentar a influência política, ocupando espaços estratégicos no governo e obtendo recursos para suas bases eleitorais.

Porém, líderes do Centrão sabem que precisarão explicar a aliança com o governo federal, já que estiveram muito conectados com Bolsonaro. Lira é um dos que entrará na mira dos bolsonaristas, caso confirme sua entrada e de aliados na gestão petista.

Lula também deverá ser cobrado e acusado por figuras de uma esquerda mais radical de incoerência ideológica. Porém, o presidente falou publicamente que seu objetivo é ter um governo que dialogue com todos os setores da sociedade.

O entorno de Lula também usa como argumento que a política brasileira é complexa, o que leva governantes a realizarem alianças pragmáticas ao invés de estar apenas com representantes que possuem a mesma afinidade ideológica.:

As negociações entre Lula e o Centrão representam a dinâmica da política nacional. Alianças e negociações fazem parte do jogo, gerando críticas, mas também apresentando soluções, como a aprovação de projetos importantes para o Palácio do Planalto.

Diferentemente do que ocorreu com a votação da reestruturação dos ministérios, o atual presidente não quer mais passar sufoco no Congresso Nacional.




Ministérios de Lula chefiados por mulheres são os mais cobiçados por aliados

Daniela do Waguinho. Foto: Reprodução/YouTube TVT

Por Leonardo Ribbeiro e Thayana Araújo

Os ministérios chefiados por mulheres têm sido os alvos mais frequentes da pressão de parlamentares que buscam mais espaço no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Recentemente, o presidente precisou fazer uma defesa pública da ministra da Saúde, Nísia Trindade, diante das insinuações de neoaliados de que a pasta estaria em jogo.

“Tenho a certeza de que poucas vezes tivemos a chance que temos hoje, de ter uma mulher com a qualidade da Nísia Trindade para cuidar do povo”, disse Lula em discurso na Conferência Nacional de Saúde.

Ex-presidente da Fiocruz, Nísia Trindade foi alçada a ministra por ser técnica. Não é filiada à partido político.

Em condição semelhante, a ministra Ana Moser também tem visto sua pasta ser cobiçada, sobretudo, por deputados do chamado centrão.

O ministério do Esporte tem orçamento baixo se comparado a outras áreas do governo. Para 2023 a previsão é de R$ 1,9 bilhão.

No entanto, esse valor pode ser turbinado com emendas parlamentares e com a renda que poderá ser obtida com a regulamentação das apostas esportivas no país. A proposta está prestes a ser encaminhada ao Congresso Nacional.

Ao contrário das duas colegas que estão se mantendo no cargo, com a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, não deu certo.

Depois de integrantes do governo confirmarem que ela seria substituída, a aliada do presidente colocou o cargo à disposição. A troca deve ocorrer nesta semana.

Com as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e a dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, não houve pressão pública para “entrega dos ministérios” em troca de apoio.

No entanto, as duas pastas foram esvaziadas quando os deputados e senadores votaram a medida provisória que reestruturou o governo.

Questões importantes, como Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a demarcação de terras indígenas, passaram a ser tratadas por outros ministérios.

Caixa na mira

A busca por espaço por parte dos novos aliados não está restrita à administração direta. E assim como a “coincidência” em relação aos ministérios, o alvo é ocupado por mulher: a presidência da Caixa Econômica.

Atualmente, o cargo é ocupado pela funcionária de carreira do banco Rita Serrano.

Segundo apurou a reportagem, o posto passou a ser desejado por integrantes do centrão tão logo a Câmara dos Deputados aprovou a reforma tributária.




Ex-ministros de Bolsonaro criticam aliança do governo com centrão

“Uma das frentes que a gente está sofrendo grandes ataques, os conservadores, é justamente uma turma do centrão”, disse Weintraub.

As declarações dos antigos integrantes do governo foram feitas durante live do “ConservaTalk”, programa no Youtube do qual os dois fazem parte, ao lado do também ex-ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e de outras personalidades do campo da direita. (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) — Os ex-ministros do presidente Jair Bolsonaro (PL) Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) fizeram críticas, nesta segunda-feira (17), à aliança do chefe do Executivo com partidos do centrão.

Para o ex-chefe da Educação, os conservadores foram “substituídos por essa turma”. O ex-chanceler, por sua vez, disse que o bloco político “começou a dominar o governo e pautar o governo”.

As críticas ao centrão começaram quando o líder religioso Silas Malafaia disse que os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Fábio Faria (Comunicações) não fizeram esforço para aprovar do nome de André Mendonça para Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação demorou quatro meses e meio para ser analisada pelo Senado.

“Uma das frentes que a gente está sofrendo grandes ataques, os conservadores, é justamente uma turma do centrão”, disse Weintraub. “Um grande obstáculo que nós conservadores estamos passando, estamos sendo atacados continuamente, e fomos substituídos por essa turma do centrão que você citou”, emendou o ex-ministro.

As declarações dos antigos integrantes do governo foram feitas durante live do “ConservaTalk”, programa no Youtube do qual os dois fazem parte, ao lado do também ex-ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e de outras personalidades do campo da direita.

Apesar das críticas, Salles, Malafaia e o deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) afirmaram que a era necessário manter o grupo próximo ao governo. “Essa história do Centrão também não pode virar um cavalo de batalha. Por quê? Porque a política é feita de alianças. A política é feita de união”, afirmou o ex-chefe do Meio Ambiente.

O ex-chanceler reforçou as críticas do colega que comandava a pasta da Educação. Ernesto Araújo foi demitido em março do ano passado por pressão do Congresso.

“E o que aconteceu quando o centrão começou a dominar o governo e pautar o governo? Fui cada vez mais isolado e tirado da capacidade de levar adiante essa política externa transformadora. Porque esse Centrão que veio aí é um Centrão que acha que política externa é fazer tudo que a China quer”, disse.

MORO COMENTA

O ex-juiz Sergio Moro, que comandou a pasta da Justiça e Segurança Pública, foi ao Twitter dizer que o centrão “dá as cartas” no governo Bolsonaro. “O centrão dá as cartas no governo Bolsonaro, como deu nos governos PT. Ajustam-se os interesses, o discurso e pronto”, escreveu o ex-ministro.

O comentário foi feito por Moro ao comentar a vitória do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao conseguir emplacar o economista José Gomes da Costa como presidente interino do Banco do Nordeste (BNB).

Moro é pré-candidato à presidência pelo Podemos e aparece em terceiro lugar nas pesquisas de opinião, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro.




Bolsonaro ataca Moraes e diz que “não cumprirá” decisões do ministro

Ao discursar para apoiadores na Avenida Paulista, presidente diz que ‘só Deus’ o tira de Brasília, critica governadores e urnas eletrônicas

Bolsonaro discursou na Av. Paulista
Reprodução / CNN Brasil

Bolsonaro discursou na Av. Paulista

Em discurso durante ato de seus apoiadores na Avenida Paullista, na tarde desta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que “só Deus” o tira de Brasília . O presidente atacou diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ao pedir a soltura de aliados que foram detidos por participarem de manifestações que atentam à Constituição . Bolsonaro disse que Moraes deveria “se enquadrar” ou “pedir para sair”.

Bolsonaro afirmou que não vai admitir que “pessoas como Alexandre de Moraes continuem a açoitar a Constituição”, embora não tenha explicado a que atitudes do ministro estava se referindo. Moraes é responsável por inquéritos que apuram o financiamento de atos antidemocráticos e já determinou o cumprimento de medidas judiciais contra bolsonaristas .

Em cima de um carro de som, o presidente voltou a criticar a urna eletrônica e as medidas de restrição de circulação adotada por governadores para frear a pandemia do coronavírus, principalmente no ano passado.

Em uma  fala direcionada a seus apoiadores, que lotavam a avenida, Bolsonaro disse que não presta conta a partidos políticos, só a seus seguidores.

“Só Deus me tira de Brasília”, afirmou Bolsonaro, em relação ao seu futuro político.

Ao dizer que estava dando um recado a quem classificou como “canalhas” que querem tirá-lo da presidência, voltou a dizer que só tem três finais possíveis para ele em 2022: “(Só saio) Preso, morto ou com vitória. Direi aos canalhas que eu nunca serei preso”.

Em direção a Alexandre de Moraes, voltou a dizer que não “admitirá” medidas do ministro que atingem seus aliados: “Não vamos admitir pessoas como Alexandre de Moraes continue a açoitar nossa democracia e açoitar nossa Constituição. Ele teve oportunidade de agir com respeito a todos nós, como continua não agindo”.

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Agência O Globo