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‘O PSDB não está estruturado na metade das cidades brasileiras’, diz secretário-geral

25/08/2013 10:25

 

 

Secretário-geral do PSDB, o deputado Mendes Thame (SP) afirma que, além de ter que lidar com a polêmica sobre possíveis prévias para a escolha do candidato à presidência da República, o partido precisa fazer a lição de casa e se estruturar para a disputa de 2014. ”Temos é que estruturar o partido em todos os estados brasileiros, em todos os municípios, para que realmente tenha um caráter nacional”, analisa Thame.

Nesse sentido, Thame reconhece que há um quadro preocupante para um partido que pretende se colocar como principal adversário do PT e da Dilma Rousseff (PT) na disputa eleitoral do próximo ano. ”Não temos o partido montado nem na metade dos municípios brasileiros”, afirma ele. “O PSDB ainda tem um imenso caminho pela frente. Em oito estados não temos nenhum deputado federal”, acrescenta o tucano.

Sobre a disputa interna entre José Serra e Aécio Neves, Thame, aliado do ex-governador, prefere ser cuidadoso na abordagem do assunto. Ele diz que é preciso aguardar uma sinalização mais clara para que, então, o partido possa definir os moldes para eventuais prévias.

Poder Online – O que o senhor achou da iniciativa de José Serra, que na semana passada manifestou seu desejo de ser candidato?
Mendes Thame – Na hora em que tivermos dois candidatos, vamos proceder com as medidas relacionadas ao cumprimento do estatuto, que é a realização de primárias.

Na opinião do senhor, que tipo de prévias o partido deve fazer? Algo abrangente que envolva todos os filiados ou um processo que fique mais restrito às direções estaduais?
Quando tivermos dois candidatos, se isso ocorrer, deverá ser montada uma comissão com representantes dos dois candidatos para discutir os detalhes daquilo que está previsto no estatuto. Sem agredir o estatuto, mas complementar com esse tipo de detalhe que você colocou.

Pessoalmente o senhor não tem uma opinião de como deveria ser?
Não.

Alguns tucanos defendem a tese de que as prévias podem enfraquecer o partido numa disputa interna e que o PSDB deveria se concentrar em contrapor o PT, o senhor concorda com isso?
Pode ser verdade, mas essa é uma tese já superada, porque, se está no estatuto, não há porque discutir esse assunto.

Mendes Thame (Foto: Márcio Fernandes/AE)

Mendes Thame (Foto: Márcio Fernandes/AE)

O senhor não viu a declaração do Serra como um posicionamento eleitoral?
Sim, mas ele não colocou “serei candidato”, ele falou “posso vir a ser”.

E isso não basta para que o senhor veja dois nomes na disputa?
Acho que se ficar tentando advinhar o que se passa na cabeça dele (Serra) estarei fazendo um exercício ilegal da profissão de psicólogo. Ele colocou bem claro na fala dele: ninguém fala por ele. Vamos esperar e ver qual a decisão dele.

É bom para o PSDB ter dois nomes na disputa?
Não vejo problema nisso. Um partido sólido tem de estar preparado para todo tipo de disputa sem traumas. Os problemas que tivermos, vamos enfrentar. Temos de ter a clareza de que o nosso adversário é o PT, é o lulopetismo, que tanto mal tem feito ao país nos últimos 10 anos.

Quem o senhor acha que deveria ser o candidato do PSDB à presidência da República? O senhor tem alguma preferência?
Não. O que temos é que estruturar o partido em todos os estados brasileiros, em todos os municípios, para que o partido realmente tenha um caráter nacional. Seja quem for o candidato, faremos um imenso esforço para que as propostas do PSDB, defendidas por nós durante todo esse período, voltem a prevalecer.

Mas o senhor acha que o PSDB perdeu a força nacional?
Não acho que perdeu. Acho que deixou de ter. Num município onde não formou o partido, estou sonegando àquela cidade o direito de ter um vereador, um prefeito ou vice-prefeito do partido. Não temos o partido montado em nem metade dos municípios brasileiros. Não é o caso de São Paulo, por exemplo, que dos 645 municípios, temos o partido montado em 600. Mas é um esforço de muitos diretórios, muitas gestões, que puseram na cabeça que era preciso estruturar o partido. É um trabalho que não aparece, não dá imprensa, não vira manchete, mas tem de ser feito. Se não fizer, na hora das eleições municipais teremos poucos prefeitos e na hora das eleições estaduais e federais, teremos uma imensa dificuldade de formar a chapa dos candidatos a deputado estadual e federal. E quando não tenho candidatos para formar a chapa completa cria uma incoerência a gente ficar defendendo o fim das coligações (proporcionais) e não ter condições de formar a chapa.

Essa então deve ser sua principal missão como secretário-geral nesta gestão?
Não há dúvida. Quando tiver os problemas, tentar solucionar e não ficar criando problemas. Tenho de solucioná-los e não ficar esperando. Tenho de estruturar o partido. Fazer no âmbito nacional o que em parte conseguimos em São Paulo. O PSDB ainda tem um imenso caminho pela frente. Em oito estados não temos nenhum deputado federal.

Como o senhor acha que a atuação da bancada na Câmara poderia ajudar o candidato do partido no ano que vem?
A bancada pode ajudar muito falando uma mesma linguagem, tendo o mesmo direcionamento. Precisa ser definido o nosso objetivo, o que está errado? Qual é a nossa alternativa para fazer aquilo que o PT não consegue fazer. Tendo isso claro e toda a bancada batendo nesse ponto, isso dá um poder multiplicador, um poder exponencial para convencer a população de que isso que está aí não é a única saída.

Do Ig