BESSA GRILL
Início » Política » Queda de Cunha não muda destino de Dilma no Senado

Queda de Cunha não muda destino de Dilma no Senado

Comissão aprova parecer que recomenda abertura de processo de impeachment

6/05/2016 19:35

9cy6g7xjay449tppiigul6gzzApesar do discurso do governo de que o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara talvez pudesse invalidar as decisões sobre o impedimento de Dilma Rousseff, a comissão especial do Senado aprovou hoje, por 15 votos a 5, a admissibilidade do processo contra a presidente, conforme era esperado.

O impeachment de Dilma é praticamente um fato consumado. No plenário do Senado, assim como na comissão especial, esse é um jogo que já está jogado. A presidente será afastada na próxima semana e, muito provavelmente, será condenada mais à frente.

Os discursos na comissão deixaram claro que não haveria mudança de opinião. Todos marcaram suas posições. O governo insistiu na tese de que sofre um golpe. A oposição afirmou que houve crime de responsabilidade: um estrago fiscal que atentou contra a lei orçamentária.

É mau sinal para o governo. O relógio está correndo de acordo como o previsto no cronograma de afastamento da presidente. Inicialmente, esperava-se que a votação no plenário ocorresse na próxima quarta e que Dilma fosse notificada e afastada já na quinta-feira. Mas há uma possibilidade de que a presidente seja notificada na sexta-feira.

Ao mesmo tempo, o vice-presidente Michel Temer será informado e se tornará presidente em exercício até que o Senado faça o julgamento definitivo de Dilma e decida se devolverá o cargo à petista ou se a condenará e efetivará o peemedebista no poder. A restituição do posto à Dilma parece hoje quase impossível.

Portanto, na quinta, dia 12, ou na sexta, dia 13, Temer já deverá dirigir um novo governo. Dificilmente haverá algo que estique isso para além da sexta que vem.

A ideia do PT é que a presidente desça a rampa acompanhada por ministros. De acordo com interlocutores próximos de Dilma, a tendência, até ontem, era o ex-presidente Lula estar junto com ela nesse momento.

Há dentro do PT quem recomende que Lula não esteja nessa fotografia histórica ao lado de Dilma. Será uma foto melancólica, símbolo da queda do PT do poder depois de 13 anos e da interrupção do mandato presidencial. Dos quatro presidentes eleitos desde 1989, metade terá sofrido impeachment.

Outros integrantes do governo e do PT creem que Lula deve estar junto da presidente Dilma por ser o responsável pela indicação dela e para reforçar o discurso de que são vítimas de um golpe impetrado por um grupo que deseja aplicar um programa de governo que não passaria nas urnas e que teria arranjado um atalho para chegar ao poder sem voto.

Quando Lula desceu a rampa em 1º de janeiro de 2011, tinha 80% de popularidade e era aclamado pelo povo. Agora, haverá uma encontro com manifestantes do PT, mas o quadro é bem diferente.

www.reporteriedoferreira.com Por Blog do KENNEDY ALENCAR