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‘Renúncia’ e ‘covardia’ não fazem parte do meu vocabulário, diz Cunha

23/08/2015 00:05

Um dia após ser denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) na Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que não cogita renunciar ao cargo, mesmo diante da possibilidade de se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele fez a declaração durante evento com sindicalistas na sede da Força Sindical, em São Paulo, nesta sexta-feira (21). (veja no vídeo acima)Eduardo-Cunha-2-001

“Não há a menor possibilidade de eu não continuar no comando da Câmara, abrindo mão daquilo que a maioria absoluta me elegeu em primeiro turno. Renúncia é um ato unilateral. Isso não faz parte do meu vocabulário, e não fará. Assim como covardia”, afirmou em discurso.

Eleito para a presidência da Câmara em fevereiro, Cunha tem mandato até 2017. Ele diz ser inocente e que foi “escolhido para ser investigado”.

Não há a menor possibilidade de eu não continuar no comando da Câmara, abrindo mão daquilo que a maioria absoluta me elegeu em primeiro turno. Renúncia é um ato unilateral. Isso não faz parte do meu vocabulário, e não fará. Assim como covardia”
Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados

O parlamentar chegou ao evento na capital paulista por volta das 10h20 e foi recebido por aproximadamente 200 pessoas que gritavam “Cunha, guerreiro do povo brasileiro”.

‘Sereno’
“Ninguém pode ser previamente condenado. Estou absolutamente sereno. Nada alterará o meu comportamento. Não adianta nenhuma especulação sobre o que vou fazer ou deixar de fazer. Não vou abrir mão de nenhum direito. Não vou retaliar quem quer que seja”, declarou Cunha aos integrantes da Força Sindical.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta quinta-feira (20) ao STF denúncias contra Cunha e contra o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. (veja no infográfico abaixo)

O procurador-geral pede a condenação dos dois sob a acusação de terem cometidos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, eles tinham influência na Petrobras e receberam propina de contratos firmados entre a estatal e fornecedores. Janot afirma que partidos políticos “patrocinavam” nomes para diretorias da Petrobras, como Nestor Cerveró e Renato Duque, que também recebiam vantagens indevidas de empresas.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o deputado Paulinho da Força (esq.) chegam para encontro com trabalhadores e sindicalistas, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no bairro da Liberdade (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)Eduardo Cunha e o deputado Paulinho da Força (esq.) chegam a encontro da Força Sindical em São Paulo nesta sexta-feira (Foto: Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo)

Na denúncia contra Eduardo Cunha (veja a íntegra), a Procuradoria também pede que sejam devolvidos US$ 80 milhões – US$ 40 milhões como restituição de valores supostamente desviados e mais US$ 40 milhões por reparação de danos. A PGR estima essa quantia em R$ 277,36 milhões, pela cotação atual.

Aliado
O evento desta sexta, realizado no auditório da Força Sindical, foi organizado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), um dos principais aliados de Cunha na Câmara dos Deputados. Cercado por seguranças, o peemedebista chegou ao ato sindical na companhia de Paulinho.

Sindicalistas uniformizados e com bandeiras da Força aguardavam Cunha do lado de fora do prédio. Do lado de dentro, outros integrantes da central sindical estendiam faixas com mensagens de apoio ao presidente da Câmara.

Uma das mensagens, do Sindicato Nacional dos Aposentados, pedia o apoio de Cunha para aprovar um projeto que equipare os reajustes da categoria.

Integrantes da Força Sindical exibem faixa de apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Foto: Tatiana Santiago / G1)Integrantes da Força Sindical exibem faixa de apoio
ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(Foto: Tatiana Santiago/G1)

‘Presunção de inocência’
No seu discurso para os sindicalistas, Cunha voltou a criticar a denúncia da PGR. Segundo ele, a peça judical de 85 páginas assinada por Janot não tem “uma única prova” contra ele. “Aquela ilação, que é a peça protocolada ontem [quinta] com o nome de denúncia”, disse o peemedebista.

Cunha afirmou ainda que vai enfrentar a denúncia “tranquilamente”. “A nossa Constituição sempre preza pela presunção da inocência”.

Em tom irônico, ele deu “graças a Deus” pelo fato de não haver pena de morte no Brasil. “A gente não tem pena de morte neste país, senão, essa ia ser minha pena de morte.”

PMDB
Mais tarde, em uma entrevista coletiva na sede da Força Sindical, Cunha foi questionado sobre se ele precisa atualmente de apoio do PMDB para enfrentar as denúncias.

“Eu não tenho que buscar apoio de quem quer que seja para absolutamente nada. Simplesmente, eu vou continuar exercendo o meu papel. O apoio do PMDB eu tenho que buscar para minhas teses políticas e seus fóruns apropriados”, afirmou.

“Simplesmente, o que está havendo é um processo que virou jurídico, e esse jurídico vai ser respondido juridicamente”, completou.

Cunha lembrou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também foi denunciado há dois anos e, nem por isso, renunciou. “Ele sofreu uma denúncia há dois anos atrás e a denúncia não foi nem ainda apreciada pelo pleno do Supremo, e nem por isso cobraram se ele tinha condições ou não tinha condições [de estar no cargo]”, disse.

O presidente da Câmara também criticou a aliança de seu partido com o PT e, mais uma vez, disse que vai pregar o fim da parceria entre as duas legendas. Segundo Cunha, em novembro, o PMDB irá discutir a possibilidade de romper com o governo em seu congresso nacional.

MPF denuncia Eduardo Cunha - VALE ESTE (Foto: Arte/G1)
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