Cármen Lúcia dá nome aos bois e abre porta da cadeia a Bolsonaro

Como a Primeira Turma do STF formou maioria para condenar ex-presidente e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado

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Alexandre de Moraes e Carmen Lucia durante julgamento da trama golpista
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Alexandre de Moraes e Carmen Lucia durante julgamento da trama golpista

Nem o mais convicto apoiador de Jair Bolsonaro imaginava que Cármen Lúcia apareceria nesta quinta-feira (11) na Primeira Turma do STF com uma peruca à la Luiz Fux e livraria o ex-presidente das cinco acusações que pesam contra ele na trama golpista.

Como esperado, o voto da ministra moeu, em duas horas, o palavrório que por pouco não atravessou a madrugada no dia anterior.

Dessa vez não teve incoerência nem ginástica retórica. Nem ninguém foi dormir perguntando como Mauro Cid, um

ajudante-de-ordens, agiu contra a democracia sem ordem de ninguém. O chefe dele era Bolsonaro.

Curta, sem rodeios, e com muita alfinetada, a ministra fez o que se esperava e confirmou a condenação do ex-presidente por golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado.

Não sem antes avisar que votaria da mesma forma que sempre votou, sem acusar a (in)competência do foro da qual servia. “Seria casuísmo, gravíssimo, que alguns fossem julgados depois da mudança e fixação das competências que já exercemos inúmeras vezes e voltar atrás nessa matéria”, disse ela, antes de soltar a metralhadora.

Para bom entendedor, meia referência basta.

Carmen Lúcia fez o que Fux se negou a fazer num tempo seis vezes mais elástico: não ignorou a gravidade dos fatos nem evitou dar nome aos bois. “O 8 de janeiro de 2023 não foi uma acontecimento banal depois de um almoço de domingo quando as pessoas saíram para passear”, disse ela, alinhada à fala do relator, Alexandre de Moraes.

Se valesse o argumento do ministro, qualquer liderança poderia passar a vida dizendo que o legal era pular do quinto andar para curar a tosse – e, caso uma pessoa ou uma multidão o acompanhassem, tudo não passaria de uma decisão individual, em um caso, e de liberdade de expressão, do outro.

Cármen Lúcia fez questão de lembrar que não se brinca com a democracia. Caso contrário, o risco é ver o tiro acertar em quem senta ao nosso lado – no caso, Moraes, comprovadamente um alvo de planos de assassinato impressos em órgãos oficiais por servidores pagos para governar, e não para botar fogo no parque quando perdem as eleições.

O fogo, aqui, não é alegoria.

“Quando se chama os kids pretos, caminhoneiros, tudo isso junto é de enorme violência. É violência praticada, violência institucional, violência política e violência direta contra os integrantes do Poder Judiciário”, arrematou a ministra.

Com o voto, a Primeira Turma formou maioria para condenar Bolsonaro, o primeiro ex-presidente a ser sentenciado por tentar dar um golpe de Estado no país.

O voto do ministro abriu algumas brechas para a contestação da defesa do ex-presidente e os outros sete réus no núcleo crucial. Mas as portas para a cadeia estão abertas.

Até sexta-feira serão fixadas as penas de todos eles. E ela será maior do que esperava a defesa, que tentou de toda forma mostrar que abolição violenta do Estado democrático de Direito e tentativa de golpe eram crimes sobrepostos e não deveriam ampliar a pena certa.

A maioria dos ministros mostrou que sim: para o golpe dar certo, os acusados planejaram tirar de cena as autoridades capazes de detê-los.

Tudo planejado, confessado (por alguns) e documentado. Fux fingiu que não viu a gravidade de nada em 12 horas de argumentação. Cármen Lúcia não deixou barato. Nem deixou passar.

Bolsonaro vai agora jogar todas as cartas na aprovação de um projeto de anistia que o mantenha solto e o reabilite para o jogo em 2026. A pressão no Congresso será cada vez maior. No caminho estão a caneta do presidente Lula (PT) e o próprio Supremo.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

 




Cármen Lúcia ressalta segurança das urnas e compromisso do TSE com vontade do eleitor

Durante visita ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) nesta sexta-feira (23), a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ressaltou o compromisso com a vontade do eleitor depositada nas urnas. Cármen Lúcia também garantiu a segurança da urna e proclamação do resultado apurado.

“Estamos permanentemente em contato com os presidentes dos tribunais regionais eleitorais e nós estamos juntos em tudo aquilo que for para o cumprimento do nosso dever, que é garantir a cada eleitora, a cada eleitor brasileiro uma eleição que tenha a excelência que caracteriza a prestação desse serviço aos cidadãos brasileiros, para a garantia de liberdade de cada cidadã, de cada cidadão, de escolher quem ele quer para seu representante, numa urna que é segura, auditável e transparente. O que ele ali colocar como sua escolha, sua opção, vai ser apurado, o que for apurado vai proclamado e o que for proclamado como resulto de êxito será garantido ao candidato que vencer o pleito”

Cármen Lúcia disse que nas últimas eleições no país os eleitores estiveram isolados em face da pandemia da Covid-19 e polarização política, e que os eleitores devem agora ter garantia e segurança para irem felizes às urnas.

“A gente espera que cada eleitor tenha o sossego, transparência e a garantia de ele vai sair alegremente de casa. Nós estivemos isolados por um vírus de pandemia, que nos contaminou senão em termos físicos, em termos de saúde e social em 2020. Estivemos isolados em 2022 por raivas, por desavenças desproporcionais, inúteis, desumanas. Chegamos em 2024 e o que nós queremos é chegar junto a esse Brasil, que nas eleições possa comparecer, exercer os seu direitos e tem o Poder Judiciário que garante a ele o exercício dessa plena liberdade”, afirmou a ministra.




TSE elege hoje substituto de Moraes que comandará eleições de 2024

Atual presidente, ministro Alexandre de Moraes, deixa o cargo no dia 3 de junho

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iG Último Segundo

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Ministra Cármen Lúcia deve assumir o posto
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Ministra Cármen Lúcia deve assumir o posto

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizará, nesta terça-feira (7), a eleição que define o próximo presidente da Corte, que ficará responsável por comandar os pleitos municipais de 2024 .

Pelo costume, a ministra Cármen Lúcia deve assumir o posto em junho, com o ministro Nunes Marques de vice.

A votação ocorre para oficializar o novo presidente. Quem assume o comando do tribunal deve ser magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) e com mais tempo na Corte eleitoral. Pela lista, Cármen é a próxima por ser membro titular do TSE desde agosto de 2022.

Até o momento, o ministro  Alexandre de Moraes tem o cargo de presidente do tribunal. O mandato do magistrado na presidência do TSE termina em 3 de junho.

Cármen Lúcia

Esta não é a primeira vez que Cármen comanda a Justiça Eleitoral. Ela já assumiu o posto entre abril de 2012 e novembro de 2013, e foi a primeira mulher a chegar à presidência do TSE.

A magistrada tem 70 anos, é natural de Minas Gerais e é ministra do STF desde 2006, quando foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No currículo, Cármen conta com graduação pela Faculdade Mineira de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e mestrado em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de ter sido professora titular da PUC Minas.

Antes de entrar no STF, Cármen Lúcia assumiu a Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da Seccional de Minas Gerais no ano de 1990 e, entre 1994 e 2006, foi membro da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da OAB.




Flávio Dino segue Moraes e vota para condenar réus em primeiro julgamento sobre 8 de janeiro

Flávio Dino também sugeriu ao presidente que seu então número dois no MJSP, Ricardo Cappelli, fosse indicado interventor.

Flávio Dino, Ministro, STF

Flávio Dino, ministro do STF (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, votou, nesta quinta-feira (29), para condenar mais 15 réus acusados de serem os executores dos ataques às sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, em Brasília. Ele seguiu a posição do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

Essa foi a primeira participação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma sessão de julgamento envolvendo acusados de participar dos atos.

Enquanto chefe do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Dino esteve no centro das ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em resposta aos atos. Coube a ele, conforme relatou depois, sugerir a Lula medidas a serem tomadas em Brasília em 8 de janeiro, antes da escolha pela intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal.

Dino também sugeriu ao presidente que seu então número dois no MJSP, Ricardo Cappelli, fosse indicado interventor. A indicação teve a concordância de Lula.

Agora no Supremo, Dino seguiu integralmente a posição de Moraes, e não apresentou um voto próprio escrito. Até o momento, há também o voto de Cármen Lúcia, seguindo o relator.

A análise das ações é feita em sessão virtual que começou nesta sexta (23) e vai até esta sexta (1). Neste formato de julgamento, não há debate entre os ministros, que votam por meio de sistema eletrônico.

Durante a votação, é possível pedir vista (o que paralisa a análise) ou destaque (que zera o placar e pode remeter o julgamento ao plenário físico da Corte).

Moraes propôs penas de 14 a 17 anos, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa e de indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos (em conjunto com os demais condenados pelo caso).

Cada ação é analisada e julgada de forma individual. Todos são acusados de integrar o núcleo dos executores dos atos que levaram à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

Eles respondem pelos crimes de:

  • Associação criminosa armada;
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

As denúncias foram oferecidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Números

Até o momento, 101 pessoas foram condenadas pelo STF por terem participado da invasão aos prédios dos Três Poderes.

No total, foram instauradas 1.354 ações penais contra participantes dos atos de 8 de janeiro.

Dessa quantidade, 1.113 ações foram suspensas para que a PGR avalie a possibilidade de firmar acordos com os réus acusados dos crimes menos graves. Esse grupo é acusado de incitação ao crime e associação criminosa.

Moraes já validou 38 acordos, que impedem a condenação dos acusados desde que eles cumpram regras como participar de curso sobre democracia, pagar multa e prestar serviços à comunidade.

Fonte: CNN Brasil




Defensoria pede para STF manter moradores no Porto do Capim, em JP

Ação será relatada pela ministra Cármen Lúcia, do STF

A Defensoria Pública da União apresentou, na última quinta-feira (10), uma contestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) no recurso apresentado pela Prefeitura de João Pessoa no caso envolvendo a habitação de pessoas no Porto do Capim, no Centro Histórico da Capital.

A gestão pede para ser autorizada a remover moradores que habitam em área de risco nas imediações do Porto do Capim, no Centro da Capital. A ação, que o Portal MaisPB teve acesso, será relatada pela ministra Cármen Lúcia.

Por determinação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a administração municipal só pode fazer a retirada da população mediante acordo prévio. A Prefeitura, no entanto, argumenta que é impossível manter os moradores em condições precárias, por mais que eles insistam.

A Defensoria alega, no entanto, que o “sossego” na região vem sendo afetado desde que a Prefeitura decidiu, ainda na gestão Luciano Cartaxo (PT), revitalizar o local.

“A verdade é que a Comunidade do Porto do Capim está bem estabelecida no seu território há mais de 70 anos e não está sob risco, a não ser pelas condutas ilegais que vinham sendo praticadas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa e que ameaçam o sossego e a existência da Comunidade Tradicional em questão, mas que foram paralisadas a partir do pronunciamento judicial que o Município pretende reverter por intermédio da presente Reclamação”, disse a defensoria.

sugestão da gestão Cícero Lucena (PP) é que, em a reclamação sendo acatada, essas pessoas passem a receber o auxílio aluguel no valor de R$ 350 e posteriormente sejam beneficiadas com uma casa ou apartamento no residencial que será construído próximo ao Centro Histórico da Capital, onde antes funcionava uma concessionária de veículos.

Das 124 casas habitadas no Porto do Capim, 65 já haviam acordado, inclusive durante a gestão Luciano Cartaxo (PT) para sair voluntariamente do local considerado perigoso para manter moradia. Essa população foi deslocada para o novo Residencial Saturnino de Brito, no Bairro do Varadouro, localizado no raio de 2 km da Vila Nassau e Praça 15 de Novembro.

O Ministério Público Federal foi quem lutou para evitar a retirada dos moradores sob o argumento de que as casas deveriam ser mantidas no local já que a “comunidade estaria enquadrada como tradicional”

Já um estudo realizado pela Prefeitura de João Pessoa não identificou nenhum reconhecimento das referências culturais da comunidade Porto do Capim e Vila Nassau, como parte de patrimônio imaterial protegido, ou salvaguardado pelo IPHAN.

“A comunidade não apresentou continuidade histórica, visto que não ocupa e usa o território e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição, e dessa forma não julgamos relevância para a memória, não havendo, até o presente momento, qualquer reconhecimento oficial sobre a tradicionalidade da comunidade situado no Porto do Capim”, diz a análise.

A prefeitura também argumenta que não pode deixar que as pessoas continuem morando em áreas de riscos, mesmo mediante as determinações da justiça.

“A área é considerada de alto risco sendo a intervenção do poder público fundamental para evitar a omissão estatal e preservar a vida das pessoas que alí habitam. Nos autos do processo, nós mostramos que o STF impôs algumas condicionantes para retirada de algumas pessoas que ocupam áreas irregulares ou da risco  mas coloca essa necessidade de concordância para retirada. Mas  não imperativa  nas situações que os próprios moradores encontram-se habitando uma área de risco”, enfatizou a procuradora do município, Thais Ferreira, em entrevista ao Programa Hora H, da Rede Mais Rádio.




Ministra pede informações ao governo sobre monitoramento de parlamentares e jornalistas

A ministra Cármen Lúcia requisitou informações da Secretaria de Governo (Segov) e da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 765, ajuizada pelo Partido Verde (PV) para impedir a produção, pelo governo federal, de relatórios criados a partir do monitoramento de redes sociais de parlamentares e jornalistas.

Na decisão, a ministra solicita que as informações sejam enviadas, com urgência e prioridade, no prazo máximo e improrrogável de 48 horas. A medida foi tomada com base no artigo 10 da Lei das ADIs (Lei 9.868/1999), aplicável à ADPF. Segundo o dispositivo, salvo no período de recesso, a medida cautelar será concedida após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela lei ou pelo ato normativo impugnado.

Liberdade de expressão

Na ADPF, o Partido Verde argumenta que o monitoramento de redes sociais de parlamentares e jornalistas é uma grave lesão ao preceito da liberdade de expressão, da manifestação do pensamento e do livre exercício profissional.

A ação baseou-se em matéria da revista Época que noticiou que pelo menos 116 parlamentares tiveram suas redes sociais monitoradas a pedido da Segov (105 deputados federais, nove senadores, uma deputada estadual e um vereador).

Segundo o partido, há, na prática, indícios de desvio de finalidade na contratação de empresa privada com verba pública, motivo pelo qual informa que o Ministério Público solicitou que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure se a medida atende ao interesse público.

Leia mais:

4/12/2020 – Partido contesta monitoramento de parlamentares e jornalistas pela Presidência da República

www.reporteriedoferreira.com.br    /STF