Estratégia de combate à Covid-19 precisa ser repensada, diz Teich

 

Ex-ministro da Saúde deixou o comando da pasta após discordar do presidente Jair Bolsonaro em relação à reabertura das atividades econômicas

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich disse neste domingo (12) em entrevista à GloboNews que a estratégia do governo federal de combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), precisa ser repensada.  Teich deixou o comando da pasta no dia 15 de abril, menos de um mês após assumir o cargo.

Para o antigo ministro, a pasta sofre com a falta de informação e inteligência. Para Teich, no entanto, essa deficiência se dá por conta do comportamento que a Covid-19 tem. “Ela é uma doença que muda todos os dias. A cada dia é uma nova dinâmica. A gente precisa ficar em um processo de eterna reformulação de estratégia”, afirmou Teich.

Ainda de acordo com o médico, isso mostra as fragilidades que o sistema de monitoramento e gestão tem na pandemia do novo coronavírus. “Uma das fragilidades, até para você conseguir liderar e coordenar, é ter informação. Se eu não sei o que acontece na ponta, eu não consigo entender o que está acontecendo ao longo do caminho e eu não consigo planejar, eu não consigo reestruturar”, disse o ex-ministro.

Um dos exemplos que Teich citou foi a dificuldade em saber qual era a diferença nas taxas de mortalidade nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em cada região do Brasil.

“E o que fazia com que a mortalidade fosse diferente? Eram os profissionais, era o equipamento, era alguma estratégia de tratamento que acontecia em determinado lugar? Se eu tivesse essa informação eu poderia saber quem performa melhor, quem trata melhor e essa pessoa seria uma referência para o resto do sistema”, completou.

Nesse sentido, o médico explica que, caso essas informações estivessem disponíveis, as boas práticas poderiam ser aplicadas em todas as regiões. Essa estratégia, no entanto, foi um dos principais pontos de críticas de Teich no combate à Covid-19. Ele dizia que nenhuma região do Brasil era igual, por isso as medidas de enfrentamento não poderiam ser as mesmas .

“Quando você descentraliza sem informação e sem coordenação, você tem muita fragmentação. E o que é fragmentado é ineficiente”, afirmou.

Questionado sobre a forma como conduziu o ministério, Teich disse que poderia ter tido um desempenho melhor na comunicação com a sociedade e com integrantes do governo. “Uma coisa que eu estava muito preocupado era com a polarização que eu peguei com naquele momento e acabei deixando de fazer uma comunicação adequada”, avaliou o ex-ministro.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Ig




TRUMP PROMETE DEFENDER CORCOVADO: Escrito Por Gilvan de Brito 

TRUMP PROMETE DEFENDER CORCOVADO: Escrito Por Gilvan de Brito
Nos últimos meses uma onda de ativistas rebeldes nos Estados Unidos, em protesto contra o assassinato de George Floyd, por um policial de Mineápolis, tem provocada a derrubado de várias estátuas de personalidades, particularmente daqueles que apoiaram a escravidão, no passado. Pegando carona nesse movimento o presidente Donald Trump prometeu, na sua plataforma de governo, se reeleito em novembro próximo para um segundo mandato, proteger a estátua do Corcovado, no Brasil, “de ataques da esquerda”.
Ninguém entendeu o porquê: o Corcovado fica no Brasil, onde ele não tem autoridade para proteger monumentos públicos; não há nenhuma ameaça da esquerda brasileira contra o Corcovado. E, mais: O Corcovado nunca foi tido como símbolo racista. Trump, acusado de omissão no combate ao Coronavírus, e por isso está perdendo votos dos simpatizantes, parece que anda meio desesperado onde, no seu país, o vírus já matou mais de 130 mil pessoas, 58 mil num só dia, como se registrou na semana passada.
www.reporteriedoferreira.com.br  Por Gilvan de Brito, Jornalista, advogado e escritor.



Brasil tem 59.594 mortes por coronavírus, diz Ministério da Saúde

 

www.reporteriedoferreira.com.br Por Ig




União Europeia mantém bloqueio à entrada de pessoas do Brasil

 

União Europeia abrirá suas fronteiras externas nesta quarta-feira, mas mantém o bloqueio à entrada de pessoas do Brasil, Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Turquia, onde o coronavírus segue descontrolado

247 – Os 27 países que integram a União Europeia abrirão suas fronteiras externas nesta quarta-feira, 1º, para determinados países onde a pandemia está relativamente controlada. O Brasil ficou de fora desta medida.

Segundo a Revista Fórum, cidadãos de 14 países poderão entrar na União  Europeia: Argélia, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Geórgia, Japão, Marrocos, Montenegro, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Tailândia, Tunísia e Uruguai.

Considerados como locais onde o contágio do coronavírus está descontrolado, a União Europeia manteve o bloqueio à entrada de pessoas do Brasil, Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Turquia.

A relação de países será revisada a cada duas semanas. A proibição de entrada é para viagens “não essenciais”, como turismo. As restrições não se aplicam a estudantes, trabalhadores sazonais, passageiros em trânsito, refugiados e familiares de residentes.

Atualmente os brasileiros também estao proibidos de entrar nos Estados Unidos por conta do contágio do coronavírus no país, cujas medidas de combate vêm sendo sabotadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

 Brasil 247




Ministério da Saúde anuncia parceria para desenvolvimento e produção da vacina de Oxford para Covid-19 no Brasil

 

Ao menos 30 milhões de doses serão distribuídas entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, caso se comprove a eficácia da imunização; acordo prevê até 100 mil doses.

Brasil anuncia parceria com Universidade de Oxford para desenvolver vacina contra Covid-19

Ministério da Saúde anunciou neste sábado (27) uma parceria para a pesquisa e produção nacional da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, e a farmacêutica AstraZeneca.

O acordo prevê a transferência de tecnologia e a compra de lotes da vacina. Se for comprovada a eficácia da imunização, ao menos 30,4 milhões de doses serão entregues em dois lotes: 15,2 milhões em dezembro de 2020, e 15,2 milhões em janeiro de 2021, com prioridade para o grupo de risco e para profissionais de saúde.

Após as primeiras duas entregas, segundo o ministério, ainda poderão ser produzidas mais 70 milhões de doses para distribuição a partir do Sistema Único de Saúde (SUS).

  • ANTICORPOS: quem já teve Covid-19 pode pegar de novo?
  • PESQUISA: saiba mais sobre as candidatas a vacina
  • PREVENÇÃO:como evitar contaminação pelo coronavírus

“Nesse primeiro momento, o IFA (ingrediente farmacêutico ativo) vem pronto (do exterior)”, explicou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto. “Ele vai ser processado e distribuído para a população brasileira.”

Angotti reforçou que há, no acordo, o orçamento de importação de mais IFA para a ampliação da produção nacional. Segundo ele, a compra de mais princípios ativos será feita após uma reavaliação do mercado internacional. Ele disse também que é possível que surja outras opções concorrentes de vacina.

No Brasil, a tecnologia será desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que será preparada para fabricar a imunização distribuída no país com a tecnologia estrangeira.

Em um comunicado, a pasta formalizou que governo federal aceitou uma proposta feita pela embaixada britânica e a farmacêutica para a cooperação no desenvolvimento tecnológico e acesso do Brasil à vacina ChAdOx1.

O Ministério da Saúde anunciou neste sábado (27), uma parceria para o desenvolvimento e produção de vacina contra a Covid-19. — Foto: CDC/Unsplash

Acordo em duas etapas

O acordo tem duas etapas, diz o ministério. A primeira, consiste na encomenda de frascos da imunização e também que o país assuma os custos de parte da pesquisa. O país se compromete a pagar pela tecnologia, ainda que não tenham se encerrado os estudos clínicos finais.

Em uma segunda fase, caso a vacina se mostre eficaz e segura, será ampliada a compra. Se a vacina for licenciada, a pasta estima a compra de mais 70 milhões de doses, no valor estimado de US$ 2,30 (cerca de R$12,60) por dose.

“Nessa fase inicial, de risco assumido, serão 30,4 milhões de doses da vacina, no valor total de U$ 127 milhões, incluídos os custos de transferência da tecnologia e do processo produtivo da Fiocruz, estimados em U$ 30 milhões. Os dois lotes a serem disponibilizados à Fiocruz, de 15,2 milhões de doses cada, deverão ser entregues em dezembro de 2020 e janeiro de 2021”, diz o comunicado.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros, explicou em uma entrevista coletiva que há um “risco associado” a esta parceria.

“No desenvolvimento de uma encomenda tecnológica, existe um risco associado a ele. Os estudos preliminares de fase 1 e 2 mostram que tem uma resposta bastante significativa, mas se os estágios clínicos não se mostrarem seguros, teremos aprendido com o avanço tecnológico.”

Vacina de Oxford

Na sexta-feira (26), uma cientista da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que a vacina testada no Brasil contra a Covid-19, que é feita pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, é a mais adiantada no mundo e a mais avançada em termos de desenvolvimento.

Soumya Swaminathan disse também que uma outra vacina em fase de testes – idealizada pela empresa Moderna – “não está muito atrás” da potencial imunização da AstraZeneca. Os dois projetos estão entre as mais de 200 vacinas candidatas contra a Covid-19, das quais 15 já entraram na fase de testes clínicos, em humanos.

A vacina ChAdOx1está na fase 3 de desenvolvimento – última fase antes da aprovação e distribuição – e começou a ser testada nesta semana em voluntários brasileiros, em um estudo liderado no país pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Etapas para a produção

Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas para testar segurança e resposta imune. Primeiro há uma fase exploratória, com pesquisa e identificação de moléculas promissoras (antígenos).

O segundo momento é de fase pré-clínica, em que ocorre a validação da vacina em organismos vivos, usando animais (ratos, por exemplo).

Só então é chegada à fase clínica, em humanos, dividida em três momentos:

  • Fase 1: avaliação preliminar com poucos voluntários adultos monitorados de perto;
  • Fase 2:testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Pacientes são escolhidos de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados;
  • Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia/segurança e prever eventos adversos; só então há um registro sanitário

www.reporteriedoferreira.com.br Por G1




Protestos por George Floyd: em seis áreas, a desigualdade racial para negros no Brasil e nos EUA

 

Dados mostram que, em relação a brancos, negros brasileiros e americanos têm menos escolaridade, acesso à saúde e renda per capita; morrem mais de covid-19 e em intervenções policiais; são sub-representados no sistema político e na indústria cultural.

13 de junho – Em Londres, manifestantes gesticulam e gritam durante um protesto do ‘Black Lives Matter’ após a morte de George Floyd, nos EUA. — Foto: Simon Dawson/Reuters

A eclosão de manifestações nos Estados Unidos e no Brasil contra a violência que atinge os negros volta a lançar luz sobre a desigualdade e a representatividade racial nos dois países.

A BBC News Brasil selecionou abaixo dezenas de indicadores oficiais em seis tópicos acerca da disparidade racial.

Em resumo, em relação aos brancos, os negros brasileiros e americanos têm menos escolaridade, acesso à saúde e emprego. Morrem mais de Covid-19 e em intervenções policiais. São sub-representados no sistema político e na indústria cultural.

Os negros somam 55% da população brasileira e 12% da americana.

Cada país adota sua própria metodologia para classificação racial ou étnica. No Brasil, ela é mais flexível e em torno da autodeclaração, sendo ligada a aspectos físicos e socioculturais, por exemplo. Negros é a soma de pretos e pardos. Nos EUA, a regra é mais rígida — baseada na ascendência — para se definir como negro.

  1. Dobro da taxa de analfabetismo

No Brasil, a taxa de analfabetismo entre os negros (9,1%) de 15 anos ou mais é superior ao dobro da taxa de analfabetismo entre os brancos da mesma faixa de idade (3,9%), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2018, 6,8% da população brasileira era considera analfabeta.

Nos Estados Unidos, a taxa de analfabetismo é menor que a do Brasil (1%). Mas a desigualdade entre brancos e negros também está presente.

Segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização Adulta (NAAL, na sigla em inglês), 24% dos negros têm alfabetização abaixo do nível básico (enfrentam dificuldades para ler e compreender um texto simples), contra apenas 7% dos brancos.

O abismo persiste quando se avalia a educação superior em ambos os países.

No Brasil, o porcentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017, segundo o IBGE, em grande parte devido às cotas. Apesar disso, os negros não alcançaram os brancos. Entre a população branca, esse índice é de 22%, mais do que o dobro dos negros diplomados.

Nos Estados Unidos, o porcentual de negros com pelo menos o diploma de graduação é de 21%, contra 35% dos brancos.

  1. Taxa de emprego e renda per capita menores

Os negros ganham menos do que os brancos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Segundo o IBGE, pretos e pardos tinham um rendimento domiciliar per capita de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam quase o dobro — em média, R$ 1.846.

Nos Estados Unidos, ocorre situação semelhante. Lá, a renda é medida anualmente. Segundo o Censo americano, os negros têm uma renda domiciliar média de US$ 41,3 mil por ano, um pouco mais do que a metade da dos brancos (US$ 70,6 mil).

A taxa de desemprego entre os negros também é maior que a dos brancos.

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação entre os negros em 2018 foi de 14,1%, contra 9,5% entre os brancos.

Nos Estados Unidos, naquele mesmo ano, o índice de desemprego entre os negros era de 6,5%, o dobro do dos brancos, de 3,1%, segundo uma análise do think tank Economic Policy Institute com base em dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos.

Negros também são mais pobres do que os brancos, em média.

Segundo o IBGE, em 2018, 15,4% dos brancos viviam na pobreza, enquanto que esse percentual era maior entre pretos e pardos: 32,9%.

Nos Estados Unidos, a disparidade também é observada entre as duas raças. Segundo os dados do Censo americano do mesmo ano, 20,8% dos negros eram considerados pobres, ante a 10,1% dos brancos. Os níveis de pobreza são determinados pelo governo dos EUA e variam de acordo com o tamanho de uma família e a idade de seus membros.

Em 2018, o limiar de pobreza — também conhecido como linha de pobreza — para um indivíduo era de US$ 12.784 por ano. Para duas pessoas, o nível médio ponderado era de US$ 16.247 por ano.

Com todos esses desafios, os negros também têm mais dificuldade de alcançar postos de trabalho mais altos.

Segundo um levantamento do Instituto Ethos, os negros ocupam apenas 4,9% das cadeiras nos Conselhos de Administração das 500 empresas de maior faturamento do Brasil. O índice refere-se apenas a pardos — não há nenhum preto nessa posição de alto comando, acrescenta a pesquisa.

Nos Estados Unidos, há apenas quatro CEOs negros entre as 500 maiores empresas do país (0,8%).

  1. Negros morrem mais por Covid-19

A pandemia de coronavírus, que matou mais de 380 mil pessoas no mundo, tem sido marcada também pela forma desproporcional que atinge segmentos sociais e escancarou problemas estruturais do sistema de saúde.

Nos Estados Unidos, os negros são 13% da população e representam 25% das mortes por covid-19. A taxa de letalidade entre negros é 2,4 vezes maior do que aquela entre brancos. Em Chicago, os negros são 30% da população e 70% dos mortos por covid-19.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil em abril, as disparidades são resultado de desigualdades estruturais que fazem com que comunidades negras no país fiquem mais suscetíveis ao contágio e tenham mais chances de desenvolver formas graves da covid-19.

A população negra nos EUA também tem taxas altas de obesidade, diabetes, hipertensão e asma, que são consideradas fatores de risco para desenvolver formas graves de covid-19. Além disso, muitos americanos negros não têm plano de saúde e mantêm uma alimentação pior do que a média.

No Brasil, um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro com base em quase 30 mil casos, diz que “na combinação de raças e escolaridade, as realidades desiguais ficaram ainda mais evidentes, com uma maior porcentagem de óbitos de pretos e pardos, em todos os níveis de escolaridade. Os sem escolaridade mostraram uma proporção quatro vezes maior de morte do que brancos com nível superior (80,35% contra 19,65%)”.

Dados do Ministério da Saúde brasileiro apontam que as hospitalizações de pretos e pardos com síndrome respiratória aguda grave representam 23,1% do total, mas as mortes dessas parcelas da população somam 32,8%.

Como nos EUA, essas parcelas da população no Brasil também enfrentam mais dificuldades de acesso à saúde.

Segundo informações da pasta federal, em relação aos brancos, os negros vão menos a consultas médicas, dependem mais do Sistema Único de Saúde (SUS), morrem mais cedo, têm mais doenças crônicas e se sentem mais discriminados em serviços de saúde (principalmente por causa da falta de dinheiro e de sua classe social).

Em 2017, o governo federal reconhecia que “o racismo vivenciado pela população negra” compromete “o acesso dessa população aos serviços públicos de saúde, já que a boa qualidade da saúde gera condições para a inserção dos sujeitos nas diferentes esferas da sociedade de maneira digna, promovendo sua autonomia e cidadania”.

  1. Quase 8 em cada 10 das pessoas assassinadas no Brasil são negras

Uma das principais causas de mortes de negros é a violência. Em uma década (2007-17), a violência contra pretos e pardos no Brasil cresceu dez vezes do que a contra brancos.

Setenta e cinco a cada 100 pessoas assassinadas no país eram negras, segundo o mais recente anuário estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que teve como base o ano de 2017. A proporção é a mesma entre pessoas mortas em intervenções policiais.

Se considerarmos a taxa por 100 mil habitantes brasileiros, a taxa de homicídio de negros (43,1) é quase o triplo da de não negros (16). Principalmente jovens.

Há disparidade também na taxa de encarceramento. Segundo dados do Infopen, sistema de informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro, há 750 mil detentos no país. Entre os presos com dados disponíveis no sistema sobre cor de pele, raça ou etnia, 67% são negros, e os brancos, 32%. Na sociedade brasileira, esses dois grupos são, respectivamente, 55 % e 44%.

Nos EUA, os negros também estão sobrerrepresentados nesse quesito, mas isso tem recuado. Eles são 13% da sociedade, mas 40% da população carcerária do país (no Estado de Maryland, chegam a 72%). A taxa de encarceramento da população negra, de 1408 para cada 100 mil habitantes, é cinco vezes maior que a de brancos, que é de 275 para cada 100 mil. Essa taxa chega a ser dez vezes maior em cinco Estados, afirma um relatório da organização Sentencing Project.

A entidade também analisa resultados de reformas de sistemas prisionais. O Estado de Nova Jersey, por exemplo, adotou medidas de desencarceramento, algumas ligadas a penas consideradas mais leves, como posse de drogas. A redução da população carcerária seria de 30% em negros e 16% entre brancos.

Há mais de 1 milhão de prisões por ano nos Estados Unidos sob acusação de posse de drogas.

Parte da responsabilidade desse encarceramento desproporcional é atribuída por especialistas à atuação das polícias. Conforme citado acima, 75% das pessoas mortas em intervenções policiais no Brasil são pardas e pretas.

Segundo quatro pesquisadores americanos, não há evidências de que um policial branco tenda a atirar mais contra minorias do que um policial que pertença a esses grupos.

Em estudo sobre o perfil racial da polícia brasileira, o sociólogo Tulio Kahn afirma que uma das hipóteses estudadas por pesquisadores do país é que, “ao entrar para a polícia, policiais negros deixam aos poucos sua identidade civil de lado, inclusive identidade étnica, para assumir novas identidades, absorvendo a cultura policial”.

Nos Estados Unidos, os negros também tendem a ser mais mortos a tiros pela polícia que os brancos. Eles não passam de 13% da população, mas representam 23% das 1 mil pessoas que morreram em intervenções policiais no país norte-americano.

Há disparidades dessa natureza também entre as forças de segurança no Brasil. Policiais negros são 37% do total de agentes, mas 52% dos profissionais mortos em 2017 e 2018.

  1. Negros são sub-representados nos Congressos e Executivos dos dois países

Em texto publicado nesta semana, o ex-presidente americano Barack Obama discorda das pessoas que afirmam que o recorrente viés racial no sistema de justiça criminal prova que apenas protestos e ações diretas podem levar a mudanças, e que votações e participações na política eleitoral são perda de tempo.

“Eu não poderia discordar mais. A essência de protestos é aumentar a conscientização da sociedade, colocar holofotes sobre a injustiça e fazer com que os Poderes fiquem desconfortáveis. Na verdade, ao longo da história americana, é comum que seja apenas uma reação a protestos e desobediência civil a atenção que o sistema político dá a comunidades marginalizadas. Mas, no fim, anseios têm sido traduzidos em leis específicas e práticas institucionais. E numa democracia, isso só acontece quando nós elegemos autoridades que respondem às nossas demandas.”

Para a ativista e filósofa americana Angela Davis, o desafio “não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, e sim identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado”.

O primeiro político negro eleito para a Câmara dos Deputados brasileira foi o baiano Antonio Pereira Rebouças, filho de um alfaiate português branco com uma mulher negra que havia sido escravizada. Ele foi eleito para a segunda legislatura da Casa, em 1828, ainda durante o Brasil Império.

No período republicano, o primeiro deputado federal de pai e mãe negros foi o pernambucano Manoel da Motta Moreira Lopes, eleito em 1909.

Não havia registros da raça ou cor de pele dos candidatos até as eleições de 2014. Naquele ano, 20% dos deputados federais eleitos se declararam negros. Quatro anos depois, essa parcela passou para 24,3%, segundo dados da Câmara.

Nenhum governador negro foi eleito desde 2014.

Em entrevista à BBC News Brasil em 2018, o cientista social Osmar Teixeira Gaspar, que estudou em sua tese de doutorado pela USP os obstáculos enfrentados pelos negros para se eleger, afirmou que esses candidatos, em geral, recebem menos apoio dos partidos para suas campanhas, como recursos financeiros e pessoal para auxiliar na divulgação. Além disso, os candidatos que já têm mandato e tentam a reeleição costumam ser priorizados.

Nos EUA, os primeiros políticos negros eleitos para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) e no Senado Federal foram Hiram Revels e Joseph Rainey, em 1870.

Em 2019, pela primeira vez a proporção de representantes negros na Câmara americana foi do mesmo patamar do tamanho dessa população: 12%. Deles, 90% deles são democratas e 10%, republicanos (partido do presidente Donald Trump).

Não há atualmente governadores negros no país.

O encarceramento desproporcional de negros afeta a representatividade dessa parcela da população nas eleições.

Isso porque presidiários nos Estados Unidos perdem o direito ao voto enquanto estiverem na cadeia e 48 Estados americanos colocam algum nível de restrição ao voto de egressos do sistema carcerário, mesmo que eles já tenham cumprido sua pena na cadeia — no Brasil, apenas uma parcela dos condenados perde o direito ao voto.

Em entrevista à BBC News Brasil, a historiadora Heather Thompson, professora da Universidade de Michigan e vencedora do prêmio Pulitzer, afirmou que parte da insatisfação dos negros em protestos se dá por causa da perda de direitos políticos decorrente do encarceramento.

“O movimento negro pelos direitos civis nos anos 1960 conquistou a aprovação de uma lei em 1965 que abolia restrições ao voto, mas como depois disso os negros passaram a ser encarcerados como nunca antes, isso anulou em parte o aumento da participação política de negros obtida em 1965”. Segundo ela, na Flórida, 20% dos negros não podem votar por causa de antecedentes criminais.

Há ainda mais uma característica do sistema que sobrevaloriza o voto branco em relação ao negro. Nos Estados Unidos, o voto é distrital: ou seja, um dado contingente populacional de uma área específica elege um representante. O recorte dos distritos leva em conta o número de pessoas por área.

Embora não possam votar, presidiários contam como população de distritos. E a maior parte dos presídios fica em áreas brancas. Logo, na prática, os presidiários, em sua maioria negros, viabilizam que menos votos sejam necessários para eleger um representante em áreas com presídios — e, os representantes dessas áreas são eleitos majoritariamente por votos de brancos.

  1. Nenhum diretor negro ganhou Oscar da categoria

A desigualdade racial também se reflete no setor cultural em diversos pontos, do acesso a equipamentos culturais à inserção de escritores e personagens.

Segundo o IBGE, há mais negros vivendo em cidades sem cinemas do que brancos, por exemplo.

Levantamentos de um grupo de pesquisa da Universidade de Brasília (UNB) apontaram também desequilíbrio racial na proporção de autores e protagonistas de romances publicados por grandes editoras do país. Em cada 10 livros, 8 são protagonizados por brancos.

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, um dos principais do país, os negros são 1,3% dos indicados a melhor direção. Apenas um foi premiado em 15 anos de prêmio, o paulista Jeferson De, com o filme Bróder, de 2009.

A proporção de indicações é igual à registrada no Oscar. Apenas 6 dos 452 diretores indicados são negros, mas nenhum deles foi premiado. O único produtor negro a receber o Oscar de melhor filme foi Steve McQueen, pelo filme que também dirigiu, 12 Anos de Escravidão, em 2013. Três anos depois, Moonlight – Sob a Luz do Luar venceu a categoria de melhor filme, mas as estatuetas foram para três produtores brancos (dois deles premiados também pela obra de McQueen).

Em Hollywood, os profissionais não brancos são sub-representados em todas as funções da indústria de entretenimento americana, como atores protagonistas, diretores e roteiristas. Nesta última categoria, a proporção de brancos é de 5 para 1.

A disparidade entre os protagonistas tem diminuído. Em 2011, as minorias estavam à frente do elenco em 11% dos filmes lançados em cinemas. Em 2017, chegava a 20%, segundo estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Colaborou Mariana Sanches, da BBC News Brasil em Washington

www.reporteriedoferreira.com.br Por G1




Brasil em 24 horas, registra 1.185 mortes por Covid-19; total é de 53,8 mil

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Maia ironiza fuga de Weintraub: ‘primeira vez que alguém diz estar exilado e tem o apoio do governo’

O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ironizou o ex-ministro Abraham Weintraub que afirmou ser perseguido no Brasil, apesar de ter apoio do governo

Rodrigo Maia e Abraham Weintraub
Rodrigo Maia e Abraham Weintraub (Foto: ABr)

247 – O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ironizou o ex-ministro Abraham Weintraub que afirmou ser perseguido no Brasil, apesar de ter apoio do governo.

Maia ainda disse que “ninguém está sentindo falta dele no Ministério da Educação. Ninguém queria que ele ficasse no Brasil de qualquer jeito, porque, de fato, é uma pessoa que mais atrapalhou do que ajudou.”

“Eu não entendi por que…ele tava fugindo de alguém? Estranho, não é? Vai ser a primeira vez na história que alguém diz que está exilado e tem o apoio do governo”, disse. “Geralmente é o contrário. As pessoas fogem porque estão sendo perseguidas por um governo”, reforçou.

Na sexta-feira, 19, Weintraub fugiu para Miami e estava nos EUA quando foi oficializada no Diário Oficial da União. Nesta terça-feira, 23, Jair Bolsonaro retificou a exoneração do ex-ministro no Diário Oficial da União (DOU). A retificação afirma que a exoneração do ministro teria início no dia 19 de junho, e não no dia 20, quando foi publicada a decisão anterior em edição extra do DOU.

 Brasil 247




União Europeia estuda banir entrada de viajantes do Brasil, EUA e Rússia por causa da pandemia, diz jornal

 

Aeroporto de Lisboa, em Portugal, durante pandemia do novo coronavírus — Foto: Rafael Marchante/Arquivo/Reuters

Aeroporto de Lisboa, em Portugal, durante pandemia do novo coronavírus — Foto: Rafael Marchante/Arquivo/Reuters

A União Europeia estuda restringir a entrada de viajantes provenientes do Brasil, dos Estados Unidos e da Rússia, informou reportagem do jornal norte-americano “The New York Times” desta terça-feira (23).

Com a chegada do verão, o bloco europeu pretende iniciar a reabertura das fronteiras externas a partir de 1º de julho, começando por países que têm controlado melhor a pandemia de Covid-19. Oficialmente, ainda não houve anúncio formal sobre quais estados estarão incluídos no banimento.

Estados Unidos, Brasil e Rússia são os três países com maior número absoluto de casos do novo coronavírus, segundo a Universidade Johns Hopkins. Na segunda-feira, o mundo registrava mais de 9 milhões de diagnósticos confirmados da virose.

De acordo com o “Times”, visitantes de países como China, Uganda, Cuba e Vietnã poderiam entrar nos países da União Europeia após dados mais tranquilizantes sobre o vírus nesses locais.

Números atualizados da Johns Hopkins na tarde desta terça-feira mostram que os EUA têm mais de 2,3 milhões de casos do novo coronavírus, enquanto o Brasil passa de 1,1 milhão. A Rússia, segundo a universidade, registra quase 600 mil confirmações de Covid-19.

Restrições começaram com os EUA

Passageiros chegam ao Aeroporto Internacional Seattle-Tacoma, nos EUA, em meio à epidemia mundial de coronavírus — Foto: Karen Ducey/Getty Images/AFP

Passageiros chegam ao Aeroporto Internacional Seattle-Tacoma, nos EUA, em meio à epidemia mundial de coronavírus — Foto: Karen Ducey/Getty Images/AFP

Em março, com o agravamento da epidemia na Europa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baniu viagens da maioria dos países europeus rumo aos EUA — medida semelhante à que o republicano tomou no início da crise da Covid-19, quando proibiu a entrada de visitantes da China. O Brasil também entrou na lista dos países barrados pela Casa Branca em maio.

www.reporteriedoferreira.com.br Por G1




BRASIL – MUITA HISTÓRIA E POUCA MEMÓRIA Por Francisco Nóbrega dos Santos

BRASIL – MUITA HISTÓRIA E POUCA MEMÓRIA
Por Francisco Nóbrega dos Santos

 

O nosso pobre País rico, que foi descoberto por acaso, sobreviveu ao longo do
tempo percorrido e poderia fluir o universo de heroicas histórias. Porém vive
naufragado no oceano de incerteza e desolação. Incerteza em razão desse fantástico
mundo de hipocrisia que reina desde o império; desilusão em face de uma política
injetada por mentes e mãos malfazejas, à frente de tudo.
Nas três fases de governos (província, república e ditadura) pouco, ou quase
nada, mudou na vida dos brasileiros, que sempre carregaram nos ombros a obrigação
de pagar as contas sem darem conta do que já a pagaram, pois essas gerações,
nasceram e cresceram com a responsabilidade dos gastos das grandes farras
praticadas por aqueles escolhidos como gestores dos recursos arrancados da massa,
conquistados com sangue, suor e sacrifícios.

A trajetória do povo brasileiro, sem exclusão de classes sociais, o contribuinte é
aquela pessoa que trabalha a vida toda para o governo, sem fazer concurso. A
princípio, trabalhava-se para a Coroa Portuguesa, onde a produção era exportada para
a Capital da Província, e como retorno, os minguados recursos que mal davam para
amenizar a fome; Com a independência, todos continuavam com os enormes encargos
para manter o “status” da classe dominante, custeando as despesas extraordinárias
com os passeios por outros continentes, matrículas dos filhos da casta elevada, para a
formação de técnicos e especialistas na arte de fabricar políticos como fim de firmar
uma hereditariedade injetada.

Hoje o País, a exemplo de outros continentes, desfruta de três Poderes
constituídos, representados por uma oligarquia hereditária, forçosamente indicada
pelos mais diversos critérios, onde se escolhe o cargo para o homem ao invés de se
escolher o homem para o cargo. E nessa variedade de escolhas, o povo opta por
mandatários que irão governar ou legislar, enquanto o poder de guardar, respeitar e
defender a Constituição é aleatoriamente indicado, através da palavra chave; Q I (que
se traduz; Quem indicou?. Tais escolhas contemplam pessoas de formação acadêmica
que nunca exerceram a magistratura e, infinitas vezes, excluídas em concurso público,
porém num salto de paraquedas, entram no bloco das excelências.

 

E a amnésia dos que fazem a história dessa imensa nação não vê o proposital
desacerto dessa Torre de Babel, edificada pelo ciclo vicioso entre os poderes litigantes.
Então recapitulemos: No dia 24 de Agosto de 1954, o então Presidente Getúlio Vargas,
num tresloucado gesto, deferiu um tiro no coração e em carta disse: – Deixo á sanha
dos meus inimigos o legado da minha; Num passado não muito recente, o Jurista Ruy
Barbosa vaticinou: – Desigualar as desigualdades com tratamento desigual aos
desiguais”, O saudoso paraibano Alcides Carneiro, ao inaugurar em Campina Grande,
uma unidade hospitalar do IPASE proferiu a inesquecível frase: – Hospital! Uma casa
que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra; o ex-presidente Jânio
Quadros, cuja renúncia a todos surpreendeu, sempre afirmava; contra fatos não há
argumentos; por fim, não poderia ficar à margem das históricas frases, destaque ao
desbravador marechal Rondon, que desenvolveu um trabalho no País através de

abertura de vias e rodovias em nosso território: eis a frase: “ Ou o Brasil acaba com a
saúva ou a saúva acaba com o Brasil. Hoje a saúva é, sem dúvida, a corrupção
oficializada. E o veneno eficaz é a ação do Ministério Público, com a atuante Polícia
Federal ou Estadual. O resultado é lento, pois corruptos agem contra a atuação dos
que buscam o fim dessa praga . E o povo, no silêncio conivente, apenas torce.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Francisco Nóbrega dos Santos- Jornalista,Advogado e Escritor.