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Procuradoria vai investigar compra de casa por ex-presidente da Previ

Do total de R$ 1,65 milhão pago pelo imóvel em área nobre de Brasília, R$ 190 mil foram entregues em dinheiro vivo à vendedora

17/12/2012 19:19
O Ministério Público Federal do Distrito Federal abriu inquérito para investigar a compra de uma casa pelo ex-presidente da Previ Ricardo Flores, atual presidente da Brasilprev, paga em parte com dinheiro vivo.

A investigação da Procuradoria foi aberta com base em reportagem da Folha que revelou o negócio. Do total de R$ 1,65 milhão pago pelo imóvel em área nobre de Brasília, R$ 190 mil foram entregues em dinheiro vivo à vendedora. A reforma da casa, cerca de R$ 260 mil, também foi paga em dinheiro vivo. O negócio ocorreu em 2010.

Na ocasião, Flores disse que tomou esse valor emprestado do empresário Jorge Ferreira, que administra restaurantes em Brasília e é conhecido por ser amigo de dirigentes do PT. Na época, Ferreira negou ter emprestado o valor. “Nunca. Para o presidente da Previ? Me tira disso.” A Folha não conseguiu localizá-los hoje.

A procuradora Ana Carolina Resende informou ao BB da abertura do inquérito no último dia 5 de dezembro e pediu cópia de processo administrativo que apurou o negócio.

Após a reportagem da Folha, em março, o conselho diretor do Banco do Brasil, patrocinador do fundo de pensão, pediu à Previ a saída de Flores por “grave infração de natureza ética e quebra de confiança”. Em documento assinado pelo diretor jurídico do BB, Antônio Pedro Machado, aprovado pela diretoria do banco, apontou-se a possibilidade de o empréstimo ter sido simulado, uma vez que Flores retificou seu IR para incluí-lo após ser procurados pela imprensa. E, ainda, infração ao código de ética da instituição que proíbe funcionários de tomarem empréstimo junto a clientes da instituição. O conselho da Previ, porém, arquivou a investigação ao mesmo tempo em que Flores deixou o cargo. A procuradora quer saber por qual razão a investigação foi arquivada.

Após deixar o cargo na Previ, Flores foi acomodado na Brasilprev, empresa de seguro que tem o BB como acionista, com salário de R$ 55 mil mensais.

Recentemente, Flores teve o nome citado na investigação da Polícia Federal que deflagrou uma quadrilha que comprava pareceres públicos. Amigo de Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da presidência da República acusada de ser membro da quadrilha, o nome dele é citado em e-mails dos investigados. Uma empreiteira de familiares de Rosemary conseguiu um contato em empresa do BB em área controlada por Flores no banco. Flores não é investigado nesse caso.
Folha de S. Paulo