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PT descarta rompimento com PMDB em nome da “governabilidade”

16/06/2015 01:42

Maior aliado do governo federal, o PMDB foi alvo de duras críticas durante o 5º Congresso Nacional do PT, que terminou hoje em Salvador. Apesar disso, o fim da aliança com o partido do vice-presidente da República, Michel Temer, que estava na pauta dos congressistas, foi rejeitado na resolução final.

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O presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu o diálogo e negociações com partidos da base aliada.
Foto: Fotos Públicas/Ricaro Stuckert/Instituto Lula / Reprodução
Lideranças petistas refutaram o rompimento com o partido em nome da “governabilidade”. “Não podemos levar o governo Dilma para o isolamento no Congresso”, destacou o líder do governo na Câmara, deputado federal José Guimaraes. Os delegados retiraram da versão referendada trecho que considerava como ‘esgotado’ o presidencialismo de coalizão e classificava o PMDB como ‘sabotador do governo’.

Os militantes, no entanto, gritaram palavras de ordem contra o presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, defendeu o diálogo e negociações com partidos da base aliada.

“Um trabalho de costura das lideranças, da presidente, é para procurar dar estabilidade para o nosso governo. Nesse processo há contradições e oposições. Há, no PT, manifestações, mas não há condições nem propósito de romper aliança com parceiros que integraram a nossa coligação. Defendemos o diálogo e a negociação política”, afirmou.

Uma série de moções e resoluções parciais serão remetidas para a próxima reunião do Diretório Nacional do partido porque não houve, segundo Rui Falcão, tempo para debates. A readequação de medidas econômicas do governo está entre as medidas mais polêmicas. “A tese-guia recebeu emendas e as mais polêmicas que mudariam a estrutura foram rejeitadas”, pontuou.

O presidente nacional do PT destacou que as emendas feitas em relação a situação econômica atual devem viabilizar o diálogo com a população. “Nos adendos que foram feitos, tem visão de retomada do crescimento sem recessão, de política cambial e monetária que precisa ser diferenciada. São formas de dialogar com a população. Queremos orientação mais precisa e mais direta e não é possível manter isso com taxa de juros de 14% ao ano”, argumentou, lembrando que as críticas não são personificadas em ministros ou na presidente Dilma Rousseff.
Com essa afirmativa, Rui Falcão ressaltou que a Presidência da República não estava sob julgamento durante o congresso da legenda. “A militância sai vitoriosa, pois pôde debater e, como sempre, prevalece a vontade da maioria”, avaliou.

O texto-base mantém a decisão de que o Partido dos Trabalhadores não receberá recursos empresariais para financiamento de campanhas. Rui Falcão destacou ainda que a legenda tem coragem para debater a taxação sobre heranças e grandes fortunas, mas as discussões ficarão para próximos encontros. O retorno da CPMF “ou qualquer outra forma de financiamento para a Saúde” também continuará na pauta do PT.

Vaccari
Entre as moções aprovadas no Congresso Nacional do PT uma é a favor do ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que está preso, e é investigado na Operação Lava Jato. Segundo Rui Falcão, não há provas contra Vaccari. “Vaccari não é culpado, está preso injustamente e nunca se apossou de um centavo do partido. O que ele fazia era coletar doações legais para a legenda. Há tentativa de criminalizar o partido”.

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