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O CASAL ADRIÃO E CREUSA PIRES: Escrito Por Rui Leitao

18/07/2016 10:06

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Rui Leitao

Sempre tive uma admiração muito grande pelo casal Adrião e Creusa Pires. Conheci ambos ainda quando o ponto de comércio deles era na esquina da Avenida Maciel Pinheiro com a Barão do Triunfo. Nunca perderam o jeito simples de serem, mesmo nos tempos áureos como empresários. Seu Adrião era mais tranqüilo, mais contido nas suas manifestações emocionais. Dona Creusa, transbordava alegria, seu entusiasmo em tudo o que fazia era contagiante.

Em 1974 entregaram a João Pessoa sua primeira grande loja de departamentos: o Gran Pires. Lembro de ter presenciado um acontecimento bem interessante, que marcava a sensação de que nossa capital estava adquirindo ares de metrópole, progredindo, modernizando-se. Um grande caminhão desfilou pelas ruas do centro exibindo a escada rolante que seria instalada no estabelecimento comercial prestes a ser inaugurado. Uma grande novidade para todos nós. O público via aquele equipamento com curiosidade e ansiedade em vê-lo funcionando.

Em dezembro o casal promoveu a inauguração da loja, que a população passou a apelidar de “Pirão”. O prédio foi construído no Parque Solon de Lucena, onde até pouco tempo funcionava a Esplanada, cujo projeto tinha a assinatura do arquiteto Carlos Alberto Carneiro da Cunha. Um avião da Transbrasil foi fretado para trazer os inúmeros convidados vindos do Rio e São Paulo. Ficaram hóspedes do Hotel Tambaú e cumpriram uma movimentada agenda no dia do evento de abertura festiva daquele centro comercial. Almoçaram no Bar de Onaldo e jantaram no restaurante O Circo, finalizando a noite participando de um coquetel nas dependências da loja.

Houve uma época em que a mansão em que residiam, em Miramar, tornou-se o primeiro hotel de luxo de João Pessoa. Foram seus hóspedes os presidentes Castelo Branco e Costa e Silva, além de artistas famosos como Jô Soares, Vincius de Moraes, Roberto Carlos, Toquinho, Maria Creusa, etc. Embora recebendo em sua casa visitas tão ilustres, dona Creusa continuava a mesma, com sua forma de vestir sem ostentações, dando provas de que a singeleza pode muito bem conviver com a opulência, sem afetar a personalidade das pessoas. Eles faziam isso com uma extraordinária e impressionante competência.

Faço registro desse acontecimento na intenção de prestar minha homenagem a esses paraibanos que muito contribuíram para o desenvolvimento de nossa cidade e nos ofereceram o valioso ensinamento de que a fortuna não modifica os seres humanos do bem, nem os circunstanciais fracassos abatem os fortes, os que entendem que a riqueza patrimonial é apenas um detalhe, na verdade o que enobrece o indivíduo é sua formação moral e espiritual. . Vivenciaram o apogeu e a decadência, sem jamais perderem a postura digna de quem faz as coisas certas, convictos de que as adversidades devem ser encaradas com altivez, coragem e persistência.

• Integra a série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.