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PT vai reivindicar mandato de Marta, que deixa o partido, no Senado

29/04/2015 00:29

AGE20110905164-300x200O presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, avisou ao comando nacional do partido que reivindicará na Justiça Eleitoral o mandato da senadora Marta Suplicy, que formalizou nesta terça-feira (28) sua saída da sigla.

Na carta em que pede a desfiliação do partido, ela disse que não poderia compactuar com corrupção. O teor de seu pedido de desligamento irritou a cúpula partidária, até então dividida sobre a hipótese de ir à Justiça.

Contra a medida, petistas argumentavam que a ação vitimizaria a senadora. Além disso, não há precedente nesse sentido, já que o mandato de senador é classificado como majoritário, ao contrário do que acontece na Câmara.

No carta em que justifica sua saída do partido, a senadora ressalta que os princípios e o programa partidário do PT “nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente”.

As críticas fizeram com que dirigentes antes resistentes se rendessem à alegação de que o mandato da senadora pertence ao partido. A assessoria jurídica do PT busca argumentos para desqualificar a tese de que a permanência de Marta no partido seria inviável.

O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, afirmou que a carta é uma prova de oportunismo da senadora, que se se diz vítima de perseguição após ter questionado as denúncias de corrupção contra o partido.

Para ele, Marta jamais se manifestou internamente durante reuniões partidárias. Ele lembrou ainda que ela sempre ocupou espaço de relevância no PT e no governo. “A relação só desandou quando ela saiu do Ministério”, disse.

“Simplesmente falar isso depois de tanto tempo é puro oportunismo. Vida que segue”, afirmou.

CRÍTICAS

Marta vem fazendo diversas críticas públicas ao PT e ao governo federal. No dia 15 de abril, em sua conta no Facebook, afirmou que o Estado brasileiro “vem se portando como agiota” no caso da renegociação da dívida de Estados e municípios com a União.

O governo federal quer jogar a mudança no indicador, que reduzirá o valor das dívidas, para 2016. “Tudo indica que teremos retração econômica, desemprego, demanda enorme de serviços públicos. O mínimo que podemos fazer pelas cidades e estados é garantir que o alívio da dívida aconteça este ano”, escreveu.

Em março, um artigo da senadora em sua coluna na Folha de S.Paulo irritou petistas ao se referir ao ao escândalo da Petrobras como “roubalheira” e dizer que a presidente está reunindo as duas condições que levam “a vaca para o atoleiro”: “negação da realidade e trabalhar com a estratégia errada”.

No artigo, a petista diz que tentar creditar a crise da Petrobras a FHC é “diversionismo”. Ela ainda chancela as acusações da oposição, em especial do senador Aécio Neves (PSDB-MG), de que Dilma mentiu durante a campanha eleitoral para se reeleger.

“Afunda-se o país e a reeleição navega num mar de inverdades, propaganda enganosa cobrindo uma realidade econômica tenebrosa, desconhecida pela maioria da população”, escreveu.

O artigo foi interpretado pelo PT como um passo na estratégia da senadora de se divorciar do partido e embarcar em outra sigla, o PSB, para concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2016.

No começo do ano, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” ela disse que o PT, partido que ajudou a fundar, “ou muda ou acaba”.

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