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Que onda é essa, Ronaldo?: Por Fabiana Agra

5/02/2016 09:15

12644946_1000633110009934_7781569104427239385_nQue onda é essa, Ronaldo?:  Por Fabiana Agra

Quando a sociedade perdoa, o crime condena. Ronaldo não era herói, também não era bandido. Nasceu e morreu pobre, com a sina dos meninos que sonham em brilhar de alguma maneira, foi tão amador no crime quanto na vida. Ronaldo teve seus 15 minutos após ter sido preso pelo furto de um desodorante e ter lançado o bordão: “Que onda é essa, mermão?”. Os 15 minutos de fama deram a Ronaldo a oportunidade de sair da vida do crime. Mas o crime não saiu da vida dele, o crime agora marcava a vida dele para sempre.

Em uma das primeiras oportunidades que a vida lhe deu substituiu a tatuagem que tinha no peito o artigo 157 por Nossa Senhora. Passou a vender peixe com tapioca na praia para o sustento da família, era admirado pelas pessoas por tentar não cometer mais crime algum.

Na noite de sábado (23), seria homenageado em um show, não teve tempo. Foi executado na porta de casa. Ajoelhado, como um menino que reza a ajuda de Deus, ou de Nossa Senhora. Condenado ao crime e pelo crime de ter nascido pobre.

Agora os 15 minutos de fama não tem significado, agora é apenas um corpo de um pobre de periferia, lembrado pelo furto, lembrado pelo 157. A ausência do Estado foi sentida por Ronaldo por toda a vida e também na morte. Foi seputado em uma cova improvisada, sem muitos amigos, sem muitas palavras.

Lamentos só da família, só da vida. Porque Ronaldo não foi morto estando no crime. Ronaldo foi morto porque o crime muitas vezes fica impregnado na pele. A Família chora porque o perdeu para o crime duas vezes, quando ele errou e quando o crime enxergou nele mais um rosto que deveria ser apagado.

Quando se nasce pobre a morte é apresentada desde cedo, assim como o crime e ambos caminham juntos. Ronaldo no auge dos seus 18 anos e vivendo seus 15 minutos de fama tornou-se mais um nas estatísticas, afinal: “bandido bom é bandido morto.”

Jadeanny Arruda